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O gerenciamento da empresa rural

VÁRIOS AUTORES

PRODUÇÃO

EM 21/02/2011

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No ambiente interno, ou seja, na empresa em si geralmente há controle por parte do produtor. Entretanto, para exercer realmente esse controle há necessidade de pleno conhecimento da propriedade em todos seus aspectos: físicos, sociais, operacionais e econômicos.

É cada vez mais comum encontrarmos propriedades produtoras de ovinos e caprinos que atuam no mercado de modo empresarial com adoção de ferramentas de gerenciamento eficientes e práticas que facilmente permitem a visualização de resultados.

A empresa rural está inserida em um ambiente geral que influencia suas atividades e seus resultados. Dessa forma, deve-se ter visão ampla de todo esse contexto, que está representado na Figura 1.

Figura 1 - A empresa, o ambiente geral e o ambiente de tarefa (SEPULCRI, 2004; CHIAVENATO,1989).



O ambiente geral ou macroambiente é formado por fatores externos à empresa rural, composto de variáveis tecnológicas, políticas, econômicas, legais, sociais, demográficas e ecológicas; já o ambiente tarefa é o ambiente operacional da empresa, representado por grupos do mesmo setor como os clientes, fornecedores, concorrentes e grupos reguladores (SEPULCRI, 2004). O ambiente externo à empresa tem a característica de não estar sob controle do produtor rural; e normalmente está a cargo do Governo, do mercado e da sociedade.

No ambiente interno, ou seja, na empresa em si geralmente há controle por parte do produtor. Entretanto, para exercer realmente esse controle há necessidade de pleno conhecimento da propriedade em todos seus aspectos: físicos, sociais, operacionais e econômicos.

Da mesma forma que nos demais empreendimentos rurais, o produtor de ovinos e caprinos deve ter visão forte de que ele é um empresário: deve enxergar sua propriedade como uma empresa com objetivos claros e definidos e delinear as estratégias para atingí-los, enfrentando os desafios com competência e habilidade. Para isso, um importante auxílio está apoiado em conhecimentos sobre gestão empresarial.

A gestão empresarial pode ser vista, de modo simplificado, como um processo de planejamento, alocação e organização para gerir recursos e informações estrategicamente, de modo que sejam atingidas as metas da empresa, que haja agregação de valor ao negócio e em consequência haja destaque junto ao mercado concorrente. Obviamente que para obtenção dessas respostas, o produtor pode contar com auxílio de técnicos com experiência na área.

Ressalta-se novamente a importância dos produtores rurais enxergarem-se como empresários, com um negócio em suas mãos que obrigatoriamente deve buscar gerar renda. O "antigo" produtor poderia ser representado por aquele cidadão sem controle sobre a sua atividade, que normalmente não se atualizava e sobrevivia muitas vezes de uma forma de exploração amadora. Com as mudanças na economia mundial, com a força jurídica das questões referentes à preservação ambiental, com o aumento da concorrência, houve profissionalização do negócio, com a busca de atualização e capacitação profissional para si próprio e para seus funcionários.

Dessa forma, esse "novo" produtor tem sua mente focada na viabilidade econômica e sabe que só atingirá esse objetivo com boa gestão do seu negócio, que necessita de metas claras, investimento em tecnologia e controle das informações.

No processo de gestão há elementos chave a serem considerados e avaliados. Esses elementos servirão de guia para que o produtor atinja seus objetivos e supere os desafios das mudanças do mercado. A seguir serão abordados, de forma breve, alguns tópicos relevantes no processo de gestão.

Um dos mais importantes aspectos diz respeito à identificação da oportunidade. Para que isso seja alcançado, o produtor precisa de espírito empreendedor, ser curioso e estar bem informado sobre o que ocorre ao seu redor, a fim de identificar as oportunidades do mercado. Isso se aplica tanto para aqueles que estão entrando na atividade, como aos que já nela estão e precisam melhorar seus resultados. A identificação de novas oportunidades, se realizada com a atenção que merece, não deveria ser encarada como algo supérfluo, e sim como um aspecto de sobrevivência; além disso, a criatividade e o rigor podem andar juntos, em se tratando da análise cuidadosa do ambiente externo e da gestão de novas ideias (TERWIESCH & ULRICH, 2009).

Dessa forma, destaca-se a importância da informação, que pode ser buscada em jornais, revistas, páginas eletrônicas, sempre com atenção para os problemas e desafios. É importante verificar as dificuldades e os entraves do negócio para que, a partir disso, seja possível visualizar horizontes promissores. Ou ainda, verificar o que está ausente no mercado e quais são as necessidades que não estão sendo supridas dentro deste. Com análises cotidianas e cuidadosas é possível enxergar novas oportunidades, que podem gerar lucratividade.
Outro aspecto fundamental no gerenciamento é estabelecer objetivos e metas para a atividade econômica. Tradicionalmente, sob a ótica financeira, o objetivo da empresa é maximizar valor; na prática, no entanto, nem sempre essa é a verdade; os gestores tendem a focar sua gestão em outro objetivo financeiro: maximizar a receita (TIBÚRCIO, 2009). É importante lembrar que com o aumento da receita pode-se ter também a elevação dos custos; então se deve avaliar sempre o resultado final com essa possibilidade em mente. A empresa também deve estabelecer de forma clara os resultados quantitativos e qualitativos a serem obtidos. Estes devem ser viáveis, claros, concisos e mensuráveis.

As metas são medidas que utilizam formato numérico para indicar o resultado esperado daquela atividade. A definição de metas auxilia o produtor a enxergar de forma mais fácil se está sendo atingido o que foi proposto; caso contrário, essa análise deverá ser usada para alertá-lo para tomada de medidas que o façam atingir a meta proposta. Quando não se tem uma definição clara das metas de um negócio, de nada adianta fazer-se planejamento estratégico, por mais completo que o mesmo seja, pois qualquer caminho é idêntico; a principal razão de se definir as metas do negócio é procurar adequar e orientar o caminho a ser seguido para que a empresa esteja cumprindo sua finalidade (PLACONÁ, 2009). Segundo o mesmo autor, o objetivo geral é um ponto concreto final que se quer atingir, devendo também ser composto de parâmetros numéricos e de cronologia a ser alcançada; ressalta-se que a meta é uma segmentação do objetivo, em que o aspecto quantitativo tem uma importância maior, ou seja, é mais preciso em valor e em data, pois é mais próximo que o objetivo.

As estratégias são ações necessárias para se cumprir ou se atingir um determinado objetivo; a escolha de uma estratégia clara e bem definida é o que vai permitir que a empresa molde sua estrutura, sendo que esta estrutura deve ser coerente com a cultura da empresa, para facilitar a adaptação das pessoas envolvidas (CHESANI, 2008). As estratégias servem para que os objetivos sejam cumpridos.

Outro aspecto importante para o sucesso do negócio é a liderança. O objetivo da liderança é conduzir um grupo de pessoas em equipe engajada para trabalhar em busca de resultados desejados. O produtor ou o encarregado pela propriedade deve ser um líder dentro do ambiente da empresa, além de buscar também o ambiente externo. Um bom líder precisa possuir várias virtudes, entre elas: competência (conhecimento, habilidades e atitude/ação), ética (integridade e honestidade), entusiasmo, empatia, autoconfiança, sensibilidade, humildade, imparcialidade, saúde, autoconhecimento, motivação; é fundamental que goste de se relacionar com pessoas, que saiba ouvir, e que seja observador (JORDÃO, 2004). Dessa forma, pode conseguir fazer seu negócio prosperar com o empenho e comprometimento de seus funcionários. Além disso, é dever do líder e gestor, cobrar para que as metas e objetivos sejam alcançados.

Segundo Hersey et. al. (1998): "O que diferencia um bom líder dos demais não é a sua habilidade para fazer coisas certas, mas o impacto do que ele faz sobre as outras pessoas. A liderança ideal é feita por quem sabe influenciar sem manipular. É flexível na medida exata para se adaptar rapidamente a situações diversas. Não se deslumbra facilmente com o poder que o cargo lhe confere. E, acima de tudo, vibra quando os que estão à sua volta são bem sucedidos."

Destaca-se também a necessidade de uma visão sistêmica. Há necessidade da percepção de todas as partes do sistema e identificação de seus papéis na estrutura global para uma boa gestão. A atividade não ocorre de forma isolada, assim como a propriedade também não vive só, e sim, inserida num macro-ambiente. Essa visão auxilia também na visão estratégica, porque analisa as forças que se opõem aos objetivos da empresa para superá-las e ainda saber aproveitar as oportunidades.

O estudo de mercado: para toda atividade econômica há necessidade de um amplo e dedicado estudo de mercado, seja local, regional ou em maior escala, para definir as bases das ações comerciais do negócio. Esse estudo recolhe informações sobre o mercado-alvo, concorrência, clientes, fornecedores, questões legais, logística operacional, com objetivo de prever preços, vendas e receitas. Com essas informações concretas, fica mais fácil a tomada de decisão com menor risco.

Ainda, não há como ter sucesso na atividade produtiva sem a devida colheita e armazenamento de dados. Na propriedade deve haver um "espaço" adequado destinado aos dados colhidos no campo e sobre as informações do mercado, o que com o uso da informatização facilita o armazenamento de forma organizada.

Nesse contexto, e com a finalidade de viabilizar a análise de resultado econômico que será apresentado em seguida nesse texto, o produtor deve fazer um levantamento completo dos itens da propriedade, ou seja deve sempre estar disponibilizado um inventário completo. Ressalta-se aqui a escrituração zootécnica que é importantíssima para gerar informações, tais como o número de animais disponíveis à comercialização; além disso é necessário o controle dos gastos anuais com a atividade.

Segundo Sepulcri (2004) há diferença entre dado e informação; dado é um conjunto de fatos e valores (numéricos, alfabéticos, alfanuméricos ou gráficos), sem significado próprio. Enquanto informação é o conjunto de dados organizados, definidos pelo ser humano, com significado próprio, para uma aplicação específica, na solução de um problema. Portanto, deve-se saber coletar os dados que gerem informação confiável. De nada adianta ter computadores sofisticados e métodos de análise precisos, se os dados não têm consistência. As qualidades do dado e da informação obtida garantem confiabilidade aos resultados da análise.

Ainda, toda empresa deve ter uma Missão, que identifica seu papel em relação à sociedade. Qualquer organização seja pública ou privada, grande ou pequena, necessita compreender sua Missão no mercado e a partir disso estabelecer sua visão para dentro de seus padrões (PORTO, 2008). A Missão deve estar orientada para o exterior da organização, nas necessidades da sociedade e dos seus indivíduos (COSTA, 2008). A Missão dever ser pensada para um futuro em longo prazo, deve ter credibilidade, e todos os que trabalham na organização devem conhecê-la, compreende-la, vivê-la e sentir-se atraídos e comprometidos com seus objetivos (ANDRADE, 2008).

Destaca-se a importância da tomada de decisão baseada em fatos e dados. Para maior segurança na tomada de decisão, essa deve ter embasamento técnico e nos dados colhidos na propriedade. Para isso, enfatiza-se a necessidade da coleta e armazenamento de dados para análise criteriosa dos mesmos que auxiliará no direcionamento das ações e dos investimentos necessários. Em artigos anteriores já comentamos sobre os dados para análise de custos.

No próximo mês daremos continuidade aos tópicos de gerenciamento.

CARINA BARROS

Médica veterinária
Mestre em Ciências Veterinárias UFPR
Doutora em Nutrição e Produção Animal FMVZ-USP
Pós-doutorado FMVZ-USP
Atuação na avaliação econômica e modelagem

ALDA LÚCIA GOMES MONTEIRO

Coordena o Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos (LAPOC) da UFPR

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IRENE MARIA ZIMMER DE NOVAES

SINOP - MATO GROSSO - PESQUISA/ENSINO

EM 10/09/2013

Muito bom esse artigo, vai ajudar muito em minha pesquisa.
NEI ANTONIO KUKLA

UNIÃO DA VITÓRIA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 23/02/2011

Muito bom o artigo. É impressionante o número de propriedades que apresentam ótimas produções mas qdo. vamos verificar o desempenho financeiro nos assustamos. Compras erradas ou inoportunas, negociações precipitadas, gastos desnecessários, compras por empolgação...levam o caixa a zero.
A ferramenta de gestão deve vir como um dos pilares para qualquer negócio, porém, infelizmente ainda ela é pouco utiizada.
THALES DE LIMA SILVA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS

EM 23/02/2011

Belo artigo! Dá uma noção exata da importância da gestão dentro do agronegócio.
FRANCISCO ARMANDO DE AZEVEDO SOUZA

BANDEIRANTES - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 21/02/2011

Parabéns pelo artigo! É necessário, de uma vez por todas, tratar a produção animal como um negócio, com a visão sistêmica da cadeia produtiva em questão. Como afirmou o prof Falconi em seu livro o verdadeiro poder: "capacidade analítica e conhecimento, aliados a uma liderança que faça acontecer, são O Verdadeiro Poder"!