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Polpa cítrica pode substituir o milho na alimentação de animais confinados

POR CIRILO - CLAYTON QUIRINO MENDES

E GUSTAVO HENRIQUE RODRIGUES

PRODUÇÃO

EM 12/12/2006

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A exigência em qualidade e padronização exigida pelo mercado consumidor é atendida mediante o abate de animais jovens. O sistema de confinamento geralmente baseia-se em rações de alta concentração energética, tendo o milho como principal componente.

Considerando o elevado custo deste ingrediente e que a alimentação representa uma parcela significativa no custo total de produção; a utilização de subprodutos gerados nas indústrias processadoras de alimentos, como a polpa cítrica, apresenta-se como uma alternativa ao uso de fontes energéticas tradicionais, podendo reduzir o custo de produção.

A polpa cítrica (PC) é um subproduto da indústria da laranja caracterizada por seu elevado valor energético, 13% inferior ao do milho, segundo NRC, 1996 e por possuir peculiaridades de fermentação que a coloca como produto intermediário entre volumoso e concentrado (FEGEROS et al., 1995). Além da vantagem econômica, a época de produção é favorável. Como a safra da laranja é iniciada em maio e concluída em janeiro, esse período coincide com a entressafra de grãos como o milho e com a época de escassez de forragem (CARVALHO, 1995).

Apesar de ser considerado um concentrado energético, a polpa cítrica apresenta teor maior de fibra do que os concentrados energéticos tradicionais, principalmente em relação aos valores de FDA e FDN. A pectina, principal constituinte da polpa cítrica, é considerada um carboidrato estrutural, perfazendo a fibra, mas nutricionalmente é considerada parte da fração carboidratos não estruturais, pelas suas características peculiares de degradação ruminal (HALL, 2003).

É conhecida a importância da fibra em rações para animais ruminantes, uma vez que esta atua na manutenção da motilidade ruminal e estímulo à ruminação. Welch e Smith (1971), trabalhando com ovinos, compararam os estímulos à ruminação exercidos pela polpa cítrica em relação ao feno picado e observaram que a PC promoveu ruminação semelhante ao feno picado por unidade de parede celular (FDN).

Para animais jovens, que apresentam crescimento acelerado, são utilizadas altas proporções de concentrados, podendo haver deficiência de fibra na ração. Quando os ingredientes energéticos são substituídos por PC, consegue-se elevar o teor de fibra, sem que haja redução no valor energético da ração e no consumo, uma vez que, na PC, o teor de FDN é ligeiramente superior ao de FDA (CARVALHO, 1995). A utilização de PC pode ser considerada uma importante ferramenta para o aumento nos teores de fibra sem que haja redução na digestibilidade ou no consumo da ração.

Sampaio et al. (1984) utilizaram novilhos da raça Nelore e substituíram o milho por PC em diferentes teores (100% PC, 50% PC e 50% milho e 100% milho) contendo 60% de concentrado na ração. Não constataram diferença no ganho de peso, porém a conversão alimentar foi inferior na ração com PC.

Ao estudarem a substituição do milho (40%, 60%, 80% e 100%) pela PC em rações com 50% de concentrado para bovinos em terminação, nas variáveis: ganho de peso, consumo de MS, conversão alimentar, Prado et al. (2000) não encontraram diferença entre os tratamentos. Da mesma forma, Vijchulata et al. (1980), utilizando rações isoprotéicas com 85% de concentrado substituíram o milho por PC e não observaram diferenças no ganho de peso e na conversão alimentar de novilhos em terminação.

Henrique et al. (2004) avaliaram o efeito da substituição do milho pela PC utilizando tourinhos Santa Gertrudis. Os teores de inclusão de PC (0, 25, 40 e 55% na MS em substituição parcial ou total do milho) em rações contendo 80% de concentrado não influenciaram as variáveis ganho de peso, consumo de matéria seca e eficiência alimentar, sendo concluído que a PC pode compor até 55% da MS das rações e substituir totalmente o milho moído.

Utilizando bovinos em fase de terminação, Pereira (2005) avaliou a substituição parcial ou total do milho moído fino por PC em rações contendo 70% de concentrado e 30% de silagem de cana-de-açúcar e verificou que não houve efeito da substituição do milho por PC no teor de 50% nas variáveis ganho de peso e consumo de matéria seca. Entretanto, a substituição de 75% e 100% do milho pela PC causou redução linear destas variáveis.

Leme et al. (2000) conduziram um trabalho avaliando a proporção de concentrado e dois ingredientes energéticos (milho ou polpa cítrica) na ração de tourinhos da raça Santa Gertrudis e verificaram que não houve efeito do ingrediente quando o teor de concentrado alcançou 20%. No entanto, foi verificada redução de 50% no ganho de peso vivo, quando o milho foi substituído totalmente pela polpa cítrica em rações contendo 80% de concentrado.

Poucos estudos sobre a substituição do milho por PC na ração de cordeiros em terminação são encontrados na literatura. Bueno et al. (2004), trabalhando com cordeiros confinados das raças Suffolk e Santa Inês, alimentados com silagem de milho ad libitum e concentrado na quantidade de 3% do peso vivo, substituíram 0, 36, 64 e 100% do milho utilizado no concentrado por PC e verificaram ganhos de peso de 202, 206, 217, e 226 g/dia, respectivamente. Não houve diferença no ganho de peso, consumo e conversão alimentar dos cordeiros, entretanto, a proporção de concentrado da ração foi inferior a 90%.

Por outro lado, Martinez e Fernández (1980), utilizando rações contendo zero, 30 e 60% de PC na alimentação de cordeiros em confinamento, encontraram ganhos de peso de 312, 272 e 234 g/animal/dia, respectivamente. Esses autores concluíram que o ganho de peso e a conversão alimentar decresceram com a inclusão de PC na ração.

Rodrigues (2006) realizou um estudo para avaliar a substituição parcial ou total do milho moído por polpa cítrica em rações contendo 90% de concentrado e 10% de feno de "coastcross¨, na alimentação de cordeiros da raça Santa Inês confinados. As rações utilizadas consistiam na substituição do milho pela polpa cítrica conforme os tratamentos apresentados na tabela 1.

Tabela 1. Proporção dos ingredientes e composição química das rações experimentais (% na MS)


¹ Tratamentos: 0PC: sem substituição do milho pela polpa cítrica; 24PC: 33% de substituição do milho pela polpa cítrica; 46PC: 67% de substituição do milho pela polpa cítrica; 68PC: substituição total do milho pela polpa cítrica na MS da dieta.

Os dados obtidos por Rodrigues (2006) estão apresentados na Tabela 2. Pode-se observar que o tratamento 24PC, no qual houve a substituição de 33% do milho por PC, os cordeiros apresentaram ganho de peso satisfatório (267 g/dia).

Esta combinação de fontes de carboidratos de alta digestibilidade ruminal (amido e pectina) pode ter beneficiado a sincronização da degradação ruminal entre proteína e energia, podendo justificar o bom desempenho observado para a substituição de 33% do milho pela PC. No entanto, substituições maiores (67 e 100%) afetaram consideravelmente o GMD, numericamente cerca de 1,5 vezes para o tratamento onde a PC substituiu totalmente o milho, quando comparado com o tratamento controle.

A substituição do milho pela polpa cítrica em 33% não alterou o consumo em relação à ração controle. Entretanto, a inclusão de polpa cítrica nos teores de 46,10 e 68,40% da MS (67 e 100% de substituição) na ração influenciou no CMS negativamente e encontram-se abaixo da média recomendada pelo NRC (1985) para ovinos desta categoria, a qual varia entre 1,0 a 1,3 kg MS/animal/dia. Os valores encontrados para consumo de matéria seca (CMS) variaram entre 0,843 a 1,007 kg/animal/dia podendo justificar os resultados de desempenho.

O autor concluiu que a polpa cítrica pode ser incluída para substituir o milho na ração de cordeiros da raça Santa Inês em confinamento até a proporção de 23,7% na MS.

Tabela 2. Ganho de peso médio diário (GMD), consumo de matéria seca (CMS) e conversão alimentar (CA) dos cordeiros confinados


1 Tratamentos: 0PC: sem inclusão de polpa cítrica na dieta; 24PC: 33% de substituição do milho pela polpa cítrica; 46PC: 67% de substituição do milho pela polpa cítrica; 68PC: substituição total do milho pela polpa cítrica na dieta;
2 Erro Padrão da Média;
3 Efeito de tratamento;
Efeito quadrático;

Nos trabalhos realizados com o intuito de avaliar a substiuição do milho por polpa cítrica, verifica-se na maioria deles que grandes quantidades desse subproduto deprimem o consumo, portanto é necessário analisar a proporção de concentrado utilizado na ração. Além disso, o custo final das rações ira determinar a possibilidade de uso deste ingrediente.

A utilização deste subproduto certamente contribui para reduzir o custo de produção; entretanto o produtor deve estar atento às variações dos preços do milho e da polpa cítrica nas diferentes épocas do ano. Outro fator de grande importância é a capacidade de armazenamento da polpa cítrica na propriedade, uma vez que trata-se de um subproduto que se encontra disponível no mercado em determinado período do ano, podendo ser utilizado na alimentação do rebanho o ano todo.

CIRILO - CLAYTON QUIRINO MENDES

É colaborador do Agripoint como instrutor do curso Princípios da Nutrição de Caprinos e Ovinos de Corte e escreve artigos técnicos para seções Nutrição e Pastagem.

GUSTAVO HENRIQUE RODRIGUES

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LUIZ ALBERTO TEIXEIRA COSTA

ALÉM PARAÍBA - MINAS GERAIS

EM 05/09/2017

Qual a quantidade máxima de polpa cítrica que poderá substituir o milho moído, sem que o ganho de peso do animal de corte seja afetado?
FIDELIS

RIBEIRÃO PRETO - SÃO PAULO - DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS (CARNES, LÁCTEOS, CAFÉ)

EM 02/06/2016

Bom dia, Gostaria de saber se pode dar a aves (Frango) se compensa o preço, devido ao alto valor do milho no momento.

aguardo retorno



Grato



Fidelis