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Manejo de Pastagens para Ovinos. Parte 2

POR ALDA LÚCIA GOMES MONTEIRO

PRODUÇÃO

EM 20/09/2006

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Antes de iniciar, é importante rever os dois conceitos citados acima, taxa de lotação e pressão de pastejo, uma vez que são as "palavras-chave" deste conteúdo.

Conforme já descrito na Parte 1 deste assunto, a taxa de lotação diz respeito ao número de animais por unidade de área (ha) em determinado período de tempo ou ainda, embora menos comumente utilizado, mas também válido, o número de ha/animal. O conceito de pressão de pastejo, por sua vez define a relação entre o número de animais e a quantidade de forragem disponível, ou seja, kg MS disponível ou ofertada por 100 kg de peso vivo por dia.

Os sistemas de produção animal podem ser classificados em dois tipos básicos, de acordo com SILVA e SBRISSIA (2000): sistemas que visam explorar o mérito genético dos animais (produção por animal) e sistemas que visam explorar o mérito genético da planta da pastagem (alta produção de matéria seca por hectare). Essas duas variáveis, desempenho individual e lotação são os fatores determinantes da produção animal em pastagens.

Em qualquer área de pastagem sendo utilizada por animais em pastejo, a produção animal por unidade de área é uma função da produção por animal e da taxa de lotação, ou seja:

Produção animal/área = produção por animal x número de animais/área

O número de animais por hectare que a pastagem pode suportar por unidade de tempo é basicamente função da produção de forragem, condicionada pelos fatores edafoclimáticos e da própria planta forrageira.

É importante destacar que, na maior parte dos sistemas de exploração animal em pastagens, é praticamente impossível manter constante a oferta de forragem de alta qualidade durante o ano, por causa da estacionalidade da produção forrageira que ocorre na região tropical do Brasil, e também pelo estádio fisiológico ou fase do ciclo da planta.

No caso da produção de ovinos, devido à estacionalidade reprodutiva de boa parte das raças produtoras de carne, a época de escassez de forragem pode coincidir com a fase de parição e cria dos cordeiros, o que aumenta a necessidade de forragem disponível.

Assim, é preciso ajustar a disponibilidade de forragem, por meio da alteração do número de animais na área (alteração na taxa de lotação) ou através da oferta de suplementação aos animais. Vale comentar que a forragem disponível por área influencia o consumo de matéria seca. O consumo de matéria seca aumenta à medida que a disponibilidade de forragem aumenta até cerca de 2000 kg MS/ha e então se estabiliza; com elevada disponibilidade de forragem, menor tempo é necessário para o pastejo.

Para se descrever as relações entre a carga animal e produtividade animal em pastagens, foi desenvolvido um modelo por Mott (1960), bastante explorado no manejo das pastagens.

Neste modelo, quando a taxa de lotação - número de animais em pastejo por unidade de área em determinado tempo - é reduzida, os ganhos de peso individuais ou ganhos por animal são máximos. Conforme as taxas de lotação se elevam, os ganhos por animal diminuem, mas os ganhos por área aumentam, até o ponto em que os decréscimos nos ganhos de peso individuais não são compensados pelo maior numero de animais que se encontra na área, identificando-se assim um decréscimo gradual da produção por área, que pode chegar a zero quando as taxas de lotação são muito altas.

Logo, a utilização da lotação adequada para cada espécie forrageira em pastagem deverá resultar no equilíbrio entre ganhos por animal e ganhos por unidade de área, além de assegurar a persistência da pastagem. Observe a Figura 1, que ilustra os conceitos descritos.


Figura 1. Relações entre pressão de pastejo, ganho de peso por animal e ganho de peso por unidade de área. Fonte: Mott (1960)

Conforme pode se observar na Figura 1, verificam-se três possibilidades para a pressão de pastejo no modelo apresentado: subpastejo, pastejo ótimo e superpastejo, que são de grande importância, pois determinam a produção animal e a condição da pastagem em termos de produção, a área provável com espécies desejáveis, plantas invasoras e área descoberta, permitindo, assim, a avaliação da sustentabilidade do sistema.

Subpastejo: refere-se ao baixo número de animais em relação à quantidade de forragem existente. Nesta situação, ocorre perda de forragem (excedente não consumido) e perda de valor nutritivo (alto teor de fibra, baixa proteína), menor digestibilidade e conseqüente redução do consumo desta forragem de baixo valor nutritivo pelos animais.

Superpastejo: refere-se ao número excessivo de animais em relação à quantidade de forragem existente. Esta situação leva à degradação da pastagem, aumento de ocorrência de plantas invasoras, erosão, etc. Em ovinos, há ainda a preocupação com elevadas lotações devido ao grande número de larvas de helmintos infectantes na pastagem.

É importante salientar que as situações de subpastejo e superpastejo podem ocorrer simultaneamente em pastagens mal divididas, principalmente em áreas muito extensas sem divisão de piquetes e/ou com erros na pressão de pastejo.

Deste modo, em áreas com predominância de espécies forrageiras mais palatáveis, ou áreas de maior fertilidade de solos (manchas) deve ocorrer o superpastejo, enquanto em outras áreas com espécies forrageiras de menor preferência dentro do mesmo piquete, poderá se identificar o subpastejo. Isso produz uma condição de extrema desuniformidade da pastagem.

O modelo assume que, sob condições relativamente uniformes da pastagem, o consumo de forragem pelo animal permaneceria constante sob uma grande variação na pressão de pastejo, notadamente em condição de subpastejo. À medida que a pressão de pastejo aumenta, é alcançado o ponto na qual quantidade de forragem disponível se iguala aos requerimentos ou exigências dos animais; e, em taxas de lotação acima desse ponto, o consumo por animal é limitado devido ao excesso de carga, e a produção por animal declina (Figura 1).

Esse modelo apresenta uma pressão de pastejo ótima na qual obtém-se menor ganho por animal do que aquele registrado na condição de subpastejo, mas pode-se atingir máximo rendimento por área, sem contudo, comprometer a sustentabilidade do sistema.

Na prática, a dificuldade da utilização da pressão de pastejo é que ela exige um acompanhamento constante da pastagem, para determinação de sua disponibilidade de forragem; por esta razão, e devido à simplicidade do conceito, a taxa de lotação vem sendo mais empregada ao longo do tempo, apesar de não expressar adequadamente o nível de utilização da pastagem.

Referências

SILVA, S.C. da; SBRISSIA, A. A planta forrageira no sistema de produção. In: Anais do 17º Simpósio sobre Manejo da Pastagem: A planta forrageira no sistema de produção. PEIXOTO et al (eds). Piracicaba: FEALQ, 1999. p. 3-20.

MOTT, G.O. Grazing pressure and the measurement of pasture production. In: International Grassland Congress, 8, England. Proceedings...1960. p.606-611.

RODRIGUES, L.R. de A. ; REIS, R.A. Conceituação e modalidades de sistemas intensivos de pastejo rotacionado. In: Anais do 14º Simpósio sobre Manejo da Pastagem: Fundamentos do Pastejo Rotacionado. PEIXOTO et al (eds). Piracicaba: FEALQ, 1999. p. 1-24.

ALDA LÚCIA GOMES MONTEIRO

Coordena o Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos (LAPOC) da UFPR

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RODRIGO JOSE TOMASI

GAMA - DISTRITO FEDERAL

EM 09/03/2008

Ótimo artigo professora Alda, parabens.
Eu gostaria de saber quantos metros quadrados uma ovelha precisa para pastejo em sintema de rotação, levando-se em conta todos aqueles fatores que interferem na produção de foragem.