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Manejo intensivo de pastagens tropicais - Parte 1 de 4

POR HELIO CABRAL JUNIOR

PRODUÇÃO

EM 05/05/2010

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O tema é bastante amplo e variado, por isso vamos dividi-lo em 4 tópicos para que didaticamente fique mais inteligível.

- Conceitos e aplicabilidade;

- Amostragem, análise, preparo e correção de solo;

- Escolha das espécies forrageiras;

- Manejo, adubação e irrigação;

Conceitos e aplicabilidade do manejo intensivo de pastagens (MIP)

A primeira dificuldade está em determinar o que seria o MIP, já que vários autores divergem em sua conceituação.

Pessoalmente prefiro adotar uma classificação que considero ter boa abrangência e ser perfeitamente quantificável , podendo ser enquadrado o manejo de pastagens em 4 categorias distintas baseadas na capacidade de suporte, a saber:

- Extensivo: com capacidade de suporte da pastagem de até 1,9 UA/ha/ano;
- Semi-intensivo: com capacidade de suporte entre 2 e 3,5 UA/ha/ano;
- Intensivo: com capacidade de suporte entre 3,6 e 7 UA/ha/ano;
- Super-intensivo: com capacidade de suporte acima de 7 UA/ha/ano (podendo chegar a 12 UA/ha/ano).

Só para demonstrar como a conceituação é complicada, vou dar um exemplo prático: a capacidade de suporte máxima da Brachiaria decumbens estaria em torno de 3,5 UA/ha/ano; como pode-se notar na minha classificação ela se enquadraria na categoria semi-intensiva, mas como este é seu máximo potencial de suporte dada sua capacidade produtiva, então quem maneja esta forragem em sua máxima capacidade não estaria promovendo um manejo intensivo desta forrageira especificamente? Claro que sim! Mas para mantermos a didática vamos nos ater à classificação já apresentada.

No manejo extensivo o mais comum é a capacidade de suporte ficar realisticamente na casa de até 1,5 UA/ha/ano como máximo, mas em algumas condições é possível atingir os 1,9 UA/ha/ano. Aqui normalmente não se trabalha com a adição de fertilizantes ao solo, quando muito fazendo uma pequena calagem na implantação da pastagem e na maioria das vezes nem isso.

Tais índices de lotação são superiores à média nacional do Brasil e para se atingi-los de forma sustentável é necessária a pratica da consorciação gramínea/leguminosa. Apesar de parecer lógico que todas as gramíneas tropicais utilizadas comercialmente possam ser utilizadas neste sistema, na prática há uma restrição daquelas espécies que tenham grande potencial produtivo; e por que disto?

Porque estas espécies, como têm o potencial de altíssimas produções de matéria seca (MS), são naturalmente mais agressivas no crescimento e mais exigentes em fertilidade de solo e o sistema de consórcio gramínea/leguminosa prevê que o manejo seja feito de forma a ser mais favorável à leguminosa, que fisiologicamente por ser uma C3 apresenta um crescimento mais lento que as gramíneas tropicais que são C4 (C3 e C4 são resumidamente, ciclos fotossintéticos onde no primeiro é formado um carboidrato de 3 carbonos na cadeia e o segundo um de 4, sendo este último mais produtivo - existem também marcantes diferenças quanto ao mecanismo fotossintético, enzimas envolvidas, saturação luminosa, compensação de CO2, temperatura ótima de fotossíntese, fotorespiração, eficiência no uso de água, etc ).

Assim, a gramínea não deve ser muito agressiva em seu crescimento pois sombrearia a leguminosa e acabaria suplantando-a e erradicando-a do sistema. Por outro lado existe um máximo de N que a leguminosa pode aportar ao sistema que limitaria a produção total do mesmo, fazendo com que desta forma o limite máximo de lotação sustentável fique nos 1,5 UA/ha/ano (podendo excepcionalmente chegar a 1,9).

No semi-intensivo já há a necessidade de se aportar nutrientes externos ao sistema na forma de adubações de correção e produção, pois ao menos em solos brasileiros tal fertilidade natural dificilmente é encontrada e quando o é, mantidos estes níveis de produção em poucos anos ela decai, decaindo também a capacidade de suporte devido à extração de nutrientes do solo e sua exportação do sistema solo/planta na forma de carne, leite ou pele.

Quase todas as espécies forrageiras tropicais podem ser aqui utilizadas, entretanto a preferência recairá sobre aquelas que apresentam seu máximo potencial produtivo ao redor da máxima capacidade de suporte desta categoria, pois exigem menos nutrientes do solo e são mais eficientes no uso dos mesmos.

Até esta categoria pode-se escolher entre o manejo sob ocupação continua dos piquetes ou ocupação intermitente (rotacionada) e em boa parte das regiões tropicais com precipitações acima de 1.000mm/ano pode não haver necessidade da irrigação; entretanto vale frisar que a ocupação continua sob lotações mais altas é extremamente difícil de se alcançar e muitíssimo difícil de ser mantida, mas havendo muito conhecimento e experiência pode proporcionar resultados tão bons quanto a lotação intermitente que apresenta maior facilidade de manejo e maior uniformidade no pastejo das forrageiras.

No sistema intensivo o leque de opções de gramíneas forrageiras que podem ser utilizadas já se reduz bastante, mas ainda assim as opções podem atender à todas as necessidades dos pecuaristas e sistemas implantados. Nesta categoria deverá forçosamente ser feito uso de adubações de correção, reposição e produção, irrigação e utilização do sistema de ocupação intermitente (rotacionada). Fatores como latitude e altitude (ou seja, basicamente temperatura) aqui já começam a intervir.

No sistema super-intensivo as opções de gramíneas para comporem o sistema se reduz basicamente a 3 espécies e a uns poucos cultivares dentro destas espécies.

Aqui não só são indispensáveis as adubações de correção, reposição e produção, como a irrigação e um manejo sob lotação intermitente, como também questões como atividade a ser explorada (leite é a mais rentável), genética dos animais, latitude e altitude, fotoperíodo e até de relevo passam a ter importância crucial no resultado, sem falar no manejo em si do sistema, que para dizer o mínimo, deve ser impecável!

Outra questão conceitual é: sempre vale a pena intensivar o manejo de pastagens? A resposta é não!

Em uma condição onde haja grande extensão de terra a um custo muito barato, normalmente não vale a pena intensivar o uso da pastagem. Outro exemplo seriam localidades mais distantes, onde há dificuldades de logística para obtenção de insumos (fertilizantes e corretivos) e problemas por exemplo com escassez e mesmo falta de energia elétrica, animais sem qualidade genética para responderem a uma pastagem mais produtiva e de melhor qualidade, etc.

Temperaturas médias mais baixas e falta de capacidade de irrigação também restringem a intensivação.

Outra condição que é terminantemente impeditiva da intensivação do uso de pastagens é a falta de conhecimento técnico do produtor ou a falta de um técnico experiente neste manejo na região. Caso o produtor não tenha os conhecimentos necessários ou não tenha o acompanhamento de um bom técnico, é caso quase certo de se perder muito dinheiro e ter muita dor de cabeça!

E em contrapartida, quando valeria à pena lançar mão da intensivação do uso de pastagens?
Quando as condições forem propicias (já mencionadas acima), quando o valor das terras na região estiver muito elevado, quando a propriedade for muito pequena, quando as imposições das leis ambientais exigirem porções significativas da área total e quando o produto a ser produzido em cima desta pastagem for economicamente compensador. Até o início do ano de 2009 no Brasil, apenas a cria na pecuária de corte não viabilizava a intensivação do uso de pastagens. Por outro lado, atividades como o leite e produção de novilhas de qualidade para produção leiteira e criação de animais elite dão altos retornos. Outras atividades como ovinocultura também trazem bons resultados.

Em climas tropicais com estações secas e chuvosas bem marcadas, o uso de forragem volumosa conservada/estratégica (diferimento de pastagem, silagem, fenação e cana de açúcar, qualquer uma delas ou uma combinação das mesmas) é essencial à implantação e manutenção da intensivação de pastagens, pois está presente a chamada estacionalidade forrageira, que nada mais é que o aumento na produção de MS no período quente e úmido e a diminuição no período frio e seco, havendo com isso necessidade de se complementar a dieta volumosa dos animais neste período.

O uso racional de alimentos concentrados normalmente se mostra extremamente lucrativo e eficiente no MIP.

UA - unidade animal, que por convenção no caso dos bovinos foi estabelecida como sendo um animal de 450kg de peso vivo; no caso de ovinos é usado padrão de 360kg de peso vivo (UAovina = 360kg PV), mas há regiões que se usa UAovina de 300kg de PV.

ha - hectare é uma unidade de medida de área padrão, que significa 10.000 metros quadrados, sendo a mesma medida para a América do Sul e Norte, Europa, Asia, Oceania, Africa e os Pólos, ou seja, é um padrão universal.

UA/ha/ano - é a quantidade média de unidades animais suportadas por um hectare ao longo de um ano de forma sustentável, sendo a média dos períodos secos e chuvosos; quando se diz 2 UA/ha/ano quer se dizer que se fosse feita uma média, a ocupação seria de 2 UA por ha em cada dia dos 365 dias do ano, mas na prática este número é bem mais elevado no período quente e chuvoso e bem mais reduzido no período frio e seco, sendo 2 a média geral.

MS - matéria seca é tudo aquilo que sobra quando se elimina toda a água de alguma coisa, que pode ser uma folha de capim, um caule, uma raiz, um alimento concentrado, uma ração industrial, um tronco de madeira, etc. Nestes artigos quando nos referirmos à MS da planta normalmente será em referência à MS da parte aérea (acima do solo). A referência também poderá ser quanto ao teor de MS em relação à quantidade de água na planta (forrageira com 22% de MS, significa que em cada 1kg de matéria natural - a planta como se encontra na pastagem - há 220g de proteinas +fibras + minerais + gorduras + extrato não etéreo + outros compostos que não água e 780g de água ).

Quando a referência for em relação à MS produzida por uma pastagem, ou seja a quantidade de massa da parte aérea menos a água, sempre se usará em relação a 1 ha, para se poder quantificar a produção por área - MS/ha -. Esta unidade é usada porque a quantidade de água nas forrageiras varia bastante e em função de muitas variáveis como a espécie, estado fenológico (maturação), etc. É uma forma de padronização.

PB - proteína bruta normalmente se refere ao teor total de N presente na planta, sendo portanto a soma do chamado NNP - nitrogênio não protéico - + a proteína "verdadeira". Normalmente seu percentual é em relação à MS.

DIVMS - digestibilidade in vitro da matéria seca é o percentual da MS potencialmente digerível de um alimento, no caso a forrageira; normalmente é expresso em percentagem, por exemplo: forrageira com 20 por cento de MS e DIVMS ou simplesmente digestibilidade de 60%. Significa que em 1kg de forragem fresca há 200g de MS e que destes 200g, 120g ou 60% são potencialmente digeríveis pelo animal.

NDT - nutrientes digestíveis totais, é a parte potencialmente digestível dos alimentos, sendo expresso em percentual, e é usado para forrageiras, concentrados, alimentos industrializados, etc. No caso de forrageiras é um parâmetro de qualidade.

Na 2ª parte, falaremos sobre amostragem análise, preparo e correção do solo.

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RAFAEL BAGGIO - MÉDICO VETERINÁRIO

CURITIBA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 27/10/2012

Pessoal do Farmpoint e Hélio,



Apesar de ter postado os links do restante do artigo nos comentários, porque nao posta o restante do mesmo aqui também?



Abracao
HELIO CABRAL JUNIOR

GOVERNADOR VALADARES - MINAS GERAIS

EM 19/09/2010

Aos amigos interessados, eis novamente os links do trabalho completo:

Partes 1 e 2
http://pt.engormix.com/MA-pecuaria-corte/administracao/artigos/manejo-intensivo-pastagens-tropicais-t279/p0.htm

Partes 3 e 4
http://pt.engormix.com/MA-pecuaria-corte/administracao/artigos/manejo-intensivo-pastagens-tropicais-t280/p0.htm

Notem que houve uma pequena alteração na parte final dos endereços em relação aos originalmente postados; é que o site necessitou fazer um "rearranjo" e por isso os endereços originais davam como não encontrados...

Cordialmente,

Helio Cabral Jr
HELIO CABRAL JUNIOR

GOVERNADOR VALADARES - MINAS GERAIS

EM 16/09/2010

Caro José Aquino,

Agradeço pelo interesse e pelo alerta!

Aqui seguem os links das partes 1,2 e 3 ( está faltando a parte 4, pois não tenho controle de quando é feita a publicação ). Em todo caso, se houver interesse é se me passar um e-mail que lhe remeto a parte final ( 4 ) ou todas elas em formato .DOC.

1 - http://www.zoetecnocampo.com/forog/Forum8/HTML/000248.html

2 - http://www.zoetecnocampo.com/forog/Forum8/HTML/000249.html

3 - http://www.zoetecnocampo.com/forog/Forum8/HTML/000250.html

Cordialmente,

Helio Cabral Jr

JOSE NILO AQUINO

SÃO BORJA - RIO GRANDE DO SUL

EM 15/09/2010

...

Prezado Dr. Helio Cabral Jr.

Agradeço às informações disponibilizadas no momento, mas os link´s para a continuação do artigo estão " off " .
Solicito na medida do possível outro(s) link(s).
Cordiais Saudações...

att.: José N.L.C. Aquino

...
HELIO CABRAL JUNIOR

GOVERNADOR VALADARES - MINAS GERAIS

EM 13/06/2010

Aos amigos leitores dos sites AgriPoint e que estão mais afoitos pela íntegra do artigo, seguem 2 links onde são encontrados as partes 1-2 e 3-4.

http://pt.engormix.com/MA-pecuaria-corte/administracao/artigos/manejo-intensivo-pastagens-tropicais_279.htm

http://pt.engormix.com/MA-pecuaria-corte/administracao/artigos/manejo-intensivo-pastagens-tropicais_280.htm

Cordialmente,

Helio Cabral Jr
RAMON BENICIO LIMA DA SILVA

NITERÓI - RIO DE JANEIRO

EM 01/06/2010

Prezado amigo Helio, me permita emitir um comentário quanto ao problema do companheiro Eduardo Haddad.

Amigo Haddad o problema que você coloca é um típico problema de pesquisa operacional, mais específicamente o que chamamos de problema de transporte em PO. Onde as variáveis devem ser otimizadas para encontrar o melhor resultado final. Posso tentar ajudá-lo, será um prazer.

Um grande abraço Helio e ao amigo Haddad.
Ramon Benicio
HELIO CABRAL JUNIOR

GOVERNADOR VALADARES - MINAS GERAIS

EM 01/06/2010

Caro Eduardo,

Muito obrigado por sua colaboração e são realmente pertinentes suas colocações.

Com relação ao custo, somente cada produtor pode informar o seu, já que cada propriedade ( como você bem coloca ) tem suas peculiaridades e sistemas gerenciais e por consequência diferentes custos.

Claro que se hipoteticamente nós tivéssemos duas propriedades com condições exatamente iguais ( terras, mão de obra, animais, etc ) mas com diferentes custos de insumos postos em cada uma, óbvio que isto refletiria no custo final, já que a remuneração também seria idêntica para o que fosse produzido, carne, leite ou pele.

O que posso lhe afirmar ( comprovado por n pesquisadores de várias instituições e por inúmeros produtores na prática produtiva - "euzinho" entre eles ), é que quando feito de forma tecnicamente correta e dentro da indicação, é bastante lucrativo ( claro que se gasta mais, porém o retorno também é maior, pois há um ganho em escala ).

Duas palavras chaves foram usadas acima: técnica e indicação; mas claro, acrescento gestão!

Com relação a ser mesmo micro-produtor, devo admitir que sua duvida é procedente, já que o latifúndio tinha quase 9 ha ( isso mesmo, quase 2 alqueires mineiros - 48.400 m2 o alq - ).

Quanto ao restante do artigo não depende de mim ( como já citei, foi enviado na íntegra aos sites AgriPoint ) e sim de espaço na grade de publicação dos sites.

Assim que as partes 2,3 e 4 forem publicadas ficará mais inteligível e se terá uma perspectiva clara do foco do artigo.

Cordialmente,

Helio Cabral Jr
EDUARDO HADDAD FILHO

AMPARO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 31/05/2010

Helio, gostaria de fazer algumas considerações .
Sou produtor de leite em Amparo a 130 km de São Paulo e a 350km de Apiai, onde compro calcareo a R$55.00 a ton posto na fazenda. Em outra propriedade em MS do Sul o calcareo chega a R$ 88.00. Para se intensificar o manejo é preciso que se forneça ao capim os nutrientes necessários à sua maior produção,fora a correção do solo.Quanto custa isso, se o preço do leite ou da arroba é o mesmo em ambos os locais??
Voce está mais do que certo em divulgar suas ideias.
Só que com este artigo, duvido que voce seja um microprodutor.

Um abraço e obrigado
Não demore muito quanto à continuaçao.
Haddad

HELIO CABRAL JUNIOR

GOVERNADOR VALADARES - MINAS GERAIS

EM 21/05/2010

Caro Marco,

Mais uma vez agradeço sua contribuição, entretanto entre a tendência e o uso consagrado, fico com o segundo ( questão de um certo conservadorismo ou comodismo, não sei bem ), pois é o que a quase totalidade dos produtores e técnicos usam.

Como acho que deixei bem claro, existem situações bem específicas onde se intensivar o uso de pastagens não é indicado, pois se levarmos em conta os fatores da contra-indicação, de uma forma ou de outra irão desaguar na questão econômica, quer seja no desembolso imediato, quer seja no desembolso ao longo do tempo ou ainda ao não se alcançar um patamar que promova o retorno econômico.

As questões de logística podem ser um sério entrave, e entre acreditar que é mais barato intensivar ( apesar das contra-indicações ) e saber na prática que a aquisição de mais terras a custo bem baixo é sim mais economicamente viável na situação especificamente mencionada ( além de mesmo a contra-gosto de muitos, ainda tem-se o fator patrimonial envolvido e que conta e muito! Lembre-se, eu sou associado e freqüento o sindicato dos produtores rurais de minha cidade ).

Quando estiver a campo como técnico e em uma situação de terras muito baratas, proponha a um produtor da localidade intensificar o uso de pastagens ( da terra ) ao invés de adquirir mais terras para expandir a produção deste produtor; ele fará as contas na ponta do lápis e muito jeitosamente lhe dirá: - "Dr., agradeço sua dica mas sai mais barato eu comprar a terra do fulano, e além do mais eu tenho que pensar no patrimônio dos meus meninos... isso ai ( intensificar o uso de pastagens ) fica para depois."

Imagine você como técnico coordenando uma propriedade com manejo intensivo de pastagens, onde o adubo chega pelo dobro do preço das principais praças ( quando chega! ); onde o fornecimento de energia elétrica 24 horas por dia, 7 dias na semana é para dizer o mínimo, não confiável, etc. O que você dirá ao produtor a quem você convenceu a intensificar ao invés de adquirir mais um pedacinho de terra, que ali era barata?

Se você acha que isso não acontece, não vou nem lhe sugerir andar pelo interior, mas sim dar uma rápida participada nos fóruns dos sites AgriPoint e conversar com produtores. Você vai se surpreender como Bélgica e Somália convivem neste nosso "Brasilzão"!

Cordialmente,

Helio Cabral Jr
HELIO CABRAL JUNIOR

GOVERNADOR VALADARES - MINAS GERAIS

EM 19/05/2010

Caro Marco,

Mais uma vez agradeço sua contribuição, entretanto entre a tendência e o uso consagrado, fico com o segundo ( questão de um certo conservadorismo ou comodismo, não sei bem ).

Como acho que deixei bem claro, existem situações bem específicas onde se intensivar o uso de pastagens não é indicado, pois se levarmos em conta os fatores da contra-indicação, de uma forma ou de outra irão desaguar na questão econômica, quer seja no desembolso imediato, quer seja no desembolso ao longo do tempo ou ainda ao não se alcançar um patamar que promova o retorno econômico.

As questões de logística podem ser um sério entrave, e entre acreditar que é mais barato intensivar ( apesar das contra-indicações ) e saber na prática que a aquisição de mais terras a custo bem baixo é sim mais economicamente viável na situação especificamente mencionada ( além de mesmo a contra-gosto de muitos, ainda tem-se o fator patrimonial envolvido e que conta e muito! Lembre-se, eu sou associado e freqüento o sindicato dos produtores rurais de minha cidade ), fico com o que é comprovado.

Quando estiver a campo como técnico e em uma situação de terras muito baratas, proponha a um produtor da localidade intensificar o uso de pastagens ( uso da terra ) ao invés de adquirir mais terras para expandir a produção deste produtor; ele fará as contas na ponta do lápis e muito jeitosamente lhe dirá: - "Dr., agradeço sua dica mas sai mais barato e mais seguro eu comprar a terra do fulano, e além do mais eu tenho que pensar no patrimônio dos meus meninos... isso ai ( intensificar o uso de pastagens ) fica para depois."

Imagine você como técnico coordenando uma propriedade com manejo intensivo de pastagens, onde o adubo chega pelo dobro do preço das principais praças ( quando chega! esse é o principal impecilho ); onde o fornecimento de energia elétrica 24 horas por dia, 7 dias na semana é para dizer o mínimo, não confiável, etc. O que você dirá ao produtor a quem você convenceu a intensificar ao invés de adquirir mais um pedacinho de terra, que ali era barata?

Se você acha que isso não acontece, não vou nem lhe sugerir andar pelo interior, mas sim dar uma rápida participada nos fóruns dos sites AgriPoint e conversar com produtores. Você vai se surpreender como Bélgica e Somália convivem neste nosso "Brasilzão"!

Cordialmente,

Helio Cabral Jr
HELIO CABRAL JUNIOR

GOVERNADOR VALADARES - MINAS GERAIS

EM 19/05/2010

Caro Durval,

Em primeiro lugar muito obrigado por sua participação e mais ainda pelas gentis palavras.

Em segundo, e isso vale para todos, por favor é "você" ou Helio ou Cabral, ou "Helinho" como o pessoal do sindicato rural de GV carinhosamente me trata.

O artigo na verdade já foi todo escrito e encaminhado aos sites AgriPoint em sua totalidade , e por minha sugestão tendo sido dividido em 4 seções porque caso contrário ficaria muito longo e cansativo e poucos leriam sua íntegra, desistindo pelo caminho; na verdade esta é a versão "enxuta" de uma palestra que faço para os produtores rurais ( e que gostam de esportes de resistência, pois ela dura não menos que 3 horas ... ).

Assim que surgir oportunidade na grade de publicação da AgriPoint eles estarão publicando as outras 3 partes.

Cordialmente,

Helio Cabral Jr
DURVAL MIRANDA JUNIOR

GURUPI - TOCANTINS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/05/2010

Dr. Hélio, Que maravilha seu artigo!!! Sou advogado e produtor rural, apaixonado pela atrividade leiteira e de há muito, não vejo tão interessante texto sobre um assunto que muito nos interessa e o que é melhor, escirto de forma simples, didática e bastante objetiva.

Tenho que confessar e neste ponto não podemos perdoá-lo quanto à fragmentação do texto em 4 partes. Será uma verdadeira tortura aguardar a publicação de todas as outras 3.

Seria interessante que os profissionais do setor, ao discorrerem sobre tais temas, seguissem o exemplo dado pelo Doutor, de clareza e precisão na escrita, traduzindo termos de uso menos comum, sempre lembrando que a grande maioria dos produtores, a quem normalmente se dirige a informação, não reúnem maiores conhecimentos técnicos, carência assim de artigos profundos em seu conteúdo mas leves na terminologia empregada em sua redação. Parabéns!!!
RAMON BENICIO LIMA DA SILVA

NITERÓI - RIO DE JANEIRO

EM 17/05/2010

Prezado Helio,

Obrigado por dispender seu precioso tempo em responder minha pergunta.
Certamente o erro foi de digitação. Ficou claro que a EM deve ser expressa em Mcal/Kg de MS e que a fórmula simplificada que expressa esta relação a ser usada é ED = 0,04409 x %NDT.

Mais uma vez obrigado pelo esclarecimento.
Um grande abraço
Ramon Benicio
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 17/05/2010

Prezado Hélio

Sobre o termo produção de massa seca, embora não tenha visto ser muito usado, é atualamente o mais correto quando se refre a produção de massa (nova tendência de uso). Utiliza-se o termo matéria seca para se referir a teores de água na forragem e consequentemente o teor de matéria seca e não de massa seca, o que como já disse, referindo-se a produção por área.
Sobre o seu questionamento em relação a intensificação, não me referi ao aumento de produção como citado por você a ponto de produzir tanto que diminuiria os preços de mercado. No entanto, aproveitando esta colocação e reforço a você quando me referi a intensificar que refiro-me àquele produtor que possui um número "X" de hectares de terra e deseja aumentar sua produção. Assim, a intesificação, conseguiria aumentar sua produção sem desmatar ou qualquer outro problema. Neste caso sim aconselho a intensificação, ou em outras palavras, ele não precisa comprar mais terras, ou avançar na linha das florestas para se conseguir produzir. Sobre seu questinamento sobre dinheiro para investir, acredito ser muito mais barato intensificar do que comprar terras. Além disso, é impossível pensar como você esta pensando que todos irão fazer isso... são etapas a serem cumpridas e consequentemente testadas de forma gradual. Com certeza o mercado ditará as regras e fases a serem cumpridas juntamente com o produtor.
Forte abraço,

Marco Aurélio Factori
HELIO CABRAL JUNIOR

GOVERNADOR VALADARES - MINAS GERAIS

EM 14/05/2010

Caro Ramon,

Muito obrigado pelo incentivo e pelas generosas palavras.

Com relação à sua pergunta, apesar de eu não entender quase nada em termos de nutrição animal, gostaria de lhe perguntar se não houve um erro de digitação quando você cita como uma das formas de se calcular a ED ( digestível ) com % de FDN? Não seria % de NDT?

Pergunto porque o FDN é apenas parte do conteúdo do NDT, que por si só não é das melhores formas de se expressar a ED, entretanto como há abundante disponibilidade de dados sobre NDT de vários alimentos, ele é usado.

O NDT seria o somatório da PB + ( EE x 2.25 ) + CNF + FDN. Para minimizar as distorções todos estes parâmetros deveriam ser acrescidos de um "d" ( dezinho ), para indicar a porção realmente digestível destas frações.

Se realmente tiver havido o erro de digitação, então sim, a ED pode ser expressa usando-se a % de NDT na MS apesar de não ser o mais indicado ( lembrar que no caso de NDT há fatores de ajustes que devem ser aplicados à equação de modo a torná-la mais próxima da expressão real ).

NDT = ( CNFd x 4,2 ) + ( FDNd x 4,2 ) + ( PBd x 5,6 ) + ( EE x 9,4 )

ED( Mcal/kg ) = 0.04409 x %NDT

Como sua pergunta foi em relação à EM, está é igual a ED menos as perdas nos gases, urina e fezes.

Acho que é isso... os vários e excelentes técnicos que contribuem nos sites AgriPoint poderiam me corrigir.

Cordialmente,

Helio Cabral Jr
RAMON BENICIO LIMA DA SILVA

NITERÓI - RIO DE JANEIRO

EM 14/05/2010

Prezado Helio Cabral,

Quero parabenizá-lo pelo excelente artigo, técnico e conciso.

Concordo plenamente com sua observação de que simplesmente intensificar para obter maior produção pode não ser a melhor resposta para aumentar a rentabilidade, a não ser que ambos os empreendimentos sejam vizinhos e comparados entre si.

Outra observação muito importante é questão de logística, a infraestrutura brasileira, uma das piores, maltrata a todos que grande determinação conseguem atingir bons níveis de produtividade, mas na hora do escoamento lá se vai a rentabilidade por água abaixo.

Como já foi dito, em vários posts que tenho participado, nos últimos anos houve o descolamento dos custos de produção dos preços de mercado e com isso as margens dos produtores foi drasticamente reduzida.

Me permita fazer uma pergunta: Vejo em vários papers publicados que a EM hora aparece expressa em kilocalorias ou megacalorias e hora em % de FDN, se a unidade for em % de FDN este % refere-se a % de MS?

Outra vez parabéns pelo artigo, e fico no aguardo de seua continuação.
Um grande abraço.
Ramon Benicio
HELIO CABRAL JUNIOR

GOVERNADOR VALADARES - MINAS GERAIS

EM 06/05/2010

Caro Marco Aurélio,

Muito obrigado por sua contribuição, entretanto quando se mensura a produção de massa de uma pastagem é usual que isso se faça em termos de MS/ha, ou melhor ainda, MS/ha/unidade de tempo ( que pode ser ano, mês, estação, etc ).

Concordo que dizer produção de massa seca de uma pastagem evitaria uma possível (?) confusão com o percentual de MS (matéria seca) da forrageira que compõe o stand desta pastagem, mas apesar de jamais ter visto alguém que tivesse feito tal confusão, há ainda a questão do uso consagrado na linguagem falada e escrita, que é o de MS para mensurar produção de forragem com um mínimo de padronização.

Com relação à segunda parte de sua observação, creio que mereceria uma releitura mais atenta pois o que escrevi é que quando há grandes extensões de terra em uma dada região a valores de mercado muito baixos, não vale a pena economicamente intensivar tais áreas, já que o custo de aquisição de terras seria inferior ao de sua exploração mais intensiva. É óbvio que isto não quer dizer que não se possa fazê-lo. Mas tenha em mente que normalmente tais regiões estão distantes dos grandes centros consumidores, tem problemas enormes de infraestrutura de transporte, armazenamento, energia elétrica, etc.

Uma coisa é um cenário ideal, outra coisa é um cenário real e factível para o produtor rural!

É fato que nossa taxa de lotação média é ainda muito baixa e realmente não precisamos avançar sobre ambientes naturais para aumentarmos nossa produção, mas lembre-se que isto tem um custo, e será que nossa população pode pagar por ele?

E só como provocação, lhe pergunto: para que aumentar a capacidade de lotação generalizadamente e com isso aumentar a produção? Para quem você iria vender tal produção? Quantos pecuaristas quebrariam com esta oferta maior de gado e por consequência depreciação no preço da arroba?

Cordialmente,

Helio Cabral Jr
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 05/05/2010

Primeiramente, parabéns pelo artigo.
Aproveitando gostaria de salientar dois pontos apontados pelo autor ou autores. Sobre a produção do capim, pelo que entendi, os autor refere-se como sendo produção de matéria seca. Pelo que entendo, acredito que seria melhor se referir em termos de produção de massa seca e não matéria seca, abordado muito bem pelo autor, neste último, quando se refere a teor de água e não produção de massa por área. Em segundo lugar, gostaria muito de ressaltar sobre o fato de que, como citado no texto, a intensificação não deve acontecer, ou acontecer menos em áreas maiores, sobre meu ponto de vista a intensificação sempre deve ser feita, mesmo em grandes áreas. No entanto, esta pode ser mais amena. Asssim, intensificando as áreas em questão, aumentaríamos nosso potencial produtivo (tranquilamente dobraremos) utilizando-se de métodos simples, dentre eles o uso da integração lavoura pecuária, bem como o uso racional de adubos orgânicos e químicos sobre as pastegns, de forma estratégica e com baixos custos. Assim e somente assim, não precisaríamos mais avançar sobre as florestas preservando-as e consequentemente produzir e aumentar esta produção, sem mais derrubar uma árvore sequer.