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Formulação otimizada de aminoácidos para bovinos leiteiros

POR JUNIO CESAR MARTINEZ

PRODUÇÃO

EM 26/03/2012

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De longa data sabemos que os aminoácidos lisina e metionina são os dois primeiros aminoácidos mais limitantes para vacas em lactação, e sua concentração na proteína metabolizável afeta o desempenho desses animais. Esse dois aminoácidos são tão importantes que no ano de 2001 o NRC divulgou a necessidade de fornecimento ao nível ótimo, uma vez que várias pesquisas relataram diferentes produções de leite e de proteína do leite quando se alterava as concentrações de metionina e lisina.

É sabido que o adequado suprimento de lisina e metionina proporcionam:
- aumento na produção de proteína do leite e gordura.
- reduz a necessidade de proteína não degradável no rúmen.
- reduz excreção de nitrogênio por unidade de leite ou por unidade de proteína do leite produzida.
- melhora a reprodução e a saúde das vacas.
- aumenta a rentabilidade.

Entretanto, embora o foco ainda continue sendo lisina e metionina, uma re-avaliação das doses recomendadas pelo NRC foi feita pelos pesquisadores Charles e Schwab, ambos da Universidade de Nova Hampshire, nos Estados Unidos. Essa re-avaliação é interessante porque quando o NRC determinou o que seria requerimento de lisina e metionina, o comitê usou doses-respostas obtidas de forma indireta descrita por Rulquin et al (1993). Assim, o sub-modelo para aminoácido (páginas 74-81 no NRC 2001) tinha sido desenvolvida antes da versão final do modelo ser disponibilizado, sendo que uma versão beta foi usada para predizer as concentrações de lisina e metionina. Desta forma, variações podem ter sido feitas até a validação do modelo, o que pode ter modificado as predições das concentrações desses aminoácidos na proteína metabolizável. Preocupado com isso, Schwab re-avaliou o modelo no ano de 2009.

Todos os passos estabelecidos pelo NRC foram refeitos e encontram os seguintes resultados (Tabela 1).

Tabela 1. Requerimento das concentrações de lisina e metionina preditos por diferentes modelos



Considerações finais

O conceito de balanceamento de dieta por aminoácidos continua atual. Os benefícios citados no texto foram novamente evidenciados por esta re-avaliação. Ainda, notou-se que aumentos na proteína e gordura do leite em 0,1 e 0,25 por cento proporcionaram retorno sobre o investimento entre 2 a 3,5 vezes.

Os aumentos na produção de leite são mais evidentes no início da lactação. Por fim, com o aumento dos preços dos insumos, o adequado balanceamento de aminoácidos na ração poderá aumentar o leite e reduzir os custos com alimentação.

JUNIO CESAR MARTINEZ

Doutor em Ciência Animal e Pastagens (ESALQ), Pós-Doutor pela UNESP e Universidade da California-EUA. Professor da UNEMAT.

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JOSÉ CLAUDIO

EM 17/06/2019

TEM ALGUM ARTIGO SOBRE O ASSUNTO
JOSÉ CLAUDIO

EM 17/06/2019

QUAL A DIFICULDADES DE UTILIZAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DE AMONIÁCIDOS PARA VACAS LEITEIRA
HAMILTON LARA

SÃO TIAGO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/08/2017

Prezado Dr Julio,



Primeiramente, parabéns pela escolha do tema abordado e a clareza nas explicações aos interessados. Tenho um pouco de metionina, entretanto, como o uso é pouco por dia/mês está está com a validade até 2018. No caso de extrapolar esta data eu poderia continuar o uso da mesma forma/quantidade para os mesmos efeitos ?



Muito Obrigado, Hamilton 31 9 9101 9586
JOÃO HENRIQUE DUMKE

SÃO MIGUEL DO OESTE - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/09/2013

Boa noite.



Alguem tem algum resultado custo/beneficio da suplementaçao da metionina?



abraços
RICARDO OLIVEIRA

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 14/09/2013

BOA NOITE JUNIO, GOSTARIA SE POSSÍVEL RECEBER MATERIAL SOBRE O ASSUNTO DISCUTIDO.

ABRAÇOS.
KATIA TATIANA DE LIMA

MOSSORÓ - RIO GRANDE DO NORTE

EM 20/05/2013

Junior tem algum trabalho de utilização de suplementação com aminoácido e enzimas na dieta de bezerros
ANDREIA RENATA CUNHA MEDEIROS

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO - MÉDICO VETERINÁRIO

EM 30/11/2012

Aproveito o espaço para parabenizar o autor do tema abordado, apesar de não ser hoje uma realidade para o Brasil, é extremamente importante conhecermos novas tendencias, principalmente relacionadas a nutrição.



Um carinhoso abraço! Andreia Medeiros - RJ / Juiz de fora - MG
ALLAN DE OLIVEIRA BARBOSA

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 18/11/2012

É extremamente importante , estes uso de metionina e lisina na dieta animal , mas esperamos que as empresas públicas e privadas , financiam , pesquisas , onde otimizamos , a produção de volumosos com baixo custo em utilização de pastagens , sabemos que sou extensionista rural , onde os maiores problemas das vacas na região de juiz de fora - mg e zona da mata , onde atuo e produzir comidas . As vacas no brasil , hoje necessitaram de uma campanha em fome zero , não adiatam trazer pesquisas com aminoácidos , são não temos nem fibras disponivél em um ambiente ruminal , por que as vacas passam , fome , tivemos uma tremenda seca , com impactos á nivél de reprodução terriveis . Vacas em anestros nutriconal , por falta de comida , além de tudo necessitamos , sermos bons agricultores de volumosos , para sermos , bons , pecuarista e sim otimizar estes aminoácidos na nutrição de vacas .

Abraços a todos , allan barbosa - consultor de campo - Juiz de fora - mg .
Temos que aprender fazer o básico e termos mais gente trabalhando no campo .
GEOVANI

FRANCISCO BELTRÃO - PARANÁ - ESTUDANTE

EM 09/04/2012

Junio ou quem souber, quais seriam os produtos comerciais disponíveis no Brasil para suplementar os animais como estes aminoácidos ?

Tens idéia do custo ?

Obrigado
JUNIO CESAR MARTINEZ

TANGARÁ DA SERRA - MATO GROSSO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 30/03/2012

Prezado Alexandre,

A lei do mínimo determina o tipo de resposta. Assim, caso existam fatores de produção mais limitantes, a adição de aminoácido só resultará em resposta positiva quando todas as demais condições foram satisfeitas. Obviamente que no Brasil, o "manejo" de nosso rebanho deixa muito a desejar, o que afeta negativamente as respostas à suplementação com aminoácidos. Infelizmente nunca conduzi estudos com aminoácidos para falar com maior propriedade sobre o assunto. Portanto, minhas afirmações são pautadas com base em revisão de literatura, o que inclui as importantes contribuições da Embrapa. Como a literatura em português é de fácil acesso, procuro usar esse espaço buscando informações  publicadas na língua inglesa, por acreditar estar agregando mais informações à este fórum.  Aliás, me esquci de colocar que o artigo foi uma compilação de publicações dos professores Schwab & Whitehouse, do Departmento de Ciências Biológicas da Universidade de New Hampshire, EUA.
ALEXANDRE M. PEDROSO

SÃO CARLOS - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 30/03/2012

Junio, não sei qual a sua experiência com o tema, mas afirmar que será verificado aumento na produção de leite quando se usar suplementação com metionina é, no mínimo, temerário. Os resultados observados em fazendas no Brasil é totalmente inconsistente, e depende de muitos fatores que não estão sob o controle do nutricionista, nem do produtor.

Como eu disse anteriormente, acredito muito no conceito do balanceamento por aminácidos, mas ainda temos muito que estudar e aprender antes de afirmar que vamos conseguir respostas positivas ao usar a técnica. Há diferentes formas de metionina no mercado, para uso em dietas de ruminantes, com modos de ação diferentes, a variabilidade na composição das dietas no Brasil é muito grande, especialmente para rebanhos mantidos em pastagens, o que torna a tarefa bem mais complicada do que nos EUA, onde as dietas são mais padronizadas, especialmente o que se refere aos volumosos.

As doses normalmente utilizadas de metionina para acertar a relação Lisina: Metionina na dieta giram em torno de 20g/vaca/dia nas nossas condições.

No meu comentário anterior, observei que os aumentos relatados por você nos teores de gordura e proteína eram em pontos percentuais, o que é diferente de diferença percentual, como colocado no seu artigo. Por exemplo, se o teor de proteína passa de 3,1 para 3,2 (diferença de 0,1 ponto percentual) isso equivale a um aumento de 3% no parâmetro.

Abs!
JUNIO CESAR MARTINEZ

TANGARÁ DA SERRA - MATO GROSSO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 28/03/2012

Prezado Alvaro,

Sim, será verificado um aumento na produção de leite quando da suplementação.

Sobre quanto fornecer, difícil dizer, pois não sei quão carentes ou deficientes os animais estão. Quanto mais carente/deficiente o animal estiver, mais ele será responsivo a doses mais elevadas de aminoácido. Assim, a dose ótima poderá variar deste 3g/animal/dia a até 10g/animal/dia, pelo menos é esse o intervalo que já li relatos na literatura.
JUNIO CESAR MARTINEZ

TANGARÁ DA SERRA - MATO GROSSO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 28/03/2012

Prezado Alexandre,

Sim,  o aumento citado nas considerações finais é sobre o percentural do componente do leite.



Prezada Marina,

Questão 1. O requerimento do animal é em aminoácido, não em proteína. Entretanto, o valor biológico da proteína muito influencia na utilização dos aminoácidos, e destacadamente, dos aminoácidos essenciais.



Questão 2. A suplementação com metionina melhora o desempenho reprodutivo indiretamente por proporcionar melhorias na condição corporal das vacas, e diretamente atuando na folículos (tamanho) e na taxa de ovulação. Leia o artigo de Alonso, L. et al. Effect of ruminally protected Methionine on the productive and reproductive performance of grazing Bos indicus heifers raised in the humid tropics of Costa Rica. Tropical Animal Health and Production. Volume 40, Number 8, 667-672. Mais informações podem ser encontradas em:  Khalili, M. Effects of supplemental chromium-methionine on reproductive performance of dairy cows in transition

period. Journal of Cell and Animal Biology Vol. 5(16), pp. 339-343, 30 December, 2011

Também em ROBERT et al. The effect of protected methionine supplementation on dairy cow fertility. Jounal of Dairy Science, v. 79, suppl. 1: abstract 77. 1996.

E em SANTOS, J. P. Nutritional management strategies to improve reproductive efficiency in dairy cattle. Proceedings of the Intermountain Nutritional Conference, p. 101-120. 2005.



Questão 3. O requerimento da vaca é em g/d, mas deverá existir um balanceamento adequado de aminoácidos essenciais na composição da proteína metabolizável, e isso não é diferente para a lisina e a metionina.



Questão 4. Os valores apresentados na tabela é a proporção de lisina e metionina na composição da proteína metabolizável. Se observa que cada modelo difere discretamente nas recomendações de níveis ótimos para ambos os aminiácidos.



Marina, se conseguir esse referência, poderia me enviar? SCHWAB, C. G.; ORDWAY, R. S.; WHITEHOUSE, N. L. Amino acid balancing in the context of MP and RUP requirements. Florida Ruminant Nutrition Symposium 15th Annual Meeting. 2004.

ALVARO OLHER AREAL

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/03/2012

Boa noite !

Gostaria das seguintes informações :

Temos aumento na produção de leite pelo animal com o uso de metionina e lisina na dieta ?

Qual seria o parametro usado para adicionar lisina e metionina na dieta de uma vaca e qual a quantidade indicada ?
MARINA A. CAMARGO DANÉS

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 26/03/2012

Junio, parabéns por trazer para discussão esse tema tão interessante em nutrição de vacas leiteiras. É fundamental pensarmos em formulação para AA se quisermos aumentar a eficiência de utilização do N dietético e reduzir excreção. Gostaria de saber sua opinião em alguns tópicos relacionados a esse assunto.

1. Você acredita que a suplementação de metionina e lisina proporciona os benefícios citados no seu texto com qualquer tipo de dieta (assumindo dietas isoprotéicas, mas com diferentes ingredientes)? Pergunto isso pois esses níveis determinados como ótimos foram obtidos de experimentos feitos com dietas principalmente à base de silagem de milho e de alfafa como volumosos e milho e farelo de soja no concentrado. No Brasil, além da maior utilização de pastagens como volumoso, também utilizamos muitos subprodutos no concentrado. A resposta esperada da suplementação com esses aminoácidos é a mesma?

2. Quais os efeitos da suplementação com metionina e lisina na reprodução e saúde das vacas?

3. Você acha mais adequado tratar os requerimentos de AA como % da proteína metabolizável ou como valores absolutos (g/d)? Apesar da maioria das recomendações falar em % PM, o requerimento do animal é em g/d, certo?

4. Fiquei com dúvida em relação à tabela. Qual a relação dos dados apresentados na tabela (predições com diferentes modelos) com o trabalho feito pelo Dr. Schwab  para reavaliar o modelo do NRC?

Aguardo seus comentários! Um grande abraço,

Marina
ALEXANDRE M. PEDROSO

SÃO CARLOS - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/03/2012

Meu caro amigo Junio,

Esse tema é muito interessante e importante. O conceito do balanceamento por aminoácidos nos ajuda muito a formular dietas mais equilibradas que podem dar um bom resultado, mas a coisa não é tão simples. O maior entrave é saber a composição em aminoácidos dos alimentos, especialmente volumosos. Talvez essa seja a razão principal da dificuldade em obter os resultados esperados no campo, principalmente em rebanhos mantidos em pastagens.

Trabalhos europeus mostram que em dietas à base de silagem de capim e grãos de cevada ou aveia o AA mais limitante é a histidina, é essa situação não é muito diferente de dietas com pasto tropical e milho moído. Precisamos lembrar que a base de dados dos EUA foi obtida quase que exclusivamente a partir de dietas com silagem de milho, milho em grãos e farelo de soja, e nossa realidade é bem mais diversa. Tive oportunidade de aplicar o conceito do balanceamento por AA em várias fazendas, com resultados bastante discrepantes, mas continuo usando nos meus trabalhos.

Gostaria de fazer uma observação: nas suas considerações finais você cita aumentos na proteína e gordura do leite em 0,1 e 0,25 por cento, mas acredito que seriam 0,1 e 0,25 pontos percentuais, não é?

Abs!