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Importância da sanidade da cultura do milho na qualidade da silagem

POR THIAGO FERNANDES BERNARDES

E RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PRODUÇÃO

EM 26/07/2010

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A silagem de milho é uma importante fonte de energia na dieta de ruminantes no Brasil e em diversas partes do mundo por reunir características favoráveis à fermentação da massa, alta produtividade e elevado valor nutritivo. Para que essas variáveis sejam agrupadas e o processo de ensilagem tenha sucesso, a escolha do híbrido e o manejo da cultura são fatores extremamente importantes.

O híbrido destinado à ensilagem, de preferência, deve obedecer a maioria dos seguintes critérios: 1) ser produtivo, 2) apresentar colmos finos (alta relação entre fibra de folha e fibra de colmo), 3) possuir grãos farináceos, 4) apresentar lenta velocidade de maturação dos grãos (aumentar a janela de corte e exigir menos da colhedora no rompimento dos grãos) e 5) ser tolerante a maioria das pragas e doenças que infestam essa espécie.

O milho apesar de ser considerada uma planta bastante tolerante à ação dos agentes de estresse, seja de natureza abiótica (clima) ou de natureza biótica (organismos vivos), recentemente tem manifestado significativa vulnerabilidade à incidência de doenças.

Ademais, em função da extrema diversidade de sistemas de produção imposta a essa cultura no Brasil, aliado ao seu cultivo sucessivo (ausência de rotação de culturas), desrespeito às épocas adequadas de semeadura em diversas regiões produtoras e recomendações equivocadas de genótipos, dentre outros fatores, têm contribuído para o aumento e a disseminação de patógenos em sua lavoura.

As principais doenças encontradas nos cultivos de milho em nosso país são: a mancha foliar de Phaeosphaeria ou esferulina, a cercosporiose, as helmintosporioses, as podridões da espiga e as ferrugens (polisora, comum ou branca).

Embora saibamos que o desenvolvimento de patógenos na cultura leva à redução na produtividade, pouco é conhecido sobre a presença de doenças na qualidade da silagem. Queiroz et al. (2009) estudaram diferentes níveis de infestação (Figura 1) do fungo Puccinia polysora, causador da Ferrugem polisora na fermentação e valor nutritivo da silagem de milho.



Figura 1. Diferentes níveis de infestação de Ferrugem polisora na cultura do milho. A = plantas sadias; B = nível médio de infestação; C = alto nível de infestação.

A disseminação do fungo Puccinia polysora é realizada principalmente pelo vento. Após o aparecimento das primeiras pústulas nas plantas, ocorre rápida multiplicação do potencial de inoculo do patógeno, que, transportado pelo vento, causa acelerada disseminação da doença no campo enquanto as condições climáticas permanecerem favoráveis. A severidade da ferrugem polisora é favorecida por temperaturas entre 27 a 34ºC e umidade relativa do ar alta (condições predominantes em altitudes inferiores a 700 metros).

No estudo de Queiroz et al. (2009), a fermentação da massa foi desfavorecida pela presença da doença, havendo diminuição dos teores de ácido lático e aumento do pH. A concentração de matéria seca e de fibra das plantas aumentaram com o nível de ataque do patógeno, o que provocou redução linear na digestibilidade das silagens (70% nas silagens com plantas sadias e 60,1% nas silagens com alto nível de infestação).

Outro aspecto interessante do estudo é que nas silagens oriundas de plantas com alto nível do patógeno foi detectado a presença de aflatoxina, uma micotoxina classificada como cancerígena ao homem e, quando ingerida pelos animais em lactação (vaca; ovelha; cabra) passa pelo leite como seu metabólito (aflatoxina M1). Portanto, a contaminação com aflatoxina nos alimentos utilizados para compor a ração dos animais causa dois problemas: a) danos diretos aos animais, se ingerida em concentração elevada, determinando afecções crônicas ou agudas e b) contaminação do leite.

A literatura sobre a patologia de plantas ressalta que quando a ferrugem polisora incide nas fases iniciais de desenvolvimento, a redução na produção é significativa, porém quando ocorre em fases avançadas do ciclo (após grãos leitosos), praticamente não afeta a produção. Contudo, baseado nos resultados do trabalho citado anteriormente, compreende-se que quando as plantas de milho são atacadas por patógenos durante o seu ciclo vegetativo não só a produtividade é afetada, mas também a qualidade final do alimento.

Cumpre salientar que redução na digestibilidade da silagem, como foi observado no estudo de Queiroz et al. (2009), acarreta aumento nos custos de alimentação, pois maior quantidade de ingredientes concentrados deverá compor a dieta dos animais. Além deste fato, a presença de micotoxinas leva a redução na produtividade do rebanho e contaminação de produtos de origem animal, principalmente o leite.

Bibliografia consultada

QUEIROZ, O.C.M.; ADESOGAN, A.T.; KIM, S.C. Effect of rust infestation on silage quality. In: INTERNATIONAL SILAGE CONFERENCE. 15a ed. Madison: USDA, 2009, p. 303-304.

THIAGO FERNANDES BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

Zootecnista pela Unesp/Jaboticabal.
Mestre e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP.
Gerente de Nutrição na DeLaval.
www.facebook.com.br/doctorsilage

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HUGO BEZERRA

EM 03/09/2013

costumo plantar milho consociado com braquiara. mas gostei desas observcoes e pesquiisas e queria saber se vces ja tem augun estudos com mandioca e rama da mesma.
TATIANA KRENZINGER

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 23/08/2010

gostei muito do conteudo.