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Lona para a vedação da silagem: Estamos sendo enganados?

POR THIAGO FERNANDES BERNARDES

E RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PRODUÇÃO

EM 18/11/2008

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Dentre as etapas que contemplam o processo de ensilagem, a vedação é aquela onde ainda encontram-se muitas dúvidas, seja pelo tímido investimento dispensado em pesquisa específica, como também pela cultura de descaso a essa fase do processo, geralmente sub-valorizada, face a maior importância relativa das etapas de enchimento e compactação da massa ensilada e uso de aditivos.

Contrariando a expectativa geral, as falhas na vedação podem comprometer seriamente a eficiência na conservação de forragens devido ao ingresso de ar na massa, o que se traduz em aumento da temperatura, das perdas pela presença de fungos e possível contaminação de produtos de origem animal (exemplo: leite) com microrganismos indesejáveis.

Por esses motivos, a lona de cobertura passa a ter uma contribuição muito expressiva na etapa de vedação do silo, objetivando a redução da penetração de ar do ambiente externo para o interior da silagem. Em silos do tipo superfície, a presença da lona se torna mais relevante, quando comparado ao silo do tipo trincheira, devido à ausência de paredes laterais para proteção da massa.

As características mais importantes de uma lona para a vedação da silagem são: Espessura, Coloração e Polímero (os) utilizado (os) na confecção do filme. As tipologias dos filmes plásticos utilizados no Brasil para a cobertura de silagens apresentam o polietileno como principal polímero, entre as cores o preto e dupla face e espessuras diversas variando de 150 a 300 micras.

Como as práticas associadas à vedação são consideradas precárias no nosso país, Bernardes et al. (2008) desenvolveram uma pesquisa com o objetivo de estudar estratégias de vedação da massa de silagem avaliando diversas lonas comercializadas no mercado interno e no exterior.

Para a surpresa dos autores, as lonas que são comercializadas no nosso país (150 e 200 micras de cor preta e 200 micras dupla face) não apresentam a espessura que os fabricantes divulgam no rótulo da embalagem. Ao analisarmos a Figura 1, percebe-se claramente que a espessura verdadeira (realmente a lona apresenta) é muito inferior da dita pelas indústrias produtoras dos filmes.

A lona de cor preta e "espessura" comercial de 150 micras, por exemplo, apresentou 81 micras a menos da divulgada pelo fabricante. Segundo Kuzin & Savoie (2001), as perdas nas áreas periféricas do silo são influenciadas pela espessura da lona. Ainda segundo esses autores, quanto menor for a espessura, maiores são as perdas ao longo da estocagem, pois as flutuações da temperatura (evidente entre o dia e a noite) determinam diferenças de pressão entre o gás no interior do silo e aquele da atmosfera, em que tais diferenças causam fluxo de gás, do exterior para o interior e vice-versa, quanto maior for a permeabilidade da lona.

Figura 1. Espessura comercial e verdadeira de lonas utilizadas na vedação de silagens.

Clique na imagem para ampliá-la.

Além deste problema, que envolve a espessura da lona, nós enfrentamos uma outra dificuldade que é a vida útil do plástico quando este é exposto ao ambiente. Como a aditivação contra os raios ultra-violeta é considerada de alto custo pela indústria plástica, algumas lonas têm apresentado "rasgos" espontâneos quando exposta à radiação solar por um período ínfimo de tempo.

Observa-se na Foto 1, que a presença da abertura na lona não é devido ao ataque de animais (roedores, pássaros ou cachorro do mato), como geralmente ocorre, mas pela exposição do filme aos raios solares e uma possível ausência (ou pequena quantidade) do aditivo na face externa do plástico para que este pudesse resistir a presença da luz solar.

Portanto, este artigo vem alertar os (as) senhores (as) sobre as condições em que nos encontramos quando o assunto é uso de lona na vedação da silagem no mercado brasileiro. Algumas empresas nacionais produtoras destes filmes não estão demonstrando idoneidade e quem é prejudicado com este cenário são os pecuaristas que fazem uso dessas lonas.

E se não bastasse as dificuldades que os produtores enfrentam no dia-a-dia, agora nós temos mais esta...

Foto 1. Rompimento espontâneo da lona após um período de exposição ao sol de três meses.

THIAGO FERNANDES BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

Zootecnista pela Unesp/Jaboticabal.
Mestre e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP.
Gerente de Nutrição na DeLaval.
www.facebook.com.br/doctorsilage

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MARCELO MOREIRA ANTUNES

PASSO FUNDO - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 25/11/2018

Caro Jose Luiz M Garcia. Procure pela empresa Agropecuária Boqueirão, de Passo Fundo/RS. Trabalho sério e consistente em silagem de milho, com foco principal no processo de vedação.
DJALMA ROITER

SALVADOR - BAHIA - OVINOS/CAPRINOS

EM 05/08/2018

muito util estes comentarios, o governo devia fiscalisar, exigindo dos fabricantes que entregasem aquilo que consta na publicidade, como sempre o consumidor é enganado e as autoridades nada fazem
THIAGO FERNANDES BERNARDES

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 11/09/2017

Caro Luis,



Como você pode perceber, este artigo foi escrito em 2008 (quase dez anos atrás). Ou seja, de lá pra cá algumas coisas mudaram. Lonas importadas entraram no mercado e isso fez a indústria nacional se mexer.

Nem todas as companhias melhoraram verdadeiramente o produto, mas pelo menos uma delas (que eu tenho informação) atualmente dá garantia de vida útil da lona sob o sol e isso é fantástico.

Por que? Porque além da baixa qualidade da matéria-prima que você mencionou, a maioria das companhias não tratam os filmes plásticos contra raios UV e isso é essencial.

Os produtores precisam ficar atentos a isso já que não há fiscalização quanto a qualidade dos plásticos. Desse modo, devem exigir das companhias uma vida útil.



Att,



Thiago e Rafael
LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

GOIÂNIA - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 11/09/2017

Bom Dia Caros amigos Dr Rafael e Dr Thiago

Realmente é um tema palpitante este que vcs abordam na reportagem.

Entretanto, gostaria de escutar vossos comentários no sentido da pureza das matérias-primas envolvidas na fabricação das diversas lonas e também da densidade encontrada entre as elas.

Creio que estes 2 ítens também colaboram muito nos resultados obtidos.

Já usamos lonas de 125 micras segundo o fabricante e pelo cálculo que fazemos e os resultados tem sido ótimos quanto a baixa deterioração e redução de volume do silo.

No sentido de preservar possíveis falhas nas lonas convencionais, usamos um filme de barreira de O2 de nome Silostop. Os resultados são excelentes.

Abs

Luis Einar Suñé
PAULO OLIVEIRA

EM 20/08/2017

Isso é um absurdo mesmo!! Para onde posso enviar uma amostra de lona pra verificar se realmente tem 200 micra?
JOSE LUIZ M GARCIA

PLANALTO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/01/2009

Prezados Autores,

Parabens pela pesquisa que demonstrou o que nós todos já sabemos, isto é, o Brasil é um país de fraudadores, pois não existe o chamado "law enforcement", ou seja, a verificação de que leis estejam sendo, de fato, cumpridas.

Existem leis, mas não existe a fiscalização controladora e punitiva.

A fiscalização, quando existe, visa achacar as pessoas.
Em um país onde se falsifica até o mais sagrado dos alimentos, que é o leite, gasolina, requeijão, condimentos, etc., porque não iriam falsificar ou fraudar uma simples lona para silagem?

É preciso dar nome aos bois.

Já que não podemos dar nome as más empresas pois isso tem uma série de complicadores, então que se dê o nome das boas empresas.

Para efeitos práticos, estou no momento procurando lonas de boa qualidade com 200 micras, dupla face, para silagem. Em quais empresas eu posso confiar?

Atenciosamente.
JADER CESAR BATISTELA

GENERAL SALGADO - SÃO PAULO - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 19/12/2008

Gostaria de saber quais marcas de lonas são essas, porque eu trabalho com vendas de lona tambem e por isso tinha interesse de saber quais são as boas e as ruins, para eu poder comprar as lonas corretas. Quem me falou desta materia foi um cliente meu que gosta de qualidade.

Desde de ja agradeço e parabenizo as pessoas que fizeram estes testes.
Obrigado.
ALCINDO LORENZI

IPORÃ - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/12/2008

Que país é este! INMETRO nestas empresas!!
JOSÉ ALBERTO MALUF

CACHOEIRA DE MINAS - MINAS GERAIS - VAREJO

EM 18/12/2008

Excelente artigo.

Endosso quase todos os comentários anteriores, em especial a falta de responsabilidade de fabricantes irresponsáveis que vendem "gato" por "lebre".

Como obter indenização por perdas e danos visto que no silo foi aplicado material, mão de obra e outros tantos custos e que amparo legal poderemos nos socorrer?

Espero que as autoridades compentes ao lerem o artigo possam de alguma maneira resgatar nossos prejuízos.
LUCIO FLAVIO CARNEIRO MACEDO

GOIÂNIA - GOIÁS - ESTUDANTE

EM 16/12/2008

Meus parabéns pelo artigo que relata a verdadeira situação do que está acontecendo com os produtores rurais no que se diz respeito a produção, um verdadeiro descaso de algumas empresas seja ela de insumos ou de outros produtos relacionados à atividade objetivando unicamente o lucro e o dominio de mercado sem se preocupar com os produtores que são os que sentem na pele esse desrespeito, cabe as autoridades governamentais aumentarem as fiscalizações e com mais vigor para tentar coibir essas ações de pleno desrespeito com a atividade agropécuaria.
JEHNIFFER XANDRA ALVES

SÃO LUÍS DE MONTES BELOS - GOIÁS - ESTUDANTE

EM 12/12/2008

Parabéns, gostei muito da reportagem. Acredito que é justamente esse um dos papeis dos profissionais das Ciências Agrárias, defender os interesses dos produtores rurais.
ELISABETH REGINA LEBBINK BALDRATI

CARAMBEÍ - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/12/2008

Excelente reportagem, pois apos tanto custo, ainda passamos por perdas grandes. Que fiquem atentos os compradores destas lonas.
MARRIBE

MIRASSOL D'OESTE - MATO GROSSO - DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS (CARNES, LÁCTEOS, CAFÉ)

EM 11/12/2008

Caros colegas venho parabenizar pela matéria, realmente são atitudes como estas que fazem muitos acordarem e irem atrás de seus direitos, creio que as vezes são lutas intermináveis, mas com certeza não deixam de ser uteis.

Cabe a cada um analisar, verificar e ter consciencia critica quando for adquirir qualquer produto, pecamos muito quando olhamos só preço.

Abraços!
AUGUSTO MARTINS

RIO VERDE - GOIÁS - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 11/12/2008

Poderia ser desenvolvida uma pesquisa com vários fabricantes para listar aqueles que melhor se enquadram no padrão. Isso seria uma ferramenta importante na hora da aquisição das lonas.
BEATRIZ VIEIRA PAES

URUPEMA - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 10/12/2008

Foi de grande utilidade o artigo esclarecendo sobre a lona plastica na formação do silo. Na minha região (clima bastante frio no inverno), usamos muito a silagem de milho e o silo de superfície. Obrigada
IVAN RÉGIS DALLAZEN

RIO DAS ANTAS - SANTA CATARINA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 10/12/2008

Parabenizo a materia. Seria interessante que os produtores questionassem via revendas, e ate mesmo aos fabricantes, quais parametros sao utilizados para a produção das mesmas, pois é muito dificil encontrar lonas plasticas com peso e caracteristicas idênticas.
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 09/12/2008

Prezado Júlio César de Cerqueira Fidelix,

Acreditamos que o uso de 2 lonas encarecerá a produção da silagem. O mercado conta com lonas de qualidade e essas lonas garantem uma preservação satisfatória.
Atenciosamente
Rafael e Thiago
RICARDO FELIPE SEIBEL

GUARACIABA - SANTA CATARINA - VAREJO

EM 04/12/2008

Prezados Rafael e Thiago
Eu já me manifestei anteriomente quanto ao assunto, mas entendo ser pertinente informar a todos que tomarem conhecimento desta matéria, que é de fundamental importância para os produtores de leite, que existe uma fórmula matemática que nos dá uma idéia da espessura da lona. Essa fórmula é a seguinte:

Micragem= Peso da lona (bobina) dividido por m² dividido por 0,923
(que é uma constante)

Também existem empresas que fornecem o peso da bobina, e para ajudar a entender melhor a questão, informo as seguintes bitolas:
bobina de 50 X 8 X 150 (micras) = 53* kg. (lona de 400 m² de 150 micras).
bobina de 50 X 8 X 200 (micras) = 66* kg. (lona de 400 m² de 200 micras).
* peso aproximado.

Ainda é importante informar que as empresas comercializam lonas com micragem aproximadas. Por exemplo, lona de 200 micras para as empresas normalmente possuem em torno de 170/177 se fizermos o cálculo acima; lona de 150 micras, tem em torno de 140/145, e assim por diante.
Para finalizar, o importante é termos esses conhecimentos e comprar as lonas de fornecedores idôneos e da sua confiança.

Atenciosamente,
Ricardo Felipe Seibel, Méd. Veterinário
JÚLIO CÉSAR DE CERQUEIRA FIDELIX

IMPERATRIZ - MARANHÃO - ZOOTECNISTA

EM 04/12/2008

A silagem é a principal e mais viável alternativa à bovinocultura no período da seca. Por isso, o material vedante do silo (lona, na maioria das vezes) deve ser realmente de qualidade, evitando perdas por decomposição da silagem.

São informações como estas que nos fazem abrir os olhos perante problemas quase invisíveis, como a verdadeira espessura dos materiais vedantes. Agradeço ao Engenheiro Agrônomo Thiago Fernandes, ao Zootecnista Rafael Camargo e ao empresário Ricardo Seibel, pelas informações e cálculos ensinados.

Desejo saber se, como alternativa a driblar as especificações "enganosas" dos materiais citados, é viável e eficaz utilizarmos, ao invés de lonas espessas ou de dupla face, duas ou mais lonas mais finas para vedar o silo. Na minha opinião, a lona mais externa estará em contato direto com os raios solares, porém, a(as) mais interna(as), estará(ão) bem mais "protegida(as)" que a externa.

ps: "Não há o sábio que não tenha o que aprender e nem o tolo que não tenha o que ensinar"
JACKSON NEWTO DO NASCIMENTO

MILHÃ - CEARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/12/2008

Parabenizo a materia, pois o nosso produtor está sendo muito enganado. Não só na lona plastica mas em varios outros setores, como por exemplo o sal mineral; pois isso que sirva de exemplo que ele está gastando e oferecendo um volumoso de má qualidade ao seu rebanho.

Atenciosamente,
Jackson