FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

Monensina sódica como aditivo na alimentação de ovinos: eficiência alimentar e coccidiose

POR MILENA HAMA TOTAKE WATANABE

E MAURO SARTORI

PRODUÇÃO

EM 18/05/2009

12
1
A monensina sódica é um antibiótico ionóforo largamente utilizado como aditivo na alimentação animal, principalmente ruminantes e aves. Para os ruminantes é utilizada, principalmente, como modificador da fermentação ruminal, pois melhora a conversão alimentar (kg de alimento /kg de ganho de peso). Seu mecanismo de ação consiste em selecionar microorganismos do rúmen e inibir o crescimento das bactérias gram-positiva. Essa seletividade depende da permeabilidade da membrana celular aos íons, pois as bactérias gram-positivas (cuja membrana celular é composta apenas de parede celular) são mais susceptíveis à ação dos ionóforos do que as gram-negativas típicas (cuja membrana celular é formada por parede celular e membrana externa).

Atualmente, mais de 120 ionóforos foram descritos, mas somente monensina sódica, lasalocida, salinomicina e laidomicina propionato são aprovadas para uso em dietas de ruminantes. A monensina é produzida pelo microorganismo Streptomyces cinnamonesis e teve seu uso aprovado nos EUA, para gado de corte em confinamento, em 1976, e para animais em pastejo, em 1978. Os ionóforos, principalmente a monensina, são provavelmente os aditivos mais utilizados em dietas de ruminantes e seus efeitos benéficos têm sido relatados por diversos autores, tais como:

- Melhora na eficiência do metabolismo energético ruminal, pois altera a proporção dos ácidos graxos voláteis produzidos no rúmen, por meio do aumento na concentração de propionato, que é o principal precursor da glicose sanguínea em ruminantes e diminuição na perda de energia na forma de metano;

- Redução da degradação de proteína dietética já que podem diminuir em até 10 vezes a população de bactérias proteolíticas (fermentadoras de aminoácidos), diminuição de até 50% na produção de amônia o que leva a uma menor síntese de proteína microbiana e, conseqüentemente, a um aumento na quantidade de proteína de dietética que chega ao intestino delgado ( By pass);

- Aumento da digestibilidade dos alimentos,

- Redução na incidência de algumas enfermidades que ocorrem principalmente em cordeiros confinados em dietas de alto concentrado como acidose láctica, timpanismo, coccidiose e outras.

A coccidiose é uma doença infecciosa causada por protozoários do gênero Eimeria, que atacam a parede intestinal, com grave danos aos tecidos. O sinal clinico evidente é o aparecimento de diarréia escura devido à presença de sangue nas fezes, com reduções na absorção de nutrientes e consequentemente diminuição no ganho de peso e crescimento dos animais afetados. É uma parasitose de distribuição mundial, muito comum em rebanhos submetidos aos mais diferentes sistemas de manejo, embora seja mais frequente em sistema intensivo, com alta densidade animal, como o confinamento de cordeiros.

A utilização dos ionóforos como coccidiostático é de caráter preventivo, antes do aparecimento dos sinais clínicos (diarréia escura, emagrecimento), através da sua incorporação à dieta dos animais, nas rações de concentrados ou à dieta total. Deve ser iniciado no momento ou logo após a exposição dos animais aos oocistos esporulados, que geralmente ocorre nas duas primeiras semanas de vida.

Os animais devem ser adaptados ao consumo de monensina e as quantidades fornecidas devem estar de acordo com as recomendações do fabricante. Inicialmente pode-se incorpora-lo como aditivo nas rações concentrada de creep feeding, em uma concentração de 5 a 10 ppm(mg/kg ou g/tonelada. Após a desmama, na terminação em confinamento, pode-se utilizar a concentração de 25 a 30 ppm nas matéria seca da dieta total (que inclui concentrado e volumoso).

Além do tratamento profilático, as medidas sanitárias são de fundamental importância para o controle da coccidiose dos pequenos ruminantes, principalmente a higienização das instalações, impedindo que os oocistos eliminados através das fezes tornem-se infectivos e sejam ingeridos pelos animais.

Em função de sua complexidade e alto grau de especificidade, os ionóforos parecem não contribuir para o desenvolvimento de resistência de microorganismos de importância humana. Alguns estudos com vacas de leite indicaram a existência de adaptação das bactérias ruminais ao ionóforo, que teve seu efeito reduzido após algumas semanas de uso. Em ovinos ainda não há relatos de resistência aos ionóforos.

Aparentemente, a monensina é rapidamente excretada após sua ingestão, com mínima acumulação nos tecidos animais.

É importante lembrar que há uma preocupação cada vez maior do consumidor com a qualidade dos alimentos de origem animal, portanto a restrição ao uso de antibióticos na alimentação animal torna-se cada vez mais rigorosa. Além disso, a União Européia em 2006, baseando-se no "Princípio da Precaução", proibiu o uso de ionóforos como aditivos alimentares (monensina sódica e lasalocida), mesmo na ausência de dados científicos conclusivos sobre seus possíveis efeitos prejudiciais ao consumidor. Outros países, no entanto, aprovam totalmente seu uso como aditivo alimentar, pois adotam o "Principio da Prova", baseando-se em evidências cientificas para uma tomada de decisão, como o caso dos Estados Unidos e Brasil.

Referências bibliográficas

ARAÚJO, J.S.; PEREZ, J.R.O.; PAIVA, P.C.A.; PEIXOTO, E.C.T.M.; BRAGA, G.C.; OLIVEIRA, V.; VALLE, L.C.D. Efeito da monensina sódica no consumo de alimentos e ph ruminal em ovinos. Archives of Veterinary Science, v. 11, n. 1, p. 39-43, 2006.

BERCHIELLI, T. T.; PIRES, A. V.; OLIVEIRA, S. G. de. Nutrição de Ruminantes. 1a edição. Jaboticabal: FUNEP, 2006. 583 p. 28 cm.

NICODEMO, M.L.F. Uso de aditivos na dieta de bovinos de corte. Campo Grande: Embrapa Gado de Corte, 2001. 54 p.

RODRIGUES, P.H.M.; MATTOS, W.R.S.; MELOTTI, L.; RODRIGUES, R.R. Monensina e digestibilidade aparente em ovinos alimentados com proporções de volumoso/concentrado. Scientia Agricola, v.58, n.3, p.449-455, jul./set. 2001.

SILVA,T.P.; FILHO, E.J.F.; NUNES, A.B.V.; ALBUQUERQUE, F.H.M.A.R.; FERREIRA, P.M.; CARVALHO, A.U. Dinâmica da infecção natural por Eimeria spp. em cordeiros da raça Santa Inês criados em sistema semi-intensivo no Norte de Minas Gerais. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.59, n.6, p.1468-1472, 2007.

12

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

CICERO ALEXANDRE SILVA

EM 27/05/2019

Bom para quem trabalha com mistura de minerais com demais componentes para formular ração animal.
EDWARD ZACKM

LONDRINA - PARANÁ - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 03/04/2017

as dosagens para utilização da lasalocida sódica são as mesmas da monensina sódica, conforme estão no artigo? Faço somente a adequação de acordo com a concentração (Taurotec 15%)? Obrigado a atenção.

Edward Zackm
JOSÉ BONIFÁCIO

EM 24/01/2017

Parabéns a todos, gostei muito da matéria e dos comentários.
MARCIO SARATT

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 06/01/2013

Eu recomendo não usar a monensina .Mais se vê caso de morte por intoxicação que as coisas boas que ela tem. Na minha opinião só ajuda para a coccidiose no nosso confinamento por falta de experencia da empresa  que vendeu para nós  mandou usar as 50 mg da formula deles  sem adapta morreu um monte de cordeiros nossos e continua morrendo.
MILENA HAMA TOTAKE WATANABE

SÃO BERNARDO DO CAMPO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 15/06/2009

Prezado Bruno de Barros Ribeiro de Oliveira

Desculpe pela demora.

A monensina pode sim ser adicionada ao proteinado, porém deve-se tomar cuidado com a quantidade fornecida.

Existem alguns fatores que podem interferir nessa quantidade fornecida, como categoria animal (ovelha, cordeiro, reprodutor), quantidade de proteinado que o animal ingere por dia e diluição da monensina no produto utilizado (por exemplo alguns produtos apresentam uma diluição de 10 vezes). Observe mais ou menos quanto seus animais estão ingerindo de proteinado por dia e calcule (regra de três) quanto deve ser fornecido de monensina para que eles consumam 25mg por dia de monensina a cada quilo da dieta total consumida. Por exemplo, uma ovelha de 60 quilos consome aproximadamente 3,5% do seu PV, ou seja, 2 quilos de alimento por dia, logo, multiplica-se 25mg de monensina por 2, que dá 50 mg de monensina por dia que a ovelha deve consumir. Agora, você deve observar a quantidade de proteinado que a ovelha está consumindo, por exemplo, se a ovelha consumir 100g de proteinado por dia, em um quilo de proteinado deve ser adicionada 500mg de monensina sódica ou 0,5g.

Cuidado com a diluição do produto, se o produto for diluído em dez vezes, multiplique por 10 a quantidade fornecida. Espero que tenha esclarecido a questão, qualquer dúvida pode mandar um e-mail perguntando.

Att
BRUNO DE BARROS RIBEIRO DE OLIVEIRA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 02/06/2009

Cara Millena,

Parabés pelo artigo. Gostaria de obter informações sobre o fornecimento do Rumezin junto ao sal proteinado. Isso é possivel? E qual quantidade?

Att,
MILENA HAMA TOTAKE WATANABE

SÃO BERNARDO DO CAMPO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 21/05/2009

Prezado Philippe Mendonça Dutra

A Monensina sódica pode ser utilizada na alimentação de cabras leiteiras, na mesma dose de 25ppm, porém fique atento ao ler a bula do produto e verificar se há diluição da monensina, por exemplo, se o produto apresentar uma diluição de 10 vezes, multiplique a quantidade por 10 também resultando em 250ppm(mg/kg ou g/ton).

Não se esqueça de adequar também ao consumo do animal, observe quanto da dieta o animal está ingerindo, por exemplo se estiver ingerindo metade da dieta total, pode dobrar a inclusão da monensina. E não esqueça que o excesso pode ser tóxico e diminuir o consumo.
HARRY SOUSA PAIVA

CODÓ - TOCANTINS - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 20/05/2009

Bom artigo Milena, parabéns!
PHILIPPE MENDONCA DUTRA

LEOPOLDINA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/05/2009

Gostaria de saber se há pesquisas com o uso da monensina sodica na alimentação de cabras leiteiras, se posso usar e em qual concentração.
ARI PALU

RIO BRANCO - ACRE - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 19/05/2009

Muito bom o artigo! Faltava mesmo era como localizar este produto, agora é so procurar nas casas agropecuarias, grato, ari
MILENA HAMA TOTAKE WATANABE

SÃO BERNARDO DO CAMPO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 18/05/2009

A monensina sódica é vendida com o nome comercial de Rumensin, talvez por isso não tenha encontrado na sua região. A Lasalocida que tem o mesmo efeito da monensina, é vendida com nome comercial de Taurotec.
RICARDO BELINATO FONSECA

MONTE SIÃO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 18/05/2009

Gostaria de saber onde achar monensina sódica pois na minha região não achei?