FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

Produção de silagens: O que podemos aprender com os argentinos?

POR THIAGO FERNANDES BERNARDES

E RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PRODUÇÃO

EM 30/10/2012

9
0
Nos últimos tempos tivemos algumas oportunidades de visitar fazendas zootécnicas na Argentina e verificamos que, embora os países sejam vizinhos, a produção de silagens acaba sendo bastante distinta. No Brasil nós estocamos as forragens principalmente em silos horizontais (trincheira e superfície), conforme reportado por Bernardes (2012), sendo que na Argentina os silos tubulares horizontais (silo bolsa) são os mais utilizados. No nosso país, a minoria terceiriza os serviços de ensilagem (Bernardes, 2012) e o inverso ocorre por lá.

O cenário argentino se diferencia do brasileiro basicamente por dois motivos, os quais estão interligados:

1) Na Argentina há grande disponibilidade de maquinários, inclusive os de última geração, os quais possuem custo bem menos elevado que no Brasil. Por exemplo: somente 10% das fazendas brasileiras colhem forragem com autopropelidas.

2) Os terceirizadores, pelo fato de possuírem bons equipamentos, são bem treinados (capacitados) e oferecem serviços de alta qualidade aos pecuaristas.

Em 2009, nós escrevemos o artigo intitulado Silo Bag: uma interessante alternativa no armazenamento da silagem e comentamos sobre os aspectos positivos e negativos dessa modalidade de estocagem, apontando o alto custo dos maquinários e a lentidão no abastecimento e no desabastecimento do silo como as principais desvantagens.

Contudo, os argentinos não enfrentam essas barreiras, pois as embutidoras possuem preço acessível e confeccionam bolsas (Figura 1) com diâmetro de 9-10 pés (2,74-3,05 m), o que praticamente não existe no Brasil. Com bolsas de maior diâmetro é possível fazer a remoção da silagem de forma mecânica, utilizando os "mixers" adaptados ao silo bag. No nosso país as bolsas possuem 1,8 m, o que permite somente o desabastecimento de forma manual ou com uso de pás carregadeiras, equipamento não recomendável para este tipo de tarefa.

Figura 1 - Silo bolsa de 9 pés sendo confeccionado por prestadores de serviço em fazenda leiteira na Argentina.



Outro fato que nos chama a atenção é o grau de treinamento do grupo que opera os serviços e a qualidade com que estes são prestados às fazendas. No último Congresso sobre Conservação de Forragens e Nutrição (VI Congreso de Conservación de Forrajes y Nutrición), realizado em Rosario, dezenas de operadores estavam presentes, os quais interagiam de diversas formas com o público (pesquisadores; empresas).

Embora aqui no Brasil a terceirização tenha aumentado em quantidade e qualidade (mais em quantidade do que em qualidade) é muito comum ouvirmos relatos de produtores, por exemplo, que muitos operadores não acionam o dispositivo de rompimento de grãos (craker) das colhedoras autopropelidas com o objetivo da colheita se tornar mais rápida. Isso é algo inadmissível porque os grãos das silagens de milho e sorgo devem ser quebrados para que o amido seja mais bem aproveitado pelo animal. De fato, no levantamento realizado junto a 272 produtores de leite de todo Brasil, muitos apontaram a carência de serviços terceirizados qualificados como uma das barreiras para se produzir silagens.

Dessa forma, gostaríamos de destacar que as máquinas no nosso país necessitam ter preços mais acessíveis e o pagamento delas precisa ser mais facilitado. O Brasil é um país que cresce na agropecuária, como destacam com frequência os meios de comunicação, contudo o acesso aos equipamentos ainda é um entrave. Além deste fato, os serviços terceirizados precisam aumentar em número para atender as milhões de fazendas zootécnicas que possuímos, porém estes precisam também crescer em qualidade e, a forma mais fácil de encontrar o caminho é capacitando a equipe prestadora.

Referência bibliográficas

Bernardes, T.F. Levantamento das práticas de produção e uso de silagens em fazendas leiteiras no Brasil. 2012. Acesso em: http://www.tfbernardes.com/ebook.html.

THIAGO FERNANDES BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

Zootecnista pela Unesp/Jaboticabal.
Mestre e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP.
Gerente de Nutrição na DeLaval.
www.facebook.com.br/doctorsilage

9

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

LEONARDO FELIPE CORDEIRO

LAGES - SANTA CATARINA - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 20/07/2014

boa noite, estou procurando uma maquina identica a esta da ilustraçao  voce tem alguma indicaçao obrigado
LEONARDO FELIPE CORDEIRO

LAGES - SANTA CATARINA - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 20/07/2014

   boa noite ,estou atras de uma maquina de grao identica a esta da foto voce tem alguma sugestao
EDUARDO CORRÊA BRITO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 18/01/2013

Thiago,

Tenho encontrado algumas dificuldades no campo em relação a medição da quantidade de silagem realmente produzida. Em algumas fazendas fazemos cubagem das carretas e ou caminhões , pesamos aleatoriamente os mesmos, e quando chegamos no final do ano e fazemos o fechamento dos estoques sempre temos a menos em torno de 18 a 20%. Como tem feito ?

Qual a sua experiencia em relação a esta perda ou medição errada?

Tem alguma sugestão?



Obrigado
LEANDRO

PLANALTO - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/11/2012

Redução de impostos no Brasil?? ta bom... isso aqui é um país colonia dos banqueiros e milionários do mundo, que levam cada vez mais grana e quem paga somos nós com carga tributária digna de ser chamada "assalto". Independencia nunca existiu. E por fim claro que quem paga a festa é quem mais gera ou seja o produtor rural, que inclusive tem que pagar os salários dos tecnicos que as faculdade formam por aí. Uns até prestam pra alguma coisa outros numa conversa com um produtor tecnificado ficam de quatro... abraços "leiteiros" do Brasil.
VALMOR SASSE

FEIRA DE SANTANA - BAHIA - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 01/11/2012

O Brasil e o mundo necessitam de alimentos e somos grandes produtores nas condiçoes precarias que temos, a produção de milho e soja é uma das maiores pois foi os setores que mais investiram em maquinários, se em vez de baixar o IPI dos veiculos baixassem tambem dos equipamentos agricolas, com certeza aumentariamos em muito a produçao de legumes, frutas, hortaliças, etc. Isso é a visão curta do nosso governo
HENRIQUE DIAS FARIA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 31/10/2012

uma pressão para redução de impostos  e   financiamento barato e de longo prazo  seria muito conveniente para todos nós , é algo que devemos fazer , e em grande escala ;  com os prefeitos eleitos agora , vamos cobrar deles ação neste sentido  e   f  o  r   t  e !

também os deputados que conheçamos ,  ,  ,
GASTÓN

CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 31/10/2012

Muito obrigado Thiago pelo seu contributo para o Congresso, foi muito interessante ter trocado Informação técnica com você.



Esperamos em breve vê-lo novamente aqui na Argentina.



Abraço!



Gastón Pérsico
TAPAJOS MIRANDA RODRIGUES

CURITIBA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 31/10/2012

Bom dia Thiago. Para fins de esclarecimento a máquina de 6 pés(1,80 m) possui preço totalmente compatível com as importadas. A tecnologia brasileira é mais simples e mais barata. O que ocorre é uma barreira dos produtores quanto a tecnologia. Dificilmente atentam para a bromatologia da silagem, evitando que enxerguem o inevitável. Em Barra do Bugres - MT existem mestrandos especialistas em grão úmido, outra pratica pouco utilizada em nosso país, tendo como base uma conversão alimentar de 9 a 12%. Existem máquinas pequenas para retirada da bolsa de 6 pés que são rolos de 1,5 m baseados no sistema do vagão servidor.


Tapajós M Rodrigues - Eng Agrícola
HECTOR M. RAVENNA

BUENOS AIRES - BUENOS AIRES - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 30/10/2012

Prezado Thiago, foi um pracer pra mim, falar com voce em o pasado congreso e obrigado pela atencao recibida. Tambem estou de acuerdo com seus comentarios, mais gostaria tambem dicer que em congreso internacional feito no año 2011 em Sao Pedro SP fique muito sorprendido com  a formacion de persoal tecnico superior em conservacion de silagem que estam faciendo em Brasil no futuro prossimo Brasil tambem em tecnologia de forragem sera potencia mondial. Um abrazo forte, Hector