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Pontos críticos de produção na ovinocultura: a linha do tempo da ovelha e do cordeiro

POR HÉLIO DE ALMEIDA RICARDO

PRODUÇÃO

EM 27/06/2012

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Nos sistemas de produção animal, para as diferentes finalidades produtivas, os três principais fatores que determinam o desempenho dos animais são a Genética, a Nutrição e a Sanidade. Quando falamos de Genética, entende-se Melhoramento Genético e Reprodução. Esses fatores se inter-relacionam, e precisam estar associados sempre, para garantir que o sistema seja eficiente. Entendemos melhor essas relações com uma analogia aos automóveis, por exemplo. De que adiantaria termos uma Ferrari (Genética) abastecida com gasolina adulterada (Nutrição) para andarmos em uma estrada vicinal sem pavimentação (Sanidade)? Um animal de alto valor genético apresentaria todo seu potencial sendo alimentado com uma dieta de baixa qualidade, sem um manejo sanitário adequado?

A associação entre os fatores determinantes para a produtividade animal deve ser levada em consideração no planejamento de um sistema de produção para todas as fases que o compõem, onde os resultados observados se justificam pelo emprego correto desse conceito.

Diferentemente da bovinocultura de corte, que apresenta as fases de cria, recria e terminação ou engorda (Figura 1), a ovinocultura de corte apresenta um ciclo de produção mais curto, com fase de cria e em seguida, recria e terminação feitas conjuntamente (Figura 2). Na verdade, podemos dizer que seriam somente as fases de cria e terminação, pois se busca abater os animais antes de atingirem a puberdade, ao contrário dos bovinos.

Figura 1 - Estrutura do sistema completo de produção de bovinos de corte no Brasil (Euclides Filho, 2000).



A fase de cria dos cordeiros que vai desde o momento do nascimento até o desmame é um período de extrema importância para o desenvolvimento inicial dos animais, mas o conhecimento dos pontos críticos de produção nos mostra que devemos abranger mais períodos do sistema, relacionados à ovelha e ao cordeiro. Considerando essas duas categorias de animais, determinamos a linha do tempo onde temos conhecimento do desenvolvimento fisiológico inerente a cada animal, e o conhecimento desse desenvolvimento nos permite entender a resposta do animal ao manejo e tomar as medidas preventivas e corretivas necessárias.

Figura 2 - Estrutura do sistema completo de produção de ovinos de corte.



Observa-se na Figura 3 a representação da Linha do Tempo da ovelha e do cordeiro, que compreende o período que vai desde a concepção até a terminação do cordeiro. Essa linha considera a evolução da gestação, tanto para a ovelha como para o cordeiro, e a fase de cria e terminação, onde destacamos alguns momentos importantes considerados os pontos críticos de produção.

Na primeira semana após a concepção (0 a 7 dias), para a ovelha, há um grande risco de perda embrionária devido ao estresse térmico pelo calor e umidade. Portanto, o manejo correto da ambiência, seja nas instalações ou na pastagem, permite que mantenhamos os animais em sua zona de conforto térmico, ou zona de termoneutralidade.

O terço inicial da gestação é um ponto crítico para garantir o bom desenvolvimento do cordeiro. Esse período de 30 a 90 dias após a concepção é fundamental para o desenvolvimento da placenta e da glândula mamária para as borregas. Além disso, a restrição nutricional da ovelha nessa fase pode promover uma redução no crescimento fetal, baixo peso ao nascer, redução do vigor do cordeiro e baixa produção de leite pela ovelha. A manutenção da condição corporal da ovelha é de extrema importância para se evitar esses efeitos negativos da má nutrição. O fornecimento de minerais, macro e micro, é vital nesse período, diante das importantes funções que esses elementos exercem no metabolismo animal.

A garantia de uma melhor condição corporal é importante também pelo fato de que nesse período, ao redor de 35 dias após a concepção, ocorre o desenvolvimento inicial dos feixes musculares do corpo do animal.

Figura 3 - Representação esquemática da Linha do Tempo para a ovelha e seu cordeiro (adaptado de Polkey, 2012).



Infelizmente as nossas condições tropicais de produção, na maior parte do país, faz com que muitos produtores sofram problemas com a estacionalidade produtiva das pastagens, que pode proporcionar restrições no consumo de nutrientes. Dependendo da fase em que se encontram os animais, essa restrição pode influenciar negativamente o desenvolvimento dos animais.

O terço final de gestação também se apresenta como um ponto crítico de produção no aspecto nutricional pelo fato de nesse período ocorrer uma maior demanda de nutrientes pela ovelha em decorrência do maior desenvolvimento do feto, com 70% do crescimento fetal ocorrendo nessa fase.

Aproximadamente ao redor de 30 dias antes do parto, há a necessidade de realizar a vacinação das ovelhas contra doenças respiratórias, clostridioses e tétano. Essa imunização proporciona a produção de anticorpos pela fêmea e estimula um alto nível desses anticorpos no colostro, que é responsável pela imunidade passiva do cordeiro neonato. A desverminação da matriz nesse período também é importante devido ao aumento da produção de ovos no peri-parto.

O ponto chave relacionado com o ciclo reprodutivo e a nutrição é ao parto, até o parto a ovelha precisa acumular uma reserva suficiente para as fases pós-parto (regressão uterina, lactação e crescimento no caso de fêmeas de primeira cria) e no caso de ciclos acelerados de produção auxiliará a fêmea apta à nova reprodução.

Entre a segunda e terceira semana após o parto podemos começar a fornecer alimento sólido para os cordeiros devido ao início da função ruminal. A adoção do cocho privativo, ou "creep feeding", é uma prática de manejo que garante o acesso dos cordeiros a uma alimentação que irá estimular o desenvolvimento ruminal.

A máxima produção de leite pelas ovelhas é atingida entre 21 e 28 dias após o nascimento dos cordeiros. Essa máxima produção aumenta a demanda nutricional das ovelhas, que precisam fornecer leite aos cordeiros, pois o leite da fêmea é responsável por 55 a 60% do desenvolvimento dos animais jovens, e manter sua condição corporal.

Entre 28 e 42 dias pós-parto, ocorre a redução da dependência de leite pelo cordeiro, com aumento da dependência de alimentos sólidos. Com a redução na participação do leite no consumo de alimento, a partir desse momento podemos começar a determinar o momento da desmama dos animais.

O rúmen dos cordeiros se torna totalmente funcional com 42 a 56 dias de idade. Dependendo do sistema de terminação dos animais, devemos nos preocupar com certas enfermidades as quais os animais estão suscetíveis. Nesse caso, o cordeiro nessa idade se encontra vulnerável à coccidiose, portanto, se a terminação for realizada em confinamento, deve-se levar em conta a prevenção contra essa enfermidade.

Com dois meses após o parto, muitas ovelhas produzem menos que a metade da quantidade de leite produzida no pico de produção. Um maior tempo para a desmama dos animais pode influenciar negativamente a reprodução da ovelha, atrasando o retorno de seu ciclo estral. Além disso, nesse período os cordeiros se encontram vulneráveis a altas cargas parasitárias. Essa vulnerabilidade pode também influenciar na escolha da terminação dos animais, em pasto ou em confinamento.

Com 70 dias de idade, a vacinação dos cordeiros é fundamental para garantir proteção contra as enfermidades que podem acometer essa categoria, principalmente porque nesse período ocorre o esgotamento da imunidade passiva adquirida via colostro. O reforço da vacinação realizada ao redor dos três meses de idade garante que o sistema imune tenha condições de produzir anticorpos para a defesa do organismo.

Nos sistemas de produção de carne ovina, o cordeiro é considerado a categoria animal mais importante. Mas para produzir um bom cordeiro, precisamos garantir um pleno desenvolvimento dos animais, e esse desenvolvimento envolve também a ovelha. Portanto, para ser eficiente e atingir o objetivo, devemos utilizar práticas de manejo tanto para as ovelhas como para os cordeiros que garantam um suprimento de nutrientes adequado, atendendo as exigências, e mantenham os animais saudáveis.

HÉLIO DE ALMEIDA RICARDO

Bolsista do CNPq, Pós-doutorando da UNESP, Campus de Botucatu-SP.

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TIAGO SOUZA CARVALHO

SALVADOR - BAHIA

EM 18/04/2013

Olá Jaime e Hélio,

Muito Obrigado pela atenção e minha criaçào agradece.

JAIME DE OLIVEIRA FILHO

ITAPETININGA - SÃO PAULO - OVINOS/CAPRINOS

EM 17/04/2013

Posso ajudar



Milho (Triturado-peneira 3mm)= 68 kg

farelo de soja =29,5 kg

Núcleo ou mineral para ovinos=1,5kg

calcario =1 kg(fundamental para evitar calculo renal nos machos)

*oferecer a vontade ,perto de bebedouro ou sal mineral,porque as mães vem e os cordeiros aproveitam para comer)
HÉLIO DE ALMEIDA RICARDO

DOURADOS - MATO GROSSO DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 17/04/2013

Prezado Tiago,



Agradeço pelo contato. Envie um e-mail para meu endereço helioar@zootecnista.com.br para conversarmos sobre sua criação.



Atenciosamente,



Hélio.
TIAGO SOUZA CARVALHO

SALVADOR - BAHIA

EM 16/04/2013

Olá Hélio,

Estou querendo inciar um creep feeding em minha propriedade aqui em Santana BA,mas não tenho uma formula.

Vc poderia me ajudar?

Minha criacão é a pasto com suplemantaçao no cocho.

Os borregos ficam separados com complemento de milho,soja e restos de mandiocas.Mas tudo sem orientaçao zootecnica,pois em Santana BA não dispõe .

Desde já agradeço.
HÉLIO DE ALMEIDA RICARDO

DOURADOS - MATO GROSSO DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 20/03/2013

Prezado Sr. Renato Nunes da Silva,



Agradeço pelos comentários. Sobre sua pergunta, não é que existe uma "vacina vital", o que foi exposto é que nesse período acaba a imunidade passiva adquirida pela ingestão de colostro. Esse tipo de imunização produz uma rápida e eficiente proteção para o cordeiro, porém, temporária.



Nesse caso, a partir dessa idade, a vacinação dos cordeiros (imunidade ativa) é fundamental para manter a saúde e desenvolvimento dos animais. Muitas vezes esse período pode coincidir com o desmame e entrada dos animais em terminação, em pasto ou confinamento, sendo realizada vacinação contra clostridioses, principalmente.



Espero que eu tenha esclarecido a questão. Caso contrário, estou à disposição.



Atenciosamente,



Hélio
RENATO NUNES DA SILVA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 18/03/2013

Dr. Helio, em nome dos criadores de ovinos, agradeço seu excelente artigo. É sumamente importante para quem esta nesta atividade ou começando nela. Apenas um pedido lhe faço, não abusando e nem criticando seu artigo. Qual é a vacina vital a ser aplicada ao borrego aos 70 dias? Seria alguma categoria de vermifugo?. Parabéns e por favor continue nos repassando seus ensinamentos.
EDSON BUZZETO

FREDERICO WESTPHALEN - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 29/07/2012

artigo sintético mas bem esclarecedor, parabéns pela matéria
MARIA CELESTE GOMES

CACOAL - RONDÔNIA - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 28/06/2012

Realmente, um artigo excelente.  PARABÉNS!

Para alcansarmos a produtividade animal deveremos  tomar em conta os tres pilares para atingirmos a produção esperada, Não podemos planejar a produção de ovinos sem trabalhar a Genética, Nutrição e a Sanidade.
TIAGO SCHULTZ

MAFRA - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 27/06/2012

Que Show! Muito obrigado pelas informações, vou repassar pra associaçao o seu artigo. Parabens.
LUCIANO PIOVESAN LEME

BARBACENA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 27/06/2012

Parabéns pelo excelente artigo. Uma boa leitura para todos os ovinocultores, vou enviar este artigo aos nossos associados.

Saudações ruralistas,



Luciano Piovesan Leme

Presidente do NUCCORTE
GENÉSIO SARAIVA

SEBASTIÃO LARANJEIRAS - BAHIA - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 27/06/2012

Bom artigo. Aguardo outro abrangendo da desmama ao ponto de mercado.