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Incluindo o cobre na dieta

POR DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

PRODUÇÃO

EM 13/10/2008

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Em ovinocultura, o cobre (Cu) é, certamente, um dos minerais que causam maior controvérsia entre profissionais do setor e produtores em relação à real necessidade de sua suplementação em face ao seu potencial risco tóxico, especialmente sob determinadas condições de manejo e alimentação.

Primeiramente, o Cu é um elemento essencial para o metabolismo animal, sendo indispensável na dieta. No entanto, a disponibilidade e absorção do Cu pelo animal pode ser alterada por outros minerais, sendo afetada negativamente pelo excesso de zinco (Zn) e ferro (Fe) na dieta, assim como, por uma interação complexa entre o Cu, o enxofre (S) e o molibdênio (Mo). Sendo assim, a ingestão de altos níveis de Zn, Fe, S e Mo reduzem a biodisponiblidade e absorção do Cu pelos ovinos, sobretudo S e Mo, aumentando o risco de ocorrer uma deficiência de Cu.

Nas condições gerais de nossos solos e pastagens (geralmente manejados sem correção e adubação, ou seja, solos ácidos e de baixa fertilidade), os animais ingerem uma forragem contendo baixo nível de Mo, porém com alto nível de Fe e níveis satisfatórios de S, o que, no final do processo digestivo do animal, prejudica a absorção de Cu. Além disso, a biodisponiblidade do Cu contido nas pastagens é baixa, dificultando ainda mais o atendimento às necessidades diárias de Cu dos ovinos. Assim, nas condições gerais brasileiras, é mais fácil existir deficiência do que intoxicação por cobre em ovinos sob pastejo. Dessa forma, se faz necessário fornecer um suplemento mineral balanceado aos ovinos que inclua o cobre.

Figura 1. Sob condições de pastejo, a suplementação cúprica é essencial para garantir saúde e boa performance.



Além do exposto acima, existem algumas outras condições em que o fornecimento de Cu via suplemento torna-se primordial: 1) Se houver um processo de correção do solo via calagem com aumento do pH acima de 5 até 6,5, ou se o solo já é pouco ácido, haverá uma maior disponibilidade de Mo e conjuntamente uma redução na disponibilidade do Cu do solo para a planta forrageira; 2) Diferente do Cu, o Mo contido na gramínea apresenta boa disponibilidade para o animal, prejudicando ainda mais a absorção do Cu; 3) O processo de digestão protéica aumenta o conteúdo de sulfeto no rúmen do ovino, e este sulfeto reage com o Cu, o tornando indisponível para o animal.

Por outro lado existem diversas situações em que a suplementação de Cu na dieta teria que ser analisada com cautela ou talvez até excluída: 1) O uso de cama-de-frango, esterco de aves e dejetos de suínos como fertilizantes para adubação de pastagens, capineiras, área de produção de volumosos (silagens, feno, etc.), aumentam bastante o nível de cobre ingerido pelos animais, pois estes adubos são ricos em Cu e no processo de adubação há contaminação da forragem, resultando em uma elevada ingestão de Cu pelos animais; 2) Dietas com elevada participação de concentrados (mais que 50% da matéria-seca da dieta), principalmente, contendo altos níveis de farelos de arroz, de trigo, de amendoim, de soja e de algodão, e grãos de sorgo, já podem suprir as necessidades de algumas categorias ovinas, pois os mesmos são ricos em Cu de boa biodisponiblidade e pobres em Mo e S, sobretudo, quando se utiliza volumosos como silagens e fenos que apresentam uma melhor absorção do Cu do que as gramíneas frescas; 3) Se os ovinos do rebanho são das raças Suffolk, Texel e Ile de France ou mestiços dessas raças, pois esses grupos genéticos são mais susceptíveis a intoxicação por cobre do que as demais; 4) O uso de monensina na dieta aumenta, indiretamente, o nível de Cu absorvido.

Figura 2. Em dietas de alto grão, contendo ionóforos e/ou de acordo com o grupo genético, é possível trabalhar com níveis mais conservadores de suplementação cúprica.



De qualquer forma, os requerimentos de Cu para ovinos variam de 3 a 11mg/kg de MS (matéria-seca) da dieta total, onde o nível tolerável máximo se encontra em torno de 15mg/kg de MS, desde que o nível de Mo fique entre 1-2mg/kg de MS e o nível de S entre 0,15 a 0,25% da MS. Entretanto, com o objetivo de prevenir casos de intoxicação, recomenda-se que o nível de Cu na dieta total não seja maior que 10mg/kg de MS e que os suplementos minerais não contenham mais de 800mg/kg (ou ppm) de Cu.

Assim, a taxa de inclusão de Cu na dieta de ovinos via suplemento mineral irá depender de uma análise mais aprofundada de toda a inter-relação existente entre solo-planta-animal e do manejo do sistema de produção no aspecto nutricional, desde a produção de volumosos ou pastagem até a utilização de concentrados, culminando na formulação da dieta final.

DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

Médico Veterinário, MBA, D.Sc., especializado no sistema agroindustrial da carne ovina. Consultor da Prime ASC - Advanced Sheep Consulting.

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DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 27/11/2008

Olá Marcelo,

Obrigado por sua participação e contribuições!

Abraços,
MARCELO BARSANTE SANTOS

UBERABA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 25/11/2008

Muito bom o artigo sobre o mineral cobre (Cu).

Muitos criadores pensam que o cobre é veneno para ovinos, que matqa e nao deve ser forncecido. Antigamente os riscos e casos eram maiores devido ao forncecimento de cama de frango que agora é proibido. Tambem o uso de sal mineral de bovinos com altas doses de cobre. Mas aogra com irformação o forncecimento de sal bovinos cai muito seu uso para Ovinos.

Lembrando que o Cu é essencial para as funcoes do organismo devido ser fornecido diariamente em doses corretas.

Um abraço : Marcelo Barsante - Neo Ovinos Conslutoria Ltda.
DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 10/11/2008

Olá Rafael,

Realmente, a relação existente entre os minerais Cu, S e Mo são umas das mais complexas que existe. A interatividade existente entre tais minerais é imensa, e tanto o excesso quanto o déficit de qualquer um deles interfere não apenas na absorção, mas também, no metabolismo dos mesmos no organismo animal e nos tecidos de reserva.

O uso de minerais orgânicos objetiva beneficiar o animal em si, por funcionar em um mecanismo do tipo "bypass", onde não há interferência dos microrganismos ruminais. No entanto, é preciso lembrar que esses mesmos microrganismos, tão essenciais para os ruminantes, também possuem requerimentos nutricionais, incluindo os minerais.

Dessa forma, é preciso buscar, a princípio, boas relações entre os minerais da dieta, objetivando suprir as exigências a nível de rúmen e de organismo. Para tanto, o uso de fontes minerais inorgânicos e orgânicos é uma alternativa mais interessante, do meu ponto de vista. Além disso, enxofre e molibdênio são minerais tão importantes quanto o cobre.

A principal questão da suplementação mineral é se adequar ao tipo de dieta e a forma com a qual os ingredientes (pastagens, volumosos conservados, concentrados, etc.) dessa dieta são manejados a nível de produção.

Considero os suplementos minerais fabricados pelas principais empresas brasileiras bons produtos, mas creio que os mesmos não sejam apropriados para todos os sistemas de produção e programas nutricionais, de forma que, em algumas situações, é necessário realizar ajustes ou até mesmo partir para a produção de um suplemento mineral próprio, quando possível.

Obrigado pela participação e desculpe a demora na resposta!!

Abraços,

Daniel
RAFAEL NEPOMUCENO

CURITIBA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 03/11/2008

Caro Daniel;
Parabéns pelo artigo, com certeza quando se fala em mineralização de ovinos a primeira coisa que vem a cabeça do produtor é: " e o Cobre??"
Existe um mineral no mercado que possui Mo e S para poder se ligar com o Cu livre na dieta, e o Cu do mineral é "protegido", é o chamado mineral orgânico, onde a biodisponibilidade deste mineral é alta, e o animal só ira aproveitar o Cu proveniente do suplemento mineral, já que o Cu livre, tanto das pastagens quanto da Dieta ira se ligar com o Mo e S.
O que o Sr me diz disso? Tem conhecimento sobre este mineral. Pois se assim for teremos uma suplementação de Cu ideal.
Att.
DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 22/10/2008

Olá Lucia,

Eu que agradeço a sua participação e fico feliz que o artigo lhe tenha sido útil!!

Abraços,
LUCIA MABEL SAAVEDRA BOUSSES

CAMPO ALEGRE - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 17/10/2008

Daniel,

Excelente artigo. Na condição de criadora de ovinos, em uma região de sólos ácidos e ainda praticando ovinocultura orgânica com correção de solos na base de calcáreo e adubação verde, o artigo nos proporcionou valiosos subsídios para o nosso rebanho.
Muito obrigada,
Lucia Boussès
DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 14/10/2008

Olá Thales,

Obrigado pela sua contribuição, participação e palavras de apreço!!

Abraços,
THALES DOS ANJOS DE FARIA VECHIATO

SÃO BERNARDO DO CAMPO - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 13/10/2008

Caro colega Daniel,

Gostaria de parabenizá-lo pelo artigo. Gostaria apenas de acrescentar que os sinais clínicos clássicos de casos de intoxicação cúprica afetam, em especial, o fígado e os rins, sendo necessário conhecer o diagnóstico e evolução do quadro, pois este será de extrema importância no prognóstico quanto a vida do animal.

Devido ao risco de intoxicação, a utilização de suplemento mineral muitas vezes não é fornecida obedecendo os teores de Cu como deixou claro e objetivo no artigo acima. Vale ressaltar que este mineral é extremamente importante na produção e desenvolvimento animal, porém respeitando seus limites, se torna fundamental para o sucesso da produção e criação de ovinos.

Mais uma vez parabéns!
Forte abraço,