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Qual é ponto ideal de colheita nas culturas de milho e sorgo?

POR THIAGO FERNANDES BERNARDES

E RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PRODUÇÃO

EM 28/02/2013

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Devido ao atraso das chuvas no ano passado, na região do Brasil Central, a maioria dos produtores semearam o milho e o sorgo tardiamente. Desse modo, estas culturas estão sendo colhidas nesta época do ano, o que traz à tona a importância do tema ‘ponto de colheita’ destes cereais para a produção de silagem.

O ponto ideal de colheita das plantas de milho e de sorgo parece ser um assunto já muito discutido entre produtores e técnicos, de modo que não são necessárias novas abordagens sobre o assunto, pois existe um consenso geral entre todos sobre os critérios que devem ser tomados sobre a maturidade fisiológica das plantas (enchimento dos grãos).

Contudo, com grande frequência nos deparamos com situações desfavoráveis na produção de silagem destas espécies, devido, principalmente, à antecipação do momento ideal para a colheita, quando a planta ainda não apresenta teor de matéria seca desejado e o grão não acumulou quantidade suficiente (próxima da máxima) de amido.

Esses dois fatores (matéria seca e amido) são essenciais quando cereais estão sendo ensilados. A matéria seca define o grupo de microrganismos que poderá se desenvolver durante o processo fermentativo, e quando ela é baixa, bactérias indesejáveis dominam o processo, elevando as perdas durante a estocagem. O amido é o principal carboidrato presente nestas espécies, portanto o que define a concentração energética do alimento.

Os carboidratos possuem importância quantitativa na dieta de ruminantes (~70%), o que confere alto impacto sobre a economicidade do sistema. Quando a planta é colhida com teor de matéria seca abaixo de 28-30%, nem todo amido foi acumulado no grão. Em plantas de milho, a maneira mais fácil e correta para se monitorar a matéria seca da planta e o acúmulo de amido é por meio da observação dos grãos. Em 1984 dois pesquisadores americanos (Afuakwa e Crookston) elegeram a linha do leite no grão como o critério para definir o momento ideal de colheita. A linha do leite faz a demarcação entre a matriz sólida (amido) e a matriz líquida (açúcares) do grão, a qual muda de posição no sentido da coroa para a base (onde se insere o grão na espiga). Para visualizar a linha do leite é necessário partir a espiga. Ela se torna visível somente de um lado, enquanto do outro está coberta pelo embrião em desenvolvimento. Quando a linha do leite se encontra entre 1/3 a 2/3 (Figura 1) a planta já acumulou matéria seca e amido suficiente para ser ensilada.

Figura 1. Intervalo correto que a planta de milho deve ser colhida para a produção de silagem.

Para a cultura do sorgo não há como observar a linha do leite porque a deposição de amido é distinta, contudo, é possível observar a consistência dos grãos, ou seja, quando os mesmos estão passando do estágio leitoso para o farináceo, a planta pode ser colhida.

Quando o teor de amido da silagem é elevado ocorre redução significativa no custo da mesma, e ainda reduz aquisição de nutrientes energéticos na forma de concentrado para o balanceamento da dieta. Como os animais estão se tornando cada vez mais produtivos, devido ao melhoramento genético e práticas de manejo adequadas, a necessidade de se elevar a concentração energética na dieta passa ser essencial dentro do sistema de produção e, para isso, necessitamos de amido na ração.

Embora o teor de matéria seca reduzido (abaixo de 30%) seja indesejado pelos aspectos enumerados anteriormente, ressalta-se que teores acima de 38% não são preconizados, pois aumenta a resistência da massa de silagem à compactação durante a sua confecção, reduzindo a densidade. Altos teores de matéria seca (acima de 40%) também exigem maior potência do equipamento que realiza a colheita para manter o tamanho de partícula uniforme. Além destes fatores, quando o grão atinge a maturidade fisiológica, a digestibilidade do amido decresce, principalmente em híbridos de milho que apresentam grão do tipo flint (duro).

Para finalizarmos, gostaríamos de ressaltar que este artigo vem novamente discutir os aspectos do ponto ideal para colheita com o intuito de esclarecer técnicos e produtores que a maturidade fisiológica da planta é algo chave no sucesso da produção de silagem de milho e de sorgo, e que se ela for respeitada a produção de amido poderá ser maximizada. Essa maximização só ocorre quando os critérios descritos anteriormente são obedecidos.

Em muitas situações, a "ansiedade" em colher as roças destas culturas ocorre devido ao fenômeno de clorose nas folhas localizadas na porção inferior da planta, fruto de adubação inadequada, principalmente com nitrogênio e enxofre. Esse sintoma foliar nos dá a falsa impressão que a planta está secando, o que leva muitos a iniciar a colheita de forma antecipada. Percebe-se que ocorre um efeito cascata: o erro na adubação conduz ao erro no ponto de colheita, que aumenta as perdas, que reduz a concentração de amido, que reduz a energia da silagem e que reduz a produção de leite ou o ganho de peso.
 
Esta matéria é de uso exclusivo do MilkPoint, não sendo permitida sua cópia e réplica sem prévia autorização do portal e dos autores do artigo.

THIAGO FERNANDES BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

Zootecnista pela Unesp/Jaboticabal.
Mestre e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP.
Gerente de Nutrição na DeLaval.
www.facebook.com.br/doctorsilage

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GUILHERME ALFREDO MAGALHÃES GONÇALVES

LAGOA DOS PATOS - MINAS GERAIS - TÉCNICO

EM 07/04/2014

Parabéns pela abordagem do assunto!

Caro Thiago e Rafael, considerando o milho como forrageira a ser ensilada, e os pontos ideais 2\3 da linha do leite ou 30 a 35% de MS, qual é o melhor método a ser abordado pelo técnico ou produtor? Haja visto que os dois são metodologias fáceis de serem trabalhadas e observadas.



obrigado @ de abraços
LEONARDO SOARES

GUAPÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 10/03/2013

O milho passado pra duro possui mais proteína,plantamos milho da linhagem 1051 agroceres, o que me diz sobre esse milho pra silagem.
EDILSON FERREIRA DA COSTA

LIMOEIRO DO NORTE - CEARÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 06/03/2013

Muito bom o artigo! Somente dizer a todos que aqui no Ceará, especificamente em Limoeiro do Norte, é um nincho de mercado o plantio principalmente milho.

Áreas antes plantada com melão, agora é milho para atender os mercados do nordeste, Alagoas, Paraiba, RN e outros.

Este fato é a seca que assola os estados nordestinos.

Att.
VICENTE DE PAULA LIMA DOS SANTOS NETO

NAZARÉ - TOCANTINS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/03/2013

Artigo bastante pertinente...Parabéns!

Aqui no Tocantins temos obtido bons resultados. Com o passar dos anos mudamos e experimentamos novas formas de trabalho a partir dos seguintes pontos: (silo - superfície)



- As facas da ensiladeira são afiadas ao menos 1 vez ao dia;

- Temos parcelado a semeadura com intervalo de 5 dias, evitando-se a formação de roças muito grandes, isso facilita o planejamento e a correção de eventuais problemas (chuva, quebra de maquinas);

- O uso do inoculante é imprescindível;

- A cada 3 dias fechamos apenas parte do silo e continuamos o processo de ensilagem no dia seguinte o que tem facilitado a mão-de-obra;

- Guardamos e usamos a lona do ano passado para cobrir e proteger ainda mais o silo atual,  e sempre usamos terra por cima do silo pois é ótimo na expulsão do ar;

- Sempre nos atentamos ao tamanho da partícula final, é importante principalmente quando se trata de dietas com alta proporção concentrado:volumoso.
JOÃO LEMKE

SÃO LOURENÇO DO SUL - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/03/2013

aqui em são lourenço do sul RS ,a variedade agroceres 2005, fica pronta para corte em aprox. 100dias.
ANTÔNIO GUSTAVO DE CARVALHO

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS

EM 04/03/2013

Meu sorgo está hoje com 124 dias, e  estive com um técnico debatendo a questão do corte há pouco. O artigo acima tocou em alguns pontos que me ajudarão a definir o corte nesta semana ou na próxima, após nova análise da lavoura!

Ótimo artigo!
GUSTAVO SALVATI

LAVRAS - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 03/03/2013

Bom dia.

Primeiramente, parabéns pelo artigo. Gostaria de saber a opinião de vocês, sobre a seguinte questão: caso o teor de MS  da minha cultura já tenha atingido 35 a 37 % de MS (as folhas secaram muito com  a falta de chuva) e o os grãos ainda não atingiram a metade da linha do leite, qual seria a tomada de decisão colher ou esperar?

Att,
PATRICK VILELA DE SOUZA

CARMO DO CAJURU - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/03/2013

parabéns pelo o artigo, falaram umas grande verdade q acontecem mesmo na pratica, bom  ja ensilei todo o milho este ano , e fiz safrinha e ja estou fazendo adubo de cobertura no milho safrinha, colhi o milho com 1\3 da linha do leite, a planta estava com folha verde de baixo ate em cima, creio q vou ter bastante teor de proteina, posso ate perder na energia, mas plantei o milho safrinha com umidade suficiente para nascer , se tivesse esperado o milho ficar no ponto ideal capaz q eu tinha perdido a planta da safrinha, aki fica um asunto para ser discutido pelos amigos aí, dexem suas opinioes, colhi com 1\3 da linha do leite mas estou cm a safrinha garantida e maior teor de proteina na silagem e esmaguei o grao mais facil.

LOUIS BAUDRAZ

ROLÂNDIA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/03/2013

Falamos do amido no grão em relação a M.S. do mesmo.

Porem medimos a M.S. da planta inteira.

Sabemos que podemos ter grande varição dependendo , da variedade,do clima, da sanidade da planta,ect.

Não seria mais logico medir a M.S.somente do grão, é qual seria  ela?
JOÃO LEMKE

SÃO LOURENÇO DO SUL - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 01/03/2013

milho de grão duro mesmo sendo transformado em farinha , tem amido para bovinos e suinoscom baixa digestibilidade. é material para aves.
FABIO SILVA CERQUEIRA

UBERABA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 28/02/2013

Thiago e Rafael, acredito na importância da colheita da lavoura no momento correto de ensilar. Esse assunto realmente é muito importante para o sucesso da alimentação do animais. Porém estamos esquecendo de um ponto, que ao meu ver, é o principal nesta história, que é a qualidade dos nossos híbridos e de nossas maquinas ensiladeiras. Temos uma carência muito grande de cultivares com grãos farináceos. O grão tipo flint tem uma digestibilidade baixa quando não é triturado, e ai surge o problema de nossa qualidade de maquinas ensiladeiras. São poucos os produtores que podem investir em uma maquina com esmagador de grãos. Nós temos que exigir das empresas, híbridos com grão farináceo.