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Otimizando o uso de reprodutores

POR DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

PRODUÇÃO

EM 28/08/2007

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Em um rebanho comercial, especialmente, onde os animais de reposição são produzidos, a seleção e a utilização otimizada do carneiro é crucial, afetando o sistema não apenas a nível de melhoramento genético, como também, a nível de produtividade por área e de resultados econômicos.

O genótipo do carneiro influência não apenas a qualidade, mas também a quantidade da produção por ovelha exposta à reprodução, podendo aumentar o número de cordeiros por emprenhar mais ovelhas e por produzir mais gestações gemelares por ovelha.

Por outro lado, o carneiro pode ser responsável por mais de 90% da influência genética de um rebanho, e mesmo em sistemas que utilizam cruzamentos terminais, o carneiro contribui com 50% da genética de sua progênie.

Devido a sua grande influência sobre a eficiência do sistema de produção nos mais variados aspectos, o carneiro ou reprodutor é um elemento importante para o sucesso da atividade, de forma que o seu custo é um componente determinante da rentabilidade do sistema.

O custo do carneiro é determinado, fundamentalmente, pelo preço de aquisição e pelo número de cordeiros produzidos pelo mesmo. A tabela 1 apresenta um exemplo dos custos anuais por carneiro, considerando um valor de aquisição de R$ 2.000,00, vida útil de 5 anos e valor residual de R$ 200,00 (100 kg de peso vivo). Baseado neste exemplo, a tabela 2 demonstra como a relação carneiro:ovelha e o índice de prolificidade afetam o custo anual de um carneiro por cordeiro produzido, considerando apenas uma estação reprodutiva por ano.

Tabela 1. Custo estimado anual por reprodutor


Tabela 2. Custo estimado do reprodutor por ovelha exposta e por cordeiro produzido


A capacidade de monta de um carneiro é determinada pela produção espermática, qualidade do sêmen e libido. Sob a maioria das condições de monta controlada, um carneiro saudável em boa condição física, com elevada libido e um andrológico altamente positivo, pode servir com sucesso 100 ou mais ovelhas durante um ciclo reprodutivo de 17 dias, melhorando com isso, os resultados econômicos da empresa por meio do menor investimento em reprodutores e redução dos custos de produção de cordeiros para abate e de animais de reposição.

Com o aumento do número de ovelhas por carneiro dos convencionais 1:25 para 1:100 há uma redução de 75% dos custos de produção, como exemplificado na tabela 2. Caso o reprodutor seja utilizado em mais de uma estação reprodutiva por ano, esses custos se reduzem ainda mais.

Assim, o levantamento da capacidade de monta do lote de reprodutores, por meio do exame andrológico e avaliação de libido, é essencial para identificar animais altamente férteis que podem ser utilizados de forma mais intensiva nas estações reprodutivas ao longo do ano, ajustando a relação macho:fêmea ao potencial reprodutivo de cada carneiro.

Dessa forma, a eficiência reprodutiva é um elemento chave da eficiência econômica, garantindo competitividade, sobrevivência e maximização dos resultados da empresa.

DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

Médico Veterinário, MBA, D.Sc., especializado no sistema agroindustrial da carne ovina. Consultor da Prime ASC - Advanced Sheep Consulting.

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VIDAL FIGUEREDO DE SOUZA

LAGES - SANTA CATARINA

EM 10/09/2007

Excelente reportagem do Dr. Daniel, com conteúdo técnico e prático de fácil entendimento.


abraços

Eng. Ag. vidal
LUIZ SANDI

LAGES - SANTA CATARINA - OVINOS/CAPRINOS

EM 05/09/2007

Caro Daniel, muito interessante seu artigo. Tenho uma criação de ovinos com 100 matrizes e utilizo 04 carneiros e vejo as grandes diferenças entre a qualidade de seus produtos, embora possuam tamanho e pesos parecidos. Meu interesse agora é comprar e utilizar apenas 01 carneiro puro de raça carniceira, mas não sei qual a maneira mais indicada de uso para que este carneiro sirva a todas as matrizes. Você pode me orientar neste ponto?

<b>Resposta do autor:</b>
Olá Luiz,
Bem, a primeira coisa a fazer antes de comprar o reprodutor é exigir um certificado de exame andrológico que tenha sido realizado muito recentemente ou no máximo até 60 dias atrás (quanto mais próximo da data atual melhor). Associado a isso, se possível, avaliar o reprodutor quanto a libido, por meio de um teste de capacidade de monta (muito fácil e simples de ser feito quando se tem uma fêmea em cio). Também, seria muito interessante que o reprodutor possua um laudo negativo para Brucella ovis.

Com base no certificado de exame andrológico, o reprodutor em questão apenas seria candidato a trabalhar em uma relação em torno de 1:100 caso apresentasse as seguintes características: idade mínima de 2 anos; circunferência escrotal superior a 35 cm; motilidade progressiva igual ou superior a 90%; percentual de espermatozóides normais igual ou acima de 90; vigor espermático = 5; turbilhonamento = 5 e concentração espermática acima de 3 bilhões/ml.

Quanto ao teste de capacidade de monta (libido), a avaliação é realizada por meio da observação do macho perante a fêmea em cio, em 5-10 minutos, classificando-se as reações em: 0 - sem interesse; 1 - interesse sexual demonstrado apenas uma vez; 2 - interesse sexual demonstrado mais de uma vez; 3 - atividade de procurar a fêmea com interesse persistente; 4 - uma monta ou tentativa de monta, sem serviço; 5 - mais de uma monta ou tentativa de montas, sem serviço; 6 - monta e serviço. O reprodutor deve obter classificação 5 ou 6.

Finalizado essa fase, esse reprodutor pode ser utilizado de 2 formas, basicamente, a depender do seu sistema de manejo e infra-estrutura. Se você trabalha com instalações (apriscos) para onde as fêmeas retornam do campo para passarem a noite, você pode usar a monta controlada noturna. Nessa situação, as ovelhas, geralmente, retornam para o aprisco em torno de 16:00 a 17:00 horas da tarde, passam a noite nas baias e retornam ao campo ao amanhecer, em torno de 8:00 a 9:00 horas da manhã. Quando as ovelhas retornarem para o aprisco, você solta o reprodutor entre elas e no início da manhã, quando as ovelhas retornarem para o campo, você prende o reprodutor em sua baia individual até soltá-lo de novo a tarde. Para isso, você precisaria cercar uma área de cerca de 200m2 (considerando um espaço de 2m2 por ovelha) vizinha ao aprisco, onde as ovelhas seriam mantidas juntamente
com o reprodutor durante o período da estação reprodutiva.

Por outro lado, se as ovelhas são manejadas 100% no campo ou você não tem instalações apropriadas para o manejo acima citado, seria necessário usar alguns rufiões (4 animais para as 100 ovelhas, relação 1:25) para marcar as ovelhas em cio, em sistema de monta controlada. Uma vez identificadas, essas ovelhas seriam trazidas diretamente ao reprodutor (que seria mantido em um piquete isolado) para o mesmo efetuar a cobertura. Para identificar as ovelhas montadas pelo rufião utiliza-se uma mistura de óleo ou graxa e tinta em pó misturados até se obter a consistência de pasta. Essa pasta é passada no peito não-tosquiado do rufião, por toda a sua extensão, até que fique bem impregnada. Neste esquema, uma vez iniciada a estação reprodutiva, a cada 17 dias ou 2 semanas a cor da tinta usada na pasta deve ser mudada, possibilitando a identificação de ovelhas com repetição de cio e aquelas que já foram ou não cobertas.

Note que, em ambas as situações, o reprodutor nunca vai a campo. Sempre, de uma forma ou de outra, as ovelhas são trazidas ao reprodutor, a fim de evitar seu desgaste.

Atenção especial também deve ser dada à nutrição e alimentação do reprodutor. O mesmo deve se manter em escore de condição corporal em torno de 3 (na escala de 0 a 5), ou seja, nem gordo nem magro, enxuto. A dieta desse animal deve ser rica em forragem verde e fresca de boa qualidade, com uma boa mistura mineral e água de qualidade. O uso de concentrados só será necessário caso seja preciso recuperar a condição corporal do reprodutor, por algum motivo.

Bom, espero ter contribuído para a resolução desta questão. Caso ainda tenha dúvidas, fique a vontade para entrar em contato !!

Abraços e sucesso,

Daniel