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Influência do estresse na qualidade da carne - parte 3

POR LÁZARO SAMIR ABRANTES RASLAN

PRODUÇÃO

EM 15/07/2008

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Estresse dentro da propriedade - Instalações

No artigo anterior foi abordada a importância da alimentação balanceada na qualidade da carne. Continuando esta série de artigos, será discutido este mês sobre as instalações zootécnicas. Acredito que quase todos os técnicos que trabalham com bem-estar animal adotam que toda instalação zootécnica deva ter:

- Tamanho que comporte todos os animais = respeitar categoria e dominância entre os animais;
- Tamanho de bebedouros e cochos = observar se todos têm o seu espaço;
- Proteção contra ventos frios = fazer os oitões no sentido das correntes frias;
- Disponibilidade de água = que seja limpa e constante;
- Controle da temperatura e umidade = mensurar diariamente a temperatura com termômetros de mínima e máxima;
- Piso apropriado à espécie e idade, e
- Telhado com material de maior refletividade, menor absorção e transferência de calor.

O tipo de instalação a ser adotada varia muito com a região, ideal é adequá-las a cada região. A ambiência animal tem o objetivo de ajustar as construções às necessidades técnicas de acordo a sua categoria e estado fisiológico. E, para isso, não existe uma receita pronta, cada caso é estudado isoladamente.

Muitos produtores fazem as instalações para estética ou vaidade. O importante é a instalação satisfazer o bem-estar e o conforto animal e consequentemente influenciar positivamente sua produção. Se for bonita ou feia, azul ou branca, não importa, fundamental é ser funcional e segura.

Como o objetivo dessa série de artigos é discutir os efeitos do estresse na produção e qualidade da carne, vejamos, portanto, que se o animal está bem alimentado, sob boas instalações e recebendo bom manejo, a sua produção, em tese, deveria ser maior em menor tempo e com mais qualidade.

A produção animal brasileira merece mais do que ter animais e aplicar vacinas, é preciso investir em nutrição e bem-estar para se tornar cada vez mais qualificada e competitiva para ganhar mercado.

Observe a figura abaixo:

Figura 1: Esquema de engrenagens da produção de ovinos e caprinos.


Na figura 1, observam-se três engrenagens: a primeira movimenta a segunda, que por sua vez movimenta a terceira. Na primeira engrenagem existem quatro "dentes" principais: bem-estar, sanidade, manejo e nutrição. Esta engrenagem movimenta a do tempo, ou seja, se qualquer "dente" da primeira quebrar ou gastar a engrenagem do tempo pára, e consequentemente a da qualidade.

Com este esquema quero mostrar a importância da complementaridade entre bem-estar, sanidade, manejo e nutrição no sucesso da produção animal. Ter instalações adequadas à espécie e tipo de produção facilita mais de 80% a manter e oferecer aos animais conforto, sanidade, nutrição e manejo adequado. Tendo isso, o tempo de produção é reduzido, a qualidade da carne maior, o giro de capital e o lucro são maiores.

Sabem quem movimenta e coordena o ritmo das engrenagens? Pasmem? O próprio homem! Então, vejam vocês, a eficiência econômica da produção animal é dependente da intervenção humana.

Porém, é bom salientar, como coloca Pereira (2005), que esta intervenção deve ser feita no sentido de dar conforto aos animais, propiciando-lhes o bem-estar. Isso pode ser feito de forma racional e econômica, bastando apenas do bom senso, para que o sistema, como disse anteriormente, seja funcional.

A seguir, têm-se fotos de instalações simples que os produtores podem adotar:

Figura 2: Aprisco suspenso e ripado para produção de ovinos e caprinos.


Este tipo de instalação auxilia e muito, no que diz respeito à sanidade, os animais não têm contato com as fezes, diminuindo portando casos de verminoses. Os cochos devem ser dimensionados para atenderem a todos os animais do lote.

Figura 3: Piquetes com cerca elétrica e área de descanso.


Pastagens bem formadas e com gramínea apropriada a ovinos e caprinos são o primeiro passo para o sucesso e retornos econômicos. Os animais pulam cerca ou fogem, por dois motivos principais: falta de comida ou medo. A cerca elétrica funciona desde que tenha forragem suficiente e que atenda todos os animais dentro do piquete.

Figura 4: Profissionais que sabem manejar bem os animais.


É indispensável que as pessoas que manejam os animais tenham conhecimento e satisfação de trabalhar com os mesmos. A dedicação com que o tratador demonstra é vista quando se faz a pesagem ou exames médico-sanitários nos animais e constata-se a saúde e o bom desenvolvimento ponderal dos animais.

Figura 5: Bebedouros e cochos suficientes a todos os animais.


Quando for fazer uma instalação primeiramente temos que ter um programa de metas, evolução de rebanho e capacidade da propriedade ou do sistema. Estes três pontos serão essenciais para dimensionamento das instalações. Cochos e bebedouros pequenos auxiliam no crescimento de casos de brigas e fraturas.

Portanto, as instalações devem ser acima de tudo fáceis de ser limpas, de fácil acesso, tenha água à disposição dos animais e que sejam confortáveis para todos: homem e animal.

Bibliografia consultada

PEREIRA, J.C.C. Fundamentos de bioclimatologia aplicada à produção animal - Belo Horizonte: FEPMVZ, 2005. 195p.

LÁZARO SAMIR ABRANTES RASLAN

Zootecnista e mestre em produção de ruminantes. Extensionista do projeto Balde Cheio, Agente de Desenvolvimento e Extensão rural do Incaper-ES e Articulador da região norte do Programa Capixaba de Bovinocultura Sustentável.

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GEOVANE

SÃO JOSÉ DOS AUSENTES - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 07/04/2013

olá

Gostaria de saber sobre o modelo de instalação representado na figura 5, comumente visto em outras postagens.



desde ja agradeço pela atenção!

abraço.
ANDRÉ AUGUSTO TEIXEIRA

SALVADOR - BAHIA - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 25/08/2008

Caro José Antonio Alves,

Tenho uma fazenda de 50 ha em Oliveira dos Campinhos, Municipio de Santo Amaro - Ba, portanto muito próximo à sua, com as mesmas caracteristicas de clima e também com predominancia de capim brachiaria decumbens.
Estou criando ovinos, tenho umas 600 cabeças em regime de campo, pastejo rotacionado, já a cinco anos, e consegui superar os problemas e conviver bem com a verminose e a fotosensibilização.
Os cursos tomados na Agripoint foram muito importantes neste aprendizado.
Terei muito prazer em receber sua visita para lhe mostrar a criação e discutir os problemas da criação na nossa região.

Um abraço,
JOSÉ ANTÔNIO ALVES

SÃO FÉLIX - BAHIA - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 20/08/2008

Caro Lázaro,

Tenho propriedade no Reconcavo Baiano e desejo disponibilizar cerca de 25 ha para criacao de ovinos Santa Inês,toda área é empastada com Brachiara Decumbens,tenho grande oferta de água e área plana.No inverno a umidade chega a 95%,isso é um um impedimento?
Devo comecar com quantos animais?
Vc. teria um modêlo de aprisco padrao para esse primeiro lote?

Achei sua linguagem bem objetiva e agradeco se puder ajudar.

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado José Antônio Alves,

A primeira coisa a se fazer ao meu ver, no seu caso, é uma análise de solo. Posteriormente correção do solo e se possível substituição da sua pastagem. Por que substituir a pastagem? Porque a Brachiária decumbéns é mais adequada para Bovinos e para Ovinos pode causar intoxicação. Melhorando a adubação é possível você plantar uma gramínea melhor como Aruana ou Tifton. Se implantar o Aruana tem que fazer em cada módulo 28 piquetes, se for o Tifton 20 piquetes.

Exemplo: Se for em 1 ha cada piquete terá 357 m2 em média. Neste um ha, com o solo bem corrigido e adubado pode colocar até 90 animais. Isso mesmo! 90 animais! Com uma adubação certa e jogando uréia todos os dias podemos chegar a isso. A quantidade de uréia vai depender do número de animais e do seu sistema, ou seja, irrigado ou sequeiro. Em uma Fazenda em Bom Sucesso - MG, conseguiu-se colocar 113 cabeças/ha com irrigação no Mombaça.

Na minha opinião, deve começar em uma área menor, porém bem corrigida e implantada. Numa área pequena e com boa fertilidade o manejo e produtividade por ha será maior.

Com relação à umidade, resta saber como foi obtido este índice? Conheço sua região, passei no Concurso de Bom Jesus da Lapa e aguardo ser chamado e sei que aí é um clima mais seco durante o ano. Para ter dados mais reais e da sua propriedade, te aconselho comprar um termômetro de máxima e mínima e um pluviômetro. Os dados devem ser anotados todos os dias.

Com relação a oferta de água é essencial se você pretende irrigar a pastagem.

Com relação ao aprisco, eu não posso te passar uma planta sem conhecer sua propriedade. Mas a dica é estar direcionada no sentido leste - oeste, ter oitões do lado das correntes frias, não ser muito fechado e ter um espaço suficiente para os animais que ficarão nele. Tem-se alternativas diversas de instalações, você deve procurar um técnico que te dê consultoria nesta fase e nas posteriores. E compre-os depois de ter alimentação suficiente para atender suas exigências.

No momento, você deve preocupar com a comida dos animais: pastagem, silagem, palma, cana, mandioca e outras culturas. Dependendo de quantos hectares de pastagem reformar te tirei quantos animais poderá criar. Com esta quantidade saberá quantos quilos de uréia jogar, o espaço das instalações e as reservas alimentares.

Outra sugestão é não reformar e colocar piquete em tudo, pois a correção de solo não é tão barata e primeiro você e seus funcionários devem aprender a manejar a pastagem com a entrada e saída de animais, adubação com uréia e rebaixamento à altura ideal (Aruana= 25 cm e Tifton= 10 cm) da pastagem. Se fizer muito grande agora, pode errar e ter um custo mais elevado para corrigir depois. Se fizer aos poucos e aprendendo terá um sucesso mais sólido.

Muito obrigado por sua participação no FarmPoint. Aproveito para me colocar a sua disposição para o que precisar.
VINICIUS LIMA MATERA

ILHA COMPRIDA - SÃO PAULO - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 17/07/2008

Parabéns Lázaro, pelos artigos e pela iniciativa de trabalhar com o bem-estar animal.
Apenas penso que devemos nos preocupar exclusivamente com os animais, o conforto para o homem deve vir como consequência, afinal muitas vezes nem sempre os dois estão em sintonia.

Quando foi citado em relação ao aumento de brigas devido ao menor tamanho dos cochos e comedouros é importante resaltar que os mesmos quando maiores, proporcionam uma melhor oferta de alimentos (tomando cuidado com desperdícios), e em maior consumo de água e alimentos, consequentemente aumentando a produção.

<b>Resposta do autor:</b>

"Prezado Vinicius Lima Matera"

Muito obrigado por sua participação no FarmPoint. Aproveito para me colocar a sua disposição para o que precisar. Bem, respondendo sua manifestação eu queria frisar o que venho escrevendo desde o primeiro artigo: "As instalações devem ser feitas observando qual animal está sendo trabalhado, seu comportamento e seu bem estar". Lógico que pensando também no manejo e no custo. O que acontece é totalmente o inverso, ou seja, fazem as instalações que não atendem os animais e fora dos padrões de acordo ao bem-estar.

Concordo com você que o conforto para o homem deve vir como conseqüência, o importante é esta instalação funcionar, trazer bem estar ao animal e renda. Com relação aos bebedouros e cochos, quero salientar o bom senso e acima de tudo a observação. Os animais não sabem falar, mas conversam conosco através de ações, sintomas e até com a produção. Por isso, os cochos e bebedouros devem ser ajustados ao número de animais, e isto é simples de ser feito, bastando apenas observar quando os animais estão ao cocho, se todos comem o tamanho está bom, se ficar algum de fora aumenta mais um pouco.

Isso deve ser feito até ajustar o tamanho correto. Assim, garanto que não vai ficar animal sem comer e/ou sobrar muita comida e água.

Qualquer dúvida ou sugestão estarei as ordens,

Lázaro Samir Abrantes Raslan
NERANDI CAMERINI

CAMPINA GRANDE - PARAIBA - PESQUISA/ENSINO

EM 17/07/2008

Boa tarde,
Esta materia foi de excelente exito para profissionais que trabalham com producao animal, pois aborda a importancia de oferecermos para o animal um ambiente agradavel a qual ele se sinta bem, com isso ele tera condicoes de expressar o maximo de sua genetica em producao e produtividade.