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Produção de leite e comportamento materno filial de ovelhas nativas Sul-Mato-Grossenses "Pantaneiras"

PRODUÇÃO

EM 06/06/2012

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Autores:

1) Pós graduandos da UFGD
Maíza Leopoldina Longo
Karine Cansian
Jéssica de Oliveira Monsteschio
Rodrigo Andreo Santos
Flávio Duílio Eugênio Bottini Filho

2) Professores da UFGD
Fernando Miranda de Vargas Junior
Leonardo de Oliveira Seno

3) Graduanda da UFGD
Poliana Campos Burim

O grupo de pesquisa Ovinotecnia da Universidade Federal da Grande Dourados juntamente com a Anhanguera-Uniderp e Embrapa vêm nos últimos anos estudando um novo grupamento racial de ovino, chamado Nativo Sul-Mato-Grossense "Pantaneira". Os animais desse grupamento têm se destacado pela rusticidade e capacidade de adaptação às condições do estado.

Os exemplares dessa raça apresentaram haplótipos que se aproximam das raças lanadas do Sul e deslanadas do Nordeste, o que indica variabilidade genética e reforça a ideia de um novo grupamento genético (Gomes et al. 2007). No entanto, o desconhecimento do potencial produtivo destes animais faz com haja cruzamentos indiscriminados deles com raças exóticas, perdendo as características selecionadas naturalmente ao longo dos anos. Dessa forma, a caracterização da raça torna-se uma importante chave para a produção adequada e conhecimento, por parte dos produtores, do potencial desses animais, principalmente ligado ao aspecto econômico.

Nos experimentos de mestrado de duas discentes do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia - UFGD, vêm sendo mensurado a produção de leite desses animais e o comportamento materno filial desse grupamento.

A mensuração da produção e constituição do leite de uma ovelha serve para verificar o potencial desta em criar seu cordeiro e possível potencial de ganho deste e no caso de animais ainda não avaliados como a ovelha nativa, identificar o potencial desta para produção de leite com fins comerciais. Já o comportamento materno filial tem como objetivo aumentar a produção e diminuir a mortalidade dos cordeiros do nascimento ao desmame. Observar o comportamento materno filial auxilia na seleção de mães que criem bem seus cordeiros, o que diminui a mortalidade.

As informações sobre a raça nativa ainda são escassas desde a caracterização até a produção desses animais (Vargas Jr, 2011a; Vargas Jr, 2011b). Assim, vem sendo realizado trabalhos sob as mais diversas áreas para a caracterização da ovelha "Pantaneira" com intuito de colaborar com informações para a criação e manutenção desta raça. Neste artigo o objetivo é apresentar alguns dados já levantados sob a produção de leite e comportamento materno filial de ovelhas nativas Sul-Mato-Grossenses "Pantaneiras".

Resultados

Foi possível observar no comportamento materno filial que as ovelhas Nativas Sul-Mato-Grossenses "Pantaneiras" desde que estoura a bolsa até a expulsão total do feto apresentam um intervalo de 10 à 30 minutos. Do nascimento até a primeira mamada do cordeiro, com duração média de 30 minutos, a ovelha procura limpar, cheirar e estimular a cria, para que ela levante e procure o úbere para realizar a primeira mamada.

Figura 1 - Sequência de parto. A) Bolsa estourada; B) Expulsão total do feto; C) Ovelha limpando a cria; D) Primeira mamada do cordeiro.



Outro fato observado foi que as ovelhas que pariram no mesmo horário adotaram os cordeiros umas das outras (Figura 2), logo os cordeiros mamam em ambas ovelhas, além disso uma ovelha parindo estimula o parto das demais. Houve grande incidência de partos duplos oriundo da estação de monta de dezembro e parição em maio. De um total de 13 partos (intervalo 5 dias), 5 foram gemelares, representando 38 % gemelar.

Figura 2 - Ovelhas que compartilham seus cordeiros.



Quanto à produção de leite foi possível observar que esta é dependente da idade e peso das ovelhas e dos dias em lactação. A produção é inversamente proporcional aos dias em lactação, ou seja, quanto maior o tempo de lactação menor a produção de leite, isso ocorre, pois com o passar dos dias os cordeiros começam a se alimentar de outros alimentos, e com isso estimulam menos a glândula que acaba produzindo menos.

O peso das ovelhas é diretamente proporcional a produção de leite (Figura 3), quanto maior o peso, maior a energia direcionada para a produção já que há reserva no corpo do animal. Outro fator claro a ser observado é a idade da ovelha estimada nesse caso pelo número de dentes. Animais com 4 e 6 dentes tendem a produzir mais que os mais jovens (2 dentes) e mais velhos (8 dentes), isso pode ocorrer pois animais com idade intermediária estão no auge da maturidade, dessa forma tendem a produzir mais (Figura 4 e 5).

Figura 3 - Produção de leite em função dos dias de lactação e peso da ovelha.



Figura 4 - Produção de leite em função do número de dentes e peso da ovelha.



Figura 5 - Produção de leite em função do número de dentes e dias de lactação.



Na Tabela 1 é possível observar a produção de leite das ovelhas no período total avaliado, em pico de lactação, ao fim da lactação e a produção média diária.

Tabela 1 - Produção de leite de ovelhas nativas Sul-Mato-Grossenses "Pantaneiras". (*DP= Desvio Padrão)



O pico de lactação ocorre entre a terceira e quarta semana com produção média de aproximadamente 1,5kg de leite e aos 90 dias, época de desmame dos cordeiros, a produção é de aproximadamente 0,7kg. Dessa forma é possível afirmar que as ovelhas nativas Sul-Mato-Grossenses "Pantaneiras" são boas produtoras de leite o que colabora para o desmame de cordeiros mais pesados.

Referências bibliográficas

GOMES, W. S. et al. Origem e Diversidade Genética da Ovelha Crioula do Pantanal, Brasil. In: SIMPOSIO DE RECURSOS GENÉTICOS PARA AMÉRICA LATINA Y EL CARIBE. Universidad Autónoma Chapingo, Chapingo, México. p.322, 2007.

VARGAS JR, F.M.; LONGO, M. L.; SENO, L.O. et al. Potencial produtivo de um grupamento genético deovinos nativos Sulmatogrossenses. PubVet, Londrina, v. 5, n. 30, ed. 177, 2011a.

VARGAS JR. F.M.; MARTINS, C.F; SOUZA, C.C. et al. Avaliação biométrica de cordeiros pantaneiros. Revista Agrarian, Dourados, v.4, n.11, p.60-65, 2011b.

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