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Silagem de milho: Importância do dispositivo para romper os grãos

POR THIAGO FERNANDES BERNARDES

E RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PRODUÇÃO

EM 19/01/2009

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Nesta sessão, que nos é dedicada mensalmente sobre o assunto conservação de forragens, muito já se foi discutido sobre a importância do tamanho de partícula da forragem na produção e utilização da silagem. Porém, recentemente tem havido grande interesse da classe produtora e do meio científico sobre a importância do rompimento dos grãos de milho no desempenho animal.

A colhedora utilizada para captação das plantas no campo tem papel fundamental no processo de ensilagem, pois a sua função não é somente separar os seguimentos planta-solo, mas também o de promover a picagem da planta e o rompimento dos grãos num determinado tamanho que seja satisfatório para que haja fermentação de qualidade e posteriormente seja favorável ao consumo e desempenho animal.

No Brasil, nós temos dois tipos básicos de máquinas para a colheita da planta de milho, as que são acopladas ao trator (colhem uma ou duas linhas) e as automotrizes (colhem de quatro a oito linhas), que vêm ganhando espaço no mercado nacional, por serem utilizadas na terceirização de serviços.

A regulagem "teórica" do tamanho de partícula da forragem nestes dois modelos de colhedoras pode variar de 0,8 a 3 cm. Porém, é importante ressaltar que em algumas fazendas o tamanho de partícula observado ultrapassa os 10 cm, devido a falta de manutenção (afiamento das facas e ajuste de facas e contra facas) nos equipamentos e também é muito comum a observação de grãos inteiros nas fezes de animais alimentados com silagem de milho, sendo que parte deste problema pode estar ligado ao estágio de maturação dos grãos, mas o tipo de colhedora e o cuidado que é dedicado a ela são os grandes responsáveis por este tipo de perda.

As automotrizes, além de possuírem dispositivo para romper os grãos também apresentam um sistema de regulagem (grão mais ou menos quebrado), contudo, nas colhedoras nacionais de menor porte este dispositivo nem sempre está presente.

Trabalhos americanos (Bal et al., 2000; Kuehn et al. 1997) mostraram que não houve efeito do tamanho de partícula entre 0,95 e 1,9 cm sobre a produção de leite. Esses estudos também indicaram que o tempo de ingestão, mastigação e ruminação não foi afetado pela diferença do tamanho de partícula quando a silagem de milho foi inserida como parte da dieta total. Contudo, é extremamente importante recordarmos que o tamanho de partícula influencia na compactação da silagem. Tamanhos superiores a 1,5 cm podem resultar em silagem com baixa densidade, sobretudo nas camadas periféricas do silo e quando a forragem apresenta concentração de matéria seca superior aos 35%.

Em relação a ação do dispositivo para romper os grãos, os efeitos sobre a ingestão e produção de leite foram bastante evidentes. Bal et al. (2000) observaram efeito positivo sobre o consumo (25,9 vs. 25,3 kg de MS/dia) e sobre a produção das vacas (46,0 vs. 44,8 kg/dia) quando estas foram alimentadas com silagem de milho (linha do leite a 50%) que apresentavam ou não os grãos quebrados. O efeito do rompimento dos grãos parece ser devido ao aumento na digestibilidade do amido que passou de 95,1 para 99,3% nas silagens com grãos quebrados. Johnson et al. (1999), confrontando diversos estudos sobre a presença de grãos quebrados, mostraram que o aumento na produção pode variar de 0,2 a 2,0 kg de leite/vaca/dia.

Portanto, a aplicação de tratamentos à forragem no momento da ensilagem tem como objetivo melhorar as características do processo de conservação, visando não só diminuir as perdas, mas também obter um produto de valor nutritivo elevado que permita maior consumo e conseqüente desempenho animal favorável.

A colhedora de forragem que está sendo utilizada e a manutenção que é direcionada a ela será essencial para o desempenho do rebanho. Lembre-se, que durante a ensilagem de milho, a maioria dos grãos deverá sofrer pelo menos uma fragmentação, decorrente da ação mecânica do equipamento e, que o ajuste de máquinas dentro da propriedade não custa dinheiro, apenas um pouco de tempo e paciência.

Literatura consultada

BAL, M.A.; SHAVER, R.D.; JIROVEC, A.G.; SHINNERS, K.J; COORS, J.G. Crop processing and chop length of corn silage: effects on intake, digestion, and milk production by dairy cows. Journal of Dairy Science, v. 8, 1264-1273, 2000.

KUEHN, C.S.; LINN, J.G.; JUNG, H.G. Effect of corn silage chop length on intake, milk production, and milk composition of lactating dairy cows. Journal of Dairy Science, v. 80, 219 (Abstract), 1997.

THIAGO FERNANDES BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

Zootecnista pela Unesp/Jaboticabal.
Mestre e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP.
Gerente de Nutrição na DeLaval.
www.facebook.com.br/doctorsilage

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CURITIBA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/02/2020

Qual é o risco de ter uma silagem feita com grãos inteiros quanto a formação de fungos ? tenho risco de servir o rebanho com ração com botulismo por exemplo?
WESLLEY

SÃO JOÃO DO PIAUÍ - PIAUÍ - ESTUDANTE

EM 27/09/2015

quanto custa um saco de silagem
WESLLEY

SÃO JOÃO DO PIAUÍ - PIAUÍ - ESTUDANTE

EM 27/09/2015

quero saber como eu faço para engordar cordeiros
WESLLEY

SÃO JOÃO DO PIAUÍ - PIAUÍ - ESTUDANTE

EM 27/09/2015

sou weslley quero saber qual a importancia da ração dentro do saco de silagem
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 26/02/2010

Prezado Evandro,

Aconselharia você a procurar um técnico que possa lhe ajudá-lo na sua propriedade. São muitas as questões e dificies de responde-las todas com clareza para você.

Como você mencionou que é a produção é pequena, talvez o sebrae fosse o orgão indicado para lhe auxiliar na sua produção. Os técnicos são altamente qualificados e eles vão até sua propriedade lhe ajudar.

Atenciosamente

Rafael Amaral
EVANDRO

TERESÓPOLIS - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/02/2010

Olá, amigos, como minha necessidade é pequena, haja vistas que o meu uso seria para poucos bezerros, mais ou menos 10 cabeças e menos ainda de vacas leiteiras, mais ou menos 05, gostaria de alguns esclarecimentos:
1- Posso encilar em silos pequenos para serem uados de uma só vez?
2- O que posso usar para armazenar: sacos plasticos de ração de cachorro, tambores de lata, bombonas plásticas, manilhas de cimento,etc?
3- Ao fazer rolão de milho utilizando toda a planta seca (milho, palha, sabugo, pé), será preciso ensilá-la ou posso deixá-la armazenada debaixo do galpão ou ainda devo fazer a conta só do que será usada no dia tendo assim que moê-la todo dia?
4- Com relação a cana o ideal pra mim é que se moa todo dia e sirva in natura ao invés de ensilá-la?
5- E a mandioca, o que vcs me aconselham?
6- Posso utilizar restos de outras culturas no cocho, tipo: couve, repolho, cenoura, beterraba, chuchu, abóbora, abobrinha, etc.?
Se puderem me responder a todos os seis itens fico muito grato e se puderem mandar para o meu e-mail ficarei mais grato ainda.
RODRIGO ZAMBON

TEUTÔNIA - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 29/06/2009

Muito bom o artigo e as belas contibuições do colegas,

Por experencia propria, se a silagem representa a maior fonte de fibra na dieta dos animais e esta nao tem tamanho de particulas suficiente para promever a mastigação e a ruminaçao dos animais (por volta de 10h/dia), é importante pesar a relação custo beneficio entre ter maior digestibilidade do grao na silagem ou tamponar a ração. Eu prefiro aproveitar mais o grao e tamponar a dieta total.

Att,,
Rodrigo Zambon
SHELTON TEXERA BNEVIDES

JAGUARIBE - CEARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/02/2009

Prezados Autores

Gostaria de parabenizá-los pelo artigo,

O corte (tamanho) da planta e quebra do grão no processo de silagem está diretamente ligado ao processo de fermentação (após processo de ensilagem), onde a acidificão da matéria ajuda na decomposição e/ou na degradação para fazer a silagem. Após deglutido pelo animal e insalivado, essa umidade aumenta ainda mais a acidificação até chegar ao rumem, contribuindo consequentemente para uma maior absorção pelas papilas do rumém aumentando a (mantença + produção) organismo.

Quando o grão não sofre uma ação (Quebra) a umidade adquirida é insuficiente (estado sólido) e leva ao rumem (mecanismo) a trabalhar mais, prejudicando a eficiencia da ingestão e absorção pelo organismo. Todas esses fatores ou caracteres são limitantes na produção de uma boa silagem de qualidade que proporcione o aumento de produção.

Shelton - Técnico Agrícola com Habilitação em Zootecnia
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 26/01/2009

Prezado Domingos Rogério Donadel,

A ensilagem do milho deve ser realizada quando a planta apresentar de 30 a 35% de MS, o que ocorre por volta dos 110 dias após a emergência, ou 20 dias após passado o ponto de pamonha. Essa é a época ideal para ensilagem do milho para obetenção de fermentação ideal, passando-se desse ponto, o aumento no teor de MS da planta e o endurecimento do grão, dificultarão a fermentação da massa de forragem, não compensando o ganho em aumento de produtividade.

Em relação a variedade, não é necessário o uso de híbridos com Stay green, sim escolher híbridos que apresentem alta produção de MS digestível por ha. A planta, não necessita estar totalmente verde para ensilar.

Atenciosamente
Rafael e Thiago
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 26/01/2009

Prezado Orlando Bohrer,

Não vejo motivos negativos para o aumento da degradabilidade ruminal com a quebra de grãos. Sendo que, a quebra do grão auxiliará durante o período fermentativo, na acidificação da massa de forragem, e posteriormente, no rúmen com aumento da degradabilidade, isso beneficiará a síntese de proteína microbiana.
Atenciosamente,
Rafael e Thiago
DOMINGOS ROGÉRIO DONADEL

SÃO MIGUEL DO OESTE - SANTA CATARINA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/01/2009

Colegas,

Há pesquisadores que recomendam que se faça silagem quando o milho apresenta maturação fisiológica, pois neste estágio a produção de matéria seca na lavoura é máxima. Muitos recomendam o uso de variedades que apresentam "stay green", pois o grão está fisiologicamente maduro e a palha ainda verde. Baseado na experiência, o que vocês tem a dizer sobre isto?

Abraços,
Domingos Rogério Donadel
DIETHELM HAMMER

CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 25/01/2009

Prezados Autores!

Agradeco a sua atencao para um assunto tao importante para o resultado produtivo dos pecuaristas!

Da minha propria experiencia como prestador de servicos de silagem na Alemanha e no Brasil (MEGASIL/Itararé-SP) eu quero mencionar que os pecuaristas dos dois países estao procurando o mesmo padrao de silagem! Acostumamos trabalhar na silagem do milho com comprimento de corte entre 8 e 15 mm, acionando sempre adicionalmente o desintegrador de graos (corn-cracker) com abertura entre 1,8 e 3 mm, dependendo do tipo e diametro do grao.

Para incentivar e estimular a ruminacao dos bovinos um corte inferior a 8 mm nao é recomendável (só a silagem para os bio-digestores tem de ser cortado entre 4 e 8 mm de comprimento para compensar falta da mastigacao). Numa ensiladeira automotriz o pé de milho tem de passar por vários rolos doseadores para entrar no picador e todo material picado segue depois para o corn cracker para ser esmagado (sem alteracao do tamanho) entre dois roletes e direcionado pelo tubo de descarga. Um trinco em cada grao já é suficiente para melhorar a fermentacao e aumentar a digestibilidade.

Por causa do alto custo nenhuma ensiladeira comum é equipada com o corn cracker, mais pelo menos em alguns casos existem adaptacoes para aumentar a quantidade de graos quebrados na silagem. Basta ressaltar que em todo lugar a aplicacao das tecnologias disponíveis para aumentar a qualidade da silagem vale mais que a pena - vale dinheiro!

Diethelm Hammer, Herbertingen, Alemanha
ORLANDO BOHRER

IJUÍ - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 24/01/2009

O foco do assunto é quebra do grão. Isto ocorrerá sempre que o grão tiver 2/3 ou 1/2 de linha de leite, desde que as maquinas estejam ajustadas, mas a degradabilidade no rumen será sempre maior. Isto é bom? Acho que não.

Cumprimentos.
HOMILTON NARCIZO DA SILVA

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/01/2009

Parabenizo a todos pelo interesse com o desinformado produtor rural, não pela sua vontade, mas pelas dificuldades da atividade. São informações preciosas para nós produtores de leite, porque tudo tem sua hora certa, mas também as variedades, como vimos tambem tem sua influencia preciosa.

Abraços, Homilton
SIDNEY LACERDA MARCELINO DO CARMO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 21/01/2009

Prezados colegas Thiago e Rafael,

É importante salientar que o tamanho da partícula após ensilagem, assim como o ponto de silagem, devem ser observados para melhor qualidade da mesma; entretando, também quando se plantar um milho para tal finalidade devemos dar prioridade para cultivares de milhos de grãos dentados devido a digestibilidade e degradabilidade no rúmen serem mais eficientes quando comparados com grãos flint (duro).

Outro ponto é que a escolha dos cultivares apresentam no seus estágios fenológicos de leitoso a início de farináceo mais prolongados, uma vez que nesta época coincide com um período chuvoso dificultando a ensilagem, deste modo ele terá uma carta na mão aumentando o seu tempo de ensilagem sem comprometer o ponto de ensilagem.

Grato,
Sidney
VINICIUS LIMA MATERA

ILHA COMPRIDA - SÃO PAULO - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 19/01/2009

Agradeço as informações aqui prestadas, mas fico com uma dúvida. O ideal então seria ajustar a regulagem entre 0,95 e 1,5 cm? Assim consigo bons resultados de compactação e um bom desempenho animal posterior?