FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

Impacto da nutrição na gestação para obtenção de bons resultados produtivos

PRODUÇÃO

EM 23/08/2013

4
0
Autores*
Luiza de Ávila Sphor - Engenheira agrônoma, Doutoranda, UFRGS; 
Mylena Taborda Peres - Graduanda em Zootecnia, UFPR;
Alda Lucia Gomes Monteiro - Professora, Depto. de Zootecnia, LAPOC/UFPR;
César Henrique Poli - Professor, Depto Zootecnia, UFRGS.

A produção ovina ocorre predominantemente em sistemas de criação extensiva no Sul do Brasil, e não são todos os ovinocultores que dispõem de oferta de pastagem e/ou reserva forrageira para satisfazer de forma correta a demanda nutricional dos animais nos meses de outono-inverno, quando a quantidade e qualidade do pasto, muitas vezes, pode estar comprometida devido às influências climáticas. Entre os meses de maio e agosto é o período em que a quase totalidade das ovelhas está gestando e é neste momento, de alta demanda, que muitas vezes elas estão sofrendo menor disponibilidade alimentar.

Nos primeiros 90 a 100 dias de gestação a ovelha não apresenta grande incremento das necessidades energéticas e protéicas, suas exigências nutricionais são levemente superiores a de ovelhas não gestantes, e neste período se faz necessário apenas evitar a perda de peso e de escore de condição corporal. Entretanto, com a proximidade do terço final da gestação, inicia-se a fase de maior atenção e preocupação com a nutrição materna, pois nestes últimos 50 a 60 dias de gestação o cordeiro irá crescer o equivalente a aproximadamente 70% do seu peso total ao nascimento. É também neste momento que haverá desenvolvimento da glândula mamária e formação do colostro, aumentando ainda mais as exigências nutricionais da gestante.

Embora a maior demanda energética por parte do cordeiro ocorra nos meses prévios ao parto, um adequado suprimento nutricional para a ovelha deve ocorrer durante todas as fases da gestação.

Ente os dias 30 e 80 pós-concepção, a placenta está em formação e é ela a responsável por controlar majoritariamente a oferta de nutrientes para o feto em ovelhas gestantes e o tamanho placentário está correlacionado fortemente com o peso do cordeiro ao nascimento (KELLY e NEWHAM, 1990). Alexander (1964) descreveu correlação positiva entre o peso ao nascer de cordeiros e o peso de cotilédones placentários. Desta forma, o manejo e a nutrição durante a gestação podem afetar o número e o tamanho dos cotilédones placentários, consequentemente afetando o fluxo nutricional e o peso do futuro cordeiro.

Portanto, mesmo não existindo grande demanda direta de nutrientes por parte do cordeiro antes dos 100 dias de gestação, a nutrição que a gestante está recebendo será responsável pelo potencial produtivo da prole. Há demanda de nutrientes para a formação correta da placenta, e esta não pode ser desconsiderada no momento de programarmos o manejo nutricional das gestantes. Ovelhas com nutrição restrita durante o terço médio da gestação (50 a 100 dias pós-concepção) poderão apresentar desenvolvimento placentário deficitário ocasionando menor peso da prole no nascimento, menor vigor e diminuição dos níveis de sobrevivência, comprometendo os índices zootécnicos da propriedade.

Vários trabalhos vêm demonstrando a importância da nutrição materna não somente no peso ao nascimento de cordeiros. Mellor e Murray (1985) avaliando ovelhas com três níveis nutricionais durante a gestação concluíram que o peso do úbere foi significativamente inferior e a produção de colostro foi quatro vezes menor em fêmeas com baixos níveis nutricionais na gestação. Igualmente, Banchero et al. (2006) observaram que o acúmulo de colostro no momento do parto foi aproximadamente 62% inferior em ovelhas com restrição alimentar, e concluíram que, o regime hormonal é inadequado para o desenvolvimento correto do úbere e para a boa síntese de colostro em ovelhas com déficit alimentar na prenhez.

Já Dwyer et al. (2003), observando o comportamento pós-parto de ovelhas, constataram que fêmeas que sofreram restrição alimentar na gestação dedicam menos tempo para lamber seus cordeiros, são mais agressivas para com estes e possuem menor vínculo mãe-filhote.

Conseguir mamar nos primeiros minutos após o nascimento, tendo acesso a uma fonte energética que irá auxiliar na manutenção da temperatura corporal, assim como conseguir firmar vínculo com a mãe é o principal fator para a sobrevivência do cordeiro após o parto. Em regiões onde a estação de parição ocorre em períodos frios do ano e os animais encontram-se sem abrigos e expostos a possíveis predadores, a proximidade com a mãe e a ação desta como protetora é imprescindível para a sobrevivência do cordeiro.

Além do peso ao nascimento e sobrevivência, outros fatores podem ser influenciados pelos níveis nutricionais da ovelha no momento da gestação. Estes incluem: composição de carcaça, produção de lã, desempenho reprodutivo, comportamento e a susceptibilidade a doenças e estresse (ASHWORTH, 2009).

Em ovinos, o potencial produtivo de carne é, em parte, fixado no período embrionário-fetal. As células que darão origem aos músculos do cordeiro iniciam sua formação ainda no primeiro terço da gestação, e a baixa nutrição da ovelha poderá gerar diminuição do número total de células musculares nos cordeiros comprometendo desta maneira seu potencial produtivo de carne, variando a conformação da carcaça e modificando a composição da mesma.

Aproximadamente aos 50 dias de gestação inicia-se a formação das estruturas que darão origem aos folículos formadores de lã do cordeiro. No momento do nascimento, este já possui fixado a quase totalidade do seu número total de folículos lanares, não havendo expressivo desenvolvimento destas estruturas no pós-parto. Este fator nos remete, mais uma vez, à grande importância que existe na contemplação dos requerimentos nutricionais das ovelhas gestantes.

Alcançar bons índices zootécnicos em um rebanho ovino exige atenção e empenho em diversos aspectos. Entre eles, como é sabido, a sanidade e a nutrição são fundamentais. O requerimento nutricional para cada uma das categorias e fase fisiológica em que esta se encontra é diferenciado. Acompanhar periodicamente o rebanho de cria, observar a condição corporal das fêmeas e certificar-se de que as mesmas possuem correta disponibilidade de alimentos é imprescindível para o sucesso da produção pecuária. O descuido com a nutrição das matrizes pode gerar perdas econômicas e diminuição do potencial produtivo. A utilização de reprodutores de alto valor genético pode não ser satisfatória se o feto não possuir suficiente condição de expressar todo o seu potencial.

Contudo, dentro dos rebanhos comerciais e para um sistema produtivo rentável, muitas vezes o fornecimento de concentrado ou a implantação de pastagens pode não ser viável. Conhecer qual o melhor momento para suplementar as ovelhas gestantes, tentando minimizar os efeitos da subnutrição sobre os cordeiros se faz necessário na busca por melhor manejo do rebanho.

Visando aprofundar o conhecimento sobre o tema, foi realizado no primeiro semestre de 2013, um experimento em conjunto entre a Universidade Federal do Paraná e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no qual se buscou determinar qual o efeito da restrição nutricional em cada uma das fases da gestação em ovinos. O experimento foi conduzido no Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos (LAPOC) da Fazenda Experimental da UFPR, com ovelhas cruza White Dorper x Suffolk, com dieta a base de pastagem de Tifton e diferentes momentos de suplementação concentrada. Avaliou-se o perfil metabólico das gestantes e de seus cordeiros, assim como a produção e composição de colostro e leite, sobrevivência, vigor e ganho de peso dos cordeiros. A proposta principal é localizar em qual das fases gestacionais (terço inicial, mediano ou final) as restrições nutricionais poderão causar mais impacto nos resultados produtivos da criação de cordeiros para carne, a fim de contribuir com o conjunto de informações já existentes quanto ao manejo nutricional de ovelhas gestantes.


Referências bibliográficas

ALEXANDER, G.; Studies on the placenta of the sheep (Ovis aries) placental size, Journal of Reproduction and Fertility, v.7, p.289-05, 1964.

ASHWORTH, C.J.; DWYER, C.M.; MCEVOY, T.G.; ROOKE, J.A.; ROBINSON, J.J; The impact of in utero nutritional programming on small ruminant performances Options Méditerranéennes, v. 85, 2009.

BANCHERO, G.; PERES, R.;BENCINI, R.; LINDSAY, D.; JOHN, T.B.; GRAEME, B.; Endocrine and metabolic factors involved in the effect of nutrition on the production of colostrum in female sheep, Reproduction Nutrition Development, v.46, p.447–460, 2006.

DWYER, C.; LAWRENCE, A.; BISHOP, S.; LEWIS, M.; Ewe–lamb bonding behaviours at birth are affected by maternal undernutrition in pregnancy British Journal of Nutrition, v.89, p.123–136, 2003.

KELLY, R.W.; NEWHAM, J.P. Nutrition of the pregnant ewe. Reproductive Physiology of Merino Sheep: Concepts and Consequences. Australia. The University of Western Australia. 1990. 327p.

MELLOR, D.J.; MURRAY, L.; Effects of maternal nutrition on udder development during late pregnancy and on colostrum production in Scottish Blackface ewes with twin lambs. Veterinary Science, v.39 p.230–234, 1985.
 

4

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

JOSÉ CARLOS RODRIGUES DA LUZ

SERRA TALHADA - PERNAMBUCO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 02/09/2013

Olá senhores!

Pelo pouco que conheço  sobre a raça nativa do semiárido, quando a fêmea apresenta o cio deve ser colocada com o macho  e ao ser enxertada ,ela mesma afasta-se do mesmo. E êle também não se sente mais atraido por não sentir a presença do cio.  Abraços   e até a proxima.
LUIZ CARNEIRO

RIO BONITO - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 29/08/2013

Obrigado Luiza, gostei da sugestão de colocar o carneiro separado, é uma ótima ideia para ter cordeiros de mesma idade.
LUIZA

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 23/08/2013

Ola Luiz,

Sim, existem técnicas para identificar o período gestacional.

A ultrassonografia é o meio de diagnóstico mais comum. Após a captura da imagem do cordeiro, faz-se uma medição e o equipamento informa quantos dias o feto possui, quantos fetos estão sendo gestados e, dependendo da fase da gestação e experiência do técnico pode-se até mesmo saber o sexo.

O diagnóstico por ultrassonografia é mais eficiente no período entre 28 e 70 dias de gestação. Após este tempo o cordeiro já está muito grande e a confiabilidade da idade gestacional pode ficar comprometida.

Já que estás atuando em uma região onde as fêmeas estão receptivas ao macho durante todo o ano, talvez seja interessante teres um piquete separado para o carneiro. E colocá-los juntos em determinados períodos do ano. Desta maneira você terá um maior número de fêmeas com a mesma idade gestacional te facilitando o manejo de suplementação, de parição e obtendo um número maior de cordeiros de mesma idade o que te dará homogeneidade do lote para conseguir uma melhor venda.

Espero ter ajudado

Abraços

LUIZ CARNEIRO

RIO BONITO - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 23/08/2013

Olá, sou novo criador e adquiri oitenta fêmeas a dois meses atrás. Já havia estudado sobre a importância dos últimos 50 dias de gestação para a formação de recém nascidos, porém, minha dificuldade é determinar em que período de gestação está a ovelha. Já que as minhas são deslanadas e pelo que estudei, estas ficam no cio o ano inteiro, ou seja não tem estação de monta. Podendo ficar prenhe a qualquer época do ano.

Existe alguma técnica para diagnosticar a prenhes e o tempo de gestação?

Abraços