ENTRAR COM FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

Mandioca: fonte de energia e proteína na dieta de ruminantes

PRODUÇÃO

EM 25/10/2007

30
0

Por Roberto Guimarães Júnior, Francisco Duarte Fernandes, Eduardo Alano Vieira e Josefino de Freitas Fialho1



Introdução

A utilização de alimentos alternativos na alimentação animal tem se constituído em uma estratégia de grande valia na redução dos custos de produção. A mandioca (Manihot esculenta Crantz) é uma planta nativa do Brasil que possui boas características nutritivas, uma ampla variedade de utilização e que pode ser utilizada na dieta de ruminantes. A sua utilização na alimentação de ruminantes apresenta vantagens, uma vez que ela substitui fontes de alimentos energéticos tradicionalmente utilizados na dieta de monogástricos, e por isso de custo elevado, bem como se constitui em uma fonte suplementar de alimento volumoso e proteínas.

No Brasil estima-se que a área plantada de mandioca seja de 2 milhões de hectares, apresentando uma produtividade média de 13 toneladas de raízes e 12 toneladas de matéria verde de parte aérea por hectare. A cultura apresenta elevado potencial produtivo, chegando a produzir até 25 toneladas de parte aérea e 40 toneladas de raízes frescas por hectare.

A maior parte das raízes da mandioca é destinada à indústria ou ao consumo humano, no entanto, parte da produção inadequada para esta finalidade pode destinada à alimentação animal. Quanto à parte aérea, uma quantidade significativa descartada no campo poderia ser utilizada para alimentação de ruminantes.

Esse artigo tem por objetivo discutir as possibilidades de utilização da planta da mandioca na alimentação de animais ruminantes.

Formas de utilização da mandioca na alimentação de ruminantes

Em termos nutricionais, a mandioca se destaca por ser uma cultura de duplo propósito (Preston, 2001), ou seja, ela pode ser utilizada na dieta como fonte de energia (raízes) e também proteína (parte aérea). A mandioca de mesa ("mansa") pode ser fornecida "in natura" na alimentação de ruminantes sem causar problemas de intoxicação. No caso da mandioca de indústria ("brava") somente deve ser fornecida depois de triturada e exposta ao sol por um período mínimo de 24 horas, em função do elevado teor de ácido cianídrico.

Diversas são as formas de utilização da mandioca na alimentação de ruminantes. No entanto, as principais são: raiz de mandioca fresca; parte aérea de mandioca fresca; silagem da planta integral de mandioca (planta integral, triturada e ensilada); silagem de raiz de mandioca (raiz, triturada e ensilada); silagem da parte aérea da mandioca (parte aérea, triturada e ensilada); feno de mandioca (parte aérea, triturada e seca ao sol); farinha integral ou raspa integral (raiz moída ou picada e seca ao sol); farelo de raspas ou raspa residual (subproduto resultante da extração do amido); farelo de farinha de mesa (subproduto resultante da fabricação de farinha de mesa).

Características nutricionais da parte aérea e raiz de mandioca

A parte aérea da mandioca é constituída pelas hastes principais, ramos e folhas em proporções variáveis. É um material que apresenta elevada concentração protéica (principalmente o terço superior, com teores superiores a 20%) e boa palatabilidade. É rica em vitaminas A, C e do complexo B, e apresenta boa concentração de minerais, sendo incluída, principalmente, na dieta de ruminantes nas formas in natura, feno ou silagem.

A raiz da mandioca é rica em energia, possui baixa quantidade de fibras e proteínas, boa palatabilidade e elevado coeficiente de digestibilidade (Carvalho, 1983). Por essas características vem sendo utilizada na forma fresca, ensilada e desidratada (raspa de mandioca ou farelo de raspa) como uma importante fonte de energia em substituição ao milho em dietas de ruminantes.

Médias de composição química produzidas com dados de vários estudos foram apresentadas por Carvalho (1984), onde a parte aérea da mandioca avaliada quando as raízes estavam em seu estádio ótimo de desenvolvimento apresentou 25% de matéria seca, 16% de proteína bruta, 45,0% de carboidratos, 14,5% de fibra bruta, 7,5% de gordura e 12,0% de cinzas.

A composição química da parte aérea da mandioca e das raízes é significativamente influenciada pela variedade (Carvalho, 1984; Von Tiesenhausen, 1987; Moura e Costa, 2001). Desta forma, a determinação do valor nutricional da parte aérea e subterrânea de variedades de mandioca é de grande interesse para balanceamento racional de dietas na nutrição animal.

Resumo do manejo e preparo das raízes e parte aérea para alimentação animal

Parte Aérea

- Recomenda-se que a parte aérea da mandioca, antes de ser fornecida aos animais, seja picada manualmente ou em picadeiras elétricas e colocadas para secar durante um a dois dias. Este material após secagem é chamado de feno da parte aérea de mandioca;

- Toda a parte aérea pode ser consumida pelos animais. Entretanto, com a utilização de apenas o terço superior da planta (as ponteiras, parte mais tenra da planta), um Feno de melhor qualidade (mais rico em proteínas), será produzido, apesar da menor quantidade de material obtido;

- O fardo de feno, quando bem seco, deverá ser armazenado em lugar fresco e ventilado, para ser utilizado à medida do necessário;

- Outra forma de utilizar a parte aérea é na forma de silagem. Após picada e ainda verde ou fresca, a planta é colocada sob compactação, no silo, até o enchimento total do mesmo. O silo deverá ser vedado com lona plástica, e acima da lona deverá ser colocada uma camada de cerca de 5 cm de terra. Aconselha-se a abertura do silo após trinta dias após do seu enchimento.

Raízes

- As raízes de variedades de mandioca mansa ou macaxeiras poderão ser picadas e fornecidas imediatamente aos animais.

- As raízes de variedades de mandioca para indústria ou bravas, deverão ser picadas, colocadas para secar, durante um a dois dias, antes de serem fornecidas para os animais. Este material após a secagem é chamado de raspa de raízes de mandioca.

- A raspa poderá ser preparada tanto da mandioca para indústria, quanto da mandioca para mesa, principalmente quando se pretende armazenar o produto para fornecer aos animais em períodos de escassez de alimentos. Neste caso a raspa deverá estar bem seca, com, pelo menos 14% de umidade, que na prática poderá ser verificado quando um pedaço estiver riscando como giz.

Pesquisa participativa

O grupo de pesquisa com mandioca da Embrapa Cerrados atua em projetos que visam avaliar e selecionar juntamente com agricultores e extensionistas variedades de mandioca, por meio da metodologia da pesquisa participativa. O principal objetivo desses projetos é a indicação de variedades com maior potencial produtivo, melhor qualidade fisiológica e maior aceitação pelos produtores.

Dias de campo são organizados, com a realização de palestras sobre diversos assuntos relacionados ao tema, como melhoramento genético, cadeia produtiva, pragas e doenças e a utilização da mandioca na alimentação animal. Esse trabalho tem como principais parceiros externos, os Produtores Rurais e a Fundação Banco do Brasil.

Referências Bibliográficas

CARVALHO, J.L.H. A Mandioca - Raiz e parte aérea na alimentação animal. Circular Técnica n. 17, Brasília: Embrapa CPAC, 1983. 44p.

CARVALHO, J.L.H. A parte aérea da mandioca na alimentação animal. Informe Agropecuário. v.119, n.10, p.28-36, 1984.

MOURA, G.M., COSTA, N.L. Efeito da freqüência e altura de poda na produtividade de raízes e parte aérea em mandioca. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.36, n.8, p.1053-1059, 2001.

PRESTON, T.R. Potential of cassava in integrated farming systems. In: INTERNATIONAL WORKSHOP CURRENT RESERCH AND DEVELOPMENT ON USE OF CASSAVA AS ANIMAL FEED, 2001, Khon Kaen. Proceedings. Khon Kaen: Khon Kaen University: SIDA-SAREC, 2001. Disponível em http://www.mekarn.org/procKK/pres.htm Acesso em: 01 de maio de 2007.

VON TIESENHAUSEN, I.M.E.V. O feno e a silagem da rama de mandioca na alimentação de ruminantes. Informe Agropecuário. v.13, n.145, p.42-47, 1987.

Fotos:


Confecção da Raspa de raízes de mandioca
Fonte: Vieira e Fialho (2007). Comunidade em Arinos - MG


Confecção da Raspa de raízes de mandioca
Fonte: Vieira e Fialho (2007). Comunidade em Arinos - MG


Confecção da silagem da parte aérea da mandioca - silo de superfície
Fonte: Vieira e Fialho (2007). Comunidade em Arinos - MG


Confecção do feno da parte aérea da mandioca
Fonte: Vieira e Fialho (2007). Comunidade em Arinos - MG

_________________________________________
1Pesquisadores da Embrapa Cerrados

30

COMENTÁRIOS SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Seu comentário será exibido, assim que aprovado, para todos os usuários que acessarem este material.

Seu comentário não será publicado e apenas os moderadores do portal poderão visualizá-lo.

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

EVILAZIO OLIVEIRA

ARACAJU - SERGIPE - TÉCNICO

EM 02/10/2017

Prezado Professor Roberto



Estou pensando em iniciar um confinamento de nelore(mestiço) à base de mandioca (raízes e parte aérea). Peço a sua gentileza em fornecer uma fórmula que possa ser utilizada para engorda entre 120 e 180 dias. Desde já fico muito grato.




MARCIO HOFFMAN

ALMENARA - MINAS GERAIS

EM 16/05/2017

Solicito formular raçao com parte aerea da mandioca, cana e ureia, para engorda de vacas nelores.

Att.
PEDRO CONSTANTINO

SALINAS DA MARGARIDA - BAHIA

EM 12/04/2017

professor bom dia estou criando suino tenho uma plantação de aipim e capim de corte o senhor tem formulação de ração com este alimentos estou comprando um saco de farelo de soja por 100,00, e farelo de milho por 35,00 quero diminuir este custo desde já agradeço, meu endereço:    pastorpedroconstantino@gmail.com
JOSÉ PEDRO RIBEIRO DOS SANTOS

TAPAUA - AMAZONAS - OVINOS/CAPRINOS

EM 15/12/2016

Prezado Professor Roberto,

Estive pesquisando sobre a silagem de mandioca enriquecida com 3% de uréia. Encontrei  duas pesquisas com diferentes resultados. Uma com 17% PB e outra com 23% PB. Gostaria de pedir sua opinião a respeito. Grato.
ADRIAN DA SILVA BARRETO

NOVA VIÇOSA - BAHIA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 09/03/2016

Bom dia, Gean, segue a baixo algumas aplicações de cultivares de Mandioca ( de mesa ) ou não para a alimentação de ruminantes em diferentes etapas.



1459Recomendações de Ração suplementar para vacas leiteiras em produção.



                         A (SOJA)                    B (ALGODÃO)



Farelo de Raspa de Mandioca          60%                         59%

Farelo de feno da parte aérea          26%                         26,5%

Soja / Algodão                    12%                         12,5%

Uréia + Sulfato de Amônia            1%                           1%

Mistura Mineral                      1%                           1%

Total                                 100%                         100%

___________________________________________________________________________

                              14% P.B.                    14% P.B.

                              69% N.D.T.                    60% N.D.T.

___________________________________________________________________________



Como Prepara a Mistura Úréia + Sulfato de Amonia:

9 partes de uréia + 1 parte de sulfato de amonia, mistura-se bem, e coloca-se 1 Kg para cada 100 Kg da ração.

_________________________________________________________________________

RECEITA



Vacas de leite de 400 Kg de P.V. / com produção diária de até 15 litros.

650 g. da ração por cada litro de leite produzido, durante 14 dias;

após os 14 dias, 650 g de ração sobre o ganho.

Ex.          Produção anterior          3 litros/dia = 1.950 g. ração

          Após os 14 dias          5 litros/dia =

          Ganho               2 litros/dia = 1.300 g ração.

Ministrado em apenas 1 vez pela manhã, ou ½ de manhã e ½ de tarde.

                                             Dr. Pedro/ EMBRAPA CNPMF

                                             Fone: (075) 721 2120

Recomendações de Ração suplementar para vacas leiteiras em produção



Considerações :

     As vacas estão em pastagem de brachiária de baixa qualidade

     A suplementação foi calculada para atender as exigências nutricionais de proteína e energia apenas para produção de leite.

     As vacas deverão ter à disposição mistura mineral de boa qualidade.



                           Suplementação    

              Produção de leite ( litros)

           6      a      7           8    a     10

Feno de Parte Aérea de Mandioca ( kg/vaca/dia)

Farelo de Trigo  ( kg/vaca/dia)                   1,5

              2,0                 2,5

            3,0



                    Salvador, 12 de Agosto de 1999

Joâo Alberto de Jesus Paiva

EMBRAPA/EBDA

Central de laboratórios da agropecuária

RAÇÃO PARA BEZERROS



Para bezerros, podem-se preparar as seguintes misturas:



MISTURA 1 (23)                                                       %



FARELO DE RAIZ DE MANDIOCA                                        50,0

TORTA DE AMENDOIM OU FARELO DE SOJA                              42,5

FARINHA DE OSSO AUTOCLAVADA                                          6,0

SAL COMUM                                                         1,5



MISTURA 2 (22)



LEITE DESNATADO                                                 1 LITRO

FARELO DE RAIZ DE MANDIOCA                                        40,0



A Mistura 1 pode ser fornecida aos bezerros a partir do 8° dia. Além desse concentrado, fornecer também leite 3 litros até a 5ª semana e feno de boa qualidade. O consumo dessa mistura por animal deve ser de 90 Kg em 120 dias.

A Mistura 2 pode ser fornecida aos bezerros no lugar do leite integral, em complementação de outros alimentos.



Novilhos de Corte



As tabelas a seguir são destinadas a novilhos de corte.



MISTURA 3 (3)                                                       %

FARELO DE RAIZ DE MANDIOCA                                        50

FARELINO DE TRIGO                                                  30

FARELO DE ALGODÃO                                                  20



MISTURA 4 (3)                                                       %

FARELO DE RAIZ DE MANDIOCA                                        50

FARELO DE PARTE AÉREA                                             20

FARELO DE ALGODÃO                                                  30



MISTURA 5 (3)                                                       %

FARELO DE RAIZ DE MANDIOCA                                        45

FARELINHO DE TRIGO                                                  40

FARELO DE ALGODÃO                                                  10

FARELO DE SOJA                                                         5



MISTURA DE 6 (23)                                                       %





FARELO DE RAIZ DE MANDIOCA                                        90

URÉIA                                                            10

Considerando a idade dos novilhos, o peso e o volumoso (capim-elefante), milho, palhada) que recebem, fornecer de 1 a 3,5 Kg das misturadas 3,4 e 5 por animal/dia.



A mistura 6 deve ficar homogênea e seu fornecimento aos animais deve ser gradativo, até que eles, num período de mais ou menos 20 dias, se habituem com a uréia.



Uma das maneiras de fornecimento de uréia é diluí-la em um pouco de água e jogar no cocho, em cima da ração, como, por exemplo, capim-elefante e farelo de mandioca.



Novilhos ou bois adultos comem de 3 a 8 Kg/dia de mandioca, além do suplemento protéico e do volumoso (23)



Vacas em lactação



A raiz de mandioca pode substituir integralmente o milho, na ração de vacas em lactação, desde que acompanhe um suplemento protéico conveniente. A inclusão da raspa de mandioca representa uma grande economia nos custos da ração.

Pode-se tomar como base um dos seguintes concentrados:



RAÇÃO PARA VACAS DE LEITE EM LACTAÇÃO

                                                                      

MISTURA 7 (3)                                                       %     

FARELO DE RAIZ DE MANDIOCA                                        35

FARELINHO DE TRIGO                                                  20

FARELO DE BABAÇU                                                  30

FARELO DE ALGODÃO                                                  15

                                                                      

MISTURA 8 (3)                                                       %     

FARELO DE RAIZ  DE  MANDIOCA                                        20

FARELO DE ARROZ                                                  30

FARELO DE MILHO                                                  10

FARELO DE ALGODÃO                                                  40



MISTURA 9 (18)                                                       %

FARELO DE PARTE AÉREA                                             35

FARELINHO DE TRIGO                                                  20

FARELO DE ARROZ                                                  20

FARELO DE ALGODÃO                                                  25

RAÇÃO PARA VACAS 10 LITROS ACIMA



MISTURA 10 (4)                                                       %

FARELO DE ALGODÃO                                                  53,5

FARELO DE MILHO                                                  11,0

FARELO DE RAIZ DE MANDIOCA                                        33,5

FOSFATO DE BICÁLCIO                                                    1,0

SAL COMUM                                                         1,0







MISTURA 11 (9)                                                       %

FARELO DE RAIZ DE MANDIOCA                                        50

FARELINHO DE ARROZ OU DE TRIGO                                        20

FARELO DE ALGODÃO                                                  30



MISTURA 12 (3)                                                       %

FARELO DE RAIZ DE MANDIOCA                                        20

FARELO DE SOJA                                                       20

FARELO DE PARTE AÉREA DE MANDIOCA                                   30

FARELO DE BABAÇU                                                  30



Os concentrados 9,10,11 e 12 podem ser fornecidos à razão de 0,3 Kg para cada litro de leite que a vaca produz. Assim, uma vaca que produz 10 litros de leite deve comer 3 Kg de concentrado, além do volumoso. A quantidade de mistura a fornecer varia conforme a quantidade e a qualidade do volumoso que o animal recebe. Para vacas com produção inferior a 5 Kg de leite não se deve fornecer concentrado.



Ovinos e Caprinos



Os concentrados para bezerros e novilhos de corte servem para caprinos e ovinos de modo geral, na proporção de 0,1 a 0,6 Kg/cab/dia, além do volumoso.

Os concentrados para vacas leiteiras 7,8,9,10,11 e 12 podem ser fornecidos a cabras em lactação, na quantidade de 0,3 a 0,6 Kg/cab/dia.



A raiz da mandioca, na alimentação dos monogástricos



Suínos



Apesar de ser um bom alimento para suínos, em razão do seu alto valor energético e baixo teor em fibras, a raiz da mandioca não é largamente empregada no balanceamento de rações para esses animais. Além do seu bom valor alimentar, economicamente mais viável que os cereais, em certas regiões.

A raiz de mandioca-mansa pode ser empregada no estado fresco, desidratada, triturada ou como raspa, permitindo o consumo voluntário durante o período de crescimento e terminação. Nas fases de pré-gestação e gestação deve ser fornecida em quantidades controladas, de mistura com porções limitadas de concentrados que contenham altos níveis protéicos. Essa  mistura deve resultar numa ração balanceada entre 14 a 16 % de proteína.

     O emprego de concentrados protéicos com mandioca fresca reduz em até 41,4% os custos de produção de suínos, na fase de crescimento e de terminação (12). A raiz, transformada em farelo, pode ser fornecida, com algumas restrições, durante toda a fase de crescimento dos suínos. Entra no balanceamento de rações, juntamente com outros alimentos, de preferência protéicos, para uma boa eficiência.

     O fornecimento de mandioca ensilada para suínos deve ser igual ao dos demais alimentos volumosos (mandioca fresca, banana, batata-doce e outros). Para forçar o animal a consumir maior quantidade de silagens e, assim, reduzir os custos convém fornecer o concentrado em quantidades pequenas, mas que satisfaçam às necessidades diárias de proteína, vitaminas e minerais. O concentrado pode ser misturado com a silagem ou fornecido em comedouro separado. Quando oferecido separadamente, é importante que o tamanho do comedouro permita o acesso a todos os animais do grupo ao mesmo tempo.

     As misturas devem ser postas à disposição dos animais para que comam à vontade. A Mistura 13 destina-se a animais de 20 a 30 Kg, a Mistura 14 para animais de 35 a 60 Kg e a Mistura 15 para animais de 60 a 90 Kg .



SUÍNOS

ANIMAIS 20 A 30 KG



MISTURA 13 (26)                                        (%)



FARELO DE SOJA                                        29,65

FARELO DE MILHO                                        33,00

FARELO DE RAIZ DE MANDIOCA                         32,00

SUPLEMENTO MINERAL VITAMINADO                      0,15

FOSFATO BICÁLCIO                                          2,00

ÓLEO DE MILHO                                          0,15

METIONINA                                               0,15

SAL                                                         0,50



ANIMAIS  30 A 60 KG



MISTURA 14 (26)                                              (%)



FARELO DE SOJA                                        27,00

FARELO DE RAIZ DE MANDIOCA                         66,35

SUPLEMENTO MINERAL VITAMINADO                      0,15

FOSFATO BICÁLCIO                                          2,00

ÓLEO DE MILHO                                          3,80

METIONINA                                               0,20

SAL                                                         0,50



ANIMAIS 60 A 90 KG                                        (%)



MISTURA 15  (26)



FARELO DE SOJA                                        25,55

FARELO DE RAIZ DE MANDIOCA                         67,80

SUPLEMENTO MINERAL VITAMINADO                      0,15

FOSFATO BICÁLCIO                                          2,00

ÓLEO DE MILHO                                          3,80

METIONINA                                               0,20

SAL                                                         0,50



EMBRAPA - CNPMF








GEAN RAFAEL

MOSSORÓ - RIO GRANDE DO NORTE - ESTUDANTE

EM 08/03/2016

Ola Roberto, tudo bem?

gostaria que você me informa-se se tem algum formula de ração utilizando a mandioca e a maniva, junto com outros concentrados, como por exemplo, Torta e milho, para gado de corte. ( alguma formulação utilizando a mandioca e a parte area para bovino de corte?)...
HUGO BEZERRA

EM 16/12/2015

Prof.Roberto, já uso mandioca a muito tempo em gado de corte. Tenho uma maquina da laboremos a tcl que trituro a mandioca com tudo, passo inoculante apropiado e ensilo em sacos de 200 platico por 21 dias. Ultimamente estou adicionado 20%de milho. E dou em media 2quilos por animal mas cana picada. O que me diz. Gostei de encontra sua matéria. Acredito que vamos chegar más longe. E atingir o topo
MARCOSWILSONFONTES

CASTRO ALVES - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 16/10/2015

Sr. Marinho do Vale ,



uso a parte aérea da mandioca há mais de 10 anos e nunca tive problemas de intoxicação. Corto o material num dia e uso no outro , ou seja, 24 horas de descanso. Os animais consomem avidamente , principalmente quando há muitas folhas. Acho que com esse cuidado , você pode dar aos animais sem problemas. Mas sugiro uma adaptação no início.
MARINHO DO VALE MASCARENHAS

MANAUS - AMAZONAS - ESTUDANTE

EM 07/08/2015

Caro roberto.

Entendo os riscos do ácido cianídrico ao rebanho, mas sabemos que existe uma tolerância e tanto por isso existem inúmeras "reportagens" no youtube citando a adição da maniva (raiz+parte aérea) à cana de açúcar e servindo "imediatamente" ao gado; mas, infelizmente, não é informada essa formulação/proporção.

Pediria que me auxiliasse nessa questão,  pois no Amazonas temos a maniva verde o ano todo e não haveria necessidade de eu fazer um silo, apenas necessitaria de triturar a quantidade diária de cana e maniva que o gado precisa.

Qualquer ajuda nesse sentido será de grande valia.

Obrigado.
ALDO

CAMPOS DOS GOYTACAZES - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/11/2014

posso ensilar a raiz junto com a parte are no tambor de duzentos litros , poso dechar a raiz tomar um dia de sol e so bater a terra na hora de picar sem lavar
RAMON FERRAZ RAMALHO

TEIXEIRA DE FREITAS - BAHIA

EM 11/07/2014

Prezado Roberto,



Adorei muito o conteúdo de sua pesquisa,foi um grande conhecimento pra mim.

Gostaria de saber qual a concentração dos ingredientes, pra um pequeno confinamento de bois utilizando  raspa de mandioca?



Grato!!!

Ramon F.Ramlho
CLEIA MORAIS OLIVEIRA DAMACENA

PALMAS - TOCANTINS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 01/07/2014

Possuo 3 leiteiras  cruzadas (gir/jerseye) e as crio  em uma área muito pequena , 2500 m2 aproximadamente, subdividido em 5 piquetes. A pastagem formada é mambassa e dado as condicões climáticas ( muito sol e vento) estou com pouco pasto.Tenho um pouco de cana roxa, um pouco de cameron e mandioca mansa. Gostaria e saber se posso utilizar a mandioca ( raiz e caule) associado ao capim e cana  e qual a proporcão.

Caso seja necessário utilizar outro tipo de amido, proteínas e minerais favor  informar-me também.

Grata pela oportunidade,aguardo resposta

Cleia Morais
ABILIO SILVA MOURÃO NETO

RIO BRANCO - ACRE

EM 20/10/2011

Gostaria de saber se essa mistura a base de mandioca( raiz e parte aérea) pode ser fornecida como alimento para peixes ( tambaqui, piau, curimatã entre outros)?.
CLAUDIONOR COSTA DÓREA

UMBAÚBA - SERGIPE - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 29/05/2011

Professor, gostaria de saber se existe perdas significativas na produção de feno da parte aerea da mandioca, se no processo de fenação a materia apos picada na forrageira seja PRENSADA para reduzir a umidade e depois seca em forno de leito fixo, devido a epoca de maior colheta seja justamente a epoca de muita chuva, sendo impraticavel secar ao sol?
ADRIAN DA SILVA BARRETO

NOVA VIÇOSA - BAHIA - TÉCNICO

EM 04/10/2008

Muito obrigado pela ajuda. Tenha um bom final de semana. Grato!

ADRIAN BARRETO
EAFCOL-ES 00/02
SONIA EMI SATO

REGENTE FEIJÓ - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 01/10/2008

Prezado Roberto

Tenho atuado junto a pequenos produtores de leite em sistema de pastejo rotacionado e na região existe uma boa oferta de residuo de fecularia que os produtores ja utilizam denominado por eles de massa de mandioca. Uma analise bromatologica desse material apresentou os seguintes resultados MS 15% proteina 4% e NDT 68%. Minha duvida é ate que quantidade pode ser fornecida ao animal.

Muitos prosutores utilizam no cocho com a cana em ate 50% com correções da proteina com ureia ou outros produtos. Minha principal preocupação é se há perigo de intoxicação por excesso do produto visto que pelo baixo custo e grande oferta a utilização desse material não tem muito controle uma vez que é bem aceito pelos animais e na linguagem do produtor "aumenta o leite´´.

Atenciosamente

Sonia
ROBERTO GUIMARÃES JÚNIOR

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PESQUISA/ENSINO

EM 30/09/2008

Prezado Adrian,

Conforme respondido anteriormente numa pergunta similar, a dieta a ser fornecida para as suas vacas irá depender de uma série de fatores, além da produção média diária. Para manter esse nível de produção, seus animais deverão ser suplementados com uma mistura concentrada, cuja quantidade e composição dependerão da base volumosa utilizada. Você pode usar a raspa de mandioca como a fonte energética do seu concentrado, como exemplo envio-lhe a fórmula a seguir, cuja composição química média é 90% de matéria seca, 22% de proteína bruta (PB), 75% de nutrientes digest´veis totais (NDT), 1,5 % cálcio e 0,6% de fósforo.

Concentração dos ingredientes:
Raspa de mandioca - 55%
Farelo de soja - 40%
Uréia - 1%
Calcário calcítico - 2,5%
Fosfato bicálcico - 1,5%

Atenciosamente,

Roberto
ADRIAN DA SILVA BARRETO

NOVA VIÇOSA - BAHIA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 29/09/2008

Bom dia,
Moro no Sul da Bahia fazendo divisa com o estado do Espirito Santo e Minas Gerais.

Tenho um rebanho com 15 vacas dde primeira e segunda cria de raça girolando, para produzir 12lt/dia no sistema de piquete rotacionado, e complementaçao com a raspa aérea e raspa da raiz da mandioca(mansa),qual o balanceamento dietético que eu poderia fazer para estes animais?

Obrigado.

Adrian da Silva Barreto
ROBERTO GUIMARÃES JÚNIOR

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PESQUISA/ENSINO

EM 04/08/2008

Prezado Antônio Cláudio Analio,

A resposta à sua indagação é similar a dada anteriormente ao Sr. Marcos José. De forma prática, para este nível de produção, você pode substituir o milho do seu concentrado pela raspa de mandioca. Para isto, faça inicialmente uma análise de composição química da raspa, para que o concentrado seja balanceado de modo a manter a mesma concentração de nutrientes do concentrado anterior.

A casquinha de soja possui, em média, cerca de 12% de proteína bruta na matéria seca (NRC, 1989). Você pode misturá-la ao volumoso, mas geralmente ela faz parte da mistura concentrada.

Atenciosamente,

Roberto
ANTONIO CLAUDIO ANALIO

TAUBATÉ - SÃO PAULO

EM 26/07/2008

Professor, gostaria de saber qual porcentagem devo usar de quirerão para balancear uma ração para vaca de leite de 10L/dia junto com cana triturada. Qual teor de proteina têm as sobras da soja em forma de casca e qual a seria melhor forma de utilizá-la? Obrigado.