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Silagem de cana-de-açúcar para cabras em lactação

POR RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PRODUÇÃO

EM 16/01/2007

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Devido à época de colheita da cana-de-açúcar ser na entressafra da produção das pastagens, ela vem sendo amplamente estudada e empregada como alimento volumoso para ruminantes na forma "in natura", porém essa forma requer corte diário, o que muitas vezes dificulta sua utilização, pelo fato da colheita em dias chuvosos e à perda em seu valor nutritivo durante o verão.

Na silagem de cana-de-açúcar apenas a produção de ácido lático não representa eficiência de conservação, pois as leveduras são capazes de assimilar este ácido e produzir etanol (Walker, 1998; Bernardes, 2003). Aditivos químicos e inoculantes bacterianos têm sido utilizados com intuito de melhorar o padrão de fermentação e a qualidade da silagem.

Na ensilagem da cana-de-açúcar a bactéria Lactobacillus buchneri vem apresentando grandes benefícios na preservação do alimento. Esta bactéria (heterolática) não possui a enzima acetaldeído desidrogenase, responsável pela redução do acetaldeído a etanol.

Dessa forma, esse microrganismo não produz etanol, conseqüentemente ocorre aumento na concentração de ácido acético como produto final de sua fermentação. Além disso, Oude Elferink et al. (2001) demonstraram a capacidade de esta bactéria degradar, em condições anaeróbias, o ácido lático em ácido acético e 1,2-propanodiol, representando para silagens de cana, diminuição de substrato potencialmente fermentável por leveduras. O ácido acético que na maioria das vezes é um produto indesejável nas silagens, constitui-se em um controlador da ação de leveduras (Moon, 1983).

Mendes (2006), trabalhando com rações para cabras da raça Saanen em lactação (sendo a fonte de variação diferentes volumosos: cana-de-açúcar in natura, silagem de cana e silagem de cana aditivada com a bactéria L. Buchneri), obteve resultados promissores, sendo alguns dos parâmetros discutidos abaixo e apresentados na Tabela 1.

A silagem aditivada com a bactéria apresentou maiores teores de ácido acético (aumento de 40% em relação à silagem não aditivada) e menores teores de etanol (apesar de não ser verificado efeito significativo). O etanol produzido causa grande perda energética da forragem, uma vez que é formado a partir da fermentação da glicose.

O consumo foi maior para cabras alimentadas com rações contendo cana-de-açúcar natural, sendo que um dos fatores que auxiliou no decréscimo do consumo para os animais alimentados com as silagens, foi a maior concentração da porção fibrosa contida nestas rações. Apesar do menor consumo para as silagens, a produção de leite não foi afetada estatisticamente (média de 1,52 kg/dia) e os animais que as consumiram apresentaram maior eficiência alimentar.

Em relação à composição química do leite, os animais que receberam silagem apresentaram maiores teores de gordura e sólidos totais. Provavelmente, o aumento da porcentagem de gordura em relação aos animais que receberam rações a base de cana-de-açúcar in natura, pode estar relacionada com a concentração dos ácidos orgânicos das silagens, com destaque para o ácido acético, um dos precursores para síntese de gordura e, ao maior tamanho de partícula observado no material ensilado.

Tabela 1. Parâmetros avaliados em experimento com cabras em lactação.


1Probabilidade de haver efeito significativo entre tratamentos (P<0,05).
nd: não determinado.

Fonte: adaptado de Mendes (2006)

Diante do exposto acima, a silagem de cana, além de beneficiar a logística operacional da propriedade pode auxiliar em melhorias na qualidade do leite. Porém, vale ressaltar que na ensilagem da cana, aditivos são recomendados para minimizar as perdas e melhorar a economicidade da produção. A estratégia a ser adotada, dependerá dos objetivos e planejamento da propriedade.

RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

Zootecnista pela Unesp/Jaboticabal.
Mestre e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP.
Gerente de Nutrição na DeLaval.
www.facebook.com.br/doctorsilage

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