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Herdabilidade e sua importância na seleção de ovinos de corte

PRODUÇÃO

EM 03/01/2013

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Autoras:

Priscilla Regina Tamioso - Curitiba – Paraná
Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias da Universidade Federal do Paraná - UFPR. E-mail: priscillatamioso@gmail.com

Profa. Dra. Laila Talarico Dias - Curitiba - Paraná
Depto de Zootecnia da UFPR. Email: lailatalarico@ufpr.br

A herdabilidade, representada por h², é um coeficiente determinado por métodos estatísticos com o objetivo de identificar se uma característica de interesse econômico é ou não passível de seleção direta.

Os caracteres qualitativos, tais como cor da pelagem, ausência ou presença de chifres, aprumos, além de serem determinados por poucos pares de genes, são pouco influenciados pelo meio ambiente e, portanto, apresentam alto coeficiente de herdabilidade. Já para as características quantitativas, como peso e ganho de peso, altura, número de cordeiros nascidos por parto, perímetro escrotal, idade ao primeiro parto, utilizadas frequentemente como critérios de seleção em programas de melhoramento genético, a herdabilidade varia de baixa a alta magnitude, pois, além de serem expressas por muitos pares de genes, são influenciadas pelo ambiente (manejo) em que os animais são criados.

Mas, de que forma isso acontece? Qual a importância da herdabilidade de uma característica?

O desempenho de um animal, denominado fenótipo (P), é resultado do somatório dos efeitos do genótipo (G) ou patrimônio genético do animal e do ambiente em que vive (E). Matematicamente, podemos representar da seguinte forma: P = G + E. No entanto, dentro de um rebanho, há variação entre o desempenho dos animais, mesmo quando os indivíduos são irmãos. Sendo assim, quando se trata da variação/variância (V), isto é, da diferença que há no desempenho dos animais de um plantel em relação a uma determinada característica, a equação apresentada acima pode ser escrita como: VP = VG + VE.

A fração da variação correspondente à genética do animal (VG) é devida a variação genética aditiva (VA) e variação genética não aditiva (referente à dominância e à epistasia, VD e VI, respectivamente). Por essa razão, a equação que determina a variação fenotípica é descrita como: VP = VA + VD + VI + VE.

A partir da obtenção dos componentes de variância, é possível estimar a herdabilidade (h²) de uma dada característica, que reflete a proporção da variância fenotípica (VP) causada por diferenças entre os genótipos dos indivíduos. Assim, a h² é calculada a partir da relação entre a variância genética aditiva (VA) e a variância fenotípica (VP): h²=VA/VP

A herdabilidade, também denominada heritabilidade, hereditabilidade ou coeficiente de herança, pode ser definida como a superioridade (ou inferioridade) dos pais em relação à determinada característica que será transmitida a sua progênie (Falconer e Mackay, 1996). O conhecimento da herdabilidade é essencial para a definição dos métodos de melhoramento genético mais apropriados (Pereira, 2004) e a escolha de indivíduos candidatos à seleção, porém, vale ressaltar que a herdabilidade é um parâmetro de uma dada característica e não de um indivíduo.

Este coeficiente varia de 0 a 1 (0 a 100%) e, segundo Bourdon (1997), a herdabilidade pode ser classificada em: baixa, moderada ou alta magnitude. Em geral, a baixa magnitude (menor ou igual a 20%) pode ser explicada quando o efeito ambiental for importante e a correlação entre o genótipo e fenótipo for pequena, o que na prática quer dizer que o desempenho apresentado pelo animal está associado ao ambiente a ele proporcionado. O coeficiente de herdabilidade moderado varia entre 20% e 40%, e alto, quando for maior ou igual a 40%, sendo que, neste caso, a correlação entre o fenótipo e o genótipo do indivíduo é alta. Em outras palavras, significa que o desempenho do animal reflete, em grande parte, a genética e, por essa razão, as características que têm alta herdabilidade são mais facilmente selecionadas, pois os animais que apresentam o melhor desempenho são os geneticamente superiores para determinadas características.

Em ovinos, de maneira geral, as características de desempenho ponderal apresentam coeficientes de herdabilidade que variam de baixos a altos e para caracteres referentes à qualidade do produto (carcaça) os valores de h² são geralmente maiores (Tabela 1). Por outro lado, as reprodutivas apresentam magnitude baixa, visto que são bastante influenciadas pelo manejo (ambiente) e possuem baixa variação genética aditiva (VA) (Resende e Rosa-Perez, 2002).

Tabela 1: Estimativas de herdabilidade para características economicamente importantes, referentes ao desempenho ponderal (a), qualidade de carcaça (b) e reprodutivas (c), em ovinos de diferentes raças criadas no Brasil.



Pela Tabela 1 nota-se que as características de desempenho ponderal e qualidade de carcaça poderiam ser utilizadas como critérios de seleção em ovinos de corte. Por outro lado, para os caracteres reprodutivos, a seleção com base no desempenho do animal não é simples, uma vez que o desempenho tem pequena relação com a genética do animal. Entretanto, é importante destacar que, embora a seleção para estas características seja complexa, é necessário realizá-la dada a importância econômica das mesmas para a produção de ovinos de corte.

Para que seja possível o estudo dos componentes de variância das características de interesse econômico, a fim de identificar quais poderão ser utilizadas como critérios de seleção e assim proceder a escolha de sistemas de seleção de ovinos de corte, é importante que os criadores realizem o controle zootécnico de seus rebanhos, de forma a permitir que a variação genética seja estimada, e assim contribuir para a implementação de programas de melhoramento genético para esta espécie.

Literatura consultada


BOURDON, R. M. Understanding animal breeding and genetics. 1 ed. Nova York: Prentice-Hall, 1997.

FALCONER, D.S.; MACKAY, T.F.C. Introduction to quantitative genetics. 4. ed. Longman: Essex UK, 1996.

FOGARTY, N.M.; SAFARI, E.; TAYLOR, P.J. et al. Genetic parameters for meat quality and carcass traits and their correlation with wool traits in Australian Merino sheep. Australian Journal of Agricultural Research, v. 54, p. 715-722, 2003.

MAXA, J.; NORBERG, E.; BERG, P. et al. Genetic parameters for body weight, longissimus muscle depth and fat depth for Suffolk sheep in the Czech Republic. Small Ruminant Research, v.72, p. 87-91, 2007.

McMANUS, C.; MIRANDA, R.M. Estimativas de parâmetros genéticos em ovinos Bergamácia. Revista Brasileira de Zootecnia, v.27, p. 216-221, 1998.

NESER, F.W.C.; ERASMUS, G.J.; van WYIK, J.B. Genetic parameter estimates for pre-weaning weight traits in Dorper sheep. Small Ruminant Research, v.40, p. 197-202, 2001.
PEREIRA, J.C.C. Melhoramento genético aplicado à produção animal. 4. ed. Belo Horizonte: FEPMVZ Editora, 2004.

QUESADA, M.; McMANUS, C.; COUTO, F.A.A. Efeitos genéticos e fenotípicos sobre características de produção e reprodução de ovinos deslanados no Distrito Federal. Revista da Sociedade Brasileira de Zootecnia, v.31, p.342-349, 2002.

RESENDE, M.D.V.; ROSA-PEREZ, J.R.H. Genética e melhoramento de ovinos. Curitiba: Ed. UFPR, 2002.

SARMENTO, J.L.R.; TORRES, R.A.; PEREIRA, C.S. et al. Estimação de parâmetros genéticos para características de crescimento de ovinos Santa Inês utilizando modelos uni e multicaracterística. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v.58, p.581-589, 2006.

SILVA, F.L.R.; MILAGRES, J.C.; LIMA, E.A.M. et al.Efeito de fatores genéticos sobre o crescimento pré-desmama em cordeiros mestiços Santa Inês, no Estado do Ceará. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.28, p.627-633, 1993.

SOMAVILLA, A.L.; DIAS, L.T.; TEIXEIRA, R.A. Environmental and genetic effects on conformation, precocity and musculature traits at weaning in Suffolk lambs. Small Ruminant Research, v.102, p.131-134, 2011.

SOUSA, W.H.; PEREIRA, C.S.P.; BERGMANN, J.A.G. Estimativas de componentes de (co) variância e herdabilidade direta e materna de pesos corporais em ovinos da raça Santa Inês. Revista da Sociedade Brasileira de Zootecnia, v.28, p.1252-1262, 1999a.

SOUSA, W.H.; PEREIRA, C.S.; SILVA, F.L.R. Modelos linear e não linear em análises genéticas para sobrevivência de crias de ovinos da raça Santa Inês. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v. 51, p.287-292, 1999b.



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ANTONIO MARCIO

VALENTE - BAHIA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 22/04/2013

como todos sabem ñ se obtem um bom melhoramento sem se adequar a todas as nessecidades nutricionais e sanitárias necessarias.

CECILIO BALBINO

FEIRA DE SANTANA - BAHIA

EM 05/01/2013

Certa vez ouvi uma frase que dizia: O animal é o que ele come. Não sei quem disse, mesmo assim estou citando. Isso não quer dizer que o animal é um monte de capim ou um pacote de concentrado. Mas acredito que quando bem alimentado, bem nutrido em seu ambiente o animal tem a capacidade de expressar seu potencial produtivo. A seleção das melhores caracteristicas de herdabilidade é de grande importância para o melhoramento.


Parabéns pelo artigo.