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Preferência de ovinos pelos capins Aruana, Áries, Atlas e Massai

VÁRIOS AUTORES

PRODUÇÃO

EM 12/06/2008

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Na região Sudeste do Brasil, a viabilidade da criação intensiva de ovinos sob pastejo depende da utilização de espécies forrageiras de elevado potencial produtivo e de bom valor nutritivo e capacidade de consumo do animal. Essa última condição é regida pelos seguintes fatores: preferência pela planta forrageira, velocidade de passagem pelo trato digestivo, efeito do ambiente sobre o animal e quantidade e qualidade da forragem ofertada.

São vários os aspectos relacionados à preferência pela planta forrageira dos ovinos em pastejo. Essencialmente comportamental, a preferência é a resposta seletiva do ovino por diferentes plantas.1 Existe uma complementaridade entre as diferentes bases teóricas do processo de pastejo: experiência de pastejo, dispersão espacial da forragem, estímulos sensoriais e conseqüências pós-digestivas.2

A seletividade é uma característica marcante do hábito alimentar do ovino, que não se limita apenas à escolha preferencial de uma planta ou outra, havendo também seleção de plantas dentro de uma mesma espécie e partes de uma mesma planta, que poderá ter algumas partes preteridas pelo animal. Como conseqüência, há casos em que determinado sistema de produção não se mostre eficiente, mesmo com uma disponibilidade satisfatória de forragem, devendo-se, nesse caso, atribuir o fato à preferência do animal.

Ovinos lanados e deslanados apresentam características distintas e importantes em relação ao hábito alimentar nas pastagens, e que são fundamentais na escolha das forrageiras e das raças a serem utilizadas no sistema de produção proposto.

Ovinos lanados têm preferência por espécies forrageiras de porte baixo, enquanto os ovinos deslanados tendem a apresentar um comportamento inverso, revelando maior ingestão de espécies arbustivas, inclusive leguminosas, provavelmente em razão da composição do próprio ambiente em que evoluíram.

Em condições de campo, ovinos lanados pastejam em lotes, dificilmente sendo observados animais pastejando isoladamente. Por sua vez, o ovino deslanado apresenta comportamento um pouco diferente, pois explora mais o pasto, caminha mais na busca e na seleção do alimento e, também, revela uma tendência mais independente, formando pequenos grupos dentro da pastagem ou mesmo pastejando isoladamente.3

A velocidade de passagem da forrageira pelo trato digestivo do ovino possui relação direta com a sua digestibilidade, e o valor nutritivo da forrageira refere-se especificamente à composição química do alimento.

A avaliação do valor nutritivo da planta forrageira tem grande importância na regulação do consumo de matéria seca pelo ovino, que por sua vez, é um ponto determinante na obtenção dos nutrientes necessários para a mantença e produção do animal. Contudo, as características morfológicas da gramínea forrageira também influenciam o consumo dos ovinos. Pastagens formadas por plantas forrageiras altamente digestíveis e "palatáveis", porém produzindo reduzidas quantidades de massa seca, contribuem pouco para a produção de carne e leite por unidade de área.

O ambiente de pastejo caracteriza-se pela heterogeneidade espaço-temporal da distribuição de forragem. A complexidade desta distribuição impõe ao animal em pastejo o desafio de obter uma dieta de alta qualidade e quantidade suficiente às suas necessidades, devendo-se entender necessidades dentro da perspectiva do animal e não na expectativa do homem.2

Considerando que o ovino despende parte do seu tempo diário para consumo do alimento e parte para ruminação e descanso, deve-se providenciar para o mesmo, uma pastagem cuja densidade de vegetação seja tal que permita ao animal consumir toda a massa seca que necessita dentro do período de consumo diário, que normalmente é em torno de 8 horas. Portanto, se o volume e a distribuição da vegetação na pastagem não forem adequados, o animal não consegue ingerir, dentro do referido período, todo o alimento necessário, conforme suas exigências nutritivas.

As variações na produção e na qualidade da forragem produzida, ao longo do ano, dentro das estações ou em rebrotações específicas, bem como a resposta da planta a práticas de manejo, aliadas aos aspectos comportamentais e suas variações entre diferentes raças de ovinos, fundamentaram a elaboração e condução do projeto de pesquisa "Interface planta-animal em diferentes pastagens de Panicum maximum jacq. visando a preferência com ovinos."

Executado na Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Itapetininga e no Instituto de Zootecnia de Nova Odessa, ambos vinculados à APTA -Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, respectivamente localizados nas regiões Sudoeste e Centro Sul do Estado de São Paulo, permitiu o estudo dos aspectos quantitativos (acúmulo de forragem, composição botânica, altura do relvado pré e pós pastejo, porcentagem de lâminas foliares, densidade populacional de perfilhos) e qualitativos (composição química e digestibilidade) de quatro cultivares de Panicum maximum Jacq. (Aruana, Áries, Atlas e Massai) associados à preferência de ovinos por estes cultivares.

O Panicum maximum Jacq. cv. Aruana tem sido utilizado com sucesso na ovinocultura, por causa, provavelmente, da presença de colmos finos, boa relação folha:colmo e da alta persistência sob pastejo.

Áries, Atlas e Massai são cultivares de Panicum maximum recentemente lançados no mercado e, por apresentarem alta produção de massa seca e hábito de crescimento ereto, mostram-se como opções promissoras para formação de pastagens para ovinos.

Desde 1995, o Instituto de Zootecnia de Nova Odessa vem obtendo bons resultados com o capim-Aruana, em sistema de pastejo com ovinos. Esse capim apresenta produção em torno de 14.000 kg ha ano de MS, com 15% de proteína bruta e 71% de digestibilidade "in vitro" da matéria seca4. O sucesso de seu uso com ovinos deve-se à boa aceitabilidade pelos animais, à alta persistência sob pastejo severo e à rápida rebrotação após a desfolhação, atribuída às numerosas gemas basais6, além das características de produção e composição.

O cultivar Áries é um híbrido F1 apomítico (LSC2 x Aruana), obtido do cruzamento de dois acessos de Panicum maximum, e apresenta alta exigência em fertilidade do solo, boa tolerância à seca e ao frio. Essa gramínea é de ciclo perene, com hábito de crescimento cespitoso, grande potencial de perfilhamento, colmos delgados, folhas estreitas de coloração verde clara e sem pilosidade.7

O cultivar Atlas é uma gramínea híbrida apomítica obtida através do cruzamento LST1 x K-68 (Introdução da Costa do Marfim), de ciclo perene, com plantas de 1,5 a 2,0 m de altura, com excelente perfilhamento e boa produção de forragem, que apresenta boa qualidade nutricional. Suas folhas apresentam baixa pilosidade e sem cerosidade7. Outro estudo8 com o Atlas relatou que este cultivar apresentou um acúmulo de 12,2 Mg MS ha ano (8,5 Mg MS ha ano durante o verão e 3,7 Mg MS ha ano no inverno).

O Massai faz parte de uma coleção de 426 acessos de Panicum maximum, trazida da Costa do Marfim, África, em 1982. Após dois anos de estudos da coleção completa, foram selecionados 25 exemplares (entre eles o Massai), julgados pelos pesquisadores da Embrapa Gado de Corte como plantas promissoras. Entre os 426 acessos, o Massai mostrou-se o mais tolerante à baixa fertilidade, adapta-se bem em solos com baixos níveis de fósforo e áreas com grande concentração de alumínio. É um capim que se adapta às condições de solo do Brasil Central. Além disso, seu sistema radicular é privilegiado. Suas raízes profundas captam água e nutrientes com facilidade.9

O capim-Massai8 produziu 30 Mg MS ha ano seguidos dos capins Mombaça, Tanzânia e Tobiatã que acumularam 20 Mg MS ha ano. O cultivar Massai foi o que apresentou a maior participação de material morto e os menores valores nutritivos (com maiores conteúdos de fibra em detergente neutro e menores digestibilidade e teores de proteína bruta) quando comparado com Tanzânia e Mombaça.10

O capim-Áries e o capim-Massai possuem características morfológicas e de desenvolvimento semelhantes às do capim-Aruana e por isso tem-se a expectativa de que estes cultivares também possam ser uma opção interessante na produção de ovinos. Já o capim-Atlas apresenta dinâmica de crescimento vegetativo semelhante à do capim-Tanzânia, já utilizado e recomendado pelos pesquisadores do núcleo de estudos com ovinos do Instituto de Zootecnia em Nova Odessa.

Os experimentos foram conduzidos com a mesma metodologia, usando as raças Ile de France e Santa Inês, em duas regiões com características climáticas distintas, a saber:

1.Raça Ile de France; Região Sudoeste: Município de Itapetininga - SP (23035´ de latitude Sul, 48003´ de longitude Oeste e altitude média de 670 m), com solo classificado como Latossolo Vermelho Escuro orto (LE). A região apresenta clima do tipo tropical de altitude sujeito a ventos sul e sudoeste com geadas fracas e nítidas estações de água (outubro a março) e de seca (abril a setembro) e temperaturas médias anual de 20,9oC, mínima de 16oC e máxima de 25,7oC e precipitação pluvial média anual de 1368 mm.
2.Raça Santa Inês; Município de Nova Odessa - SP (22042´ de latitude Sul, 47018´ de longitude Oeste, altitude de 550 m), com solo classificado como Argissolo Vermelho-Amarelo. A precipitação pluvial média anual no município é de 1270 mm, com ocorrência de 30% entre os meses de maio e setembro, apresentando o mês mais frio do ano temperatura inferior a 18oC.
O delineamento experimental foi em blocos completos casualizados, com quatro tratamentos (cultivares) e quatro repetições em cada local. As parcelas experimentais medirão 100 m2 (10m x 10m). A Figura abaixo representa a área experimental.

Figura 1.Croquis da área experimental para os dois locais de execução.


Após o estabelecimento dos capins foi feito um rebaixamento dos mesmos para início das avaliações.

As avaliações foram feitas em seis ciclos de pastejo ao longo de um ano experimental (dois ciclos no verão, dois ciclos no outono, um ciclo no inverno e um na primavera), sendo que cada ciclo teve cerca de 28 dias de rebrotação (no período das águas) e cerca de 42 dias de rebrotação (nas secas), de acordo com a velocidade de crescimento dos capins ao longo das estações do ano.

Para avaliação da preferência dos ovinos pelos capins foi utilizado um lote de animais que entrou seqüencialmente em cada bloco onde tiveram livre escolha de pastejar qualquer uma das parcelas (cultivares) em ensaio tipo cafeteria. Os blocos foram delimitados por cercas fixas. O lote de animais constou de 6 borregas (selecionadas de um grupo de 20 animais com comportamento normal de pastejo), com peso médio de 30 kg. O lote entrou em cada bloco permanecendo por um período de duas horas/por apenas um dia (8:00 as 10:00 horas). As anotações iniciaram-se após trinta minutos da entrada dos animais em cada bloco. A cada 5 minutos foram anotadas (por um observador) as parcelas em que os animais pastejaram. Durante duas horas de pastejo (da permanência dos animais em cada bloco) também foi utilizada uma câmera filmadora para registro do comportamento alimentar dos ovinos. Os animais de observação (preferência) permaneceram em um pasto reserva de Brachiaria decumbens, em Itapetininga e Pensacola (Paspalum notatum Fluegge var. saurae Parodi) em Nova Odessa quando não estejam sendo utilizados nos piquetes experimentais.

Outro lote de animais foi usado, após as duas horas de observações de preferência, para rebaixamento dos capins de cada bloco até a altura de 10 - 15 cm. Quando algum capim não fora rebaixado pelos animais até esta altura, foi feito rebaixamento mecânico. O lote de rebaixamento conteve tantos animais quantos foram necessários para rebaixar os capins de cada bloco em um dia, de acordo com a avaliação da quantidade de forragem ofertada quantificada antes da entrada dos animais do lote de observação.

Durante os ciclos de pastejo foram feitas as seguintes avaliações: Massa de forragem pré-pastejo e pós-pastejo; Composição botânica; Densidade populacional de perfilhos; Altura do dossel forrageiro; Acúmulo de forragem (AF) e taxa diária de acúmulo de forragem (TDAF) e Valor nutritivo dos capins.

Os resultados foram submetidos à análise de variância segundo o procedimento GLM do pacote estatístico SAS (Statistical Analysis System) (SAS Institute, 1999) versão 8.02 para Windows. As médias foram obtidas através do "LSMEANS" e comparadas através do teste de Tukey a 10%.

Como conclusão geral do projeto desenvolvido na UPD de Itapetininga constatou-se que as maiores preferências dos ovinos lanados (Ile de France) foram pelo Áries e o Altas e a menor pelo Massai, ficando o Aruana com preferência intermediária. O Massai apresentou as menores quantidades de massa de forragem pré e pós-pastejo e as menores alturas de entrada e saída dos ovinos, apesar da sua menor preferência pelos ovinos, sugerindo não ser bem adaptado à região Sudoeste do Estado de São Paulo.

No experimento executado no Instituto de Zootecnia as observações realizadas permitiram concluir basicamente que as maiores preferências dos ovinos deslanados (Santa Inês) foram pelo Aruana e o Áries e a menor pelo Massai, ficando o Atlas com preferência intermediária. O Massai apresentou a menor quantidade de massa de forragem pré-pastejo e uma das maiores quantidades no pós-pastejo, confirmando sua menor preferência pelos ovinos. O Atlas apresentou as maiores altura e massa no pré-pastejo e a maior massa no pós-pastejo, coincidindo com sua aceitação apenas mediana.

As pastagens tropicais apresentam alto potencial de produção de massa seca e, com medidas de manejo para equacionar a oferta de forragem e o valor nutritivo, é possível oferecer ao animal alimento de boa qualidade suprindo, assim, as exigências do animal, resultando em boa produção por área.

Para a efetiva exploração da ovinocultura de forma mais intensiva, buscando máxima lucratividade e produtividade elevada é fundamental conhecer as características da forragem oferecida aos animais e conciliar esse conhecimento com a escolha da raça ovina e as condições edafoclimáticas locais, antevendo assim a viabilidade econômica para o sistema de produção proposto.

Referências bibliográficas:

1-VALLENTINE, J.F. Grazing Management. Academic Press Limited: London, 1990. 533p.

2 - CARVALHO, P.C.F.; PRACHE, S.; DAMASCENO, J.C. O processo de pastejo: desafios da procura e apreensão da forragem pelo herbívoro. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 36. Porto Alegre: SBZ, p.253-268, 1999.

3-NOGUEIRA FILHO, P. Hábitos alimentares. www.nogueirafilho.com.br, 2005.

4-GERDES, L. Introdução de uma mistura de três espécies forrageiras de inverno em pastagem irrigada de capim-Aruana. Piracicaba, 2003, 73p. Tese (Doutorado) - Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", Universidade de São Paulo.

5- MATTOS, W.T.; WERNER, J.C.; CUNHA, L.E.A.; BUENO, M.S.; GERDES, L.; COLOZZA, M.T.; SCHAMMASS, E.A.; PASPARDELLI, D.S. Acúmulo e taxa diária de acúmulo de forragem dos capins Aruana e Tanzânia submetidos a doses de nitrogênio e pastejados por ovinos. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 42., 2005, Goiania. Anais... Goiania: SBZ, 2005.

6- SANTOS, L.E.; BUENO, M.S.; CUNHA, E.A.; VERÍSSIMO, C.J. Manejo de pastagens para a produção ovina. In: SIMPÓSIO MINEIRO DE OVINOCULTURA, 2., Lavras, 2002. Anais. Lavras: UFLA, 2002. p.105-140.

7- MATSUDA. www.matsuda.com.br, 2004

8- MORENO, L.S.de B.Produção de forragem de capins do gênero Panicum e modelagem de respostas produtivas e morfofisiológicas em função de variáveis climáticas. Piracicaba, 2004, 86p. Dissertação (Mestrado) - Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", Universidade de São Paulo.

9-EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. http://www.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/cot/COT69.html, 2001

10- BRÂNCIO, P.A.; EUCLIDES, V.P.B.; NASCIMENTO Jr., D.; FONSECA, D.M.; ALMEIDA, R.G.; MACEDO, M.C.M.; BARBOSA, R.A. Avaliação de três cultivares de Panicum maximum Jacq. sob pastejo: comportamento ingestivo de bovinos. Revista Brasileira de Zootecnia, v.32, p.1045-1053, 2003.

CARLOS FREDERICO DE CARVALHO RODRIGUES

JOÃO ELZEÁRIO CASTELO BRANCO IAPICHINI

Pesquisa/Ensino

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ADEMIR DA MATA

VITÓRIA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 20/02/2013

Os "panicums" são gramínias "milagrosas" por terem suas origem eum um continente vitimado pelas agruras de seu clima inclemente. Adaptaram-se às condições mais severas possíveis e quando trazidas para manejos altamente tecnificados se comportam com "hortaliças" vigorosas, que para nossos animais soam como um manjar. Ainda ontem assistindo a um documentário sobre os Guepardos do Massai Mara, apreciei mais os capins das pradarias que o foco principal do filme que era a persistência na atitude das mães guepardas em salvar seus filhotes dos predadores. Como eram "roliços" os Gnus, as zebras, as gazelas e lá não há suplementos, o alimento se resume aos capins das savanas.

Portanto, qualquer dos "panicum" que se cultive com critério será uma excelente opção de alimentação de nossos rebanhos, sejam bovinos, caprinos, ovinos, etc. Eu gosto muito do Massai, por suas características de rusticidade, palatabilidade, volume de produção, recuperabilidade etc, mas todos os demais são capins por excelência. Abraços  e sucesso a todos. Ademir da Mata
LEONARDO JOSÉ LENTE

CÁCERES - MATO GROSSO

EM 29/10/2012

Concordo plenamente com o que disse o Helio Cabral,

A experiência que tive com o massai foi fantastica com alto índice de produção de massa e grande resistência quanto a fertilidade e pragas. Dentre os panicuns para mim é o melhor.
HELIO CABRAL JUNIOR

GOVERNADOR VALADARES - MINAS GERAIS

EM 31/07/2008

Caro José Bonifácio,

Desculpe-me a demora em respondê-lo, mas é que parei de acompanhar este tema. Mas vamos às respostas de suas perguntas:

Estes piquetes eram utilizados por ovinos, com lotação equivalente a 11 UA/ha/ano ( UA ovinas = 360 kg/PV ).

O solo sofreu uma correção incial para V=74%. No plantio foi utilizado um mix de SS ( 75% ) com fosfato reativo Yorim (25% ) da ordem de 160kg de P2O5/ha e 50 kg de FTE BR12/ha, juntamente com 25kg de N/ha e 20kg de K2O/ha.

Com 30 dias de pós-emergência se iniciaram as adubações em cobertura com N e K. A proporção N/K foi sempre em torno de 100:80 ( depois de 2 anos reduziu para 100:70 ).

A reposição de P era feita com SS e sempre em condições em que o solo apresentava uma boa liteira.

Análises de solo anuais ( muito barato! ). Manutenção de alta saturação de bases com cobertura de silicato de cálcio ( agrosilicio ).

A fonte de N era determinada basicamente por questão de umidade, sendo usado uréia e/ou sulfato de amônio.

Sempre que a uréia era utilizada era incorporada com uma lâmina de 12mm de irrigação.

Todos os 11 piquetes tinham cada um um sensor de umidade de cápsula cerâmica enterrada ( Irrigás, só que feito em casa mesmo... ) a 20cm e outro a 40cm.

A irrigação era de baixa pressão com aspersores em malha fixa enterrada.

O sistema de lotação intermitente era utilizado com o "put and take" somente no modo "put", já que um eventual déficite de forragem nas águas era coberto por uma capineira de capim elefante ( penissetum purpureum ) cv. mineirão adubada e irrigada e manejada com 45/50 dias ou 1,8m de altura no verão e 60/65 dias ou 1,5m no inverno.

O volumoso suplementar para o inverno era cana + uréia + sulfato de amônio acrescida de farelo de algodão e uma fração de capim elefante.

Quando a coisa toda tinha engrenado e meu pai aprendeu o manejo do massai estavamos a ponto de fazer dois novos módulos de 5ha com o massai ( sendo só 2 ha irrigados e 3 de sequeiro ) para produção de leite com vacas meio sangue HPB x gir, aí tivemos que vender a propriedade por questão de saúde...

Eu sou um fã incondicional do massai. Pesquisas com este híbrido em manejos intensivos vão provar para muitos descrentes que este "panicunzinho" bate até os consagrados tanzânia e mombaça!

Seu manejo não é simples e quem acha o mombaça "chato" de manejar por "passar" com relativa facilidade, deveria ficar longe do massai, que apesar de praticamente não apresentar hastes, "passa" muito mais rapidamente que o mombaça.
JOSÉ BONIFÁCIO O. X. MENEZES

SEROPEDICA - RIO DE JANEIRO - PESQUISA/ENSINO

EM 15/07/2008

Parabéns pelas observações.Elas foram colhidas com bovinos?Quantos?Cumprimentos ainda pela coragem de usar doses tão altas de fertilização em cobertura; foi usada também ccobertura com K? de quanto?
EPIGMENIO CASTILLO-GALLEGOS

VERA CRUZ - PESQUISA/ENSINO

EM 07/07/2008

Saludos desde México! Puedo afirmar que tanto el artículo como la carta del Sr. Helio Cabral, han sido muy útiles para mí y mis colegas, pues apenas estamos estudiando los híbridos de P. maximum mencionados, bajo nuestras condiciones locales. A su debido tiempo daremos a conocer nuestros resultados en este foro. Mil gracias.
WILSON TARCISO GIEMBINSKY

PARACATU - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 16/06/2008

Uai Hélio lá em cima tá dentista!!!!
Gostei das suas observações e são pertinentes.
HELIO CABRAL JUNIOR

GOVERNADOR VALADARES - MINAS GERAIS

EM 12/06/2008

É interessante notar que os pesquisadores responsáveis pelo artigo em foco fizeram amplo preâmbulo descrevendo aspectos da fisiologia digestiva animal assim como de aspectos ligados à fisiologia vegetal que irão interferir diretamente na produtividade e qualidade da forragem produzida.

Em condições ( corretas ) à campo o fator "predileção" animal pela forrageira "x" ou "y" quando em explorações intensivas ( citadas no início do artigo ) deixa de ser relevante, já que estas forrageiras cespitosas, algumas com folhas semi-decumbentes, se prestam melhor a sistemas de manejo sob lotação intermitente ( pastejo rotacionado ) onde não deveria haver um mix de forrageiras à disposição dos animais, pelo menos não em um mesmo módulo de piquetes e muito menos em um mesmo piquete, pois diferenças fisiológicas entre elas tornariam o manejo um pesadelo.

Foi citado que os capins áries e atlas são híbridos mas não citaram que o massai é um híbrido expontâneo entre panicum maximum x panicum infestum.

O que aparentemente seria apenas um preciosismo de minha parte citando este detalhe, não o é pois a característica lâmina foliar com mais ou menos 1cm de largura e a quase ausência de colmo/talo, o vigor de rebrota e capacidade deste capim de perfilhamento que chega a beirar o absurdo, fazem dele um representante distinto entre os panicuns.

Estas características exigem um manejo diferenciado desta forrageira, sendo seu período de descanso variável entre 18 e 21 dias no verão agrostológico e 30/33 dias no inverno, com alturas de entrada e saída de 40/45cm e 15cm e 30cm e 15cm respectivamente ( condições estas em que foi manejado durante 5 anos na região de Governador Valadares-MG ( Alpercata ) Latitude: 18º 58´ 27" S Longitude: 41º 58´ 13" O e 200 mnm sob irrigação e adubação a nível de 600kg/N/ha/ano para uma produção média de 57 toneladas de MS/ha/ano ).

É importante este tipo de observação, pois ao se aplicar um manejo que não favoreça a fisiologia de determinada forrageira é claro que sua aceitabilidade por parte dos animais será inferior, pois no presente caso ( 28 dias de descanso ) o massai já apresentaria uma maior lignificação e queda tanto nos percentuais de PB quanto de DIVMS.

Outras características importantes desta forrageira são sua maior resistência às cigarrinhas das pastagens e sua TBi ( temperatura base inferior ) que é a mais baixa dentre os panicuns, ficando na casa dos 15o e próxima do tifton85 ( 13o ), fazendo com que sua distribuição de produção forrageira seja mais uniforme durante o ano. Isso sem contar que é dos mais tolerantes ao déficit hídrico ( o que é de interesse apenas acadêmico em exploração intensiva sob irrigação ).

Posso testemunhar que quando em ocorrência simultânea com o aruana em um mesmo piquete ( inicio da formação ficaram algumas plantas de aruana nos piquetes 1 e 2 ) o massai foi preterido em relação ao aruana no primeiro ciclo de pastejo com 60 dias pós emergência das plântulas, mas 3 meses após o inicio do manejo o aruana foi naturalmente erradicado do sistema pois não suportou o manejo intensivo aplicado ao massai.

Era feito uma única roçada de uniformização ao final do período frio e com este manejo o massai jamais permitiu a ocorrência de invasoras, apesar dos piquetes impares ficarem à encosta de uma pastagem de brachiaria decumbens e o piquete 11 fazer divisa com uma pastagem também de decumbens.

Muitos pesquisadores se baseiam no ensaio original da Embrapa CNPGC onde o massai teve seu desempenho comparado ao mombaça e tanzânia, mas cuja metodologia favorecia e muito a fisiologia do tanzânia ( 35 dias de descanso ).

Não existe capim melhor que outro, o que existe é o capim mais bem indicado para uma dada característica edafoclimática e um dado sistema de exploração. Com o manejo correto, todas as principais gramíneas tropicais comerciais tem qualidade nutricional equivalente, ficando a diferença por conta do potencial produtivo de cada uma, o que irá refletir na produtividade por área.

O velho ditado é extremamente correto: "capim bom é capim novo!"

Cordialmente,

Helio Cabral Jr