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Pastejo rotativo: dias fixos vs. altura como ferramenta de manejo

POR BRUNO CARNEIRO E PEDREIRA

E LEONARDO SIMÕES DE BARROS MORENO

PRODUÇÃO

EM 16/12/2011

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Ainda hoje é comum encontrar produtores que não sabem a quantidade de forragem produzida na propriedade. Embora, algumas dessas fazendas façam uso de corretivos e fertilizantes, muitas vezes não têm ao menos referências para definir o momento de entrada ou saída dos animais em um determinado pasto. É também comum encontrar pastos que mais parecem pequenas fazendas, com dezenas ou centenas, de hectares, o que dificulta o controle do que se produz e, mais que isso, do que se aproveita (é consumido) pelos animais.

Uma das ferramentas para contornar esta situação é a utilização do pastejo rotativo (rotacionado, como é mais conhecido), que pressupõe a subdivisão dos pastos em piquetes menores, onde os animais permanecem durante pequenos períodos, consumindo toda a forragem disponível e passando em seguida para o piquete seguinte. O consumo do capim em curtos espaços de tempo, em conjunto com a redução das áreas, permitem maior controle sobre o pastejo e, conseqüentemente, maior eficiência na produção e no aproveitamento da forragem.

A definição mais comum do momento ideal para o início do pastejo é com base em calendário (dias fixos), e assim recomendações de pastejo a cada 28, 35, 42 dias foram amplamente difundidas em todo o país. Essa técnica de manejo, que por muitos anos auxiliou os pecuaristas e permitiu melhorias na utilização da forragem produzida nas propriedades brasileiras, foi definida com base na quantidade de folhas vivas existentes em cada perfilho, que é uma característica genética, e o filocrono - período de tempo entre o surgimento de duas folhas sucessivas (Gomide & Gomide,1999).

Entretanto, as taxas de crescimento e aparecimento de folhas são fortemente influenciadas por condições ambientais, como a temperatura, e pela adubação nitrogenada, o que faz com que generalizações quanto ao período entre os pastejos gere resultados diferentes. O pastejo rotativo com base em calendário geralmente permite que as plantas tenham tempo para recompor sua área foliar, mobilizar e repor reservas, por outro lado, resultados do crescimento de plantas com base em um mesmo intervalo de pastejo será diferente em função das estações do ano, do clima, dos solos e da região. Assim, um intervalo de descanso de 28 dias em dezembro é diferente dos mesmos 28 dias em abril; 28 dias em Mato Grosso é diferente de 28 dias em São Paulo, por exemplo. Embora o número de piquetes e de dias de ocupação tenha sido previamente definido para o sistema rodar a cada 28 dias com a mudança do período das águas para a seca essa recomendação torna-se inadequada. Como alternativa convencionou-se mudar o intervalo de 28 para 35 ou 42 dias na tentativa de compensar os aspectos climáticos desfavoráveis, mas isso nem sempre garante que a forragem seja colhida adequadamente, com alta proporção de folhas e alto valor nutritivo.

O manejo baseado em dias fixos e pré-determinados de descanso, apesar de propiciar facilidades no planejamento do pastejo rotativo, de certa forma restringe as possibilidades de ganhos em eficiência do sistema, pois não gera um padrão uniforme de respostas fisiológicas de plantas e estruturais do dossel. Esse fato demonstra a inconsistência de respostas e a limitação de se adotar e, especialmente generalizar, um período de descanso fixo e definido a priori, uma vez que dependendo da época do ano e das condições vigentes de crescimento este pode ser demasiadamente curto, o que levaria a perdas de produção em termos de quantidade; ou demasiadamente longo, o que levaria a perdas de quantidade e qualidade, podendo, em ambos os casos, resultar em degradação dos pastos.

No entanto, com a evolução dos trabalhos de pesquisa, pôde-se perceber que é possível adotar práticas de manejo mais eficientes, levando-se em conta características da comunidade de plantas. Para melhorar o manejo, abordagens mais refinadas utilizando estratégias de pastejo intermitente têm sido estudadas com o intuito de fornecer ao produtor mais uma opção na tomada de decisão no momento da colheita. Estudos baseados em respostas fisiológicas de plantas mostraram que as taxas de crescimento foram relacionadas com a porcentagem de luz interceptada pelo dossel e área foliar. Sugerindo que a interceptação de luz além dos 95% resulta na máxima taxa de crescimento (Brougham, 1956) e em gramíneas de clima tropical (Panicum, Pennisetum, Brachiaria, etc.) esse é o momento a partir do qual se intensifica o processo de competição por luz, e o acúmulo de colmos e a senescência aumentam fortemente e, portanto, pastejos realizados a partir desse ponto têm as perdas por pastejo aumentadas e conseqüentemente sua eficiência reduzida.

Apesar de a interceptação luminosa não ser um parâmetro de caráter prático como determinante da entrada dos animais para o pastejo, apresenta alto grau de associação com altura do dossel, sugerindo que essa característica poderia ser utilizada como parâmetro-guia no manejo (Da Silva e Nascimento Jr., 2007). Dessa forma, esse conceito se aplica para diversas plantas forrageiras de clima tropical, em que a entrada dos animais deve acontecer quando os pastos atingirem 70 cm para Panicum maximum cv. Tanzânia (Mello e Pedreira, 2004); 90 cm para Panicum maximum cv. Mombaça (Carnevalli, Da Silva et al., 2006); 30 cm para Brachiaria brizantha cv. Xaraés (Pedreira, Pedreira et al., 2007) e Mulato (híbrido do gênero Brachiaria) (Limão, 2010); e 25 cm em pastos de capim marandu, numa condição de lotação rotativa (Trindade, Da Silva et al., 2007).

O prolongamento do período de descanso ou do intervalo de pastejos além dessas alturas resulta em aumento da massa de forragem por ocasião da entrada dos animais no momento do pastejo, porém, esse aumento é resultado, basicamente, do acúmulo de colmos e de material morto, uma vez que o acúmulo de folhas se estabiliza e, ou, diminui (Moreno, 2004; Barbosa, Do Nascimento et al., 2006; Carnevalli, Da Silva et al., 2006). Nessa condição, tem-se maior acúmulo de forragem por ciclo de pastejo, menor número de pastejos na estação de crescimento (períodos de descanso mais longos), além do valor nutritivo da forragem em oferta ser reduzido (Bueno, 2003).

Por isso, a estratégia de pastejo deve ser feita com base em parâmetros que influenciem a estrutura do dossel. Assim, pode se manipular o dossel conforme a necessidade do sistema de produção de forma objetiva, correlacionando quantidade e qualidade de forragem.

BARBOSA, M.; DO NASCIMENTO, D.; CECATO, U. Pasture dynamic and performance of steers in Panicum maximum Jacq. cv. Tanzania under different forage allowances. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 35, n. 4, p. 1594-1600, Jul-Aug 2006. ISSN 1516-3598. Disponível em: < ://000242181000005 >.

BROUGHAM, R. W. Effects of intensity of defoliation on regrowth of pasture. Australian Journal of Agricultural Research, v. 7, p. 377-387, 1956.

BUENO, A. A. O. Características estruturais do dossel forrageiro, valor nutritivo e produção de forragem em pastos de capim-mombaça submetidos a regimes de lotação intermitente. 2003. 124 Dissertação (Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"). Mestrado em Ciência Animal e Pastagens, Universidade de São Paulo, Piracicaba.

CARNEVALLI, R. A. et al. Herbage production and grazing losses in Panicum maximum cv. Mombaca under four grazing managements. Tropical Grasslands, v. 40, n. 3, p. 165-176, Sep 2006. ISSN 0049-4763. Disponível em: < ://000241816500006 >.

DA SILVA, S. C.; NASCIMENTO JR., D. Avanços na pesquisa com plantas forrageiras tropicais em pastagens: características morfofisiológicas e manejo do pastejo. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 36, p. 121-138, 2007.

LIMÃO, V. A. Padrões de crescimento de pastos de capim-mulato submetidos a estratégia de pastejo rotativo. 2010. 61 Dissertação (Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"). Mestrado em Ciência Animal e Pastagens, Universidade de São Paulo, Piracicaba.

MELLO, A. C. L.; PEDREIRA, C. G. S. Morphological responses of irrigated Tanzaniagrass (Panicum maximum jacq. cv. Tanzania-1) to grazing intensity under rotational stocking. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 33, n. 2, p. 282-289, Mar-Apr 2004. ISSN 1516-3598. Disponível em: < ://000223427300003 >.

MORENO, L. S. B. Produção de forragem de capins do gênero Panicum e modelagem de respostas produtivas e morfofisiológicas em função de variáveis climáticas. 2004. 86 Dissertação (Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"). Mestrado em Ciência Animal e Pastagens, Universidade de São Paulo, Piracicaba.

PEDREIRA, B. C.; PEDREIRA, C. G. S.; DA SILVA, S. C. Sward structure and herbage accumulation in Brachiaria brizantha cultivar Xaraes in response to strategies of grazing. Pesquisa Agropecuaria Brasileira, v. 42, n. 2, p. 281-287, Feb 2007. ISSN 0100-204X. Disponível em: < ://000245751800018 >.

TRINDADE, J. K. et al. Morphological composition of the herbage consumed by beef cattle during the grazing down process of marandu palisadegrass subjected to rotational strategies. Pesquisa Agropecuaria Brasileira, v. 42, n. 6, p. 883-890, Jun 2007. ISSN 0100-204X. Disponível em: < ://000248372900016 >.

BRUNO CARNEIRO E PEDREIRA

Pesquisador da EMBRAPA Agrossilvipastoril

LEONARDO SIMÕES DE BARROS MORENO

Áreas de atuação: Ecofisiologia e manejo de pastagens, iLPF, eficiência de uso de recursos naturais.

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DANIEL RIBEIRO

SANTANA DO ARAGUAIA - PARÁ

EM 22/11/2015

olá amigos sou leigo no assunto estou começando agora comprei uma propriedade de 62,5 alqueires paulista em juruena Mt  lá está sendo plantado começaram agora em outubro monbaca junto com humendicola e está sem gado ainda a pessoa que me vendeu disse que esperasse 90 dias que já poderia colocar gado mas o capim já está grande mais de 1,5 então se for colocado gado agora em janeiro vou ter que rocar primeiro? outra dúvida esse capim cortado devo retirar do pasto ou pode ficar lá mesmo, outra dúvida eu poderia aguardar para que fosse colocado gado depois de sementear ja que não sei se foi feito um plantio adequado ou não é necessário aguardar e sim verificar para que o pasto não fique com a altura mínima? tenho 7 divisões de pasto obrigado
EDSON GERALDO PINTO

JORDÂNIA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 30/09/2012

Bruno,


Talvez a pergunta não tenha sido bem entendida. A questão é quando tenho uma  área   que acabou de ser  piquetada, e  vou iniciar o pastejo.  Supondo que sejam 30 piquetes e o  pasto esteja  em toda  área na  altura  recomendada. Como  fazer   o   planejamento  para iniciar o  pastoreio se todos os piquetes  estão  na  mesma altura de  iniciar  o processo? quando chegar no  ultimo ele estará  com 30 dias de atraso!!1

Edson Geraldo Pinto  
MURILO TORRES DE MELO PEDROSA

FORTALEZA - CEARÁ - ESTUDANTE

EM 23/09/2012

Acredito que o pastejo rotacionado baseado em altura de entrada/saída é um ótimo parâmetro a ser seguido, porém se deve ter cuidado, a fim de não promover sobrepastejo em determinadas áreas mais férteis. Ou seja, se tivermos 30 piquetes e um deles é mais fértil que outros, poderá ocorrer casos em que este piquete entre no ciclo mais de uma vez.


Deve-se ter bom senso e associar o pastejo baseado na altura de entrada/saída com o tempo. Respeitar o ciclo dos piquetes, ou seja, cada um entrar uma vez no msm período, porém em ordem alternada de acordo com a altura.


Outra vantagem do sist. rotacionado, no meu ponto de vista, consiste na interferência no ciclo de parasitas, facilitando manejo e reduzindo custos com medicamentos endectocidas.


Ótimo artigo, meus parabéns!
DELIO

GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 31/05/2012

Caro Bruno,

Ainda sobre o brachiaria decumbens, voce considera que a alta infestacao de cigarrinhas nessa variedade de capim seja um limitante para sua utilizacao nesses sistemas intensivos?
BRUNO CARNEIRO E PEDREIRA

SINOP - MATO GROSSO - PESQUISA/ENSINO

EM 25/01/2012

Prezado Flávio,



É preciso tomar cuidado quando falamos em Decumbens, essa é uma planta associada a baixa fertilidade, pouca tecnologia, etc.. Se você tiver pastos corrigidos, bem formados, pode usá-lo bem baixo, entrando com animais quando tiver 20 cm de altura e sair com 8-10 cm de altura. Note, isso tem que ser feito com muito critério, pois um erro de manejo (ajuste de lotação) nessa situação pode ser drástico. Lembre-se, isso inclui monitoramento, análise de solo, correção e adubação. Se você quer testar a utilização de alturas, comece com alturas maiores e vá rebaixando, a princípio tente 25/30 de entrada e 15 de saída.



Bruno
FLAVIO HENRIQUE

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO

EM 23/01/2012

bom dia Bruno.... qual seria a altura de entrada e de saida para o capim Brachiária Decumbens
BRUNO CARNEIRO E PEDREIRA

SINOP - MATO GROSSO - PESQUISA/ENSINO

EM 20/01/2012

Mauricio, essa é uma prática comum quando se trata de vacas leiteiras, que são suplementadas e, com isso, a ingestão de forragem é reduzida. Não existe um tempo recomendado, isso pode variar muito em função de raça, alimentação, sombra, acesso a água, estrutura do dossel, qualidade da forragem, etc. O que você pode fazer, em áreas menores, é colocar a água, o cocho de sal e sombra numa "área de descanso" ou "área de lazer" (que é uma pequena área) fora do pasto com livre acesso. Esse local vai virar um malhador, um local que elas procuram naturalmente para deitar e ruminar.



Bruno
BRUNO CARNEIRO E PEDREIRA

SINOP - MATO GROSSO - PESQUISA/ENSINO

EM 20/01/2012

Quanto a roçadeira, existem momentos em que ela pode lhe ajudar, principalmente, em um caso como este para auxiliar na modificação/correção de manejo. No entanto, isso não pode ser uma rotina na fazenda! Áreas muito grandes são um problema nesse sentido, experimente dividir a área.



Bruno

BRUNO CARNEIRO E PEDREIRA

SINOP - MATO GROSSO - PESQUISA/ENSINO

EM 20/01/2012

Rodrigo, obrigado pelo seu relato e participação. Realmente, não é fácil mudar uma rotina, algo que se tem como certo, mas é assim mesmo, passo a passo, mostrando resultados, chegamos lá. Bom, quando ao Xaraés ("MG-5"), esse capim é uma braquiária com jeito de Panicum. É um capim exigente, mas que produz muito bem e, assim como um Tanzânia ou Mombaça, para garantir a sustentação da produção (muita folha) é preciso produzir muito colmo... e aí é um problema para nós, manejadores de pasto. A saída para esse capim é trabalhar 30-35 cm como altura de entrada e 15 cm de saída. Veja existem estudos que mostram uma grande produção de colmos depois que se atinge 30 cm de altura. Esse deve ser tema de um dos nossos próximos artigos. Todavia, cuidado na hora de mudar o manejo, se você for tentar utilizar alturas mais baixas, isso tem que ser feito de maneira gradativa. Já devem existir muitos espaços vazios entre as touceiras, o que pode levar a uma grande infestação de plantas daninhas e degradação do seu pasto. Reduza a altura de saída a cada pastejo.
BRUNO CARNEIRO E PEDREIRA

SINOP - MATO GROSSO - PESQUISA/ENSINO

EM 20/01/2012

Edson, essa é a grande vantagem da adoção da altura da pastagem como critério de entrada dos animais, como ferramenta de manejo do pastejo. Quando se utiliza dias fixos, como você tem feito, em cada época do ano esses "30 dias" proporcionaram um crescimento diferente. No verão, em que se tem disponibilidade de chuvas, calor e, às vezes, adubação, estes 30 dias podem ser muito tempo. Por outro lado, no inverno, no período seco, 30 dias normalmente não são suficientes para que esta planta cresça novamente. Para o capim Marandu, a recomendação é de 25 a 30 cm para iniciar o pastejo (altura de entrada) e quando a pastagem atinge 15 cm de altura, os animais são retirados. Com isso, você terá ciclos de pastejo com número de dias variáveis e os pastos não serão pastejados na ordem que você está acostumado a fazer, mas na ordem em que chegarem a altura desejada (25-30 cm). Assim, você vai evitar o conhecido "capim passado". Boa sorte.



Bruno

MAURICIO OMIZZOLO

JOAÇABA - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 03/01/2012

Parabéns pelo artigo. Utilizo pastejo rotacionado e procuro colocar o gado em piquetes com melhores condições do pasto, independente da sequência natural (p.ex.: piquete 1, piquete 2, piquete 3...); usando o piquete 3, depois o 7, exatamente como relatou no artigo. Retiro o gado no momento que ainda permanece uma certa quantidade mínima do pasto, para que a rebrota aconteça mais rapidamente. Uso roçadeira quando necessário. O meu questionamento é em relação ao tempo de pastejo diário. Pode ser contínuo, ou seja, o gado permanece o dia inteiro no piquete e pode ser temporário, no caso de propriedades pequenas, aonde se coloca o gado por um período ou dois por dia, permanecendo em outras áreas (de grama) pelo restante do dia. Qual seria esse tempo, tendo um bom pasto, com boa massa, para que possamos manter vacas de cria e engordar seus terneiros? Acho oportuno perguntar pois quando o gado para de comer ele deita, caminha, e assim acaba estragando a pastagem. Obrigado e abraço.
RODRIGO MARTINS FERREIRA

BONITO - MATO GROSSO DO SUL

EM 03/01/2012

Muito bom O artigo e toda essas dúvidas que foi comentada,pois já trabalho com rotacionado a um bom tempo e não uso mais o sistema de dias fixos,e sim com altura e ponto de corte de cada gramíneas,pois temos varias aqui na fazenda que eu administro,mas não foi fácil mudar esse conceito de dias porque ja usavam a um bom tempo e consegui mudar isso conquistando o patrão com a melhoria das invernadas;quando ele percebeu a eficiência do pastejo rotacionado por altura e ponto de corte.Mas um problema que ando tendo por aqui é que tem sobrado colmo e matéria já seca,no capim MG 5 é muito difícil o manejo desse cultivar e sobra muito talo dificultando a rebrota passou do ponto de corte então nem se fala,estou querendo entra com roçadeira para rebaixar e vim uma brotação forte e vigorosa com folhas mas o proprietário não aceita pois aumenta os custos,mas não vejo outra maneira de conseguir manejar essa cultivar senão com a roçada o que me recomenda.RODRIGO
EDSON GERALDO PINTO

JORDÂNIA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/01/2012

Gostaria de uma sugestão para iniciar o pastejo de uma área rotacionada com Braquiarão

dividida em 16 piquetes , com pastejo fixo  de 2 dias e descanso de 30 dias. Ao iniciar o pastejo no primeiro piquete e quando chegar no ultimo o capim estará muito passado. Como escalonar inicialmente o pastejo gradativamente para que o capim dos piquetes posteriores não passem?

Obrigado,

Edson Geraldo Pinto
BRUNO CARNEIRO E PEDREIRA

SINOP - MATO GROSSO - PESQUISA/ENSINO

EM 31/12/2011

Prezado Flávio,

O número de folhas, certamente, é um parâmetro importantíssimo como mensurador de crescimento de plantas e com muitos anos de pesquisa investidos nele. No entanto, do ponto de vista prático é muito difícil de ser usado. No cenário atual, dificilmente achamos produtores que mensuram a produção de forragem, que fazem um planejamento nutricional e orçamentação forrageira da propriedade. Assim, esse parâmetro (número de folhas) se torna difícil de ser recomendado e utilizado. Por outro lado, a utilização de altura do dossel incorpora estas variáveis numa única ferramenta, pois os experimentos que resultaram nestas recomendações, também mensuraram varáveis morfogênicas e estruturais em função das alterações ambientais e de níveis de adubação. A altura da pastagem, no fim do dia, traduz um monte de variáveis (da pesquisa) de maneira robusta, fácil de visualizar no campo e, por isso, começa a ser colocada em prática pelos produtores.

Bruno
BRUNO CARNEIRO E PEDREIRA

SINOP - MATO GROSSO - PESQUISA/ENSINO

EM 31/12/2011

Prezado Lucas,

Esse é o caminho, no entanto é necessário atentar para alguns pontos:

1) O Mombaça é um capim extremamente exigente, recomendado para estes casos, mas precisará de reposição de nutrientes para suportar estas taxas de lotação.;

2) O Mombaça deve ser manejado com altura de entrada dos animais de 90 cm e saída entre 30 e 50 cm, por isso a idéia de trabalhar com dois dias de trocar de piquete a cada dois dias nem sempre vai funcionar; É um capim extraordinário de produção, mas se passar dos 90 cm de altura vai produzir uma grande quantidade de colmos, dificultar o pastejo e terá que usar roçadeira;

3) O 1 ha destinado a produção de silagem é de suma importância em sistemas intensivos como este. Produção de leite em pastagens é muito dependente da produção de forragem, que é dependente de sol, chuva e dia longo, por isso durante o inverno as produções de forragem caem (falta água, calor e luminosidade) e a de leite também.

Bruno
FLAVIO HENRIQUE

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO

EM 23/12/2011

parabéns pelo artigo....muito pertinente....

concordo q os dias fixos ñ é um parâmetro para o manejo de pastagens. porem com vc mesmo colocou em seu artigo existe grande influencia de fatores ambientais, temperatura e adubação nitrogenada   sobre a taxa de aparecimento das folhas, sendo o ultimo fator o único q podemos manipular. Porem também  já é se sabe que a adubação também influencia na morfologia das plantas, sendo assim teria que se fazer uma recomendação para cada faixa de adubação. Você ñ acha que o número de folhas volta a ser um bom parâmetro para manejo de pastagens, uma vez q é um fator marcado geneticamente?





  
LUCAS FF SILVA

PIMENTA BUENO - RONDÔNIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/12/2011

Bruno Carneiro e Pedreira

Gostaria muito de seu ponto de vista tecnico e profissional.

Estou em meio a um paradigma. Mas devido as probabilidade quero não só tentar, mas sim, iniciar um trabalho que para mim sera como uma boa conquista.

Tenho 4 ha e pretendo trabalhar com pastagem rotacionada e irrigada, para isso dividi uma area de 30.000m² em oito piquetes de 62.5/50, fiz uma base em metros quadrados e cada vaca estara ocupando uma area de 156,25m², por isso quero preparar o solo e plantar o capim Mombaça, segundo as pesquisas esse capim chega a uma altura exata de 120cm.

A duvida é:

Quero colocar 20 vacas da raça girolando nesse espaço, e trabalhar com pasto rotacional, onde tambem quero trocar de piquete a cada 2 dias; com tua experiencia, posso trabalhar dessa forma que dara certo, (lembrando que pretendo usar os 10.000m² restante para plantar silagem), me da uma ideia, por favor espero sua resposta.

Lucas FF Silva
AGRONOMO RURAL

GOIÂNIA - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/12/2011

Ao meu amigo Alex Moreira.

Certo dia fiz essa mesma pergunta a meu amigo Agrônomo que trabalhava comigo.

Ele me respondeu assim

A altura por exemplo do mombaça está fora da faixa de 40 a 90 cm?

Eu respondi que não.

Ele então disse: Então vc está acertando.

Ou seja, quando o dia clariar e vc tomar aquele café com um delicioso pão de queijo da roça, vá até a pastagem e coloque suas vacas no melhor piquete, com maior altura.

Mas claro se todos os piquetes estiverem com pasto abaixo de 40 cm reinterando em relação ao mombaça, o que está faltando é "bóia" para o pasto, ou problemas falta de pasto, compactação etc. Na maioria dos casos é "bóia" mesmo, mas a maioria não são todos os casos.


Outra pegunta que fiz a ele.

E se o todos os piqutes estiverem na média com 60 cm?.- Mombaça.

Ele respondeu:Bom escolha o melhor piquete e tente rodar as vacas mais rápido (2 piquetes por dia. Um após cada ordenha) e aumente a adubação de acordo com análise do solo.

E se o pasto estiver na média com 95 cm? Mombaça.

Ele respondeu: Cade as outras vacas? Reduza a adubação aumente a quantidade de vacas e também.escolha o melhor piquete e tente rodar as vacas mais rápido (2 piquetes por dia. Um após cada ordenha).
AGRONOMO RURAL

GOIÂNIA - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/12/2011

Alguém tem dúvida sobre interceptação luminosa.

Produtor recomendo que não uso dias fixos, pois senão um dia vc irá usar roçadeira motorizada.

Assisto vários produtores que já usaram esta técnica que até um tempo atrás era muito satisfatória (dias fixos), mas como o solo de uma pasto rotativo não é igual e sim semelhante entre os piquetes poderá haver vários momentos em que vc voltará em um piquete 2 ou até3  vezes sendo que as vacas ainda não pastejaram o piquete mais fraco.

Exemplo tenho um produtor que no rotacionado tem dois piquetes que antigamente era o confinamento, imagina tamanha diferença.

Outro exemplo: piquetes que tem uma distância menor ao curral.

Dica: Não use uma roçadeira, use 20; 30; 40 roçadeiras, que produzem leite.
BRUNO CARNEIRO E PEDREIRA

SINOP - MATO GROSSO - PESQUISA/ENSINO

EM 20/12/2011

Prezado Alex,

Obrigado pelo questionamento. Quando se decide trabalhar utilizando altura, o período de tempo deixa de ter importância. Se o dossel não atingiu uma determinada altura, provavelmente, ainda não há perdas em qualidade dessa forragem. O problema da perda de qualidade é que depois de determinada altura,  aumenta-se muito a quantidade de colmos e, na sequência, a quantidade de material morto na massa de forragem. Daí em diante, quanto maior a altura (ou tempo) pior a qualidade da forragem ofertada aos animais.

Bruno