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Mistura múltipla para ovinos

VÁRIOS AUTORES

PRODUÇÃO

EM 07/06/2010

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A ovinocultura cresce nos últimos anos no Estado de São Paulo, seja pelo aumento no efetivo dos rebanhos, seja pelo aumento no número de propriedades envolvidas nessa atividade. As palhadas de cereais são pobres em proteína e podem ser utilizadas para ruminantes em manutenção, quando devidamente suplementadas com nitrogênio na forma proteica ou não. Atualmente tem-se usado a mistura múltipla (ureia, cloreto de sódio, ingrediente proteico e energético), para suplementar dietas pobres em nitrogênio. Estas ficam a disposição dos animais e tem o cloreto de sódio como regulador do consumo.

O cloreto de sódio pode ser utilizado para controlar o consumo de misturas múltiplas, pois os animais tem apetite específico para o sódio e não ingerem quantidades muito acima do requerimento (Underwood e Suttle, 2003).Trabalhos realizados com blocos de mineral e ureia e outras formas de fornecimento de nitrogênio-não-proteico em dietas pobres em nitrogênio foram utilizados para ruminantes com bons resultados (Madrid et al., 1997, Puga et al., 2001, Zanetti et al, 2000, Gallina et al., 2004).

A alimentação representa elevado custo em sistemas de produção de ovinos e caprinos, e o aproveitamento de alimentos alternativos, quando adequadamente tratados e tecnicamente orientados para o uso animal, não afetam o desempenho zootécnico e contribuem decisivamente para a viabilidade econômica dessas atividades.

Dos diferentes tipos de restos culturais, os resíduos gerados durante a colheita de grãos, apresentam grande potencial como volumoso para ruminantes (Rahal et al. 1997), podendo ser utilizados como suplementação volumosa na época de escassez de forragens nas pastagens e também como volumoso exclusivo em confinamentos, em regiões ou propriedades em que este resíduo é abundante.

Entre os fatores que limitam a utilização dos restos de culturas, na sua forma in natura, para a alimentação de ruminantes, destacam-se a baixa disponibilidade de compostos nitrogenados, os elevados teores de carboidratos fibrosos, os altos teores de lignina e a baixa digestibilidade da matéria seca. Esses fatores, em conjunto, restringem o consumo desses volumosos, que, por sua vez, resultam em baixo desempenho animal (Van Soest, 1994; Jung & Allen, 1995).

As palhadas de cereais são pobres em proteína e podem ser utilizadas para ruminantes em manutenção, quando devidamente suplementadas com nitrogênio na forma proteica ou não. Trabalhos realizados com blocos de mineral e ureia e outras formas de fornecimento de nitrogênio-não-proteico em dietas pobres em nitrogênio foram utilizados para ruminantes com bons resultados (Madrid et al., 1997, Puga et al., 2001, Zanetti et al, 2000, Gallina et al., 2004,).

A finalidade da mistura múltipla é fornecer nitrogênio solúvel no rúmen para o crescimento das bactérias celulolíticas, aumentando a digestibilidade da fibra e o aporte de energia para o animal. Ruminantes em geral tem exigência mínima de 7% de proteína bruta na dieta, para que ocorra o adequado crescimento microbiano, fermentação da fibra e retirada de energia desta fração. Dietas fibrosas com conteúdo muito baixo de proteína bruta acarretam diminuição do consumo voluntário e do peso vivo dos animais.

Além dos aspectos nutricionais, a possibilidade do uso de resíduos de beneficiamento de cereais de inverno na alimentação dos ovinos pode resultar em melhor aproveitamento do potencial das propriedades rurais, tornando esse sistema mais uma opção para produtores agregarem valores à produção, bem como desenvolver sistemas de produção à pasto, utilizando-se também da suplementação concentrada através das misturas múltiplas.

Atentos a essa demanda tecnológica e científica, a Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Itapetininga, órgão de pesquisa agropecuária da APTA - Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios / SAA-SP, desenvolveu o estudo "Níveis de cloreto de sódio na mistura múltipla para ovinos deslanados Santa Inês, com palhada de trigo", onde foi avaliado o consumo de algumas formulações de misturas múltipla com intuito de fornecer nitrogênio para dietas pobres em proteína.

Atualmente tem-se usado as misturas múltiplas ou "sal proteinado" (ureia, cloreto de sódio, ingrediente protéico e energético), para suplementar dietas pobres em nitrogênio. O cloreto de sódio pode ser utilizado para controlar o consumo de misturas múltiplas, pois os animais tem apetite específico para o sódio e não ingerem quantidades muito acima do requerimento (Underwood e Suttle, 2003), o que pode diminuir riscos de intoxicações, considerando que na composição da mistura múltipla utiliza-se de 10 a 20% de ureia e o animal ingerindo e degradando lentamente esse nitrogênio de origem não proteica, associado a disposição de sal, esses riscos ficam bem mais amenizados.

O experimento foi conduzido na Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Itapetininga, no período de dezembro de 2009 a março de 2010. Foram utilizadas 12 ovelhas da raça Santa Inês, desverminadas, com peso vivo inicial de 46,04 ± 5,00 kg, alojadas em baias individuais em chão batido de 4,0 m2, com cochos individuais, bebedouro e alimentadas com palhada de trigo. Tiveram a sua disposição a mistura múltipla (15, 20 e 25 % de NaCl) contendo 10% de ureia. Foram avaliados o consumo da mistura múltipla e de MS da palhada e o ganho de peso dos animais. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com três tratamentos e 4 repetições por tratamento.

O consumo da mistura múltipla foi influenciado pela concentração de cloreto de sódio na formulação. As ovelhas apresentaram uma diminuição linear significativa (P<0,05) na ingestão da mistura múltipla com o concentração de cloreto de sódio na formulação (Tabela 1). O ganho de peso das ovelhas decresceu linearmente (P>0,05) com o aumento dos níveis de NaCl, devido a menor ingestão da mistura múltipla (Tabela 2). A ingestão média diária de ureia foi 19,8; 13,6 e 10,8 g, para os tratamentos com 15, 20 ou 25 % de cloreto de sódio. O consumo voluntário de MS da palhada de trigo em gramas/dia, % do peso vivo e por unidade de tamanho metabólico (Tabela 1) decresceram linearmente (P<0,05) com o aumento da proporção de NaCl na mistura múltipla.

Tabela 1 - Consumo voluntário médio diário de palhada de trigo e mistura múltipla (MM).



Tabela 2 - Desempenho de ovelhas em manutenção alimentadas com palhada de trigo e mistura múltipla (MM)



Como conclusão do projeto, o consumo da mistura múltipla foi influenciado pela concentração de cloreto de sódio na formulação , mostrando o efeito do cloreto de sódio (NaCl) como controlador da ingestão voluntária do Sal Proteinado. A mistura múltipla contendo 15% de NaCl propiciou ingestão adequada de nutrientes, podendo ser aconselhada para a formulação de Proteinados, inclusive com ganhos de peso dos animais no período avaliado.

Com esse resultado o produtor poderá manejar seu rebanho em sistema de produção intensivo, com o aproveitamento de resíduos de beneficiamento de cereais de inverno de custos baixos, viabilizando, desta forma, os custos de produção da ovinocultura, bem como oferecer outra alternativa de alimentos, em períodos críticos de oferta de volumosos. A substituição de fontes de volumosos, por resíduos de beneficiamento de cereais de inverno, poderá ainda incrementar a produção ovina, uma vez que as matrizes poderão manter a condição coroporal em períodos que poderiam ocorrer perdas de peso e com isso apresentarem melhores condições corporais nas Estações de Monta e, em consequência disso, obter maior produção de cordeiros por unidade de área e melhores índices zootécnicos em suas explorações pecuárias.

Como regra prática, pode-se utilizar essa mistura na ordem de 150 a 200 g/animal/dia, representando cerca de 0,4 a 0,5% do peso vivo.

O produtor não deve esquecer da adaptação desses animais com a ingestão de metade da dosagem/animal, na primeira semana que antecede o fornecimento regular. Caso seja interrompido o fornecimento da mistura múltipla, por mais de dois dias, há necessidade de refazer novamente a adaptação dos animais, uma vez que a ureia faz parte da formulação. É importante que o Produtor tenha orientação técnica de profissional habilitado e com conhecimento em nutrição animal, visando assim ao melhor resultado benefício/custo e eficiência na produtividade do rebanho.

Formulação básica sugerida pela UPD Itapetininga para manutenção corporal de fêmeas caprinas adultas vazias e ou secas.



Participaram também desse trabalho: Josiane Aparecida de Lima, Luciana Gerdes, Diorande Bianchini e Frederico Fontoura Leinz.

Referências bibliográficas

Galina, M.A., Guerrero, M., Puga, C., Haelein, G.F.W., Effect of a slow-intake urea supplementation on growing kids fed corn stubble or alfalfa with a balanced concentrate. Small Ruminant Research, vol. 53, n 1-2, p. 29-38, 2004.

Iapichini, J.E.C.B.; Gerdes, L.; BUENO, M.S.; Rodrigues, C.F.C.; Bianchini, D.; Leinz, F.F. Níveis de cloreto de sódio na mistura múltipla para caprinos alimentados com palhada de trigo. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 43., 2006, João Pessoa- PB. Anais... João Pessoa.

Kaye.M.M., Fernandez, J.M., Williams, C.C., White, T.W., Walker, R.L. Differential reponses to an oral urea load test in small ruminants : species and breed effects. Small Ruminant Resesearch, vol 42, n 3, p.209-215, 2001.

Madrid, J., Hernandez, F., Pulgar, M.A., Cid, J.M. Urea and citrus by-product supplementatin of straw-based diets for goats: effect on barley straw digestibility. Small Ruminant Research, vol. 24, n 3, p.149-155, 1997.

National Research Council. Nutrient requiremt of Sheep (NRC). Washinghton : Academic Press, 1985. 99p.

Puga, D.C., Galina, H.M., Peréz-Gil, Sangines, G.L., Aguilera, B.A., Haelein, F.W., Baraja, C.R., Herrera, H.J.G. Effect of a controlled-release urea supplementatin on feed intake, digestibility, nitrogen balance and ruminal kinetics off sheep fed low quality tropical forage. Small Ruminant Reseach, vol 41, n 1, p. 9-18, 2001.

REIS, R.A. et al. A suplementação como estratégia de manejo de pastagem. In: PEIXOTO, A.M et al. (Ed.).Produção de bovinos a pasto. Piracicaba: FEALQ, 1997. p.123-150.

Underwood, E.J., Suttle, N.F. Los Minerales En La Nutrición Del Ganado. Zaragoza : Acribia, 2003. 648 p.

Zanetti , M.A.Resende, J.M.L., Schalch, F., Miotto, C. Desempenho de novilhos consumindo suplemento mineral proteinado convencional ou com ureia. Revista Brasileira de Zootecnia, vol.29, n 3, p. 12-24, 2000.

JOÃO ELZEÁRIO CASTELO BRANCO IAPICHINI

Pesquisa/Ensino

CRISTINA MARIA PACHECO BARBOSA

CARLOS FREDERICO DE CARVALHO RODRIGUES

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GIVALDO SILVA TEIXEIRA

SERRINHA - BAHIA - OVINOS/CAPRINOS

EM 02/03/2016

Gostaria de saber se o nùcleo tem o mesmo efeito do suplemento mineral e seu posso usar a mesma quantidade para preparar sal proteinado.

att. givaldo

Serrinha-ba
JOÃO ELZEÁRIO CASTELO BRANCO IAPICHINI

ITAPETININGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 10/08/2015

Prezado Francisco,



Bom dia!



A mistura múltipla ou sal proteinado, normalmente utiliza-se para suplementar dietas  contendo volumosos pobres em nitrogênio, a exemplo das palhadas, pastagens passadas e outros. Os animais adultos tem grande capacidade de receber dietas  contendo a uréia, quando tomadas as precauções de adaptação e quantidades recomendadas tecnicamente. No caso de ovelhas em gestação/terço final e lactação, categoria animai mais exigentes, é necessário formular dietas com volumosos e concentrados de melhor qualidade a base de proteína verdadeira.



Att.,



João E. C. B. Iapichini

FRANCISCO BARROSO

RIO BRANCO - ACRE

EM 29/07/2015

uma dúvida ,

essa mistura múltiplas  pode ser consumida por ovelhas enxertada e prenhas

grato
JOÃO ELZEÁRIO CASTELO BRANCO IAPICHINI

ITAPETININGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 04/09/2012

Prezado Cayo,



Na composição da mistura múltipla "sal proteinado", além do sal comum que irá contribuir com do Cloreto de Sódio (NaCl), o qual terá a função de controlar o consumo, também entra o composto mineral (sal mineral ou núcleo mineral). Este último,  fornecerá os macro e micro-nutrientes, em acordo com as exigências  dos animais que você pretende trabalhar. Atentar para os minerais prontos, quanto aos teores de cobre (Cu), aceitáveis, quando for trabalhar com a espécie ovina. Essas misturas em média trabalha com os seguintes componentes: sal branco 10-15%, mistura mineral ou núcleo 15-20%, concentrado de origem vegetal 30-35%, milho moído 20-25% e uréia pecuária 10%.



abraço



João Iapichini
CAYO ALMEIDA

BELÉM - PARÁ - ESTUDANTE

EM 04/09/2012

Uma dúvida,



Esse núcleo mineral utilizado, é um específico ou pode ser o sal mineral que normalmente é fornecido para os animais? (ovinos)
JOÃO ELZEÁRIO CASTELO BRANCO IAPICHINI

ITAPETININGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 11/06/2010

Prezado João Renato Benazzi,

Você pode também verificar no artigo técnico (www.nuvital.com.br), outras informaçõs sobre a utilização do sal proteinado. Quanto ao núcleo mineral, ele deve ser composto dos macro e microelementos minerais e vitaminas essenciais à suplementação ovina e pode ser facilmente encontrado nas Empresas que trabalham no ramo de minerais. Contudo, é importante verificar os núcleos específicos para ovinos, de tal forma que o teor de Cobre (Cu) esteja em acordo com os níveis recomendáveis para essa espécie animal.

abraço

João Iapichini
JOÃO RENATO BENAZZI

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE LEITE

EM 08/06/2010

Muito interessante o artigo.
Onde posso conseguir mais informações sobre o sal proteinado? Mais especificamente o que é esse nucleo mineral que compões 20% da MM?
Abraço,
João Renato Benazzi
JOÃO ELZEÁRIO CASTELO BRANCO IAPICHINI

ITAPETININGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 07/06/2010

Prezado Thiago Golega Abdo,

Normalmente preconiza-se de 0,4 a 0,5% da mistura/P.V, o que daria a quantidade de uréia quevocê encontrou (15 a 20 g/dia). Em nosso experimento, considerando a boa adaptação feita no início do fornecimento do "sal proteinado", teve animal que chegou a consumir 300 g/dia da MM, o que daria 30 g/dia de uréia. Não houve qualquer problema de intoxicação, uma vez que o consumo é lento e ao longo do dia. Portanto, sempre lembrar da boa adaptação dos animais ao proteinado que contém uréia e re-adaptar, caso seja interrompido o fornecimento por mais de 2 dias.

abraço

João Iapichini
UPD Itapetininga "PECO"
THIAGO GOLEGA ABDO

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 07/06/2010

Muito bom artigo. Gostaria de pedir a ajuda dos senhores, quando incluo ureia nas minhas formulações estou fazendo a seguinte conta abaixo, e nao sei se está correta:

O recomendado para bovinos é em torno de 40g de uréia / 100 kg de peso vivo, quando forneço para ovinos, faço uma regra de três simples que daria para um ovino de PV médio de 50kg em torno de 20g de ureia, é correto esta forma de calcular? Nunca houve caso de intoxicação.


att;
JOÃO ELZEÁRIO CASTELO BRANCO IAPICHINI

ITAPETININGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 07/06/2010

Prezado Marcelo,

Agradecemos sua manifestação. Realmente, o sal proteinado ou mistura múltipla, quando bem utilizado é um excelente recurso para suplementação de ruminantes em períodos críticos e principalmente por apresentar custos bem motivadores.

grande abraço

João Iapichini
UPD Itapetininga "PECO"
MARCELO BARSANTE SANTOS

UBERABA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 07/06/2010

Muito bom o experimento. Nesta época do ano de seca o proteinado é a melhor solução de baixo custo, e otimiza os ganhos e aproveita melhor a MS seja de silagem, cana, ou mesmo palhadas como soja milho etc. Parabéns.