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Índice de tolerância ao calor de caprinos no semiárido

VÁRIOS AUTORES

PRODUÇÃO

EM 14/01/2011

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O semiárido brasileiro se estende por quase todos os estados do Nordeste, além de parte de Minas Gerais (Figura 1). Apresenta um clima tropical seco, com a temperatura do ar atingindo 38°C na estação mais quente.

Figura 1 - Nova delimitação do semiárido.



O baixo desempenho produtivo de caprinos e ovinos na região semiárida do nordeste, em conjunto com a exigência do mercado consumidor, no sentido de se obter animais mais produtivos e precoces, vêm impulsionando a introdução de raças exóticas especializadas para, através do cruzamento com raças nativas, se revelarem como uma das alternativas para o desenvolvimento dessa produção, visando solucionar a baixa produtividade dos atuais rebanhos de pequenos ruminantes na região.

Entretanto as condições climáticas dessa região devem ser levadas em consideração, visto que as altas temperaturas do ar, principalmente, caracterizam-se como estressantes para os animais, nas suas mais diversas fases produtivas. Exemplo na Figura 2.

Figura 2 - Condição de seca no semiárido.



Levando em consideração que esse estresse calórico é um fator limitante para a produção animal na região semiárida, é necessário o conhecimento da interação animal-ambiente para melhor adequação do sistema de produção aos objetivos da atividade pecuária (NEIVA et al., 2004).

Nesse sentido, há a necessidade do conhecimento da tolerância ao calor e, consequentemente, da capacidade de adaptação das diversas espécies e raças, tanto como suporte da exploração a ser desenvolvida, como para o estudo de introdução de raças exóticas, mais adequadas ao ambiente, capazes de adaptação àquelas condições climáticas.

Avaliações de adaptabilidade dos animais aos ambientes quentes podem ser realizadas por meio de testes de adaptabilidade fisiológica e de rendimento ou produção (Baccari Júnior, 1990).


A temperatura retal pode ser tomada como índice de adaptabilidade, ou seja, animais que têm capacidade de manter sua temperatura retal próxima aos parâmetros normais da espécie, que varia de 38,5 a 40°C (Baccari Junior et al., 1996), sem grande alteração na frequência respiratória, são considerados mais tolerantes ao calor. A figura 3 ilustra como aferir a temperatura retal.

Figura 3 - Temperatura retal.



Outra forma de se avaliar a adaptabilidade dos animais ao calor, ou seja, a capacidade fisiológica de tolerar melhor o calor, está na eficiência em dissipá-lo, variando entre espécies, raças e, até mesmo, indivíduos. Nesse sentido, Baccari Júnior et al. (1986), propuseram o Índice de Tolerância ao Calor (ITC), que se baseia na capacidade de dissipação de calor dos animais após radiação solar direta.

O ITC é um índice obtido por meio de um teste prático, de metodologia simples e confiável, que pode ser facilmente aplicado em condições de campo. Exemplo na Figura 4.

Figura 4 - Realização do ITC.



O teste consiste em manter um grupo de animais inicialmente à sombra por duas horas, no período compreendido entre o fim da manhã e o início da tarde (11:00h às 13:00h), ao final desse tempo é aferida e anotada a temperatura retal (TR1 °C), em seguida os mesmos são colocados ao sol, sob radiação solar direta, durante uma hora (13:00h às 14:00h), e reconduzidos novamente à sombra por mais uma hora (14:00h às 15:00h), quando mais uma vez é aferida e anotada a temperatura retal (TR2 °C). Esse procedimento deve ser repetido por cinco dias, consecutivos ou não, desde que sejam dias ensolarados. Durante o teste os animais permanecem em jejum e sem acesso a água. A partir daí, é calculada a média de cada uma das temperaturas retais aferidas (TR1 e TR2), e estas médias aplicadas na fórmula:



O resultado equivale ao inverso da elevação da temperatura retal após a exposição direta ao sol, numa escala de zero a dez, e quanto mais próximo de dez for esse resultado, mais tolerante ao calor é o animal.

Em experimentos realizados no semiárido nordestino (Souza et al., 2007; 2008; Ribeiro et al., 2008), foram encontrados valores de ITC para bovinos, caprinos e ovinos de 9,83; 9,81 e 9,9, respectivamente, revelando alta capacidade de tolerância ao calor, ou seja, alto grau de adaptabilidade das raças avaliadas nos respectivos experimentos.

Referências bibliográficas

BACCARI JÚNIOR, F. Métodos e técnicas de avaliação da adaptabilidade dos animais às condições tropicais. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE BIOCLIMATOLOGIA ANIMAL NOS TRÓPICOS: PEQUENOS E GRANDES RUMINANTES, 1990, Sobral, CE. Anais... Sobral: Embrapa-CNPC, 1990. p.9-17.

BACCARI JUNIOR, F.; GONÇALVES, H. C.; MUNIZ, L. M. R. Milk production, serum concentrations of thyroxine and some physiological responses of Saanen-Native goats during thermal stress. Revista Veterinária Zootécnica, [S.l.], v. 8, p. 9-14, 1996.

BACCARI JUNIOR, F.; POLASTRE, R.; FRÉ, C. A.; ASSIS, P. S. Um novo índice de tolerância ao calor para bubalinos: correlação com o ganho de peso. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE DE ZOOTECNIA, 23., 1986, Campo Grande, MS. Anais... Campo Grande: SBZ, 1986. p. 316.

NEIVA, J. N. M.; TEIXEIRA, M.; TURCO, S. H. N. Efeito do estresse climático sobre os parâmetros produtivos e fisiológicos de ovinos Santas Inês mantidos em confinamento na região litorânea do Nordeste do Brasil. Revista Brasileira de Zootecnia, v.33, n.3, p.668-678, 2004.

RIBEIRO, N. L.; FURTADO, D. A.; MEDEIROS, A. N.; RIBEIRO, M. N.; SILVA, R. C. B.; SOUZA, C. M. S. Avaliação dos índices de conforto térmico, parâmetros fisiológicos e gradiente térmico de ovinos nativos. Engenharia Agrícola, v.28, n.4, p.614-623, 2008.

SOUZA, B. B.; SILVA, R. M. N.; MARINHO, M. L.; SILVA, G. A.; SILVA, E. M. N.; SOUZA, A. P. Parâmetros fisiológicos e índice de tolerância ao calor de bovinos da raça Sindi no semi-árido paraibano. Ciência e Agrotecnologia, v.31, n.3, p.883-888, 2007.

SOUZA, B. B.; SOUZA, E. D.; CEZAR, M. F.; SOUZA, W. H.; SANTOS, J. R. S.; BENICIO, T. M. A. Temperatura superficial e índice de tolerância ao calor de caprinos de diferentes grupos raciais no semi-árido nordestino. Ciência e Agrotecnologia, v.32, n.1, p.275-280, 2008.

BONIFÁCIO BENICIO DE SOUZA

Professor Associado - UAMV/CSTR/UFCG, Bolsista de Produtividade do CNPq

GIOVANNA HENRIQUES DA NÓBREGA

ELISANGELA MARIA NUNES DA SILVA

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BONIFÁCIO BENICIO DE SOUZA

PATOS - PARAIBA - PESQUISA/ENSINO

EM 17/01/2011

Prezada Izildinha A.C.Dantas,

Tempos pesquisa sim, com Dorper e Santa Inês. Cujos resultados podem ser observados no artigo: AVALIAÇÃO DE PARÂMETROS FISIOLÓGICOS DE OVINOS DORPER, SANTA INÊS E SEUS MESTIÇOS PERANTE CONDIÇÕES CLIMÁTICAS DO TRÓPICO SEMI-ÁRIDO NORDESTINO. Publicado na Revista Ciênc. agrotec., Lavras, v. 28, n. 3, p. 614-620, maio/jun., 2004. Tendo as seguintes conclusões:

Sob as condições climáticas impostas pelo ex perimento, o turno da tarde conduziu os animais independentemente de genótipo e sexo, à situação de
perigo e à condição de elevado estresse calórico. Embora todos os genótipos e sexos tenham mantido sua temperatura retal dentro dos limites basais, a
maior freqüência respiratória e cardíaca dos animais Dorper e seus mestiços demonstrou menor grau de adaptabilidade do genótipo exótico. Diante disso, a
raça Dorper pode ser utilizada em programas decruzamentos com o rebanho Santa Inês nativo, desde que medidas de manejo sejam adotadas para minimizar o estresse calórico do turno vespertino.

Muito obrigado por sua participação no FarmPoint. Aproveito para me colocar a sua disposição para o que precisar.

Att,

Prof. Bonifácio Benicio de Souza


IZILDINHA A. C. DANTAS

ARACAJU - SERGIPE - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 17/01/2011

Caro Professor,<br><br>Foi feito algum teste com Dorper e Sta Inês puros e cruzamentos entre estas raças em relação a tolerância ao calor?<br><br>Izildinha
BONIFÁCIO BENICIO DE SOUZA

PATOS - PARAIBA - PESQUISA/ENSINO

EM 14/01/2011

Prezado Gláucio José Araujo Vaz,

Nessa pesquisa foram utilizadas apenas fêmeas, puras, para evitar cruzamentos indesejáveis. Contuto atualmente o cruzamento da raça Boer com animais SRD já é uma realidade. Embora as raças Boer e Savanna apresentem elevada produção e adaptação ao calor, recomendamos cautela nos cruzamentos para conservar o patrimônio genéticos das raças naturalizadas.

Muito obrigado por sua participação no FarmPoint. Aproveito para me colocar a sua disposição para o que precisar.

Att,

Prof. Bonifácio Benicio de Souza



GLÁUCIO JOSÉ ARAUJO VAZ

RECIFE - PERNAMBUCO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/01/2011

Fiquei arrepiado em ver a nobre cabra Moxoto perto do exotico Boer e se este bode exotico se soltar e cruzar a Moxoto que grande disperdicio genetico vai acontecer. Abraço. Gláucio Vaz