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Proteína na alimentação de ovinos e verminose - Parte I

VÁRIOS AUTORES

PRODUÇÃO

EM 05/10/2009

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O Brasil apresenta regiões com precipitações pluviométricas, temperatura e fotoperíodos propícios à utilização de forrageiras de elevado potencial produtivo, na formação das pastagens. Entretanto, tais condições também são favoráveis à manutenção de significativa população de larvas de helmintos nas pastagens, que causam perdas econômicas, decorrentes de altas taxas de mortalidade e queda do desempenho dos animais, pois os endoparasitas são responsáveis pela diminuição do consumo voluntário de alimentos e prejuízos na digestão e absorção de nutrientes.

A redução de produtividade e a mortalidade estão ligadas, na maioria das vezes, ao problema de veminose destes animais. Nas regiões em que o verão é marcado pela intensa chuva e o inverno por um longo período de seca, os prejuízos são mais acentuados no período de inverno e no início da primavera, associados ao período do periparto (final de gestação e lactação) e a condições precárias de alimentação, comuns nessa época.

Dos parasitas de ovinos, a espécie Haemonchus contortus, destaca-se no Brasil e em outros países da faixa tropical por sua prevalência e patogenicidade. Em segundo lugar, ocorre a espécie Trichostrongylus colubriformis, mas na maioria das vezes, as infecções são mistas. Cooperia spp, Oesophagostomum spp e Strongyloides papillosus também ocorrem em menor frequência.

Haemonchus contortus localiza-se no abomaso e se alimenta de sangue. Devido ao seu hábito hematófago, animais susceptíveis com alto grau de parasitismo desenvolvem um quadro de anemia grave, em um curto período de tempo.

Trichostrongylus, Cooperia e Strongyloides são parasitas do intestino delgado, se alimentam de tecidos intestinais e, em altas infecções, causam danos severos à parede do intestino, ocorrendo perda de nutrientes por diminuição na absorção dos mesmos.

Todos os vermes citados anteriormente são chamados de nematóides (vermes redondos). O ciclo de vida da maioria dos nematóides é direto, os ovos são liberados com as fezes e desenvolvem-se rapidamente em larvas infectantes (L3). Em circunstâncias ótimas, este desenvolvimento pode levar de dois dias a seis semanas, e as larvas podem sobreviver na pastagem por meses. A larva infectante é ingerida com a pastagem e, em duas a quatro semanas desenvolve-se em forma adulta, macho e fêmea, que se acasalam, iniciando a produção de ovos pelas fêmeas.

O manejo da pastagem constitui-se em um dos aspectos mais importantes no controle da verminose, já que na pastagem encontra-se cerca de 98% da população de vermes na forma livre (ovos e larvas). Apenas em torno de 2% da população encontra-se na forma parasitária, nos animais. Isso porque, quando o animal ingere a larva, a sua sobrevivência para continuar o ciclo depende de sua imunidade.

Os helmintos não se distribuem de maneira uniforme em um rebanho, mesmo que os animais sejam de mesma raça e idade. Estes apresentam distribuição binomial negativa, ou seja, a maioria dos hospedeiros alberga poucos ou nenhum parasita, enquanto que apenas uns poucos animais estão infectados com maior proporção de parasitas. Isso decorre do fato de a resposta imunológica não ser uniforme nos animais de um mesmo rebanho. Os animais resistentes são capazes de suprimir o estabelecimento dos parasitas e/ou eliminar os parasitas já estabelecidos. Trabalhos no mundo inteiro têm confirmado a variabilidade genética entre diferentes raças de ovinos, e entre ovinos de uma mesma raça, com relação à resistência ao parasitismo por nematóides gastrintestinais. No entanto, alguns fatores interferem na imunidade do animal, aumentando a susceptibilidade de algumas categorias:

- Idade: animais jovens em crescimento não possuem seu sistema imunológico totalmente desenvolvido. Animais em crescimento submetidos a infecção parasitária subclínica têm o ganho de peso diminuído, pois há diminuição da ingestão proteica devido a diminuição do apetite e aumento da perda proteica fecal endógena e urinária.

- Estado fisiológico: fêmeas no periparto e durante a lactação ficam mais sensíveis à verminose devido à mobilização acentuada de seus nutrientes para o desenvolvimento fetal e para a produção de leite. Durante a prenhez, os níveis de progesterona aumentam e, com a parição, aumentam os níveis de prolactina. Foi demonstrado em ovelhas que essas alterações nos níveis hormonais causam comprometimento da imunidade e, consequentemente, aumento no estabelecimento das larvas infectantes ingeridas, retomada do desenvolvimento das larvas em hipobiose (larvas presente no hospedeiro com desenvolvimento interrompido temporariamente), incapacidade dos animais eliminarem as infeccções pré-existentes e aumento da ovopostura dos nematóides adultos já presentes no animal. Ocorre aumento do número de nematóides, com aumento acentuado nos sintomas da infecção, e grande prejuízo no desempenho animal.

Importância da proteína no organismo animal

O intestino é um órgão de grande demanda protéica para sua manutenção e os danos ao seu epitélio causados pelos parasitos aumentam consideravelmente sua demanda proteica. O sistema inume também requer proteína para sua função. Para o reparo destes tecidos há necessidade de grande aporte de proteína dietética de boa qualidade para ser digerida e absorvida pelos intestinos, a fim de garantir um aporte de aminoácidos provenientes do fígado que supram a demanda desses sistemas (digestivo e imunitário). Para satisfazer essa maior demanda por aminoácido com a finalidade de refazer os tecidos perdidos pela parasitose ocorre sua mobilização de músculos e outros tecidos, o que explica o menor desempenho de animais parasitados.

Para manter os ovinos com capacidade de suportar o desafio das parasitoses gastrintestinais deve-se mantê-los em dietas que garantam um aporte adequado de proteína digestível no intestino (PDI).

A proteína é um componente estrutural do organismo animal. Compõe os músculos e tecidos dos diversos órgãos, entre eles o trato gastrintestinal e fígado, o sistema imune e o sangue. As proteínas são compostas de unidade menores, os aminoácidos, e são absorvidas nesta forma, pelo intestino e, levados ao fígado, são distribuídos aos tecidos, ou desaminados para sua excreção.

O pool protéico que deixa o rúmen para ser digerido e absorvido é composto pela proteína microbiana ruminal e alguma proteína dietética que escapou da degradação microbiana ruminal (proteína by pass). A proteína microbiana nem sempre é suficiente para atender a exigência de animais, principalmente aqueles de elevado requerimento protéico, como animais jovens em crescimento, fêmeas em gestação e lactação e, ainda, em animais parasitados. As proteínas que escapam do rúmen e são digeridas e absorvidas eficientemente no intestino podem fornecer aminoácidos adicionais para absorção e suprimento da sua demanda.

O conceito atual de nutrição proteica para ruminantes baseia-se no conhecimento da quantidade de proteína que atinge o intestino, onde é absorvida. Essa fração é denominada de proteína digestível no intestino (PDI) e é a somatória da proteína microbiana e da proteína de escape ruminal que atinge o intestino. Dessa maneira, o conceito de proteína bruta deve ser complementado pelos conhecimentos da sua solubilidade ruminal para o correto balanceamento das dietas.

Os alimentos contêm proteínas com solubilidade ruminal diversas. Alguns alimentos apresentam proteína com elevada solubilidade ruminal e são utilizadas para o crescimento microbiano. Outras são de menor degradabilidade ruminal, têm um escape (by pass) ruminal maior para serem digeridas e seus aminoácidos absorvidos no intestino.

Alguns alimentos, como os farelos proteicos, soja, algodão e outros têm elevado teor proteico e proporções distintas de proteína de escape ruminal, com elevada digestibilidade intestinal (PDI).

Alguns tratamentos podem aumentar a proteína de escape ruminal (proteína protegida) e aumentar o aporte intestinal de aminoácidos. O tratamento térmico (tostagem), ou com substâncias químicas, como, por exemplo, os taninos, diminuem a solubilidade da proteína e podem aumentar a proteína de escape ruminal.

A ureia na verdade não é proteína, mas pode ser convertida em proteína pelos microrganismos do rúmem, o que depende de vários fatores para esta conversão, notadamente, o fornecimento de energia prontamente disponível, como amido e outros carboidratos solúveis. A proteína microbiana, após sua saída do rúmem, é digerida e seus aminoácidos são absorvidos pelos intestinos. Dessa maneira, a ingestão de uréia pelos animais nem sempre resulta em aporte adequado de aminoácidos para absorção.

As proteínas que compõem as forrageiras possuem elevada degradabilidade ruminal e baixo escape para os intestinos. A presença de taninos na sua composição, como no caso de leguminosas, pode diminuir a solubilidade ruminal e aumentar o escape para os intestinos. Por outro lado, grande quantidade de tanino pode indisponibilizar a proteína e deprimir sua digestão pós-ruminal, diminuindo a absorção de aminoácidos.

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VIVIANNE

CUIABÁ - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 07/05/2012

Bom dia, gostaria de um esquema de vacinação para ovinos e se puder métodos de vermifugação usando o Famacha.

Att,
MILENA HAMA TOTAKE WATANABE

SÃO BERNARDO DO CAMPO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 26/10/2009

Caro Senhor Cleber Alves Dias

Andei pesquisando na internet e existem produtos que utilizam farinha de minhoca na alimentação animal. Entretanto, esses produtos contêm um teor alto de proteína (70%), logo, seu uso deve ser em pequenas quantidades. Para obter informações mais precisas do valor nutricional das suas minhocas, vc deve mandar a farinha para uma análise em um laboratório de bromatologia e pedir as análises de matéria seca, proteína bruta, extrato etéreo, matéria mineral. Só assim vc poderá balancear corretamente a sua dieta.
Outra informação importante que eu encontrei na internet foi que as minhocas utilizadas para fazer a farinha não devem ter uma dieta á base de esterco e sim uma dieta especial, porém também encontrei alguns trabalhos utilizando esterco de bovinos e equinos como substrato para minhocas. O ideal é procurar pessoas especializadas na área de produção de farinha de minhoca já que as informaçõe são divergentes.
Deve-se lembrar também que ovinos são animais seletivos, logo, observe se o consumo se mantém com a adição da farinha, caso ocorre redução de consumo, é necessário a adição de outros produtos palatabilizantes que estimulem o consumo.
Espero ter esclarecido suas dúvidas.
Att
Milena Hama Totake Watanabe
Mestranda Nutrição de Ruminantes, IZ, SP.
CLEBER DE JESUS SANTOS

ILHÉUS - BAHIA - PESQUISA/ENSINO

EM 19/10/2009

Tenho um miocario onde coloco toda materia organica e esterco dos ovinos. Seria possível eu usar a farinha de minhocas como complemento proteico para as ovelhas e cabras? Se sim, em que proporção? Grato Cleber
CECÍLIA JOSÉ VERÍSSIMO

NOVA ODESSA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 19/10/2009

Caro Senhor Marcos Lima Barbosa,
A condição para haver a infestação de vermes resistentes é o USO INDISCRIMINADO DE VERMÍFUGO, ou seja, utilizar-se de vermífugo em todo o rebanho de uma só vez (muitas vezes sem necessidade para isso). Se o Sr. utiliza o método Famacha de observação da coloração da mucosa ocular, e do aspecto todo do animal (observação da condição corporal e presença de diarreia) para vermifugar seus animais, o Sr. não precisa se preocupar, porque nunca estará selecionando uma cepa resistente ao anti-helmíntico, já que poucos animais necessitam dessa vermifugação no rebanho. Às vezes, uma categoria inteira precisa ser vermifugada (ex: fêmeas no periparto, cordeiros no desmame). Mas, neste caso, o Sr. vai vermifugar somente os animais desta categoria e não todo o renbanho. Então, sempre haverá a possibilidade de sobrevivência de uma cepa sensível a determinado anti-helmíntico sobreviver na propriedade.
Cecília José Veríssimo
Méd. Vet. e Pesq. IZ, Nova Odessa, SP
CECÍLIA JOSÉ VERÍSSIMO

NOVA ODESSA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 19/10/2009

Caro Senhor Carlos Eduardo,
conheço há muitos anos uma propriedade que cria ovelhas lanadas no município de Campos do Jordão, e eles têm problemas com verminose devido a manejo alimentar incorreto, raça sensível, e cepa de Haemonchus multirresistente. Portanto, o problema da verminose não é menor em grandes altitudes. O Haemonchus se adapta bem ao frio, desde que haja animais sensíveis para ele se fixar e continuar o ciclo.
O que o Sr. tem que fazer é
1º) saber qual vermífugo tem melhor atuação para os vermes daí fazendo um teste de redução do OPG.
2º) Dar uma ótima alimentação (principalmente em relação à proteína da dieta) aos seus animais que por serem leiteiros, devem ser mais exigentes, e por conseguinte, mais suscetíveis à verminose?!
3º) Efetuar o controle seletivo da verminose baseado na vermifugação pela coloração da mucosa ocular (método Famacha), a cada 15-20 dias em todo o rebanho.
Um abraço, e boa sorte com seus animais,
Cecília José Veríssimo (Médica Veterinária e Pesquisadora do IZ, cjverissimo@iz.sp.gov.br)
CECÍLIA JOSÉ VERÍSSIMO

NOVA ODESSA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 15/10/2009

Caro Sr. Dagoberto Mariano,
desconheço estudos sobre a verminose em sistemas silvopastoris. Mas o sombreamento das pastagens pelas árvores teoricamente deve aumentar a população das larvas, justamente pelo sombreamento que favorece as larvas. Os seus animais devem ser resistentes e é isto que acontece na maioria dos casos, os produtores dão muito vermífugo sem a menor necessidade (às vezes os vermífugos nem funcionam e eles estão dando a seus animais...)!
A primeira providência quanto ao controle da verminose é verificar a eficácia do vermífugo que se está dando (fórmula está no artigo de minha autoria "Vermífugo: menos vale mais" aqui neste site.
Depois, se o produtor optar por controlar a verminose somente nos mais suscetíveis, utilizando o método Famacha (mucosa ocular) como avaliação para vermifugar ou não os animais, verificará que será uma pequena população de animais que ele vai ter que vermifugar a cada 15-20 dias (no verão o ideal é avaliar todo o rebanho semanalmente).
Abraço a todos,
Cecília José Veríssimo
CARLOS EDUARDO SCHMIDT

CAMPOS DO JORDÃO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/10/2009

Iniciamos a criação de ovelhas da raça East Friesian no Brasil, e estamos em região de altitude (1.500 a 1.600 metros), Campos do Jordão, onde prevalece na pastagem nativa o quicuio e o trevo branco. Todas muito apreciadas pelas ovelhas. Introduzimos também o cornichão cujas sementes foram trazidas do Sul. Temos também uma pastagem experimental de brizantha MG5, mas parece que não apetece muito as ovelhas que têm preferência para gramas ou capins rasteiros.
Pergunto: Em regiões de altitude a incidência é maior ou menor de vermes e será que o tipo de vegetação natural e divertificada protege de alguma forma os animais da incidência de verminose. Necessitamos deste forum de debates para que possamos somar as nossas experiências com as dos demais criadores.
Um abraço à todos,
Carlos Schmidt
Associação Brasileira de Criadores de East Friesian
Fazenda Valle das Fadas
DAGOBERTO MARIANO CESAR

ITAPEVA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/10/2009

meu rebanho pastoreia braquiaria decumbens sob cultura de pinus ellioti e observei maior resistencia ´a verminose, pois, há tres meses vermifuguei e os animais apresentam ainda em bom estado de saude.
Qual é o estudo existente do sinergismo dessas culturas intercaladas?
Abraços
Dagoberto.
MARCOS LIMA BARBOSA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 08/10/2009

CARA CECÍLIA

Mais uma vez obrigado por excelente artigo.Há regiões no BRASIL como o vale do paraiba em SÃO PAULO ,onde o período das chuvas que se estende entre outubro a março,cai tanta agua que temos a impressão de ver a olho nú o pasto crescendo.Nossos pastos são de brachiaria e fazemos rotação das pastagens a cada 5 dias e retornando a eles após 50 dias.Mesmo em pastos de aruana,com 5 dias de pastejo,jamais conseguimos rebaixar estes pastos ao ponto do sol incidir no pé da planta.Como temos a experiencia que trocar pastos de brachiaria por aruana é uma luta inglória,que no primeiro ano parece que vencemos a brachiaria mas em 2 anos esta arrasa com a aruana,fica a pergunta.Será que estamos nos enganando com o controle da verminose em pastos onde o rebaixamento não é feito adequadamente?Será que terei que repassar com muito gado meus pastos para rebaixa-los ao ponto do sol incidir no pe´da planta(equinos não daría certo pois não comen braquiaria)Será que este descanso de 50 dias é uma ilusão?Será apenas uma questão de tempo ocorrer infestações de vermes resistentes ,mesmo com este manejo que emprego? Até Temos conseguido conviver com a verminose pois perdemos muito poucoa animais devido a anemia,porem isto tem sido devido ao repasse diario e criterioso do rebanho.Fico pensando nos coitados daqueles que insistem em criar ovinos em regiões de chuva sem um criterioso manejo de pastagens e sem uma mão de obra treinada e compromissada com os resultados.

FORTE ABRAÇO

MARCOS BARBOSA
CABANHA MB DORPER
CECÍLIA JOSÉ VERÍSSIMO

NOVA ODESSA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 06/10/2009

Prezado Antonio

Sim, nas pastagens (ou no ambiente, fora do animal) estão 98% dos parasitas na forma de ovo e larva (vida livre).

Sim, podemos atuar ativamente para tentar diminuir o número de larvas na pastagem. Algumas formas de atuarmos são:

- Manejo dos pastos: o rodízio de pastagens (principalmente quando se utiliza forrageiras de crescimento ereto, tipo Aruana) é um modo muito interessante de controle de larvas e ovos nos pastos. O controle não se dá devido ao período de descanso (que é em torno de 30 dias no verão e 60 no inverno), e sim, devido à insolação que sofre o pasto desfolhado. Os ovinos entram no pasto, ficam no piquete num período (preferencialmente) inferior a 7 dias, e comem todas as folhas, deixando o pasto a uma altura de 10-15cm (no caso do Aruana) o que permite máxima exposição do sol na base da planta e no solo, diminuindo a viabilidade dos ovos e das larvas que lá se encontram. À medida em que o capim vai crescendo e criando sombra, esse efeito vai diminuindo. A outra grande vantagem desse método, é que se for bem feito, você estará sempre dando um capim de qualidade para os animais (alto teor de folhas), o que aumentará a resistência deles.

A forrageira que constitui este pasto também é fator importante na viabilidade das larvas. Trabalho realizado em Nova Odessa, no Instituto de Zootecnia, mostrou que em uma variedade de Braquiária (cv. Mulato) foram recuperadas muito mais larvas do que no Aruana e no Áries (cultivares de Panicum maximum). Isso porque, mesmo nesse esquema de rotação de pastos, com alta lotação (para comer o máximo em menor tempo), havia uma maior sobra de folhas ou parte delas na Braquiaria, o que favorecia o sombreamento do solo e da base da planta, colaborando para a sobrevivência de ovos e larvas na pastagem.

- Pastagem conjunta com outra espécie que não hospede o Haemonchus contortus, a espécie mais patogência a ovinos e caprinos. O pastejo alternado ou conjunto com outras espécies (bovinos adultos ou equinos) também ajuda a controlar este parasita.

- A outra forma, ainda não disponível no comércio, é o controle biológico, com fungos nematófagos (fungos que são dados aos animais através da ração ou sal mineral, e que ao saírem nas fezes, crescem se alimentando das larvas dos nematóides, entre eles, Haemonchus contortus).

Cordeiros criados na pastagem devem sempre ter acesso a creepfeeding (com concentrado com cerca de 18% de PB), e sua infestação por parasitas deve ser sempre monitorada com OPG e/ou Famacha (a cada 15 dias), e utilização de vermífugo com eficácia superior a 90%, sempre que necessário. Se você não tiver um vermífugo com boa eficácia, então a melhor opção é confinar os cordeiros até o abate e as fêmeas até 5-6 meses, quando são gradativamente adaptadas às pastagens. Após 45 dias em que foram soltos no pasto com suas mães foi necessário vermifugar cordeiros de várias idades, em trabalho realizado no IZ, no verão de 2008.
ANTONIO RAFAEL CAMARGO RODRIGUES

BARRETOS - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 05/10/2009

Boa tarde!!

Bem como dito anteriormente estas infestações são maiores nas pastagens que é onde deveriam ser tomadas as providencias mais eficazes, certo?!

Qual manejo adequado a setomar para controle ou diminuição destes nas pastagens? Pastejo intermitente? Controle químico nas pastagens?...

E para animais, cordeiros no creep feding, estas infestações são maiores? Quais os cuidados a serem tomados

Obrigado!!
LEOFAR CÁMERA

EM 05/10/2009

Buen artículo. Espero Parte II.
Mis salu2
Pitín