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Quarentena: uma das ferramentas para o sucesso

POR THALES DOS ANJOS DE FARIA VECHIATO

PRODUÇÃO

EM 09/10/2009

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Com a intensa expansão da criação de ovinos e caprinos não apenas no Estado de São Paulo, mas em todo território brasileiro, cresce a comercialização destes fantásticos animais. Este fato se deve ao maior número de animais por hectare, elevando assim, a produção de carne em pequenas propriedades.

Para alcançar um grande rebanho em pouco tempo, muitos pecuaristas acabam adquirindo cordeiros, matrizes e reprodutores de outras cabanhas, seja esta de grande produtividade com instalações e manejos (nutricional, sanitário e mão de obra) adequados ou ainda, de propriedades carentes em tecnologia e informação. A consequência direta desta nova aquisição animal é a introdução de "novas enfermidades" em seu rebanho.

Pela falta de paciência e pensamento em obter rápido retorno econômico e produtivo dos novos animais, o período de quarentena é deixado de lado ou menosprezado por muitos, sendo introduzidos logo após o desembarque à piquetes ou currais juntamente com o restante do rebanho.

Com todo estresse desencadeado pelo transporte, manejo pré e pós embarque, contato com animais de diversas regiões e categorias dentro da fazenda ou ainda no caminhão, seus novos "tesouros" podem manifestar algumas doenças, como verminoses, broncopneumonia e afecções podais. Doenças antes desconhecidas em sua cabanha.

As verminoses estão presentes em muitos rebanhos, principalmente em sistemas de criação extensiva ou semi-intensiva, já que fase inicial do ciclo dos parasitas acontece no ambiente, cerca de 10 a 20 dias até atingir o estágio infectante (fase larval L3). Nisso, quando chegam à sua fazenda, os parasitas podem estar próximos da fase de multiplicação ou ovoposição, contaminando assim todo ambiente e principalmente, os pastos. Além de ocasionar quadros sintomáticos no animal parasitado em decorrência a sua imunossupressão, pode contaminar toda sua propriedade.

Outra enfermidade frequentemente observada é a broncopneumonia. Existe uma bactéria comensal, ou seja, habitante normal da flora oronasal dos ruminantes, a Pasteurella sp. Quando os animais são estressados, há uma imunossupressão e o que antes era encontrado apenas na boca, acaba invadindo e colonizando o pulmão desencadeando assim, a broncopneumonia. Em alguns casos, como a multiplicação do agente é intensa, pode ocorrer disseminação para outros animais e o quadro se expandir no rebanho. Este quadro acarreta em redução na produção diária de 5 a 10% por animal doente, podendo ainda elevar a redução no ganho de peso e produtividade.

Dentre as afecções podais, a footrot é a mais freqüente em pequenos ruminantes. Existe dentro de um rebanho, 1/3 de animais resistentes ao quadro podal e portadores assintomáticos disseminando o agente entre os demais no rebanho, 1/3 susceptível e sempre apresentando quadro clínico, com manqueira e intensa claudicação, associada à presença de secreção muco purulenta e fétida na sola dos animais, sendo o terço restante com sintomatologia tardia e cura natural do problema nos cascos. Esta enfermidade podal acarreta em redução de até 11% no ganho de peso (GDP) e de 8 a 10% na produção de lã em ovinos lanados.

Notamos em todos os casos que os prejuízos são grandes e quando extrapolamos para um maior número de doentes no rebanho os custos com medicação para tratamento e, mão de obra se eleva dentro de um sistema de produção. E a "fama pelo prejuízo" vai ser sempre do local que adquiriu os animais e não do tipo de manejo e conduto pós compra em sua cabanha.

Porém, para prevenir estes "prejuízos indesejáveis" em sua fazenda, a indicação é realizar quarentena antes de introduzir os animais comprados em seu rebanho. Os animais devem permanecer por 40 dias isolados do restante, em piquete de qualidade (para minimizar todo estresse desencadeado durante o processo de compra) ou em baias concretadas, a fim de facilitar a desinfecção (vassoura de fogo, caiação ou uso de desinfetantes comerciais, no caso de baias e em piquetes, a própria roçagem com a entrada de raios solares entre o capim) do local após este período. Esta prática irá garantir que possíveis infecções ou problemas se restrinjam em apenas um animal e não em muitos do seu rebanho.

Vale lembrar que o Médico Veterinário sempre deverá ser consultado, pois ele é o único profissional capacitado para identificar, diagnosticar e estipular o melhor tratamento destas e demais enfermidades, garantindo a saúde do seu rebanho.

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THALES DOS ANJOS DE FARIA VECHIATO

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SÃO BERNARDO DO CAMPO - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 14/10/2009

Caro Luiz,

Obrigado pelas palavras.
Em alguns casos, existe a presença de secreções quando ocorre contaminação por outros agentes bacterianos.

Abraços,
Thales
THALES DOS ANJOS DE FARIA VECHIATO

SÃO BERNARDO DO CAMPO - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 14/10/2009

Caro Pedro,

Obrigado pelas palavras e pelos elogios.

Realmente, este é um assunto deixado de lado por muito pecuaristas, sendo uma ferramenta barata no controle de diversas enfermidades.

Abraços,
Thales
LUIZ ALBERTO OLIVEIRA RIBEIRO

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 13/10/2009

Caro Thales

Bom o teu artigo. Só queria lembra que lesões de footrot nunca apresentam "secreção muco purulenta". Odor sim e com características próprias. Meu orientador australiano, Prof. John Egerton dizia que há um queijo italiano com o mesmo odor. Abraços
PEDRO NACIB JORGE NETO

CAMPINAS - SÃO PAULO

EM 10/10/2009

Prezado Thales,

parabéns pelo artigo, assunto muito importante que na maioria das vezes, é esquecido acarretando grandes problemas posteriores.

Fazendas de criação de animais de alta genética muitas vezes adquirem receptoras e esquecem da quarentena, juntando as novas com as já presente na propriedade, trazendo grandes transtornos.

Att.
Pedro Nacib Jorge Neto
AllStock do Brasil Genética
www.allstock.com.br