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Silagem de milho: Lições da estiagem

POR THIAGO FERNANDES BERNARDES

PRODUÇÃO

EM 02/04/2014

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A região do Brasil Central vivenciou recentemente um severo período de estiagem, o qual está impactando negativamente em diversos setores, principalmente aqueles voltados à produção de alimentos e energia (sem citar uma possível falta de água potável para a população). Quando nos referimos diretamente à alimentação dos animais herbívoros (bovinos, ovinos, caprinos e equídeos), especificadamente sobre a produção de silagem de milho, pois este volumoso é o mais utilizado nas fazendas zootécnicas brasileiras, vários cenários preocupantes puderam ser observados durante os últimos meses, tais como: a) lavouras que produziram grãos, mas com 70% da sua produtividade; b) lavouras que não produziram grãos e com 50% da sua produtividade; e c) lavouras que não produziram grãos com 30% da sua produtividade.

Bem, se muitos pensam que a situação da produção de volumosos está ruim, o pior ainda está por vir. Isso ocorrerá nas próximas estações (outono e inverno) porque os produtores não estavam preparados para receber esta mudança tão significativa da natureza.


Ninguém imaginava que viveríamos períodos críticos de precipitação e que as lavouras teriam esta queda de produtividade e de valor nutricional. De acordo com as estações meteorológicas, em média, choveu no verão apenas 30% do que estava previsto. Contudo, o cenário está montado e temos que nos preparar para os próximos anos, aprendendo com as lições desta estiagem, as quais são:

1) Híbridos tolerantes à seca: As empresas produtoras de sementes precisam disponibilizar híbridos mais tolerantes aos estresses. Daqui pra frente nós necessitaremos de plantas que sejam mais adaptadas à falta de chuva (veranicos) e às temperaturas mais elevadas;

2) Planeje o plantio: O produtores precisam planejar o plantio e realizá-lo o mais cedo possível. Exemplo: No ano passado quem plantou em outubro/novembro obteve lavouras mais produtivas e com maior participação de grãos na massa. Plantios tardios sempre exigem condições climáticas mais adequadas à cultura do milho.

3) Reduza perdas: Os produtores precisam planejar e aplicar a máxima eficiência durante a ensilagem (da colheita a vedação) e desabastecimento do silo, de modo que o mínimo de perdas possam ocorrer. Muitas propriedades ainda negligenciam etapas importantes do processo e convivem com até 30-40% de perdas em silagem de milho. Pergunta: Você conhece algum produtor de soja/algodão/milho que trabalha com 30% de perdas? Eu não conheço nenhum que trabalhe com mais de 5%, salvo as exceções, como ataque severo de pragas e doenças desconhecidas.

4) Tenha outras opções de volumosos: A silagem de milho, conforme foi comentado anteriormente, é o volumoso mais utilizado nas dietas devido as várias vantagens produtivas e nutricionais que a cultura apresenta; contudo, tenham em mente que produzir milho para silagem é uma estratégia de alto custo e risco porque a espécie é agronomicamente complexa, ou seja, exige tratos culturais frequentes e intensos (uso de fertilizantes, herbicidas, inseticidas e fungicidas), o seu custo de produção fica vinculado ao mercado internacional (milho é uma ‘commodity’) e ainda é muito dependente do clima. Portanto, tenha outras opções de volumosos, seja na forma conservada ou in natura (fresca). A decisão por determinado volumoso vai depender das características da propriedade e do rebanho (exigência nutricional). Somos um país de clima tropical e este fato nos favorece no sentido de conseguir produzir forragem quase o ano inteiro.

Em resumo, e como última lição a ser aprendida, somente os produtores eficientes e que trabalham de forma profissional poderão suportar as futuras mudanças, inclusive aquelas ligadas aos fatores climáticos. Aqueles que não se planejam e não procuram analisar um cenário futuro terão muitas dificuldades em permanecer na atividade agropecuária. A falta de chuva está nos mostrando, inclusive isso.
 

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THIAGO FERNANDES BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

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THIAGO FERNANDES BERNARDES

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 07/04/2014

Caro Emílio, é possível fazer silagem de capim-Mombaça, mas como os outros capins apresentam fermentação indesejável e alta produção de efluente (chorume).

Sob o ponto de vista nutricional deverá ser fornecida para animais que não estão produzindo e de baixa exigência nutricional.



Att,



Thiago Bernardes
EMÍLIO CINTRA IOVINO

JAÍBA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/04/2014

Professor Thiago,

é possível fazer silagem  (tamannho pequeno ), de capim Mombaça ?

Att.

Emílio
THIAGO FERNANDES BERNARDES

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 04/04/2014

Caro Leonardo, não acrescente nada a silagem de milho, principalmente produtos de menor valor nutricional como a rama de aipim. Cada cultura possui as suas características, portanto na maioria das situações não é correto associa-las.



Att,



Thiago Bernardes
CARLOS VILLANOVA

SANTIAGO - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/04/2014

Thiago

Ótima matéria.

De extrema importância porque relata o item de maior valor na produção da pecuária, corte e principalmente leite, e sua produtividade e logo CUSTO.

Este custo define o resultado do complexo produtivo junto com as outras variáveis que o compõe, então, a eficiência da propriedade que define o futuro desta, seja positivo ou negativo.

Minha leitura -eficiência- é a lição desta, ela define a sobrevivência do negócio ou não.

Parabéns.

Villanova
LEONARDO SACCUMAN PRADO

SILVA JARDIM - RIO DE JANEIRO

EM 03/04/2014

Olá Thiago,



Esse ano eu plantei milheto para pastoreio, a produção foi ótima. Ao mesmo tempo foi plantado uma área de milho, que da pena só de olhar.....

Fui obrigado a abrir o silo mais sedo esse ano, e irei plantar mais uma boa área de milheto

Tenho usado picado no cocho, com 40 a 60 dias de plantado, sendo muito palatavel e produtivo.

Estou pensando em plantar sorgo para silagem.

A cana eu acredito que seja uma excelente opção, sendo que demora muito para o primeiro corte, este ano irei plantar cana, e aipim. Gostaria de saber se é possível fazer uma silagem de milho com rama de aipim?



Muito obrigado.
THIAGO FERNANDES BERNARDES

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 03/04/2014

Caro Antonio, do ponto de vista logístico é quase impossível escalonar o plantio em 3 ou 4 vezes. Isso ocorre porque os custos de tornam mais altos e o principal complicador é a falta de máquinas e estruturas de estocagem para suportar 3 ou 4 colheitas. A maioria dos produtores não possuem os seus equipamentos e, desse modo, dependem dos vizinhos, da cooperativa, do prestador de serviço...

Outro ponto é que 3 ou 4 silos deverão ser confeccionados, pois não é possível estocar e em uma semana abrir o silo para um novo abastecimento.

Estas são as limitações.

A dica é plantar cedo. A planta de milho sofre menos quando semeada em outubro/novembro. No Sudeste quem plantou em final de novembro e dezembro praticamente perdeu a lavoura.



Att,



Thiago Bernardes
THIAGO FERNANDES BERNARDES

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 03/04/2014

Caros leitores, foram muitas as mensagens num curto espaço de tempo, portanto não terei condições de responder a cada um. Gostaria muito, mas as outras atividades que exerço também precisam de atenção.

De modo geral, percebi que vários tocaram no seguinte ponto: Qual seria a outra opção forrageira? Esta resposta vai variar porque cada propriedade possui características peculiares. Isto não significa que estou 'fugindo' da resposta, mas é o real. Mas um fator será o limiar: a genética dos animais. Quem tem animais de baixo potencial genético terá mais opções porque o pasto, a cana de açúcar e o capim-Elefante atenderão as dietas. Quem possui animais de médio a alto potencial genético terá a cana de açúcar. Aqueles que se encontram na região Sul, poderão trabalhar com as forrageiras de inverno. Enfim, é um novo desafio...

Obrigado a todos que comentaram trazendo os seus pontos de vista.



Att,



Thiago Bernardes
ANTONIO BOVOLENTO JR.

ITU - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/04/2014

Caro Thiago,



Muito oportuno e preocupante seu artigo. Tenho a sensação de que ainda vamos falar muito sobre esse assunto.



Com relação à safra de milho que acabou de ser ensilada, sob intenso déficit hídrico, deveríamos prestar atenção ao balanço nutricional dos animais quando forem alimentados com essa silagem. Obviamente, haverá que se fazer ajustes nas dietas, de preferência baseados em análises bromatológicas do material.



Se essa silagem for efetivamente de pior qualidade, o impacto na produtividade será direto. Seja pela redução na produção, seja pelo aumento do custo para "repor" o que faltar. Esse cenário é aparentemente inevitável.



Com relação aos próximos anos, suas recomendações e sugestões são absolutamente indispensáveis. O alerta deveria servir para que o produtor se habituasse a "pensar estrategicamente" na hora de fazer o planejamento forrageiro.



Nesse sentido, gostaria de saber sua opinião sobre a viabilidade da adoção de diferentes datas de plantio, digamos a cada dez dias (num total de três ou quatro datas), tanto do ponto de vista técnico / operacional, como do ponto de vista econômico.



Abraço,



Antonio


PAULO ROBERTO VIANA FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/04/2014

A nossa vaca é ruminante, comedor de capim(graminea).  Todo capim existe no verão e no inverno.  Temos que conhecer seu potencial e esplora-lo ao máximo, respeitando suas caracterisca.

As chuvas foram mal distribuidas neste ano. e no próximo?

Vamos pensar em produtor profisional e em milho para silagem irrigado.

Será a melhor opção?

Lembramos quem define o sistema de produção é o custo de produção.

Custo = despesa/produção.

A nossa vaca se alimenta 365 dias.

Temos competencia para fazer volumoso de qualidad(+ 12 % PB) ano inteiro.

Temos conhecimento do nosso clima.
NORMA BASTOS ARRUDA

JAÚ - TOCANTINS

EM 03/04/2014

Professor Thiago,



Em 2013 fiz silo de cana, teve bom rendimento, ficou bom. Este ano vou usar sorgo e milho, mas  são lavouras dispendiosas e não sei se terei um bom rendimento, pois apesar  de chuvas regulares no sul do Tocantins, logo apos o plantio houve um periodo de muito soll.

Pergunto: Quais outras opcões posso ter para silagem ou consumo in natura, que sejam nutritivas e economicamente viaveis?

Obrigado.



Norma Bastos Arruda
LAERTE PEREIRA

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL

EM 03/04/2014

Prezado Thiago,

Muito bom o texto. Curto e de fácil entendimento.

Faltou acrescentar no item 4 quais as outras opções mais comuns no Centro Oeste.

Seria sorgo? Cana? Capim elefante?

Talvez, cada um merecesse um artigo exclusivo e específico.

Obrigado

Laerte
ROMULO ORIAS SAMPAIO DE OLIVEIRA

OURO PRETO DO OESTE - RONDÔNIA - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 03/04/2014

aqui em Rondônia estamos aderindo a pratica de silagem de milho;só que a muita perca.precisamos avaliar melhor as características de uma boa armazenagem.
LUIZ HENRIQUE DIAS DE TOLEDO PITOMBO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - MÍDIA ESPECIALIZADA/IMPRENSA

EM 03/04/2014

Muita oportuna as colocações e lembranças, para que se esteja preparado para outras situações similares.



abs
CARLOS AUGUSTO FELDMANN

CARAZINHO - RIO GRANDE DO SUL - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 03/04/2014

Falam Silagem de milho, porque não fazer silagem de SORGO, produto muito mais resistente a SECA que o milho!!!!!!!!!!!

Já pensaram nesta idéia, é pressão de grandes empresas de milho para falarem e induzir  a plantar e falarem só sobre milho, garanto que se tivessem plantado sorgo teriam uma silagem de ótima qualidade nutricional, custo mais baixo de implementação e garantida a alimentação ao gado leiteiro em um período de falta de alimento.............Pensem......pesquisem, vejam esta ótima opção...... senhores produtores de leite e carne....
REGINALDO GONTIJO

PRESIDENTE OLEGÁRIO - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 03/04/2014

Ótima matéria  Uma opção de volumoso in natura seria a cana ou algum outro tipo de capim?
CLOVIS MAURICIO LOPES

CARANGOLA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/04/2014

Muito bom, o alerta se faz necessário e cabe a todos se precaver.

Obrigado
PATRICK VILELA DE SOUZA

CARMO DO CAJURU - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/04/2014

muito bom o texto, parabéns, só não sabemos se os próximos anos será como este, as vezes chova mais as vezes chova menos ainda, não podemos afirmar nada
ADIR FAVA

MURIAÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/04/2014

O texto nos revela a realidade, mas a questão se agrava não apenas pela falta de planejamento ou pela falta de plantas mais resistentes à estiagem, mas por muitos outros fatores, como falta de bons sistemas de previsibilidade climática, bem como elevados custos dos sistemas de irrigação, falta de incentivos para o desenvolvimento de novas tecnologias, e, enfim, não há como prover um ambiente de crescimento dentro de circulos fechados onde os custos sufocam quem deseja avançar.
THIAGO FERNANDES BERNARDES

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 02/04/2014

Caros ACLL Agropecuária e Sandro, agradeço pelas palavras de incentivo. Vocês compreenderam  exatamente o recado transmitido no artigo.

Sucesso na atividade.



Att,



Thiago Bernardes
MARIUS BRONKHORST

ARAPOTI - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/04/2014

Cara colega ,vai ai dois ditados

Agua mole em pedra dura bate bate até que fura.

Cachoro mordida de cobra tem medo de liguiça