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Ovinos pantaneiros: nova opção para produção de carne

PRODUÇÃO

EM 23/10/2012

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* Autores: Camila Magalhães da Cunha; Thatiane da Cunha Cornélio; Ana Paula Catalano Neto; Luis Gustavo Castro Alves; Keni Eduardo Zanoni Nubiato; Romildo Marques de Farias. Mestrandos do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

A produção pecuária está passando por mudanças significativas em resposta à necessidade de aumento na produtividade e qualidade dos produtos que chegam ao consumidor final. Assim, os recursos genéticos disponíveis devem ser intensamente pesquisados de forma a adequar e desenvolver sistemas de produção agropecuária, buscando máxima eficiência e qualidade.

No contexto da ovinocultura, o agrupamento genético de animais naturalizados Sul-mato-grossenses, denominados inicialmente de "Pantaneiros" são resultantes de anos de seleção natural nos rebanhos criados na região do Pantanal, desde o início da colonização efetiva da região, há pelo menos, 300 anos. De maneira geral, os ovinos que lá começaram a ser criados foram inseridos por colonizadores espanhóis primeiramente e, num segundo momento, por portugueses, como criação de subsistência. Desde então, os ovinos que conseguiram adaptar-se à região, sobreviveram e tiveram condições de passar as características adaptativas aos seus descendentes (Ferreira, 2011).

Os cordeiros nascem pequenos (3,0 kg em média) e, tanto machos como fêmeas são precoces sexualmente e não possuem sazonalidade reprodutiva, assim, observa-se o nascimento de cordeiros ao longo de todo o ano (Gomes et al., 2007). Os machos apresentam bom potencial produtivo com relação ao crescimento e características de carcaça (Pinto, et al., 2008; Lima, et al., 2008; citados por Vargas Júnior et al. (2011).

Os estudos iniciais realizados pelos pesquisadores dos Grupos de Pesquisas em Carcaças e Carnes e de Ovinotecnia da Universidade Federal da Grande Dourados demonstram que os ovinos "Pantaneiros" apresentam um bom potencial para a produção de carne, considerando os aspectos quantitativos e qualitativos observados. O primeiro lote de cordeiros "Pantaneiros", nascidos na Fazenda Escola da UFGD, foi utilizado em um trabalho experimental onde foi avaliada a terminação em confinamento desses animais e, posteriormente as características das carcaças e da carne.

Os animais foram abatidos pelo critério de condição corporal quando atingiram o escore entre 3 e 3,5 em uma escala de 1 (excessivamente magra) a 5 (excessivamente engordurada), com intervalos de meio ponto, segundo metodologia descrita por Osório & Osório, (2005).

As características referentes ao rendimento de carcaça fria, conformação e estado de engorduramento foram avaliadas após o resfriamento das carcaças por 24 horas. As médias obtidas foram de 48,25%, 3,0 e 3,5, respectivamente, sendo do ponto de vista quantitativo, carcaças com peso adequado, quantidade adequada de músculos e gordura uniformemente distribuídas.

Trabalhos recentemente publicados e que avaliaram raças rústicas, tradicionalmente utilizadas em sistemas de produção de carne ovina, demonstraram valores próximos aos obtidos com os animais "Pantaneiros". Lage (2009) ao avaliar as características produtivas de cordeiros da raça Santa Inês e Gonzaga Neto et al. (2006) que trabalharam com animais da raça Morada Nova, observaram médias inferiores a dos cordeiros "Pantaneiros" para a característica de rendimento de carcaça fria que foi de 42,93% e 41,22% respectivamente. Bensimon (2009) ao avaliar a conformação e estado de engorduramento da raça Santa Inês observou valores médios de 3,0 e 2,5 respectivamente.

Após as avaliações das carcaças, foram separadas amostras de músculos dos cortes Lombo (m. Longissimus), Paleta (m. Triceps brachii) e Pernil (m. Gluteobiceps e m. Semimembranosus) para análises referentes à capacidade de retenção de água, colorimetria e força de cisalhamento. A capacidade de retenção de água é definida como a capacidade da carne em reter sua umidade após a aplicação de forças externas, sendo importante durante o cozimento, onde carnes com baixa capacidade de reter água se tornam ressecadas e com textura desagradável. A perda excessiva de água afeta também outras características sensoriais importantes como a maciez e o sabor da carne, além da perda do valor nutritivo pelo exsudato liberado.

A análise dos diferentes músculos demonstrou um valor médio para capacidade de retenção de água de 84,7% de peso retido, o que pode ser considerado um valor adequado e que remete a uma carne muito suculenta.

A cor é um dos principais aspectos considerados pelos consumidores no momento da compra de um produto cárneo. O método utilizado para avaliar a cor da carne dos cordeiros "Pantaneiros" foi o espaço L, a*, b*, onde L indica luminosidade, a* intensidade de vermelho e b* intensidade de amarelo. A avaliação realizada demonstrou valores médios de 41,18, 23,16 e 6,72, para L, a* e b*, respectivamente. Estes valores indicam que a carne dos animais "Pantaneiros" apresenta uma coloração vermelha brilhante, bastante atrativa do ponto de vista do consumidor.

A análise de força de cisalhamento, realizada com auxílio de um texturômetro demonstrou que os cordeiros "Pantaneiros" apresentam carne macia, pois a força de corte aplicada foi de 3,62 kg.

Com base nos resultados preliminares observa-se que os ovinos "Pantaneiros" podem ser utilizados como alternativa nos sistemas de produção de carne ovina, favorecidos ainda pela rusticidade apresentada pelos animais, que muitas vezes se apresenta como fator determinante para a eficiência produtiva em regiões tropicais.

Referências bibliográficas

BENSIMON, M.A.G. Parâmetros produtivos e reprodutivos de ovinos suplementados com glicerina da produção de biodiesel. Dissertação (Mestrado). Universidade Estadual de Maringá. 2009.

FERREIRA, M. Resumo histórico do ovino pantaneiro, 2011. Disponível em < http://www.ruralcentro.com.br/analises/2214/resumo-historico-do-ovino-pantaneiro. acesso em 24 de junho de 2012.

GOMES, W. S.; ARAÚJO, A. R.; CAETANO, A. R.; MARTINS, C. F.; VARGAS JÚNIOR, F. M.; McMANUS, C.; PAIVA, S. R. Origem e diversidade genética da ovelha crioula do Pantanal, Brasil. In: SIMPÓSIO DE RECURSOS GENÉTICOS PARA AMÉRICA LATINA Y EL CARIBE, 6., 2007, Chapingo. Memoria. Chapingo: Universidad Autónoma Chapingo. p. 344. 2007

GONZAGA NETO, S.; SILVA SOBRINHO, A.G.; ZEOLA, N.M.B.L.; MARQUES, C.A.T.; SILVA, A.M.A.; FILHO, J.M.R.; FERREIRA, A. C.D. Características quantitativas da carcaça de cordeiros deslanados Morada Nova em função da relação volumoso:concentrado na dieta. Revista Brasileira de Zootecnia, v.35, n.4, p.1487-1495, 2006.

LAGE, J.F. Glicerina bruta oriuda da agroindústria do biodiesel na alimentação de cordeiros em terminação. Dissertação (Mestrado). Universidade Federal de Viçosa. 2009.

OSÓRIO, J.C.S.; OSÓRIO, M.T.M. Características quantitativas e qualitativas da carne ovina. In: 42ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia, 2005, Goiânia. Anais... Goiânia: Universidade Federal de Goiás, 2005. v.1, p.149-156, 2005.

VARGAS JÚNIOR, F.M.; MARTINS, C.F.; SOUZA, C.C.S.; PINTO G.S.; PEREIRA, H.F.; CAMILO, F.R.; AZEVEDO JÚNIOR, N.P. Avaliação biométrica de cordeiros Pantaneiros. Revista Agrarian, v.4, n.11, p.60-65, 2011.

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CAMILA MAGALHAES DA CUNHA

MATO GROSSO DO SUL - ESTUDANTE

EM 30/10/2012

Prezado Rodrigo, os animais são desmamados com 15kg, o ganho médio diário pode variar de 200 a 250 g/dia dependendo da dieta. O peso de um carneiro é de aproximadamente 70 kg e da ovelha 42 kg. Os cordeiros utilizados no experimento eram machos inteiros. Em relação aos trabalhos citados os pesos de abate foram de 34 a 36 kg (Bensimon, 2009), 35kg (Lage, 2009) e 25kg (Gonzaga Neto et al., 2006), a idade de abate não foi informada. Poderá encontrar mais informações a respeito da raça nos artigos abaixo.



VARGAS JR, F.M.; LONGO, M. L.; SENO, L.O. et al. Potencial produtivo de um grupamento genético deovinos nativos Sulmatogrossenses. PubVet, Londrina, v. 5, n. 30, ed. 177, 2011.



VARGAS JR. F.M.; MARTINS, C.F; SOUZA, C.C. et al. Avaliação biométrica de cordeiros pantaneiros. Revista Agrarian, Dourados, v.4, n.11, p.60-65, 2011.



Obrigada pelo contato.
CAMILA MAGALHAES DA CUNHA

MATO GROSSO DO SUL - ESTUDANTE

EM 29/10/2012

Prezado Waldir, não temos registros com problemas de cascos. Os animais possuem cascos escuros ou rajados, e para a caracterização fenotípica da raça serão desclassificados animais de casco branco.

Obrigada.
CAMILA MAGALHAES DA CUNHA

MATO GROSSO DO SUL - ESTUDANTE

EM 29/10/2012

Isabella e Jordana, para o controle de infecções parasitárias é realizado a cada 30 dias o teste de Famacha, a vermifugação é realizada apenas  nos animais com indicativo de anemia, isso tem representado menos de 10% do rebanho sendo tratado. E a cada 60 dias é realizado OPG  que vem confirmando a eficácia da utilização do método Famacha.

Obrigada.
JORDANA ANDRIOLI SALGADO

CURITIBA - PARANÁ - OVINOS/CAPRINOS

EM 26/10/2012

Muito interessante o tema.



A minha dúvida é a mesma da Isabela Moralles, sobre a questão de infecções helmínticas. Já foi feito algum estudo? Seia muito interessante.



Att.

RODRIGO MARTINS DE SOUZA EMEDIATO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 25/10/2012

Qual o peso a desmama e em que idade? Qual p peso de abate nos trabalhos citados e em que idade? Cordeiros inteiros ou castrados? Qual o ganho de pedo diario medio no confinamentos? Qual o peso de um carneiro adulto e de uma ovelha adulta desta raca? (Peso de animais comerciais e não de elite, caso ja exista elite da raca). Obrigado, Att
WALDIR MOROSINI

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 24/10/2012

Autores, nos informe sobre as condiçoes do CASCOS durante as aguas...
ISABELA MORALLES

ADAMANTINA - SÃO PAULO

EM 24/10/2012

Queridos alunos gostaria de saber se já foi realizado algum estudo com os animais desta raça em relação a verminose. Em especial no caso das ovelhas em terço final de gestação e inicio de lactação, já que os cordeiros foram confinados. Mas se tiverem dados sobre os cordeiros, gostaria de saber, pois aqui na região da Nova Alta Paulista como na maioria dos lugares, a verminose é um sério problema.
CAMILA MAGALHAES DA CUNHA

MATO GROSSO DO SUL - ESTUDANTE

EM 24/10/2012

Prezado Alexandre, os primeiros trabalhos com os animais do agrupamento genético "Pantaneiro" estão sendo realizados agora, desta forma, pouco se conhece sobre o desenvolvimento dos mesmos. Aparentemente a maturidade sexual é precoce. Podemos afirmar que os animais são bem precoces no que se refere à deposição de gordura, principalmente quando se utiliza um sistema mais intensivo de terminação. Nos trabalhos que estão sendo realizados, os animais atingiram o escore de abate por volta dos 5 meses.

Obrigado pelo contato!
ALEXANDRE TRINDADE

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 24/10/2012

Interessante...

Gostaria de saber com que idade os animais atingem a maturidade sexual,  e com que idade eles atingem o escore ideal para abate.

Att,