FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

Influência da produtividade no custo de volumosos

POR THIAGO FERNANDES BERNARDES

E RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PRODUÇÃO

EM 19/08/2008

5
0
Os volumosos conservados com maior utilização na pecuária brasileira são a silagem de milho e de sorgo, segundo os dados coletados pelo site BeefPoint, na Pesquisa Top BeefPoint de Confinamentos. Contudo, as silagens de capins tropicais e a cana-de-açúcar (in natura ou ensilada) possuem certa participação nas dietas de bovinos confinados.

Igarasi (2002) e Brioni (2003) realizaram um levantamento em propriedades que utilizavam silagem de capim ou cana na ração dos animais e entre perguntas que faziam parte desta entrevista existia a seguinte: "Por quê a propriedade utiliza este volumoso?". E a grande maioria respondeu da seguinte forma: "Porque esta espécie (capim ou cana) apresenta alta produtividade.

No entanto, constatou-se grande amplitude de produção para essas culturas (Tabela 1). E valores mínimos muito abaixo dos preconizados para essas espécies, uma vez que a cultura do milho quando bem conduzida produz de 13 a 14 t MS/ha podendo chegar a 20 t MS/ha em condições ótimas.

Tabela 1 - Produtividade de capins tropicais e da cana-de-açúcar.


Fonte: Igarasi (2002) e Brioni (2003)

Ao comparar os valores obtidos para silagem de capim com a cana-de-açúcar, pode-se explicar parcialmente o porquê da redução da utilização das silagens de gramíneas tropicais em confinamentos. Além de apresentarem baixa produtividade (5,4 t MS/ha/corte), em média são necessários 4-5 cortes, aumentando a mão-de-obra para confecção da silagem.

No caso da cana-de-açúcar, a produtividade média observada (33 t MS/ha) foi quase o dobro do capim (17 t MS/ha) e essa produção é colhida em um único corte, mesmo se considerar o corte diário, esse é realizado uma única vez em cada área e também é realizado na época seca do ano, o que facilita o manejo.

Com o intuito de avaliar a importância da produtividade em relação ao custo de produção de volumosos, integrou-se os dados observados por Igarasi (2002) e Brioni (2003) com os valores do custo de produção de volumosos relacionados por Tonini (2007).

Atribuiu-se os valores dos custos de produção as médias dos levantamentos e calculou-se o impacto da redução e do aumento de produtividade, assumindo-se como premissa que todos os gastos para se produzir 1 ha de cada cultura teria sido o mesmo dentro da cultura. Sabe-se que esse fato não é totalmente correto, mas o exemplo serve para reafirmar a importância da produtividade dos volumosos.

Tabela 2 - Influência da produtividade sobre o custo de volumosos.


Adaptado de Igarasi (2002), Brioni (2003) e Tonini (2007)

Ao analisar o fracionamento do custo de produção de silagens, verifica-se que cerca de 50% do custo é referente a operações mecanizadas, isso implica que metade do custo praticamente não é elevado com o aumento da produtividade, na verdade o que acontece é a redução do peso das operações mecanizadas com o aumento da produtividade.

Colher um hectare de capim com produção de 8 t MS custa praticamente o mesmo que colher a mesma área com a produção de 24 t MS. No caso da silagem de capim, acredita-se que um dos principais limitantes é a baixa adubação praticada nas áreas destinadas a produção de silagem. A mesma inferência pode ser feita para a cana-de-açúcar, no entanto, essa tem grande influência da cultivar utilizada. No estudo de Andrade et al. (2003), observou-se variação da produtividade de 20,9 a 53,8 t MS, somente em função do cultivar.

Ainda segundo Tonini (2007) o custo da tonelada de silagem de milho seria de R$ 187,5, valor esse inferior a média da silagem de capim. Ressalta-se, dessa maneira, a importância de uma vez tomada a decisão pela produção das culturas de alta produtividade (cana e capim), que de fato elas sejam conduzidas para obtenção de alta produção, pois se elas apresentarem baixa produtividade tornam-se inviáveis economicamente.

THIAGO FERNANDES BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

Zootecnista pela Unesp/Jaboticabal.
Mestre e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP.
Gerente de Nutrição na DeLaval.
www.facebook.com.br/doctorsilage

5

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

MÁRCIA REGINA DA SILVA CARVALHO

MOGI GUAÇU - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/09/2008

Estou fazendo parte do projeto CATI Leite do governo do Estado de São Paulo, mas o que eu estou achando dificuldade é que eles não tem uma estrutura montada. Por exemplo, onde encontrar mudas de cana forrageira; empresas especializadas em insumos, sementes, materias para fazer os piquetes, pessoas credenciadas para fazer o teste de brucelose e turbeculose, etc.

Já que eles estão incentivando os prudutores a aderirem ao projeto, acho eu que eles também deveriam ajudar no processo de implantação do mesmo. Pois é impossível que um estado tão rico como São Paulo não possua um esquema planejado de cadastro de empresas e pessoas que façam esses serviços. Gostaria também que o CATI Leite também incentivasse as empresas de latícinios a comprar o leite dos produtores que fazem parte do projeto, valorizando assim toda a cadeia produtiva e incentivando mais produtores a aderirem ao projeto. Visando ao Estado ter uma qualidade melhor do rebanho leiteiro e do leite.
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 26/08/2008

Prezado Cácio Ribeiro de Paula,

Na tabela foi expresso que a um custo fixo de produção por hectare pode haver variação na produção, por diversos fatores, o que no final altera o custo da tonelada de forragem.

Atenciosamente.
Rafael e Thiago.
CÁCIO RIBEIRO DE PAULA

PIRACANJUBA - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 25/08/2008

Tentando interpretar melhor as informações, como entender, por exemplo, cana ou silagem de capim com elevadas amplitudes de produtividades têm, dentro da mesma cultura, o mesmo custo por hectare? Sabe-se que produtividade, indiscutivelmente, reduz custo unitário(R$/ton MS, p. exe.). No entanto, é obvio que o hectare de cana com 43 ton de MS/hectare tem custo significativamente superior ao hectare de cana com 12 ton de MS/hectare.

Grato pelo espaço,

Cácio.
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 22/08/2008

Prezado Alexandre Amaral,

A cana-de-açúcar possui valores baixos de proteína, algo em torno de 3,0%, já o capim Mombaça apresenta valores mais elevados dependendo da condução da cultura (10-12%).

Em relação a energia a cana-de-açúcar possui muita energia em relação a capins tropicais, sendo esta a grande vantagem dessa forrageira, além de sua elevada produção.

Atenciosamente.

Rafael e Thiago
ALEXANDRE AMARAL

GUARARAPES - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/08/2008

em questão de proteina e energia qual a diferença entre as duas,cana e capim mombaça