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Perfil dos países exportadores de carne ovina - Parte I de V

PRODUÇÃO

EM 02/08/2010

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Este artigo faz parte do Estudo de Mercado Externo de Produtos e Derivados da Ovinocaprinocultura da editora Méritos. Este trabalho foi viabilizado pela Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) do Sistema Agroindustrial, cuja gestão cabe ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior - MDIC.

Sua execução foi possível graças à celebração de convênio entre a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (ARCO) e o MDIC. Elaborado a partir de proposta da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Caprinos e Ovinos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) - representa sinergia entre as ações das Câmaras Setoriais do MAPA e a PDP do Sistema Agroindustrial do MDIC. O estudo está disponível para download nos sites: www.mdic.gov.br, www.arcoovinos.com.br, www.agricultura.gov.br, www.conab.gov.br, www.cnpc.embrapa.br

O FarmPoint publicará trechos deste trabalho começando pelo seguinte capítulo: Perfil dos Países Exportadores e a primeira análise publicada será sobre a Nova Zelândia.

Introdução

Nova Zelândia e Austrália respondem pela maior parte do comércio internacional de carne ovina, com participação significativa em todos os principais mercados importadores. Entender como funciona o sistema agroindustrial nestes países é fundamental para a compreensão efetiva do fluxo de carne ovina através do mundo.

Os outros países exportadores de carne ovina têm uma importância relativa muito menor. Porém, são importantes para se entender parâmetros de competitividade em escala regional, como é o caso do Uruguai com o MERCOSUL, da Índia com o Golfo Pérsico, da Namíbia com a África do Sul, da China com Hong Kong e dos EUA com o NAFTA.

Nova Zelândia

Apesar de sua pequena extensão territorial, a Nova Zelândia exportada diversos produtos de origem animal. A busca incessante pela competitividade pecuária faz com que o país supere os obstáculos referentes ao clima, ao relevo e à localização e seja um competidor importante quando se fala de carne ovina e bovina, leite e lã. No caso da lã, a Nova Zelândia é o segundo maior exportador e responde por cerca de 14% da produção mundial.

Setor primário

Aproximadamente 15 mil propriedades criam ovinos no país, normalmente em conjunto com bovinos. Em regra, a criação se dá ao ar livre, sem instalações de abrigo, com uso disseminado de rotação de pastagens. Pouco ou nenhum suplemento concentrado é fornecido aos animais. A terminação dos cordeiros pode ser feita pelo próprio criador ou por criadores especializados na engorda. Existem alguns grandes terminadores de cordeiros - o maior com 500 mil animais por ano, e essa engorda final antes do abate é feita basicamente com o uso de pastagens permanentes de boa qualidade.

O rebanho vem diminuindo de forma constante ao longo dos últimos 20 anos. Um dos motivos recentes para a redução do rebanho ovino é o aumento da quantidade de vacas leiteiras e de reflorestamento, considerados mais rentáveis pelos pecuaristas. Apesar disso, o percentual de fêmeas no rebanho vem aumentando discretamente nos últimos anos e isso sinaliza que a produção de cordeiros não deve ter uma queda tão significativa.

O rebanho caprino da Nova Zelândia é pequeno e está declinando mais rapidamente do que os ovinos, sendo hoje menos de 10% do que era há 20 anos, quando o rebanho alcançou 1,3 milhões de cabeças. A finalidade principal da criação de caprinos na Nova Zelândia era a produção de pelos finos para a indústria de confecção. São cerca de 110 mil caprinos no país, localizados principalmente na Ilha Norte, na região de Waikato, que conta com quase 40% do rebanho nacional. Existe uma quantidade significativa de cabras selvagens, que também são abatidas e enviadas à exportação. A eficiência reprodutiva do país é alta, com cada ovelha desmamando em média mais do que um cordeiro por ano. A seca persistente dos últimos anos, apesar de ter sido um fator extra para a diminuição do rebanho, não tem sido um impedimento para a manutenção de taxas altas de parição.

Indústria

O setor industrial é forte e competitivo, com várias cooperativas de produtores sendo proprietárias de empresas de abate e processamento de carne ovina. São 22 empresas processadoras de carne, das quais seis exclusivamente para exportação. Além disso, existem mais 57 abatedouros com licença de exportação e uma grande quantidade de pequenos abatedouros que abastecem somente o mercado local. Atualmente, a capacidade industrial excede a quantidade de animais disponíveis para abate.

As principais empresas, que respondem por mais de 80% da exportação, são: Silver Fern Farms; AFFCO Holdings; Alliance Group; Primary Producers Coop e ANZCO Foods. Cada uma dessas companhias opera plantas em vários locais do país. O fato de o país ser composto de duas ilhas principais faz com que as indústrias sempre estejam próximas a algum dos 11 portos de exportação de carne.

A venda de animais é feita pelos produtores diretamente para as indústrias, no mercado spot. Apesar de algumas indústrias estimularem a formação de contratos de fornecimento, os criadores não veem com bons olhos este tipo de relacionamento. Os produtores especializados em engorda podem comprometer via contrato parte de sua produção, mas mantêm a maior parte dos animais para venda no mercado spot.

O sistema de classificação de carcaças é efetivamente adotado pela indústria para compor a remuneração dos produtores, inclusive no abate de animais de descarte. Os caprinos para abate também obedecem à classificação de carcaças, mesmo não sendo uma cadeia produtiva importante no país. Usualmente, o pagamento aos produtores é feito com prazo de 14 dias após o abate.

A remuneração se dá com base na idade do animal e no peso, com uma bonificação pela cobertura de gordura na carcaça. Os animais mais valorizados são os cordeiros, com cobertura de carcaça entre 6 e 12 mm de gordura. Algumas indústrias pagam uma bonificação por lealdade, que é a repetição constante da relação de compra com um criador específico. Esta mesma bonificação é usada como mecanismo de compra nas épocas em que está faltando animais no mercado. Neste caso, mesmo os fornecedores não usuais podem receber a bonificação por lealdade, como forma de aumentar o preço momentaneamente e garantir o fornecimento. O desfrute aproximado do país foi de 83,2% em 2007 e de 98,6% em 2008, refletindo a grande destinação de animais adultos para o abate.

A imensa maioria da produção é exportada, pois a Nova Zelândia tem uma pequena população e, apesar do consumo per capita ser alto, o excedente exportável torna o país o maior vendedor mundial de carne ovina. Curiosamente, no mercado de ovinos vivos, a Nova Zelândia tem participação inexpressiva. No entanto, um novo acordo com Arábia Saudita para exportar ovinos vivos a partir de julho de 2009 está sendo costurado. As exportações foram proibidas pelos próprios neozelandeses em 2004, após a morte de cinco mil cabeças no navio que fazia o transporte. Os produtores neozelandeses querem garantia de que os animais serão bem tratados na viagem e no destino, como reflexo da pressão da sociedade do país, influenciada pelas entidades de proteção aos animais.

Aspectos institucionais e organizacionais

Existe um acordo de livre comércio com a China e com os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, na sigla em inglês), que beneficia diretamente os produtos da ovinocaprinocultura. Foram iniciadas negociações na mesma direção com o Japão e com a Coreia. Os empréstimos para investimento são fornecidos com taxas de juros baixas e prazo longo de pagamento, podendo chegar a até 20 anos em alguns casos. Os bancos locais são vistos como parceiros efetivos pelos produtores, ao contrário da maioria dos países, inclusive o Brasil.

O Meat & Wool New Zealand - Nova Zelândia Carne e Lã (MWNZ, na sigla em inglês) é uma entidade fundada por produtores, sustentada com uma contribuição para cada bovino, ovino ou caprino abatido. Do abate, é descontada uma contribuição de cerca de 1% para a entidade. O MWNZ tem diversas atribuições dentro da cadeia produtiva, trabalhando como indutora da pesquisa, do comércio, do marketing e da disseminação de informações.

O MWNZ fornece diretrizes para a pesquisa e se preocupa com o ambiente e a emissão de gases, seu impacto nas propriedades e os potenciais problemas no relacionamento com os consumidores, nacionais e estrangeiros. O MWNZ procura dar visibilidade às iniciativas da cadeia produtiva nesta área, como a busca de menores emissões para melhorar o balanço de carbono da atividade e o trabalho de proteção das fontes de água nas propriedades.

O MWNZ, em parceria com a New Zealand Beef & Lamb Marketing Bureau - Departamento Neozelandês de Promoção da Carne Bovina e Ovina - (NZBLMB, na sigla em inglês) organiza a publicidade dos produtos de ovinos e caprinos nos mercados principais de exportação e também no mercado interno, que responde pelo consumo de 10% da produção.

Algumas ações de marketing no mercado interno incluem: demonstração de formas modernas de preparo da carne ovina na televisão; informação e promoção do produto através da internet; patrocínio de campeã olímpica para promover o consumo junto à geração saúde; promoção da carne ovina nas escolas primárias; competição entre os criadores, com prêmios como Golden Lamb Awards - Prêmio do Cordeiro Dourado - premiando diferentes raças; e escolha de chefes de cozinha famosos para serem Embaixadores Anuais do Cordeiro Neozelandês.

Os processadores de carne, a MWNZ e a New Zealand Trade and Enterprise - Empreendimentos e Comércio Neozelandeses - trabalham em conjunto para descobrir novos mercados para a carne e para a lã do país. Atenção especial tem sido dada à China, por seu novo posicionamento dentro da economia mundial como um todo e da cadeia da ovinocaprinocultura em particular.

Existe um projeto de cooperação entre a MWNZ e a Meat Industry Association - Associação da Indústria da Carne - chamado New Zealand Meat Industry Research - Pesquisa Neozelandesa para a Indústria da Carne - (MIRINZ, na sigla em inglês), que se iniciou em 1955. O objetivo do MIRIINZ é aumentar a rentabilidade do setor industrial de carne através da realização de pesquisas na área de eficiência de processamento, qualidade de carne, aumento da vida de prateleira dos alimentos, processamento de peles e agregação de valor aos produtos.

Alguns programas são destinados diretamente aos produtores, como um que visa aumentar a quantidade de caprinos de corte nas propriedades, em parceria entre o MWNZ e o Goat Advisory Group - Grupo Consultivo da Caprinocultura -, levando informações sobre alimentação e manejo de caprinos às propriedades.

Finalmente, a MWNZ também coordena um programa nacional de mérito genético, que visa identificar os reprodutores com maior capacidade de contribuir para a ovinocultura com descendentes possuidores de atributos que sejam desejados pela cadeia produtiva, como precocidade, fertilidade e resistência à doenças e parasitas. A preocupação nacional com a sanidade animal, especialmente a febre aftosa, é notável, e em toda parte estão dispostos avisos sobre a necessidade de comunicar ao Ministério da Agricultura sobre qualquer incidente.

Nos últimos anos, a Nova Zelândia está adotando algumas restrições na destinação de áreas de pastagem para o plantio de florestas comerciais. Existe uma preocupação com a disseminação exagerada de árvores em detrimento da produção animal, o que pode comprometer a balança comercial do país, que é dependente da exportação de produtos de origem animal.

Exportações

A cota neozelandesa de exportação de carne ovina na União Europeia é de 227.854 toneladas anuais, o que faz do país o principal fornecedor daquele bloco de países. Em parceria com as grandes empresas varejistas europeias, os exportadores mantêm um sistema de comunicação permanente com os consumidores, reforçando a boa imagem da carne ovina do país.

A partir da década de 1980, os europeus implantaram uma política de subsídios que estimulou fortemente a produção. Com isso o espaço disponível para a carne ovina neozelandesa no Reino Unido diminuiu e os exportadores neozelandeses reagiram de duas maneiras. Em primeiro lugar, diversificaram os seus mercados de destino na Europa, focando a França e a Alemanha. A segunda etapa foi aprimorar o marketing do produto nacional no mercado europeu, oferecendo cortes adaptados à demanda moderna dos consumidores. Ao longo do tempo, as exportações da Nova Zelândia têm mantido tendência de crescimento, em parte refletindo o aumento de oferta provocado pela diminuição do rebanho.

Gráfico 1 - Exportação de carne ovina neozelandesa (mil t).



Em termos de volume, a carne congelada representa 72% do total exportado. Da carne congelada, a maior parte é exportada com osso.

Gráfico 2 - Tipo de carne exportada pela Nova Zelândia (mil t) - 2008.



A União Europeia é o principal destino das exportações de carne ovina da Nova Zelândia, absorvendo 38% do volume. A China, a Arábia Saudita e os EUA são outros grandes compradores, mas cada um adquire entre 5 e 7% da carne neozelandesa. Na carne congelada, a União Europeia é o principal cliente, com 31% das compras. O preço médio alcançado de exportação, de US$ 3.817 por tonelada, é de pouco mais da metade do obtido pela carne refrigerada.

Na carne refrigerada, de maior valor, o domínio da União Europeia aumenta, com a aquisição de quase três quartos do volume exportado pela Nova Zelândia. Neste tipo de produto, a China e a Arábia Saudita já não constam como grandes importadores, pois estes países buscam carne mais barata no mercado internacional. Quase dois terços das expedições neozelandesas para o mercado do Reino Unido são formados por cortes de pernil, que podem ser colocados diretamente à venda nas prateleiras de supermercados ou fatiadas por indústrias especializadas locais. Além de cortes de pernil, o Reino Unido também recebe da Nova Zelândia lombo (13% das exportações em 2007) e cortes de dianteiro (18% do total em 2007). Outra característica das exportações neozelandesas é o aumento constante da participação de cortes refrigerados, que facilitam a utilização do produto pelos varejistas e de reduzir a participação dos cortes e carcaças congelados.

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