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Radar Gerenciamento: produção de cordeiros em pastagem de azevém - viabilidade econômica

VÁRIOS AUTORES

PRODUÇÃO

EM 26/12/2013

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No mês anterior tratamos dos componentes de custo de três sistemas de terminação de cordeiros. Agora avançaremos para abordar a viabilidade econômica desses mesmos sistemas. Dessa forma, para que você compreenda este artigo é necessário que primeiramente leia o anterior, então clique aqui caso ainda não tenha acessado.

Vamos adiante! O objetivo será comparar estes três sistemas sem entrar no mérito de discutir preços e variações entre regiões, que são significativas. Nesse caso vamos focar na comparação entre o que obtivemos.

Para facilitar repetiremos aqui os três sistemas avaliados:

(1) cordeiros desmamados aos 40 dias mantidos em pasto;
(2) cordeiros mantidos com as ovelhas (mães) em pasto;
(3) cordeiros mantidos com as ovelhas (mães) em pasto recebendo suplementação em creep feeding (1% do peso dos cordeiros/animal/dia).

Para cada um desses sistemas identificamos o investimento necessário para um sistema com 150 ovelhas (rebanho fixo). Consideramos o mínimo possível com instalações e equipamentos de baixo custo. Para isso usamos uma área de nove hectares de pastagem formada de Tifton 85 em cada um dos três sistemas. Além disso, consideramos também área de reserva legal, reserva permanente conforme legislação, e área para plantio de milho para silagem (0,8 ha), num total de 12,40 ha. Também inserimos 100 m² de instalações, um escritório de 5m² e cercas eletrificadas com três fios para os piquetes.

Tabela 1. Investimento em cada sistema de produção de cordeiros para carne.


O resumo do investimento necessário para praticar a criação de ovinos nos três sistemas de produção propostos revelou que o sistema de terminação dos cordeiros em pasto com e sem desmame necessitaram do mesmo investimento (Tabela 1), que foi menor do que o observado no creep feeding. Isso se explica pelo fato de que no creep há investimento maior em instalações para guardar os alimentos e as próprias instalações do creep com cocho para os cordeiros. Observe que o investimento é muito semelhante entre os sistemas e o impacto maior, que causa a diferença na análise econômica é devido ao custo que foi apresentado no artigo anterior e repetimos na Tabela 2.

A receita total obtida na atividade teve grande participação da venda de animais como matrizes, que variou de 38 a 44% da receita, conforme o sistema (Tabela 2). Se não houver essa oportunidade de negócio, o produtor deverá lançar mão de outra estratégia para manter receita compatível com os custos da produção, e ser eficiente.

A avaliação do resultado econômico revelou que somente a terminação sem desmame dos cordeiros apresentou resultado positivo, sendo remunerados todos os fatores de produção com lucro (Tabela 2).

Tabela 2. Resultados econômicos dos sistemas de terminação de cordeiros (150 ovelhas).



É importante observar que ao analisar a margem bruta e líquida, os três sistemas apresentaram valores positivos, o que pode dar a impressão de que a atividade gerou lucro em todos eles. No entanto, não houve a remuneração de todos os fatores, tais como depreciação e custo de oportunidade do capital investido. Quando esse valor é ignorado nos cálculos de análise econômica, o que é comum acontecer tem-se uma lucratividade que não é real, e com o passar dos anos o produtor se descapitaliza, tornando-se sem condições de continuar na atividade.

Na análise de produtividade animal, o sistema com creep feeding foi o que apresentou melhor resultado porque gerou maior peso na carcaça (15,05 kg de carne/ovelha/ano).

Como vimos, o menor custo total de produção foi observado no sistema de produção de cordeiros desmamados terminados em pasto, o que aparentemente indicou maior eficiência de produção. No entanto, devido à diferença no número de animais terminados e no rendimento de carcaça, o sistema mais eficiente foi o sem desmame, com terminação dos cordeiros em pasto, que apresentou menor custo de produção (R$ 13,26/kg de carne). O segundo sistema mais eficiente foi o de cordeiros não desmamados criados em pasto com creep feeding, que apresentou custo total de produção de R$ 14,53, seguido do sistema desmamado terminado em pasto (R$ 17,78).

O ponto de equilíbrio revelou que, sem o desmame dos cordeiros, sem e com creep feeding, houve necessidade de vender, respectivamente, 59,57% e 66,17% da produção para começar gerar lucro, quando se venderam também animais para reprodução e descarte. Caso fosse realizada somente a venda de carne sem os animais de descarte e matrizes, o ponto de equilíbrio para os mesmos sistemas, respectivamente, seria de 98,90% e 104,69%. Esses dados enfatizam a importância da venda de animais na composição da receita total da propriedade na ovinocultura, com risco para o produtor se essa receita com a venda de animais diminuir ou deixar de existir.

Com relação ao preço de venda da carne inspecionada, observou-se que, nos moldes de produção apresentados, o preço de venda mínimo para empatar com o custo total de produção deveria ser R$ 17,78 no sistema de cordeiros desmamados criados em pasto. Como o valor de venda praticado foi de R$ 13,50, houve prejuízo de R$ 4,28 por kg de carne (Tabela 2). Com esse preço de venda para o quilo da carne conseguiu-se lucratividade mais elevada, sem desmame dos cordeiros.

A TIR deve ser igual ou superior à taxa de juros de mercado, sendo a Caderneta de Poupança a referência de comparação; e essa taxa positiva indica que o capital investido na atividade foi recuperado e o saldo disponível a cada ano rendeu juros iguais à TIR (Guimarães & Canziani, 2004). Nesse modelo, observou-se que nenhum sistema apresentou TIR maior que o mínimo desejável (6% a.a.), sendo que o que apresentou melhor TIR foi o de terminação de cordeiros sem desmame em pasto (Tabela 2).

A Relação Benefício:Custo foi superior na terminação sem desmame em pasto; entretanto, destaca-se que em nenhum sistema, a soma das receitas a valor presente (corrigidas a 6% a.a.) no período de dez anos foi superior ao investimento. Santos et al. (2007) avaliaram três sistemas de produção de cordeiros: tradicional, intensivo normal e super precoce praticados no Instituto de Zootecnia (IZ) de Nova Odessa-SP, e obtiveram a Relação Benefício:Custo de 1,11; 1,50; e 1,64, respectivamente. Os autores realizaram o cálculo dos indicadores econômicos, no entanto, não apresentaram a planilha de custos, e os itens que a compõem, não sendo possível assim, a comparação com este estudo, por questões metodológicas.

Síntese da pesquisa

O sistema com desmame e terminação de cordeiros em pastagem de azevém foi o de menor lucratividade por apresentar alta mortalidade e baixo rendimento de carcaça. A maior lucratividade foi observada nos sistemas com cordeiros terminados em pasto sem realização do desmame, sendo que esse foi o único que gerou lucro. Os sistemas de produção de ovinos para carne apresentaram taxa interna de retorno (TIR) menor que a remuneração média anual da Caderneta de Poupança.

Os resultados econômicos encontrados indicam que o produtor necessita ter eficiência na produção de ovinos para que possa ter retorno econômico na atividade. Isso ocorre especialmente em relação à mão-de-obra e alimentação dos animais, já que esses itens apresentaram maior participação no custo de produção.

É importante destacar que o objetivo principal do trabalho foi a análise comparativa dos sistemas. Dessa forma, mesmo que ocorram variações nos preços dos insumos ou de venda, eles foram os mesmos em todos os sistemas, portanto o foco deve ser verificar a diferença entre eles foi e não discutir os preços em si.

Referências bibliográficas

SANTOS, C.O. et al. Análise econômica de sistemas de produção de cordeiros no Estado do Rio de Janeiro. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE ZOOTECNIA, 9., 2007, Londrina. Anais... Londrina, 2007. 1 CD-ROM.

GUIMARÃES, V.Di A.; CANZIANI, J.R.F. Análise econômica, financeira e de decisão. Curitiba: DERE/SCA/UFPR, 2004. 34p. Material Didático.



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CARINA BARROS

Médica veterinária
Mestre em Ciências Veterinárias UFPR
Doutora em Nutrição e Produção Animal FMVZ-USP
Pós-doutorado FMVZ-USP
Atuação na avaliação econômica e modelagem

ALDA LÚCIA GOMES MONTEIRO

Coordena o Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos (LAPOC) da UFPR

MARIA ANGELA FERNANDES

Médica Veterinária pela UFPR
Doutoranda do Programa de Ciências Veterinárias da UFPR
Integrante do LAPOC - Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos da UFPR

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RAFAEL MOURA

TERESINA - PIAUÍ - PESQUISA/ENSINO

EM 25/06/2014

Boa tarde,

Parabenizo pelo excelente artigo. Observei que não há indicação de uso de sal mineral. Estou começando uma criação de carneiros no sistema intensivo com alimentação de capim tifton 85, portanto gostaria de saber informações sobre suplementação por sal mineral e se há algum artigo que trata das necessidades minerais de ovinos ou formulação de sal mineral para suplemento. Sou do Piauí, o solo daqui é pobre em fósforo.

Agradeço se puderes ajudar.



Rafael Leal - Piauí
LUIZ HOMERO CABISTANI

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL

EM 12/05/2014

Parabéns pela matéria !
CARINA BARROS

OSASCO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 22/04/2014

Prezado Carlos Otavio Lacerda,

Os três itens que citou são importantes porque afetam diretamente a produtividade e a lucratividade.

Veja que no nosso caso trabalhamos com Tifton 85 e nas análises que realizamos das amostras de pasto encontramos valores de proteína bruta de 10%, o que é elevado para uma gramínea. Com isso, a própria pastagem já tinha uma qualidade para contribuir com o ganho de peso dos animais, Soma-se à isso o fato de não termos começado o creep tão cedo por questões técnicas na área experimental. Dessa forma, vimos que investir no creep nessas condições com pasto de qualidade e em quantidade com creep tardio não compensou, sendo melhor manter os cordeiros com as mães.

Não avaliamos experimentalmente a braquiária para trazer dados reais comprovados por nosso experimento, mas se considerarmos que a forragem tenha menor qualidade em termos de proteína já poderemos pensar que há potencial maior para vermos diferenças mais marcantes com uso do creep. E se ainda considerar o início do creep mais precoce, as chances de melhores resultadores serão ainda mais promissoras. Hoje em dia já temos publicações fazendo experimentos como esse em várias regiões, com raças de animais e pastos diferentes. Seria interessante verificar se encontra algum artigo com experimentos próximos à sua região para analisar os resultados. Como não trabalhamos com a braquiária especificamente não temos dados concretos para enviar, mas fica a dica que podemos sim ter resultados que compensem, pois cada contexto é diferente e não podemos generalizar. Sucesso e se encontrar dados interessantes para compartilhar, retorne!
CARLOS OTAVIO LACERDA

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/04/2014

Muito bom artigo, mas tenho algumas questões



Muitos produtores como eu, investem em creep e acabamento/confinamento  de cordeiros, esperando receber um preço maior por animais precoces, com carcaça mais adequadas a obtenção de cortes mais nobres. De fato na porteira da fazenda isso acaba não fazendo diferença e o creep e o acabamento podem implicar em custos adicionais sem retornos adicionais.



A meu ver, considerando o preço de venda fixo, a conta a fazer é se gastar em confinamento e creep compensa considerando:

1. ganho maior de peso

2. redução de gastos com medicamentos (maior incidência de doenças nos animais a pasto) e

3. Menor perda por mortes de cordeiros



Qual a conclusão de vocês, considerando cordeiros em pasto de braquiária?.



Obrigado
LEONARDO DE RAGO NERY ALVES

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 26/12/2013

Prezada Carina Barros e colaboradoras;



Parabéns pelo trabalho publicado. É realmente importante o esclarecimento financeiro aos produtores; principalmente àqueles cujo potencial de investimento é baixo, pois quando estes não fazem um controle de investimentos e custos, estão condenados no mercado produtor.

Todavia, gostaria de sugerir um maior detalhamento dos custos, em um próximo momento, para que estes produtores tenham à vista números reais de produção (como por exemplo, gastos com pastagem - que tendem a serem imperceptíveis na maioria dos sistemas). Outro ponto interessante seria um trabalho ajustando o número de matrizes gradualmente, afim de se chegar no ponto de equilíbrio, respeitando um custo oportunidade de 6%. Alem deste poderia também utilizar indicadores econômicos de retorno, como pay back, payback descontado e VPL.



Obrigado pelas boas informações aqui contidas.



Cordialmente;



Leonardo de Rago N. Alves


ENIO ROGÉRIO CARDOSO FAGUNDES

ALEGRETE - RIO GRANDE DO SUL - ESTUDANTE

EM 26/12/2013

Muito esclarecedora a matéria, parabéns.