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Integração lavoura-pecuária: uma alternativa econômica e sustentável para o semiárido

POR SUELI FREITAS DOS SANTOS

E RENAN M. MEDEIROS SANSON

PRODUÇÃO

EM 17/02/2010

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O Brasil possui cerca de 80 milhões de hectares (ha) de pastagens cultivadas. Cerca de 70% dessa área apresenta algum grau de degradação, com baixa capacidade produtiva de forragens e consequentemente baixa produção de carne e/ou leite e elevado índice de perda de solo e água (erosão), com reflexos negativos na economia e no meio ambiente.

A região semiárida brasileira é um exemplo típico dessa problemática, apresentando solos frágeis, de baixa fertilidade, existindo grande pressão sobre os recursos vegetais. A exploração desses recursos de forma irracional e intensiva tem concorrido para a degradação da vegetação, comprometendo consequentemente o precário equilíbrio ecológico da região.

Com o recente reconhecimento e a conscientização da importância dos valores ambientais, econômicos e sociais das florestas, pode-se perceber no cenário mundial, fortes tendências para mudanças significativas na forma de uso da terra, com a utilização de sistemas produtivos sustentáveis que considerem, além da produtividade biológica, os aspectos sócio-econômicos e ambientais. Diante desse fato, e dado ao caráter de múltiplo propósito das árvores, os Sistemas Agroflorestais (SAFs) constituem-se em alternativas sustentáveis para aumentar os níveis de produção agrícola, animal e florestal.

A implantação da utilização de Sistemas Agroflorestais (SAFs) tem obtido destaque, nos últimos tempos, principalmente devido a problemas de produtividade dos solos e problemas sociais ligados a produção de madeira, alimentos e ecologia.

Dentre os Sistemas Agroflorestais (SAFs), o sistema lavoura-pecuária vem sendo considerado como uma alternativa para a recuperação das pastagens, pois utiliza culturas anuais de cereais integradamente com as gramíneas, recuperando as pastagens com baixo custo e aumentando os lucros da propriedade.

A integração lavoura-pecuária (ILP) consiste de diferentes sistemas produtivos de grãos, fibras, madeira, carne, leite e agroenergia, implantados na mesma área, em consórcio, em rotação ou em sucessão. Normalmente essa integração envolve, principalmente, o plantio de grãos e a recuperação ou implantação de pastagens. Tem como objetivos produzir pasto, forragem e grãos para alimentação animal na estação seca, recuperar a fertilidade do solo com a lavoura em áreas de pastagens degradadas, reduzir os custos, tanto da atividade agrícola quanto da pecuária, melhorar as condições físicas e biológicas do solo com a pastagem em áreas de lavoura, diversificar e estabilizar a renda do produtor, entre outras.

Para implantar um projeto de integração lavoura-pecuária deve-se obedecer alguns requisitos técnicos como: solos favoráveis para a produção de grãos em áreas de clima propício; infra-estrutura mínima para a produção de grãos (máquinas, equipamentos e instalações); acesso facilitado para a entrada de insumos e a saída de produtos; recursos financeiros para os investimentos na produção; domínio da tecnologia requerida para a produção; assistência técnica; possibilidade de arrendamento da terra ou de parceria com produtores tradicionais de grãos.

Como em outras atividades, a integração lavoura-pecuária também possui dificuldades tanto para o agricultor ingressar em um sistema de produção animal, quanto para o pecuarista entrar no ramo da agricultura. É bem mais fácil para o agricultor ingressar no ramo da pecuária, do que o pecuarista produzir grãos. Tudo isso devido que as áreas propícias para a cultura de grãos são também propícias para o cultivo de gramíneas, já a situação inversa nem sempre é possível. Uma vez lembrando que é de alto custo inicial para adquirir maquinários para a prática do cultivo de grãos, e os equipamentos para pecuária são de valor inferior.

Existem várias alternativas de integração lavoura-pecuária, dentre elas estão à integração em áreas com pastagem e solo degradados, integração com pastagem degradada e integração em área de lavoura sobre solo corrigido. Cada uma tem suas recomendações e requisitos.

A integração lavoura pecuária apresenta sistemas como o Sistema Barreirão e Sistema Santa Fé. O Sistema Barreirão foi desenvolvido na década de 80 pela Embrapa Arroz e Feijão e com ele foi possível recuperar ou reformar imensas áreas com pastagens degradadas, especialmente no Brasil Central. Ainda hoje ele é usado com essa finalidade servindo como preparação para implantação da (ILP) no Sistema Santa Fé. A principal característica do Sistema Barreirão é a aração profunda com arado de aiveca. Já o sistema Santa Fé fundamenta-se na produção consorciada de culturas de grãos, especialmente o milho, sorgo, milheto, soja com forrageiras tropicais, principalmente as do gênero Brachiaria e Panicum, tanto no Sistema de Plantio Direto quanto no Sistema Convencional, em áreas de lavoura com solo parcial ou devidamente corrigido.

Para implantar um sistema de integração lavoura-pecuária o produtor deve buscar assistência técnica do serviço de extensão rural ou das cooperativas, onde o técnico juntamente com o produtor deverá efetuar um diagnóstico da propriedade para definir qual sistema deve ser utilizado.

Hoje em dia existem órgãos que financiam projetos de integração lavoura-pecuária no Brasil como o Programa de Integração Lavoura-Pecuária - PROLAPEC e dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Nordeste, Norte e Centro - Oeste (FNE, FNO e FCO). Os recursos do PROLAPEC poderão ser obtidos, ainda, via Banco Nacional de Desenvolvimento econômico e Social BNDES. Os beneficiários podem ser produtores rurais, pessoas físicas ou jurídicas; cooperativas de produção e associação de produtores rurais, desde que se dediquem à atividade produtiva no setor rural. Para que o financiamento seja aprovado depende de um bom projeto técnico detalhado com as características da propriedade e as técnicas a serem adotadas bem como a utilização de assistência técnica especializada para a área.

A integração lavoura-pecuária é uma boa alternativa de intensificação de propriedades tanto de pecuária, quanto de agricultura, podendo maximizar o ganho/área e aumentar os lucros do produtor e da cadeia produtiva brasileira.

Referências bibliográficas

Alvarenga, R. C.; Noce, M. A. Integração lavoura-pecuária. In: Documentos 47 EMBRAPA. EMBRAPA MILHO E SORGO. Sete Lagoas, Dezembro de 2005.

Lustosa, J.; Rocha, A. Integração lavoura-pecuária. In: Cartilha do produtor. Ludigraf Editora Ltda. Brasília. Abril, 2007.

SUELI FREITAS DOS SANTOS

Zootecnista

RENAN M. MEDEIROS SANSON

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SUELI FREITAS DOS SANTOS

ITAPIPOCA - CEARÁ - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE LEITE

EM 19/04/2010

Prezado Leonardo Medeiros, concordo com suas palavras. Os principais problemas de produtividade dos solos semiáridos são as formas de manejo incorretas dos mesmo. Espero que essa realidade seja mudada no decorrer do tempo. Obrigada pelo comentário,
Sueli.
LEONARDO MEDEIROS

CAMPINA GRANDE - PARAIBA - ESTUDANTE

EM 17/04/2010

Só descordo de uma coisa: os solos semiáridos não são de nenhuma maneira solos de baixa fertilidade, ao contrário, são solos em sua grande maioria férteis, o grande problema é o modo errôneo como se trata o solo nestas regiões, em sua maioria não promovendo a conservação deste solo.
Muito bom o seu artigo! Parabéns! Faz todos pensarem na importância de uma atividade ser sustentável!