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Linfadenite Caseosa ou "Mal do Caroço"

POR VICENTE DE FRANÇA TURINO

PRODUÇÃO

EM 09/11/2006

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A Linfadenite Caseosa - também conhecida como "Mal do Caroço" - é uma doença contagiosa que acomete os pequenos ruminantes. Causada pela bactéria Corynebacterium pseudotuberculosis, caracteriza-se pela presença de abscessos (caroços) nos linfonodos (gânglios linfáticos) e órgãos internos.

A doença causa prejuízos sanitários e econômicos, podendo acometer animais de ambos os sexos e em qualquer idade (embora os mais acometidos apresentem idade acima de 24 meses).


Figura 1. Caprino com Linfadenite Caseosa superficial.

O Nordeste é a região brasileira onde se observa a maior freqüência da doença, devido à grande população de ovinos e caprinos, da vegetação contendo espinhos que favorecem a ocorrência de ferimentos na pele e da falta de informação adequada, por parte dos proprietários quanto à sanidade do rebanho.

No Estado do Ceará, 41,6% dos animais pesquisados apresentaram abscessos superficiais e 11,5% nos órgãos internos. Em 27,7% dos abscessos o isolamento do Corynebacterium foi confirmado. Em 8% dos casos de pneumonias de pequenos ruminantes adultos e em 50% dos abscessos hepáticos de animais necropciados no Ceará, foi isolado o agente da doença.

A enfermidade causa prejuízos econômicos significativos devido à diminuição da produtividade dos animais com comprometimento interno, condenação de carcaças e desvalorização das peles. Os abscessos podem resultar numa perda de 40% do valor da pele de ovinos e caprinos devido às cicatrizes. Em feiras e exposições, muitos animais estão sendo excluídos de julgamentos por apresentarem a doença.


Figura 2. Carcaça ovina condenada devido a abscessos superficiais.

A transmissão se dá pelo contato direto do animal com a bactéria, através de descargas purulentas dos abscessos superficiais que se rompem. Esses abscessos rompidos contaminam o solo, água, alimentos e instalações, ocorrendo a permanência do microorganismo por até 8 meses no meio ambiente (principalmente quando protegido contra o sol). A bactéria penetra no organismo através de ferimentos, arranhões ou mesmo da pele intacta, alcança a linfa e atinge os linfonodos regionais.

Tabela 1. Persistência do Corynebacterium pseudotuberculosis no meio ambiente.


Em qualquer órgão que a bactéria se instale surge secreção purulenta de coloração branca-amarelada, a qual é produzida continuamente, fazendo com que o abscesso possua grande diâmetro. Esses abscessos internos freqüentemente aparecem em pulmões e fígado, provocando problemas respiratórios e hepáticos.

Em alguns casos a linfadenite visceral é assintomática, sendo diagnosticada apenas quando os animais são abatidos. Porém se a doença assume grande incidência no rebanho, os animais podem apresentar caquexia progressiva, anemia, hiperplasia dos linfonodos superficiais, dispnéia e mastite nodular. Em ovelhas é comum a disseminação nos linfonodos mamários, ocasionando queda da produção leiteira, desnutrição e morte dos cordeiros.

O diagnóstico é baseado principalmente nos sintomas clínicos característicos e identificação dos organismos envolvidos através de testes bioquímicos.

Os achados de necropsia são a presença de abscessos em órgãos como fígado e pulmão. Estes abscessos podem apresentar coloração branca-amarelada (se a consistência for pastosa) ou cinza-esverdeada (se a consistência for caseosa).


Figura 3. Abscessos hepáticos em ovinos causados pelo Corynebacterium pseudotuberculosis.


Figura 4. Abscessos pulmonares em ovinos causados pelo Corynebacterium pseudotuberculosis.

Embora menos freqüentes, pode-se também encontrar abscessos em rins, baço, medula e sistema reprodutivo.

O tratamento recomendado da linfadenite superficial é a drenagem do abscesso, de tal forma que o pus e demais secreções sejam coletados (papel-toalha, jornal, gaze). Este material deve ser incinerado para que não haja contaminação ambiental com a bactéria. A limpeza da ferida deve ser feita com solução de iodo a 10%.


Figura 5. Abscessos renais em ovinos causados pelo Corynebacterium pseudotuberculosis

Os animais devem retornar ao rebanho somente após estarem totalmente sadios e com as feridas totalmente cicatrizadas. A aplicação de antibióticos e quimioterápicos é cara e apresenta poucos resultados satisfatórios. Em casos de animais de alto valor zootécnico, pode-se tentar uma intervenção cirúrgica para a linfadenite visceral, porém, o prognóstico é reservado.

Como métodos profiláticos recomenda-se fazer a inspeção periódica do rebanho, isolando-se os animais com abscessos para impedir que eles se rompam naturalmente e contaminem o ambiente. Deve-se também fazer higienização das instalações, bebedouros e comedouros com desinfetantes e fazer uso periódico de "vassoura de fogo" (pois a bactéria é sensível quando exposta a temperaturas maiores que 70ºC).

A vacinação também pode ser uma medida de prevenção. Embora não haja proteção total contra a formação de abscessos, consegue-se redução do número de lesões. Para os caprinos a resposta é menos efetiva. Os animais devem ser vacinados a partir de 60 dias de idade com reforço após 30 dias. A partir daí, deve-se fazer reforço anualmente. Fêmeas prenhes podem ser vacinadas três semanas antes do parto para garantir imunidade colostral a suas crias. Neste caso, os cordeiros devem ser vacinados a partir de 90 dias de idade.

Referências bibliográficas

BLOOD, D.C.; RADOSTITS, O. M. Clínica Veterinária. 1989.

CORREA, W.M. Enfermidades Infecciosas dos Mamíferos Domésticos. Botucatu: UNESP, 1992.

DOMINGUES, P.F. Linfadenite Caseosa. Associação Paulista de Criadores de Ovinos. Disponível em: .
Pinheiro, R.R.; Gouveia, A.M.G.; Alves, F.S.F.; Haddad, J.P.A. Aspectos Epidemiológicos da Caprinocultura Cearense. Arquivo Brasileiro Medicina Veterinária e Zootecnia v.52; n.5  Belo Horizonte outubro 2000.

VICENTE DE FRANÇA TURINO

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FERNANDA N VALE VALE

FORTALEZA - CEARÁ

EM 16/09/2019

Tenho uma coelha de cinco com um abcesso próximo ao pescoço, será que é Câncer? Fernandanvale
A Dra disse ser um carcinoma ela vai fazer cirurgia do caroço para fazer exame de biopse
ANICESE RABELO DE VASCONCELOS

ARCOVERDE - PERNAMBUCO

EM 19/08/2019

Tenho 02 ovelhas (gemelares) que aprentam um caroço no mesmo local(garganta), não fiz exame mais minucioso, apenas a olho nú, ha pouco devo retirá-los?
ANICESE RABELO DE VASCONCELOS

ARCOVERDE - PERNAMBUCO

EM 19/08/2019

Tenho 02 ovelhas que apresentam caroço, ambos mesmo local, garganta (apenas a olho nu, sem nem apalpar) , extirpá-los seria solução?
EMANUEL NUNES

TERENOS - MATO GROSSO DO SUL - OVINOS/CAPRINOS

EM 08/12/2018

Tenho um Bôer tem um caroço no pescoço abaixo mandíbula tem tratamento .
RICARDO DE MORAES ARSILLA

SOROCABA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/12/2018

boa tarde, queria saber se o caroço no pescoço contamina tb o leite ou não
JOSÉ EGIDIO

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/10/2018

Boa noite.gostaria que o professor turino me informase se e possivel combater o caroço com dissecaçao do nodulo com aplicaçao local de soluçao de formol a 5%
RODRIGO CAMPOS

ATIBAIA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/07/2016

Os "caroços" são sempre nos linfonodos?

Tenho uma cabra que teve "um", exatamente no meio do pescoço...
GILBERTO RIBEIRO BARBOSA

EM 16/03/2016

muito obrigado pelo esclarecimento que esta matéria nos tras pois e de grande valia para que possamos tomar as providencias nessesarias para controlar esta infermidade tao cruel abraços .
WALDEREZ HALGREN SERRA

EM 01/12/2015

gostaria de saber  se essa doença contagia o leite da cabra e se existe alguma restriçao parao consumo do mesmo???   GRATO  LUIZ SERRA
DEMIAN

SANTARÉM - PARÁ - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 11/06/2013

oie

bem to fazendo um trabalho sobre essa doença, sou aluno de agropecuária do IFPA  Santarém, e gostaria que vocês pudessem me enviar o relato da doença  nas demais regiões do Brasil que vocês possam residir. meu email : castrodemian@gmail.com

agradeço desde já.
DEMIAN

SANTARÉM - PARÁ - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 11/06/2013

oie

bem to fazendo um trabalho sobre essa doença, sou aluno de agropecuária do IFPA  Santarém, e gostaria que vocês pudessem me enviar o relato da doença  nas demais regiões do Brasil que vocês possam residir. meu email : demiancastro@gmail.com

agradeço desde já.

JOSÉ INÁCIO NASCIMENTO OLIVEIRA

RIBEIRA DO POMBAL - BAHIA - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 10/03/2009

é muito importante a divulgação de matérias como essas; com isso os leitores tem esclarecimentos suficientes, e até para que os produtores se previnam contra este mal.
DIEGO FRANCISCO OLIVEIRA COELHO

JOÃO PESSOA - PARAIBA - ESTUDANTE

EM 01/08/2008

Belo artigo, corroboro com o colega que falou sobre a necessidade de pesquisas que venham a melhor o controle e prevenção no caso de vacinas.
É importante que a Linfadenite seja combatida, pois uma perda de 40% no valor da pele é um absurdo, isso é um dos gargalos que fazem com que os curtumes do nordeste operarem com apenas 33% de sua capacidade.

Abraços a todos
JAMILSON MACHADO DOS SANTOS

CAMPOS DOS GOYTACAZES - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/07/2008

Parabéns ao Vicente, por dominar um problema nacional,.. ou mundial, e ao Luiz Barnabè pela formulação da pergunta.
Abraço a todos
LUIS BERNABE CASTILLO GRANADOS

CAMPOS DOS GOYTACAZES - RIO DE JANEIRO - PESQUISA/ENSINO

EM 23/07/2008

Sou médico veterinário e produtor de caprinos no município de Campos dos Goytacazes. Na minha região tem sido frequente o aparecimento da linfadenite caseosa superficial em ovinos (maior frequencia) e caprinos (menor frequencia). Alguns tratadores já sabem identificar a patogenia e o procedimento a ser seguido. No entanto, a pesar da experiência com esta doença, uma cabra no meu rebanho desenvolveu a linfadenite de uma forma pouco comentada: no ubere.

Tenho estudado muito sobre o assunto e são poucas a citações a respeito. A princípio ela começou a apresentar o ubere tumefeito e produção de leite fora da epoca. Pensei que poderia estar desenvolvendo uma mastite. Fiz coleta de material e enviei ao laboratório que confirmou Streptococcus sp. Continuei o tratamento para a mastite.

Porém posteriomente se desenvolveram alguns nódulos e estes vieram a romper, secretando material purulento. A isolei do resto do rebanho e tentei fazer uma intervenção cirurgica para a remoção dos outros nódulos que ainda estão se formando no ubere. No entento, não foi possível com anestesia local.

Fica esta casuística para que fiquemos atentos as diferentes formas da linfadenite.
Abraços
REBECA MARIA PINHEIRO DE ALMEIDA SAMPAIO

SÃO LUÍS - MARANHÃO - ESTUDANTE

EM 18/10/2007

Interessante, amplo e direto!
Pra mim que sou estudante de medicina Veterinária, é muito importante um artigo direto, pois facilita a compreensão e deixa a leitura mais prezerosa!
Mas é importante lembrar, que a linfadenite é um problema que já se tornou muito comum aqui no Maranhão e alguns tratadores não dão a merecida importância que ela deveria ter, pois é de muito fácil disseminação, mas o controle quando bem feito, tem ótimos resultados!

Abraços
Rebeca
ELOISA BRAGA DE OLIVEIRA

VITÓRIA DA CONQUISTA - BAHIA - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 01/10/2007

Parabéns Vicente,por este artigo tão interessante,com informações preciosas e além disso gratuita.Obrigada a Farmpoint um site que traz toda informação necessária aos produtores em geral.

Abraços,
Eloisa
FRANCISCO DANILO DE LIMA

CARIRÉ - CEARÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 01/12/2006

Parabéns pelo artigo. Aqui na minha região tenho deparado-me com vários casos da doença. Gostaria de ressaltar que uma maior atenção dos produtores ao adquirirem novos animais ao rebanho, observando se há sinais dessa doença no rebanho de origem desses animais. Pois essa medida impede que esta doença venha se propagar ainda mais, evitando também mais prejuizos .
LINDOLFO FELINTO DE ALMEIDA FILHO

OURO PRETO DO OESTE - RONDÔNIA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 29/11/2006

Gostaria de parabenizar o mestrado Vicente de França, pela excelente matéria sobre "O mal do Caroço". Pois aqui em Rondônia, já me deparei com este problema diversas vezes.

Um grande abraço.
Lindolfo.
CARMELIO VALNIZ BEZERRA DE ALCANTARA

GURUPI - TOCANTINS - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 23/11/2006

Parabens pelo o artigo, vale lembrar que o controle rigoroso do rebanho consegue controlar a linfadinite superficial, que é a maioria dos casos. Controle que pode ser efetuado conforme seu manejo (sinalizando todos o animais que apresentem caroço ou apartando do rebanho) e efetuando os procedimentos na hora correta.