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Mastite em pequenos ruminantes

POR VICENTE DE FRANÇA TURINO

E HEDER NUNES FERREIRA

PRODUÇÃO

EM 18/07/2008

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Introdução

A caprinocultura leiteira possui grande importância social e econômica, principalmente nos países em desenvolvimento. Em alguns estados brasileiros, programas governamentais são desenvolvidos com o objetivo de realizar suplementação alimentar contendo leite de cabra para pessoas carentes e idosos por apresentar características físico-químicas que mais se aproximam do leite humano: alta digestibilidade, baixos teores de colesterol, elevado teor de proteínas.

Em termos econômicos, a caprinocultura é um segmento do agronegócio que gera empregos diretos (criatórios) e indiretos (indústria láctea), gerando boa lucratividade em todos os seus setores.

Entretanto, o sucesso da atividade está intimamente ligado à produção de leite com excelente higiene e qualidade, sendo que, o principal entrave para essas características é a mastite.

A mastite ou mamite refere-se à inflamação da glândula mamária. Tal enfermidade ocasiona prejuízos para o produtor através da rejeição na recepção do leite, redução na produção e possibilidade de morte do animal.

É uma patologia de ocorrência mundial que geralmente é causada por microrganismos, principalmente bactérias dos gêneros Streptococcus spp., Staphylococcus spp., Mycoplasma spp., Corynebacterium spp., Escherichia coli. Caracteriza-se por alterações físicas, químicas e bacteriológicas do leite e por alterações patológicas do tecido glandular, podendo ser classificada como clínica e crônica.

Fatores predisponentes

Em condições normais, a glândula mamária possui microrganismos patogênicos que representam risco de contaminação da mesma. A inflamação ocorre através do úbere infectado ou por contaminação oriunda do meio externo.

O leite retido no úbere, principalmente na cisterna do teto, resultante da ordenha incompleta é um importante meio de cultura para a proliferação de microrganismos. A ordenha incompleta ou ineficaz associada à inadequada higienização pré e pós ordenha são os principais fatores predisponentes à instalação da doença.

As infecções importantes são aquelas que persistem facilmente no úbere, em especial por Streptococcus e Staphylococcus. Bactérias provenientes do meio ambiente, tais como Escherichia coli e Pseudomonas, causam mastite com uma menor freqüência, no entanto, apresentam-se mais resistentes às medidas de controle higiênico.

A propagação ocorre durante a ordenha, sendo disseminada principalmente pela má higienização do ordenhador, dos tetos pré e pós ordenha e do material utilizado na ordenha.

Sintomas

A mastite pode apresentar-se nas formas clínica e crônica.

• Clínica - É a forma mais severa, caracteriza-se por: edema, dor, rubor, aumento da temperatura local e/ou sistêmica e alterações nas características do leite (grumos), podendo evoluir para um estágio mais avançado, ocasionando uma mastite gangrenosa. Esta forma clínica apresenta endurecimento uni ou bilateral do úbere, hipotermia (baixa temperatura), isquemia e posteriormente necrose tecidual.
• Crônica - Não apresenta sinais evidentes de inflamação no úbere e nem alteração no aspecto do leite, apresentando elevada contagem de células somáticas, diminuição da produção e ligeira apatia. Esta forma contribui para a disseminação da doença no rebanho.

Diagnóstico

O diagnóstico da mastite clínica não apresenta dificuldade se for feito um exame clínico cuidadoso, observando-se os sinais característicos de inflamação do úbere e alterações nas características do leite.

No caso de uma mastite crônica é importante o acompanhamento individual, observando-se a produção de leite e realizando exames complementares, como contagem de células somáticas (CCS), California Mastitis Test (CMT), exame bacteriológico do leite e antibiograma.

Figura 1. Material utilizado para o teste de CMT.


Tratamento

Pela grande variação de agentes e pelo nível de prejuízo, o tratamento deverá ser avaliado em cada caso, e o grau de resposta obtido depende do tipo de agente causal e da rapidez com que o tratamento é iniciado.

Infusões intramamárias são os métodos de tratamento mais utilizados devido à conveniência e eficácia. Durante este tratamento é necessária uma higiene rigorosa, evitando uma contaminação por outros microrganismos, sendo realizado o esgotamento da teta antes da administração do medicamento.

Figura 2. Tratamento intramamário contra mastite


O tratamento parenteral é recomendado em alguns casos de mastite clínica para prevenir ou controlar o desenvolvimento de infecções generalizadas e auxiliar o tratamento da infecção na glândula.

O tratamento pode ser eficaz na eliminação da infecção e normalização da composição do leite. Entretanto, ocorrerá comprometimento da produção na lactação atual ou até mesmo nas lactações seguintes.

Controle

Recomenda-se um programa profilático de rotina, objetivando o controle de microrganismos em três situações distintas da propriedade: animais, ordenha e ambiente.

Animais:

- Avaliações periódicas do leite, através da utilização dos testes laboratoriais: CCS, CMT, Bacteriológico;
- Controle rigoroso da entrada de animais no rebanho;
- Evitar traumatismo no úbere;
- Descarte de animais com infecção crônica;
- Seleção de matrizes que demonstrem maior resistência às infecções.
- Descarte dos animais que apresentem mastite crônica e recidivante, evitando que a doença seja disseminada aos animais sadios.

Ordenha

- Sala de ordenha limpa e desinfetada;
- Ordenhador com as mãos limpas, unhas aparadas e roupas limpas;
- Realizar a lavagem do úbere, em especial a extremidade dos tetos, utilizando soluções iodadas;
- Os três primeiros jatos de leite devem ser desprezados, por conter elevado número de colônias de bactérias, sendo coletados em caneca de fundo escuro para verificação de possíveis alterações macroscópicas;
- Estipular uma seqüência de ordenha, ordenhando primeiro os animais com menor potencial de contágio, em direção aos animais de maior potencial;
- Evitar que os animais se deitem até uma hora após a ordenha.

Figura 3. Exame da caneca de fundo escuro.


Ambiente

Manter limpo e seco o ambiente que os animais ficam instalados;
Desinfetar periodicamente as instalações com produtos a base de hipoclorito de sódio;
Manutenção e/ou troca periódica do material de ordenha (borrachas, teteiras, etc).

Referências

CASTRO, A. A Cabra. 3 ed. Rio de Janeiro: Freitas Barros, 1984.

BLOOD, D.C.; RADOSTITS, O.M. Clínica Veterinária. 7 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1991.

CLARKSON, M.J.; FAULL, W.B. Notas Para La Clínica Ovina. Zaragoza: Acribia, 1987.

MACIEL, F.C. Manejo Sanitário de Caprinos e Ovinos. Natal: EMPARN, 2006.

CHAPAVAL, L. Práticas para assegurar a qualidade do leite dentro da fazenda. Rio de Janeiro, 2008. Disponível no site [www.nogueirafilho.com.br]. Acesso em 10/07/2008.

CAVALCANTI, N. A mastite e qualidade do leite de cabra. Rio de Janeiro, 2008. Disponível no site [www.ascoper.com.br]. Acesso em 10/07/2008.

RIBEIRO, S.D.A. Caprinocultura: Criação Racional de Caprinos. São Paulo: Nobel, 1997.
JARDIM, W.R. Criação de Caprinos. 10 ed. São Paulo: Nobel, 1984.

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RONALDO SILVEIRA

SANTANA DO LIVRAMENTO - RIO GRANDE DO SUL - OVINOS/CAPRINOS

EM 31/07/2017

recentemente uma ovelha perdeu a cria e agora está com o ubere e as tetas inchadas. o que fazer?
SERGIO GOULART

TUBARÃO - SANTA CATARINA - OVINOS/CAPRINOS

EM 02/03/2016

Bom dia! Sou criador de ovelhas   DORPER em Santa catarina.  Estão nascendo os primeiros produtos fruto de transferência de embriões. Usei  ovelha LACAUNE com receptoras. Estou assustado com a quantidade de leite. e preocupado com a mastite. Pergunto: Deve  ordenhá-las para tirar o excesso de leite?? Quando  começo?  Por quantos dias?
GLADIS FERREIRA CORRÊA

DOM PEDRITO - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 29/09/2008

Prezado Marcos,
O ingurgitamento mamário ou empedramento do leite, se dá pelo aumento da produção nos primeiros dias após o parto, quando os cordeiros nascem muito débeis e tem dificuldade de mamar ou não esvaziam adequadamente a mama. Quando isto ocorre, as glandulas ficam inchadas (aumentam de volume), dolorosas, vermelhas, quentes e tensas por causa do edema (líquido) nos tecidos.

Para tratar o engurgitamento é necessário que o cordeiro siga mamando na mãe, na tentativa de diminuir o volume de leite nas glandulas, como esse processo pode ser doloroso é importante a aplicação de compressas quentes e frias, por aproximadamente 20 minutos, associada com massagens circulares para desfazer as "pedras" de leite e ordenhar manualmente para retirada do leite residual. Desta forma, o leite irá saindo lentamente e aliviará a dor. Mantenha essas condutas até que o ingurgitamento desapareça.

Um agravamento do ingurgitamento é a mastite, entretanto como já foi realizado tratamento com antibiótico é possível que o quadro não se agrave, entretanto há a necessidade de esvaziamento da glândula para evitar o desenvolvimento desta enfermidade. Todo cuidado é pouco, para que o animal não tenha prejudicado seu desempenho produtivo e esteja em perfeitas condições para a próxima gestação e lactação.
Boa sorte.
RODRIGO TENÓRIO PADILHA

NATAL - RIO GRANDE DO NORTE - OVINOS/CAPRINOS

EM 25/09/2008

Gostaria que os autores tivessem citado a mastite em ovinos de corte, como o Santa Inês, pois este é muito sucetível a está enfermidade, e apesar de não ser direcionada a produção de leite, o mesmo tem grande importância no crescimento e desenvolvimento dos cordeiros e borregos.
LUIZ ALBERTO OLIVEIRA RIBEIRO

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 30/07/2008

Caros Autores
Ótimo o artigo sobre mastite. Há pouquíssima referência sobre o assunto na literatura brasileira. Assim, a prevalência e mesmo a etilogia dessa doença no rebanho nacional está pouco estudada. Alguns anos atrás o Prof. Adil Vaz (Fac. Vet. Lages/SC) publicou dados sobre a prevalência e etiologia de mastite em ovinos no RS e SC. A referência é a seguinte: VAZ, A. K. Mastite em ovinos. A Hora Veterinária, v.16, p.75-78, 1996.
PAULO R.C.CORDEIRO

NOVA FRIBURGO - RIO DE JANEIRO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 29/07/2008

Caro Vicente
Muito bom o artigo sobre mastite em pequenos ruminantes.
Só lembrar que as cabras apresentam niveis normais muito mais altos de CCS que os bovinos e na hora da interpretação dos resultados tanto no CMT como nos laboratorios de qualidade do leite a interpretação dos resultados apresentados tem que levar em conta esta caracteristica do leite de cabra.
Atenciosamente
MARCOS ANTONIO PAVELEGINI

VILHENA - RONDÔNIA - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 21/07/2008

Como faço pra que a ovelha com mastite volte a dar leite ao borrego, pois tenho duas ovelhas que criaram nesta semana e o úbere esta todo duro e sai bem pouquinho leite quase nada, percebi que os boregos estavam ficando muito magros e comecei a dar leite de vaca na mamadeira. Apliquei duas doses de Kinetomax uma cada dia, ms até ontem a tarde não tinah amolecido o úbere. Existe cura pra isso??
LUCIANO GOMES LEITE

ITAJUBÁ - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 21/07/2008

Qual a relação da casuística entre mastite em bovinos e em pequenos ruminantes? Existem alguns fatores que os pré dispõem a tal enfermidade?