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Moniezia: a tênia dos ovinos e caprinos

POR ANDRÉ MACIEL CRESPILHO

PRODUÇÃO

EM 22/04/2010

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Existem duas espécies de parasitos achatados e em forma de fita segmentada muito frequentes em ruminantes chamadas Moniezia expansa e Moniezia benedeni, que devido à semelhança com a tênia humana ou solitária, são chamadas de tênias dos bovinos, ovinos e caprinos (BELLUZO et al., 2001).

Esses vermes representam cestóides longos, com 2 metros ou mais de comprimento, caracterizados morfologicamente por apresentarem segmentos mais largos que longos (Moniezia expansa possui em média 1,5 cm de largura enquanto que a Moniezia benedeni pode chegar até 2,5 cm) e dotados de ventosas em sua extremidade anterior (Figura 1), que lhe conferem adesão ao organismo do hospedeiro (URQUHART et al., 1998)

Os vermes do gênero Moniezia apresentam uma grande prevalência nos rebanhos do Brasil e do mundo. Em estudo conduzido por Brito et al., (2009), foram encontrados ovos do parasita em 9,9% das amostras de fezes de caprinos e 4,17% nas de ovinos pesquisados no Estado do Maranhão.

Santos et al., (2006) observaram uma prevalência de 14,1% de ovos de Moniezia sp. em amostras de fezes coletadas no Rio Grande do Norte, sendo identificado um maior número de parasitas a partir de amostras fecais provenientes de fêmeas caprinas jovens.

Wang et al., (2006) apontam a prevalência de infecção de 7,7% de Moniezia expansa e 3,7% de Moniezia benedeni em ovinos de diferentes raças na China, representando o principal parasita da classe Cestoda (vermes achatados) isolado no país.

Infecções por Moniezia podem ocorrer durante todos os meses do ano, embora ocorra um aumento no número de casos no final do período de estiagem no mês de setembro (McMANUS et al., 2009). Nesse sentido, Cesar et al., (2008) reportam uma maior contagem de ovos por grama de fezes (OPG) no período primavera/verão em relação ao outono/inverno, destacando a influência de fatores climáticos e pluviométricos na ocorrência da doença.

Animais de todas as idades estão sujeitos a infecção por Moniezia, embora cabritos e cordeiros com até 1 ano de vida apresentem uma maior susceptibilidade (URQUHART et al., 1998).

Figura 1 - Aspecto macro (A) e microscópico (B e C) do gênero Moniezia. Detalhe da anatomia do parasito destacando o corpo segmentado (proglotes com formato mais largo do que curto) em forma de fita longa e a presença de ventosas na região da cabeça.



Após a fixação do parasito na parede do intestino delgado do hospedeiro, a Moniezia elimina continuamente os segmentos finais de seu corpo juntamente com as fezes, sendo muito comum a observação desses pequenos filamentos amarelados ou esbranquiçados nas fezes de ovinos (BELLUZO et al., 2001) e caprinos. Esses segmentos repletos por ovos do verme são ingeridos por ácaros que naturalmente vivem nas pastagens e que atuam como hospedeiros intermediários (HI), permitindo o desenvolvimento do parasita até seu estágio larvário infectante. A infecção do hospedeiro definitivo (representado por bovinos, ovinos e caprinos) ocorre pela ingestão dos ácaros portadores das larvas de Moniezia durante o pastejo (URQUHART et al., 1998).

Como as espécies de Moniezia não possuem tubo digestivo, a absorção dos nutrientes se dá através de seu próprio tegumento (revestimento externo do parasita), não havendo o consumo de sangue do hospedeiro definitivo (BELLUZO et al., 2001) como ocorre em outras parasitoses gastrointestinais que acometem ovinos e caprinos. Nesse sentido, infecções por Moniezia geralmente são pouco patogênicas aos animais acometidos, causando síndromes de má absorção, diarréias, constipação, definhamento e obstrução intestinal apenas nos quadros de infecções maciças pelo parasita (URQUHART et al., 1998).

A observação dos sinais clínicos e dos proglotes do parasita nas fezes representam os principais achados para o estabelecimento do diagnóstico da parasitose, que pode ser confirmado laboratorialmente através da contagem de OPG.

Para o controle das infecções por Moniezia preconiza-se a adoção de medidas integradas de manejo e uso de anti-helmínticos com eficácia comprovada contra os vermes chatos (cestodicidas). Drogas incluindo niclosamida, praziquantel, bunamidina e vários compostos benzimidazóis podem ser utilizados (URQUHART et al., 1998).

No entanto, frente à grande resistência anti-helmíntica desenvolvida, sobretudo para as drogas da classe benzimidazólica (como é o caso do albendazol e mebendazol que atuam frente a nematódeos e cestódeos gastrointestinais), alternativas de manejo devem ser instituídas complementando as medidas convencionais de tratamento (BATH et al., 2005; TORRES-ACOSTA & HOSTE, 2008).

Medidas gerais como a formação de piquetes para a adoção de pastejo rotacionado, separação do rebanho de acordo com a faixa etária ou categoria animal e o correto manejo nutricional são de vital importância para o controle de todos os tipos de parasitose. Especialmente no caso das infecções por Moniezia preconiza-se a aragem dos terrenos como forma de controle do número de hospedeiros intermediários, além da estabulação de ovinos e caprinos durante a noite, período em que as temperaturas amenas favorecem a saída dos ácaros das raízes das pastagens em direção às folhas, favorecendo a transmissão da Moniezia.

Referências bibliográficas

BATH, G.F., VAN WYK, J.A., PETTEY, K.P. Control measures for some important and unusual goat diseases in southern Africa. Small Ruminant Research, v.60, p.127-140, 2005.

BELLUZO, C.E., KANETO, C.N., FERREIRA, G.M. In: Curso de Atualização em Ovinocultura. Araçatuba: UNESP - Curso de Medicina Veterinária, Campus de Araçatuba/SP, 2001. (Apostila). 110p.

BRITO, D.R.B., SANTOS, A.C.G., TEIXEIRA, W.C. et al. Parasitos gastrointestinais em caprinos e ovinos da microrregião do alto Mearim e Grajaú, no Estado do Maranhão, Brasil. Ciência Animal Brasileira, v.10, n.3, p.967-974, 2009.

CEZAR, A.S., VOGEL, F.S.F., SANGIONI, L.A. Aspectos epidemiológicos das helmintoses gastrintestinais em ovinos das regiões centro e oeste do Rio Grande do Sul, Brasil. In: Congresso Brasileiro de Medicina Veterinária, COMBRAVET, 35, 2008, Gramado. Anais... Gramado: Rio Grande do Sul, 2008. p.756.

McMANUS, C., LOUVANDINI, H., PAIVA, S.R. et al. Genetic factors of sheeps affecting gastrointestinal parasite infections in the Distrito Federal, Brazil. Veterinary Parasitology, v.166, p.308-313, 2009.

SANTOS, W.B., AHID, S.M.M., SUASSUNA, A.C.D. Aspectos epidemiológicos da caprinocultura e ovinocultura no município de Mossoró (RN). A Hora Veterinária, v.26, n.152, p.25-28, 2006.

TORRES-ACOSTA, J.F.J., HOSTE, H. Alternative or improved methods to limit gastro-intestinal parasitism in grazing sheep and goats. Small Ruminant Research, v.77, p.159-173, 2008.

URQUHART, G.M., ARMOUR, J., DUNCAN, J.L. et al. Helmintologia Veterinária. In: Parasitologia Veterinária. Ed.2. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 1998. p.114-115.

WANG, C.R., QIU, J.H., ZHU, X.Q. et al. Survey of helminths in adult sheep in Heilongjiang Province, People´s Republic of China. Veterinary Parasitology, v.140, p.378-382, 2006.

ANDRÉ MACIEL CRESPILHO

VetSemen - Primeiro laboratório privado especializado na análise de qualidade do sêmen utilizado em programas de inseminação artificial.

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CRISTINA

RIO MAIOR - SANTARÉM - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 21/08/2014

boa noite, alguém me sabe dizer quais os principais sintomas da teníase?
CAMILA MAKI YAMASHITA

SÃO GOTARDO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 18/06/2013

OI André,

eu pesquisei mas apenas encontrei praziquantel vendidos no exterior. Aqui no Brasil possui alguns medicamentos mas que são compostos por um vermífugo para nematóides e cestóides.
ANDRÉ MACIEL CRESPILHO

BARUERI - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 19/05/2013

Prezada Camila,

Existe sim. Usando os sites de busca da internet provavelmente você encontrará algumas opções de praziquantel para uso em ovinos.

Espero que tenha ajudado!

Att.,

André
CAMILA MAKI YAMASHITA

SÃO GOTARDO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 17/05/2013

André, existe praziquantel para usar em ovinos? Só consigo achar medicamento com esta base para pets. Obrigada
MARIA DALVA BEZERRA DE ALCÂNTARA

SOLEDADE - PARAIBA - PESQUISA/ENSINO

EM 19/02/2013

Gosto muito dos assuntos relacionados com doenças de caprinos e ovinos. Quero parabenizar este grupo que muito tem colaborado com a pecuária brasileira

Obrigado
JAIME DE OLIVEIRA FILHO

ITAPETININGA - SÃO PAULO - OVINOS/CAPRINOS

EM 22/01/2013

Boa noite Angelo

Voce está cpedindo um  príncipio para a chamada Tenia,se sim pode usar os princípios do artigo acima, fazendo efeito notará pedaços do verme nas fezes dos animais + ou_ 2 dias.Agora se trando de terço final das ovelhas vide bula para ver em que ciclo o animal pode receber o princípio.
ANGELO ROBERTO GABARDO

LARANJEIRAS DO SUL - PARANÁ - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 22/01/2013

gostaria de saber, quais os principios ativos " TENICIDAS " mais indicados para ovelhas terço FINAL de gestação?