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O uso das pastagens em sistemas integrados com agricultura - possibilidades para a Ovinocultura e Caprinocultura

POR ALDA LÚCIA GOMES MONTEIRO

E ANIBAL DE MORAES

PRODUÇÃO

EM 27/02/2009

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Os sistemas integrados de agricultura e pecuária, denominados neste texto como ILP, têm sido amplamente discutidos e implementados no Brasil principalmente a partir da década de 90. Significam diversificação de atividades no âmbito das propriedades, com implicações em melhoria da renda, em eficiência de uso da terra e na conservação do ambiente, uma vez que a melhoria da produtividade não incorre em uso do desmatamento.

A inclusão de pastagens nas áreas agrícolas tem sido ferramenta útil na recuperação das áreas degradadas, como no caso do Cerrado brasileiro, na Região Central do Brasil. Aproximadamente dois terços das áreas de pastagens do Cerrado apresentam algum grau de degradação. Após alguns anos de utilização, pastagens de Brachiaria, em sua grande maioria, se degradam como conseqüência concomitante do excesso de lotação e da ausência da adubação de manutenção.

Figura 1: Processo de degradação de pastagens no Cerrado brasileiro
Fonte: Zimmer, 2007.

Clique na imagem para ampliá-la.

A integração lavoura-pecuária tem garantido a sustentabilidade de sistemas de produção pecuária, pois o aumento da fertilidade do solo pela adubação da lavoura, cria condição apropriada para a implantação e manutenção de pastagens com espécies forrageiras de elevado potencial de produção e qualidade. Em contrapartida, esta elevada produção de biomassa da pastagem assegura maior ingresso de carbono e melhor proteção do solo contra efeitos erosivos, além de promover incremento na biodiversidade.

É importante ressaltar que há diferentes sistemas de ILP no Brasil, em sua concepção, objetivos e características. Em função destes aspectos, também são diferentes as espécies forrageiras que se encaixam no contexto. No trópico brasileiro, o ILP é utilizado para recuperação de áreas degradadas, o caso do Bioma Cerrado. Os sistemas conhecidos como "Barreirão" e "Santa Fé" são exemplos de ILP das zonas tropicais.

Nesse caso, apresentam-se predominantemente os sistemas de produção de grãos, como milho e soja, e a ILP tem ocorrido a partir da associação da pecuária à agricultura. Assim, leva-se em conta que as rotações das principais culturas agrícolas em plantio direto não acumulam biomassa suficiente para a manutenção da cobertura de palha necessária ao sistema. Neste caso, o motivador da adoção da integração é o potencial que as plantas forrageiras têm de acumular biomassa e garantir a cobertura do solo.

Os gêneros de plantas forrageiras mais utilizadas, tais como a Brachiaria, o Panicum, o Pennisetum e o Sorghum quando implantados em condições de solos mais férteis, como aqueles encontrados em áreas agrícolas corrigidas, exprimem o seu verdadeiro potencial de produção. Diversas combinações de sistemas existem, mas destacam-se como as principais culturas envolvidas a soja, o milho, o arroz e o algodão no ciclo agrícola, e as braquiárias (Marandu, Brizantão, Decumbens, Ruziziensis), o milheto e o sorgo forrageiro, na produção pecuária.

Nos subtrópicos brasileiros, a ILP tem como concepção de base a rotação de culturas, e tem sido proposta como alternativa às clássicas rotações entre culturas anuais de verão e as culturas anuais de inverno. Dentre as primeiras, destacam-se a soja, o milho e o arroz, enquanto como culturas de inverno, o trigo e a aveia branca. Porém, na medida em que as culturas de inverno não têm tido interesse por parte dos produtores (problemas sanitários, custo, preço, etc.), o uso de forrageiras anuais de inverno (particularmente a aveia preta e o azevém) tem se apresentado como opção aos cultivos de inverno. Essa tem sido uma realidade presente no Sul do Brasil, principalmente em rotações com lavouras de milho e soja. Vale ressaltar que, quando se avalia a margem bruta dos diferentes sistemas, o pior resultado é o sistema onde a aveia e o azevém são utilizados apenas como fonte de palha para o sistema de plantio direto. Qualquer uso com pastejo no período do inverno significa receita adicional ao sistema, com vantagem econômica à propriedade (Carvalho et al.,2004).

A característica importante que deve ser considerada na escolha da forrageira no ILP é a duração do ciclo de produção da mesma, levando-se em conta que o período vegetativo do ciclo é o de maior eficiência de utilização pelos animais. Além disso, obviamente, as épocas do ano para plantio e utilização do material têm que estar bem definidas, para o planejamento do sistema.

Quadro 1. Espécies forrageiras mais utilizadas nos sistemas ILP no Brasil



As espécies perenes de verão podem ser utilizadas em consórcios com culturas, como o milho e a soja, como ocorre na região Central do Brasil. Nesse caso, as pastagens degradadas podem ser recuperadas pelo consórcio de culturas anuais, como milho ou sorgo, com as gramíneas perenes Braquiárias e Panicuns, e no caso da soja com a Braquiária. Após a colheita da cultura anual, a forrageira ainda terá chuva suficiente para o seu pleno estabelecimento.

No Sul do Brasil, como cobertura de inverno e/ou sucessão das culturas de verão, têm sido utilizadas gramíneas como as aveias pretas (Avena strigosa) e brancas (Avena sativa) e o azevém (Lolium multiflorum). Estas espécies proporcionam diferentes períodos de utilização em função da velocidade de estabelecimento e ciclo de vida. O azevém, embora sendo mais lento na sua formação, permite utilização mais prolongada em relação às aveias. Este conhecimento é importante para se adequar o ciclo da gramínea de inverno com o ciclo da cultura de verão. Por exemplo, antecedendo à lavoura de milho, que deve ser semeada mais cedo em relação a soja, a opção mais lógica seria de utilizar as aveias que apresentam um ciclo mais curto em relação ao azevém. O contrário se passa com relação à soja, sendo muito mais vantajosa a opção pelo azevém, que permite pastejo até meados ou fins de outubro. Além do mais, após a saída dos animais, o azevém ainda pode garantir a formação de sementes antes de sua dessecação, estando assim assegurado seu retorno no ano seguinte, com redução de gastos na aquisição de sementes.

Como na integração lavoura-pecuária a pastagem é cultivada em condições de solos corrigidos, aproveitando o residual das adubações feitas na lavoura, tem-se neste caso uma ampla oportunidade de se trabalhar com leguminosas de inverno, que são espécies pouco presentes nas propriedades, normalmente mais exigentes quanto à fertilidade do solo. Trabalhos desenvolvidos pela UFPR (Pelissari et al.,1997; Castro Júnior,1998, Lustosa, 1998), demonstram a viabilidade do uso de leguminosas perenes de inverno associadas a gramíneas anuais de inverno nos sistemas de integração lavoura-pecuária. Por meio do manejo adequado com herbicidas é possível a perenização dos trevos branco (Trifolium repens), vermelho (T. pratense) e cornichão (Lotus corniculatus), sem causar problemas de competição às lavouras de verão. A presença destas leguminosas traz uma série de vantagens como a redução do uso do nitrogênio no sistema, melhoria da qualidade da dieta dos animais em pastejo no inverno, melhor cobertura do solo e redução de custos na alimentação.

Esse manejo de rotações curtas atende perfeitamente a fase de cria e terminação dos cordeiros no Sul do Brasil, que devido à estacionalidade concentra os nascimentos entre junho e setembro. No caso das demais regiões, a ovinocultura e a caprinocultura podem ser inseridas no sistema, da mesma forma como têm sido inseridas as bovinoculturas de corte e leite com bastante sucesso.

A utilização de cereais de inverno de duplo propósito no sistema de integração lavoura-pecuária também pode se constituir em importante ferramenta de diversificação de atividades e composição da renda da propriedade. Nas áreas destinadas às lavouras de verão, durante o inverno, pode-se trabalhar com diferentes culturas de cereais de inverno (trigo, aveias e triticale) tanto para utilização na forma de forragem como para produção de grãos. Em trabalho de Bortolini (2004) com cultivo de materiais de duplo propósito, o efeito do pastejo foi positivo quando ocorreu no período de uma a quatro semanas em aveia branca, pois estimulou a produção de matéria seca e permitiu o rendimento de grãos de aveia acima de 2.500 kg.ha-¹.

Embora nestes casos o período de pastejo possa ser curto, a oportunidade de elevados ganhos animais é possível de ser atingida pela alta qualidade da forragem produzida pelos cereais de inverno.

Com tais alternativas, não mais se pode justificar a utilização de áreas de produção agrícola apenas com plantios para cobertura verde nas propriedades e nem perdas de áreas de pastagens, degradadas e ociosas, sem ao menos realizarmos alguma reflexão, e também algumas contas, sobre a viabilidade dessas opções de manejo sustentável.

ALDA LÚCIA GOMES MONTEIRO

Coordena o Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos (LAPOC) da UFPR

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JOSEGERALDO DA SILVA

HIDROLÂNDIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/03/2009

Especialmente aqui em goias este sistema se faz muito necessario, ha no entanto um grande entrave ao seu uso; quase ninguem conhece, entre os poucos que conhecem, quase ninguem acredita ou usa.