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Pododermatite ou "Foot-Rot" dos Ovinos

POR VICENTE DE FRANÇA TURINO

PRODUÇÃO

EM 29/08/2006

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Um dos fatores limitantes da produtividade ovina é a alta taxa de reposição, a qual pode ser maior que 20%, reduzindo a possibilidade do melhoramento genético, aumento do rebanho e produtividade da fazenda. Problemas de casco e úbere e baixa condição corporal são importantes causas de descarte de matrizes em rebanhos ovinos.

Uma boa locomoção é necessária para um pastejo efetivo e boa eficiência reprodutiva. As patologias podais afetam diretamente o bem estar animal e produzem prejuízos econômicos importantes devido a menor locomoção, infertilidade temporária dos reprodutores (pois com problemas nos cascos, não conseguem seguir e montar ovelhas que apresentarem cio), perda de peso e condição corporal (matrizes magras não se reproduzem), menor produção leiteira (alto índice de mortalidade até a desmama, peso de desmama muito baixo ou idade a desmama muito elevada), desvalorização do animal e eliminação prematura do rebanho.

A prevalência da doença varia muito de um rebanho a outro por estar influenciada por muitos fatores como o clima, alimentação, idade, intensificação da exploração e manejo rotineiro.

A descrição e causas das doenças do casco foram estudadas por diversos autores, mostrando que Dichelobacter nodosus e Fusobacterium necrophorum são os principais agentes infecciosos envolvidos, sendo este último a causa primária de doenças como o "foot rot".

O "foot rot" é uma doença contagiosa, crônica, necrosante, da epiderme interdigital e matriz do casco dos ovinos, levando a manqueira (Figura 1), com conseqüente perda de peso, queda na produção de lã e dificuldade reprodutiva em carneiros. É causado pela associação sinérgica de, pelo menos, duas bactérias: Bacteroides nodosus, atualmente conhecida como Dichelobacter nodosus e Fusobacterium necrophorum, o qual faz parte do trato digestivo de ovinos.


Figura 1. ovino acometido com "foot-rot" no membro posterior equerdo.


Esta bactéria (Fusobacterium) aparentemente contribui para a patogenia da doença causando invasão inicial e superficial, que resulta em uma leve lesão da epiderme, a qual facilita o estabelecimento do Dichelobacter nodosus.

O Dichelobacter nodosus não é encontrado em nenhum local da natureza a não ser em pés de ovinos, caprinos e bovinos. Ele permanece viável por períodos curtos no meio ambiente, uma vez que é um germe não esporulado.

Por ser uma doença infecciosa, a sua transmissão está relacionada com três principais variáveis epidemiológicas: o agente, o hospedeiro e o meio. Outros fatores ambientais, como o solo e tipos de pastagens, podem influenciar a transmissão da doença.

O sinal clínico mais comum em casos de "foot-rot" é a claudicação (manqueira). Casos graves, com lesões nos cascos anteriores fazem com que os animais pastejem ajoelhados (Figura 2), levando a maceração e consequentemente miíase (bicheira) esternal. Animais seriamente atacados perdem peso e carneiros tem sua atividade reprodutiva reduzida.

Em casos iniciais da doença se observa uma leve dermatite interdigital, a qual progride para uma ferida que apresenta secreção sanguinolenta e odor desagradável. Em casos mais graves ocorre deslocamento do casco (inicialmente na porção posterior, podendo se estendender para a parte anterior.


Figura 2. ovino pastejando ajoelhado devido as lesões causadas por "foot-rot".

Em casos inicais, recomenda-se como tratamento a utilização de pedilúvio com solução de formol a 5% e sulfato de cobre a 5%. O uso de antibióticos parenterais como o florfenicol (20 mg/kg) ou tetraciclinas (20 mg/kg) são muito utilizados em casos mais adiantados da doença.

A associação do tratamento parenteral com o uso do pedilúvio aumenta a eficácia do tratamento para 90%. Como medidas profiláticas deve-se proceder o exame minucioso e apara dos cascos de todos os ovinos do rebanho pelo menos duas vezes ao ano.

O uso de pedilúvios preventivos (principalmente em épocas chuvosas ou em ambientes que apresentem solo úmido) apresenta boa eficiência para prevenir a enfermidade. Também é importante descartar os animais com lesões severas e crônicas, pois dificilmente serão curados, podendo ser fonte de contaminação bacteriana ao solo, pastagem e instalações.

VICENTE DE FRANÇA TURINO

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EUGENIO RONCAGLIO

BLUMENAU - SANTA CATARINA

EM 25/10/2016

Eugenio Roncaglio.

Blmenau SC

Gostei muito das informações ,vou seguir os procedimentos pra ver se resolvo os problemas de casco nas minhas ovelhas.
ODILON RODRIGUES

CANELA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 26/07/2015

Sulfato de cobre ou zinco? Qual dos dois? E onde compra? Não achei o formol também, qual a profundidade do pedilúvio?
KACILDA DIAS DE FREITAS

CAÇAPAVA DO SUL - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 17/03/2009

Excelente o texto sobre a pododermatite. Texto claro e preciso, aborda todos os tópicos importantes sobre a doença. Eu sou estudante do Curso Técnico em Agropecuária de Caçapava do Sul, e fiquei muito satisfeita com as informações que encontrei. Estou fazendo um trabalho sobre o tema e sanei todas asminhas dúvidas.
Parabéns!!
LARISSA BEATRIZ ALVES REZENDE

ANÁPOLIS - GOIÁS - ESTUDANTE

EM 11/08/2008

Boa Noite!!! Sou estudante de zootecnia e estou estagiando numa propriedade onde ´há uma grande incidência de animais com "foot rot"na época seca do ano. Não estamos conseguindo reverter esse quadro.E como o rebanho é grande, estamos o prejuízo parece inevitavel. O que se pode fazer, ou qual o manejo correto pra controlar essa situação?
OSWALDO SCANNAPIECO NETTO

CORNÉLIO PROCÓPIO - PARANÁ - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 28/04/2008

Parabens pelo tema abordado e pelo grande sucesso do site

RAQUEL MARIA CURY RODRIGUES

PIRACICABA - SÃO PAULO - OVINOS/CAPRINOS

EM 27/03/2008

Muito interessante o artigo, isso ocorre mesmo no dia a dia do rebanho!

Lembrando também quando utilizado o sulfato de zinco e o sulfato de cobre este deve ser mantido longe dos animais porque é palatável e se eles ingerirem pode ocorrer intoxicação!

Abraços
MARCOS NETTO GOMES

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - MÉDICO VETERINÁRIO

EM 10/09/2007

Excelente trabalho. Espero que você possa estar solucionando os problemas dos produtores de ovinos de sua região!!!

Parabéns pela matéria, vai me ajudar muito na minha tese de graduação que é enbasada em principais emfermidades em ovinos.
JOSE GUEDES NETO

SOLONÓPOLE - CEARÁ

EM 10/07/2007

Parabéns pelo tema que você falou. Mas só lembrando que o não uso do formol vem sendo indicado, devido aos prejuizos a saúde que ele causa.

Mas fico contente em saber que sites como o FarmPoint disponibilizam espaço para essa troca de ideias.

Um abraço a todos.
FERNANDO ALZAMORA FILHO

ILHÉUS - BAHIA - PESQUISA/ENSINO

EM 04/05/2007

Sr. Rogério Lima,

Sobre o casqueamento em ovinos, você pode procurar a Escola de Veterinária da Universidade Estadual de Santa Cruz - Ilhéus-BA. www.uesc.br.
Gostaria de parabenizar o autor pelo artigo.
ROGÉRIO LIMA RODRIGUES

SALVADOR - BAHIA - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 15/03/2007

Bom dia!

Meus animais sofrem muito com isso. Ainda nao tenho instalações adequadas e deixo eles no curral de calçamento, mas sempre junta um pouco de lama e unidade. Trato com formol e sulfato de zinco.

Aproveitando o assunto, existe algum livro videocurso sobre casqueamento? Queria aprender a casquear mas nao conheço nenhum profissional.
MARCOS PAULO DE PINHO FLECHA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 24/10/2006

Gostaria de parabenizar o autor Vicente de França Turino e o FarmPoint pelos excelentes artigos sobre as patologias que acometem a Ovinocultura.

Não sei as perdas econômicas que as patologias podais geram na ovinocultura, mas na bovinocultura de leite as patologias podais estão entre as principais, ou a principal, doença com maior perda econômica.

Como criador inicial de ovinos e estudante de Veterinária, gostaria de novo parabenizar o FarmPoint.
GUSTAVO FERNANDO RIBEIRO DE OLIVEIRA

UBERABA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 26/09/2006

Muita boa essa matéria, referente a doenças de cascos, mostrando os problemas que causa, e a solução que devemos tomar caso ocorra essa doença em nosso rebanho.

O pedilúvio é muito interessante, com 5% de formol e 5% de sulfato de cobre, adicionando os antibióticos numa situação mais avançada, são métodos bons de manejo do rebanho.