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Produção empresarial de carne ovina: uma realidade tão próxima

POR ANA CAROLINA PRADO ZARA

E ANTONIO SÉRGIO VILLAS BÔAS

PRODUÇÃO

EM 26/02/2009

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A cruzada recente da extensão rural, no tocante a produção de ovinos de corte, é fazer o produtor acreditar em seu potencial próprio de produção. Em geral se deparam com rebanhos de 200, 300 matrizes esquecidos nos piquetes da porta da sede, não sendo explorados com qualquer cuidado. São os chamados rebanhos para consumo. Estranhamente, os proprietários desses rebanhos alegam que estão muito longe da possibilidade de produzirem carne de forma empresarial.

Na verdade, o mais difícil é ter as ovelhas; já possuir um plantel de ovelhas é mais de meio caminho andado. Ainda mais em se tratando de um plantel de ovelhas férteis, rústicas e perfeitamente adaptadas ao manejo que de alguma forma lhes é imposto. O que falta então para que esses produtores possam se engajar no sistema de produção de cordeiros de corte aproveitando esses ventres?

Se tendo as ovelhas, não falta muita coisa. É impressionante como se tem desprezado um apêndice econômico da propriedade que poderia ser facilmente ativado. Na maioria das vezes há a expectativa de que a produção de cordeiros seja feita por quem tem dinheiro. Ou melhor, que seja possível somente para quem tem "ovelhas de raça". Verdadeiramente, essa é uma expectativa infundada. Aquele rebanho que tem sido mantido para consumo, para produzir cordeiros de presente, pode ser ativado, modernizado, explorado de uma forma muito rápida, e reverter receita para a propriedade. Passar de um modelo de produção, que se poderia dizer extrativista, para um modelo de produção com tecnologia é, na maioria das vezes, muito mais fácil do que se pensa.

É possível usar aquela ovelha que se tem na fazenda, originalmente; aquela que se adquire do vizinho próximo, aquela que se adquire por bom preço. Não há razão para se comprar ovelhas caras. Ovelha boa é aquela fértil e capaz de alimentar bem seu filhote. Fêmeas mais novas são de uma forma geral melhores, por sua longevidade no rebanho. Fêmeas velhas têm boa produtividade, porém, quando muito velhas comprometem o peso ao nascimento de suas crias.

Em gado bovino é preciso pensar que vacas que tenham 12 a 13 arrobas têm que produzir um boi de 16 a 18 arrobas. Isso quer dizer que há uma participação muito grande da mãe no desenvolvimento do bezerro, ainda mais dos bezerros mestiços.

No caso de cordeiros, o mercado no Brasil exige cordeiros de tamanho razoavelmente pequeno. Assim, ao contrário do gado bovino, uma ovelha de 45 a 50 quilos precisa produzir um cordeiro de 35 kg. Essa relação favorável de peso entre filho e mãe torna possível fazer um bom cordeiro mesmo com ovelhas razoavelmente pequenas. Verdadeiramente, quem tem que ser grande é o cordeiro e não a sua mãe. Além disso, ovelhas pequenas comem menos que ovelhas grandes; isso possibilita uma lotação maior dos pastos e maior eficiência do sistema produtivo.

Quando o potencial de ganho ou melhoramento dentro da raça pode ser limitado, a técnica de exploração recomenda que se façam cruzamentos. Os mestiços são o resultado mais rápido de promover aumentos substanciais na produção de carne. Evidentemente, na medida em que se melhora o desempenho de crescimento dos cordeiros, também a sua exigência nutricional deve ser observada com mais rigor.

Muitas vezes o reclamo geral do produtor é de que cordeiros, filhos de carneiros bons, não correspondem plenamente às expectativas. Isso pode ser esperado porque este aumento da capacidade de crescimento não pode ser atendida pela propriedade em seu sistema de alimentação onde a alimentação foi ruim, os pastos pobres e a dieta precária, enfim, mau manejo.

As matrizes originais da fazenda têm capacidade de produzir um cordeiro como o seu, de rotina. Quase sempre a habilidade materna que têm não assegura a expressão completa de crescimento de um cordeiro mestiço, ou seja, fêmeas comuns produzem cordeiros comuns.

Mesmo sendo, o leite materno, alimento mais completo para o mamífero em crescimento, a exigência do cordeiro mestiço, por ter maior potencial de crescimento, em certa época da vida vem de encontro com a produção de leite materno:



O primeiro impacto causado por este dado é o de que: produzir um cordeiro pesado via leite materno é vantajoso até certa época, ainda mais quando a referências são matrizes comuns. Suplementações pós-parto também podem se tornar dispendiosas ao sistema quando mal interpretadas.

O segundo é que: desta forma, a adoção de um sistema de alimentação em creep-feeding pode fazer cumprir o papel de compensar, por exemplo, uma produção de leite insuficiente. A complementação energética e protéica do consumo de ração, concomitante a ingestão de leite promove um efeito sinérgico de crescimento no cordeiro.

Além disso, dois fatores devem ser considerados: o primeiro é que o leite é produzido de graça; a ovelha dá leite de uma forma ou de outra. O segundo é que cordeiros "pequenos" (ainda que temporariamente) comem pouco e compensam o que comem em ganho de peso.

Por outro lado, os pecuaristas modernos não confinam bois de baixa qualidade. Da mesma forma, acontece com cordeiros. É preciso ter um bom cordeiro, mas este deve ser bem alimentado. Isso atendido pode-se esperar que cordeiros mestiços, filhos de bons carneiros de carne sejam capazes de ganhar bom peso, tanto quanto cordeiros de raças puras. Mantendo-se a razão sexual de um macho para cada 50 ovelhas, se verificará que o seu valor de compra será pago a cada centavo. Entenda-se por isso, que não adianta tentar comprar carneiros baratos e rústicos. Por rústico já se tem o plantel das fêmeas. Rusticidade não se compra; compra-se produtividade.

Assim, a escolha deverá recair sobre carneiros jovens, produtivos, "carnudos" e precoces. Carneiros, enfim, capazes de produzir cordeiros responsivos ao sistema intensificado.

ANA CAROLINA PRADO ZARA

ANTONIO SÉRGIO VILLAS BÔAS

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