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Métodos de sobressemeadura para produção das pastagens para ovinos e caprinos

VÁRIOS AUTORES

PRODUÇÃO

EM 26/05/2009

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Na Região Sul do Brasil, ovinos e caprinos têm sido criados em várias propriedades em pastagens perenes formadas por espécies estoloníferas tropicais de verão, de porte médio, tais como Tifton 85 e Hemarthria e também, espécies cespitosas como o Tanzânia e Aruana.

As espécies do gênero Cynodon spp., representadas por cultivares como Tifton 85, Coastcross, estrela africana, e ainda outras espécies perenes do gênero Panicum spp como o Tanzânia e Aruana, apresentam elevado potencial produtivo e por isso, tendem a ocupar maior proporção da área de pastagens nas propriedades em relação às pastagens de inverno, como a aveia e o azevém. Entretanto, estas cultivares de verão tem a sua produtividade drasticamente reduzida no período do outono/inverno em função das baixas temperaturas e frequentes geadas que ocorrem no sul do Brasil, comprometendo algumas vezes a produção animal neste período do ano.

Assim, a necessidade de se evitar a estacionalidade de produção forrageira implica na manutenção da disponibilidade de forragem ao longo do ano, que por sua vez, é difícil de ser obtida com a utilização de uma única espécie.

Neste sentido, a sobressemeadura de espécies forrageiras de inverno (aveia, azevém, trevos), em áreas formadas com espécies perenes de clima tropical, é uma opção a ser considerada para aumentar a produção e a distribuição anual da forragem, reduzindo assim os "vazios" forrageiros de outono/inverno e inverno/primavera causados devido à redução da produtividade das espécies de verão nesses períodos do ano. Isso pode ainda melhorar o aproveitamento da área e permitir maior uniformidade na produção de pasto ao longo do ano, possibilitando a redução da necessidade de alimentação suplementar em alguns períodos críticos dos criatórios.

Considerando a importância da sobressemeadura para os diferentes sistemas de produção, buscam-se métodos eficazes de realização da mesma a fim de se obter bons rendimentos para as espécies sobre-semeadas (aveia, azevém, trevo), e ainda, que propiciem boa recuperação da pastagem perene após o inverno possibilitando assim a manutenção da oferta de forragem durante o maior período possível no ano.

Dentre as mais diversas formas de sobressemeadura, apresentam-se a semeadura a lanço com parcagem; a semeadura a lanço com herbicida; a semeadura a lanço com roçada; a semeadura a lanço com gradagem, a semeadura direta ou mesmo o uso em conjunto das diferentes formas.

O método mais simples e fácil de ser utilizado é o método com parcagem, que nada mais é do que a utilização de uma alta carga animal instantânea, utilizada a fim de permitir que o casco do animal propicie o contato da semente com o solo. Como práticas de manejo recomendadas a fim de garantir a melhor emergência das plantas, recomenda-se rebaixar a pastagem através da utilização de cargas animais mais elevadas, podendo para isso utilizar animais de menor exigência alimentar, tais como as ovelhas e cabras vazias ou fora de estação de monta, e posteriormente fazer a semeadura a lanço deixando os animais nos piquetes por alguns dias. Essa forma de sobressemeadura pode ser utilizada em áreas menores e em casos em que o produtor não disponha de máquinas, por exemplo.

A semeadura a lanço com utilização de uma sub-dosagem de herbicida (glyfosate 1 a 1,2 L/ha) busca reduzir o desenvolvimento da cultura perene e consequentemente a competição por água, luz e nutrientes com as espécies sombreadas. Este método é passível de ser utilizado, porém, não dispensa a necessidade de utilização de métodos alternativos a fim de permitir o melhor contato da semente com o solo. Este método apresenta-se eficaz no caso da introdução de leguminosas, uma vez que reduz a competição entre as espécies e permite um maior intervalo livre de competição na primavera, favorecendo o estabelecimento das leguminosas, que normalmente são de estabelecimento mais tardio; por outro lado, está técnica pode ocasionar resistência das plantas a herbicidas, além de poder prejudicar o rebrote da pastagem no ciclo seguinte de produção.

A semeadura a lanço seguida de roçada deve ser feita de tal forma que a forragem roçada cubra a semente sobressemeada e favoreça a sua germinação. Por isso, a altura de corte deve ser rente ao solo. Na prática, a germinação das espécies de inverno é baixa e desuniforme, sendo que métodos alternativos de incorporação da semente, como o uso de rolo-faca, parcagem ou até mesmo uma gradagem leve podem favorecer o estabelecimento das culturas apresentando a vantagem de poder ser realizada mesmo em pequenas áreas através do uso de roçadeira costal ou tratorizada.

A semeadura a lanço seguida de gradagem permite flexibilidade de manejo, uma vez que o nível de interferência da grade com o solo pode ser ajustado em função da sua abertura ou fechamento, ou mesmo, caso necessário, uma gradagem duplicada realizada em sentidos opostos. Ainda, este nível de interferência pode ser ajustado de acordo com a espécie a ser sobressemeada, permitindo por exemplo, que espécies de leguminosas de semente pequena, como trevos branco e vermelho germinem adequadamente. Este método apresenta-se com extrema eficácia para a geminação e estabelecimento das espécies de inverno; entretanto, como efeito negativo, pode promover uma desestruturação e compactação do solo acarretando em dificuldade no desenvolvimento do sistema radicular das espécies forrageiras ou em um processo erosivo do solo. Em relação a interferência no poder de rebrota da espécie perene de verão, gradagem leve dificilmente apresenta efeito negativo.

Ainda, como ultimo método a ser citado, dispomos da semeadura direta com utilização de semeadora-adubadora para sementes miúdas. Em geral, este método permite melhor distribuirão do adubo e maior contato da semente com o solo, com menor interferência negativa sobre os parâmetros físicos do solo. Porém, dependendo do modelo de máquina a ser utilizado (máquinas pequenas e leves), pode ocorrer dificuldade dos discos de corte em abrir os sulcos de plantio e consequentemente na deposição da semente em profundidade adequada, sendo que, pastejos mais intensos com objetivo de reduzir a altura da pastagem ou mesmo uma roçada a fim de facilitar a realização do plantio podem evitar esse problema.

Importante salientar também que não há regras exclusivas e que estes métodos podem ser utilizados em conjunto. Entretanto, independente do método a ser utilizado, uma correta e monitorada adubação deve ser realizada em conjunto, a fim de reduzir a competição entre as espécies e favorecendo assim a sua emergência e estabelecimento, alcançando o aumento esperado na produtividade do sistema.

ALDA LÚCIA GOMES MONTEIRO

Coordena o Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos (LAPOC) da UFPR

CHRISTIANO SANTOS ROCHA PITTA

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ELKE EBERT

ENCRUZILHADA ENCRUZILHADA DO SUL - RIO GRANDE DO SUL - ESTUDANTE

EM 22/07/2016

Achei super interessante a  sobressemeadura   de especies forrageiras em campo nativo, pelo  metodo de parcagem, sem revolvimento ou  compactaçao do solo,pelo uso de implementos agricolas, usando  apenas uma maior carga animal, para rebaixamento do pasto nativo, e atraves  da semeadura a lanço e onde o contato do casco dos animais por alguns dias, promove o contato do solo com a semente.

att. Elke Ebert

Curso Tecnico em Agropecuaria

Escola CETEC Z eno Pereira da Luz

Encruzilhada do Sul RS


GIOVANE

TAQUARA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE LEITE

EM 08/04/2015

ola tenho cabras de leite.tenho uma duvida tenho campo nativo,mas tenho uma duvida e mais vantagem plantar so aveia de inverno ou fazer um consorcio de pastagem aveia,azem e outros capins, alguem poderia mi dar alguma ajuda.obrigado.
WILSON JOSMAR STADLER

IVAÍ - PARANÁ - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 18/10/2012

Muito boa a materia , vou ficar ligado, pois estou começando com ciracção de caprinos anglo nubiana com cruzamentos com boer, no centro sul do parana.

Portanto, aprveito e ensejo e pergunto se estou com com raça adequada para regiao?
ÉRLON PILATI

PIRAQUARA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 09/10/2011

Prezada Alda

Estamos a preparar 7 alqueires de pastagem para ovinos e precisamos de orientação.

Em 4 alqueires foi colhido milho com excelente produtividade e não foi plantada cultura de inverno.

Nos outros 3 alqueires há pasto nativo, com trevo em alguns poucos pontos.

O que semeamos em cada uma destas partes?

Grato, Érlon
LAERTE ANTUNES RODRIGUES JUNIOR

OUTRO - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 16/07/2009

Gostaria de passar minha forma de fazer sobressemeadura nas minhas condições; suo criador em Santa Helena de Goias, na minha propriedade crio ovinos em braquiaria humidicola. Em meados do mes de fevereiro, aplico uma subdosagem de glifosate e no outro dia faço o plantio do sorgo para pastejo (nutribem ou jumbo ambos da atlantica sementes ) adubado com 300kg/ha de uma formula 8.16.16 (plantadeira de plantio direto) e aos 20 dae faço uma cobertura com N. aos 40 dias posso colocar os animais para pastejar.

A vantagem que acho nesse sistema é que melhoro as condições de solo e consequentemente melhoro minha pastagem além da tolerância a seca que o sorgo apresenta.

A palatabilidade deste dois materiais é muito boa, já que as ovelhas não comem o capim enquanto não comerem todo o sorgo e aos 40 dae o sorgo deve estar com uma altura por volta de 1,5 metros, mas mesmo alas ainda preferem o sorgo por ser ainda tenro.

<b>Resposta da autora:</b>

Prezado leitor Laerte Antunes Rodrigues Junior.

Ficamos muito contente em saber da sua experiência com sobressemeadura, especialmente porque o FarmPoint é uma página que busca a transmissão de informações entre os seus leitores. Considerando o tamanho do Brasil e toda a sua diversidade ecológica, o leque de opções e formas de se sobressemear pastagens se torna muito diverso realmente. Assim, se a forma como está procedendo lhe garante otimizar a produção de forragem, indicamos que prossiga assim e lhe parabenizamos pela iniciativa.

Obrigada, Alda


HELIO CABRAL JUNIOR

GOVERNADOR VALADARES - MINAS GERAIS

EM 26/05/2009

Em espécies do gênero cynodon por serem estoloniferas e/ou rizomatozas a gradagem até não traz maiores malefícios, mas gradagem em pastagens de panicum para sobressemeadura de espécies de inverno?

E os danos às corôas como fica? Estudos tem consistentemente demonstrado queda da produtividade em pastagens que sofreram gradagens; neste caso a forrageira já estaria passando por um período de stress ( frio e menor fotoperíodo ) e tendo sua corôa danificada sua produtividade no período de verão seguinte fica comprometida, ou não?

E se panicuns são um gênero "tipicamente de verão" não se estaria influindo negativamente justamente na maior produtividade destas forrageiras neste período?

Cordialmente,

Helio Cabral Jr

<b>Resposta da autora:</b>

Prezado Helio Cabral Junior. Agradecemos a sua pergunta.

Como citamos anteriormente, métodos eficazes de sobressemeadura implicam na obtenção de bons rendimentos para as espécies sobre-semeadas (aveia, azevém, trevo, etc..), e ainda, que propiciem boa recuperação da pastagem perene após o inverno ou período de seca como no caso da sua região, possibilitando assim a manutenção da oferta de forragem durante o maior período possível no ano.

Assim, dependendo da região e suas variações climáticas, o nível de stress a ser promovido na espécie perene a fim de beneficiar a espécie sobre-semeada pode variar em função da curva de crescimento e da contribuição destas espécies na produtividade total do sistema. Ainda, ao comentar sobre os métodos de sobressemeadura, não tínhamos o interesse de recomendar um método específico para cada situação ou espécies e sim elucidar as suas vantagens e desvantagens. A sua preocupação é coerente e verdadeira. Outros métodos podem ser mais eficazes, como a própria roçada e semeadura direta.
NEI ANTONIO KUKLA

UNIÃO DA VITÓRIA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/05/2009

Além da sobresemeadura em áreas já formadas com as espécies citadas, no sul do Brasil a grande maioria das propriedades que trabalham com a ovinocultura tem seus animais em potreiros, ou seja, em campos com grama nativa que geralmente apresentam baixíssimas produtividades e são inferiores qualitativamente, sendo tais características agravadas no período seco (inverno).

Bibliografias e experiências já desencadeadas nos estados do sul (RS, SC e PR) demonstram que o melhoramento dessas pastagens nativas ou naturalizadas apresenta excelentes resultados, pois o produtor pode fazer a sobresemeadura com espécies como azevém, trevos e no verão a introdução de espécies leguminosas como o amendoim forrageiro para enriquecer a qualidade da pastagem e obter melhoria na fertilidade do solo (visto a fixação de N pelas leguminosas), tudo isso fazendo sem precisar abandonar a grama nativa existente. Geralmente, nessas áreas apresenta-se condições de existência de espécies florestais nativas e que irão servir para o sombreamento dos piquetes promovendo o adequado e necessário conforto térmico dos animais.

Como citado pelos autores, a forma de sobresemeadura pode se dar de várias maneiras, porém, particularmente vejo a parcagem como sendo ideal para os campos nativos.

<b>Resposta da autora:</b>

Prezado Nei Antonio Kukla. Agradecemos a sua pergunta.

Admiramos a sua opinião de que é possível fazer melhoramento da pastagem nativa via sobressemeadura sem abandonar a grama existente utilizando ainda às espécies arbóreas de forma sinérgica com a pastagem, porém, discordamos da sua opinião de que as pastagens nativas geralmente apresentam baixíssimas produtividades e são inferiores qualitativamente. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) vem pesquisando sobre o manejo de campo nativo a mais de 30 anos, e seus resultados têm demonstrado que espécies nativas podem se sair muito bem em termos de produção animal. Para tal, citamos um trabalho do professor Carlos Nabinger, que trabalhou com diferentes níveis de intensificação de manejo do campo nativo e obteve excelentes produtividades em termos de kg de peso vivo por hectare.

Quanto à utilização da parcagem, de fato está pode ser utilizada quando a área não for muito grande, entretanto chamamos a atenção para a importância do bom contato da semente com o solo, bem como a importância da correção do solo, especialmente para espécies mais exigentes como trevos, por exemplo.