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Espaço Acadêmico: Potencial de uso de bovino girolando na produção leiteira

POR GUSTAVO HENRIQUE PEREIRA VILELA

PRODUÇÃO

EM 10/06/2015

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A cadeia produtiva do leite no Brasil vem enfrentando alterações significativas nos últimos anos. Assim, a profissionalização passa a ser vital no sistema de produção, bem como a eficiência da empresa rural. Os avanços tecnológicos, tanto em manejo, quanto na genética dos animais utilizados na bovinocultura leiteira, se mostra uma realidade necessária para que a produção continue sendo competitiva no mercado mundial. A importância que a atividade leiteira adquiriu no País é incontestável, tanto no desempenho econômico como na geração de empregos permanentes.

O setor primário envolve cerca de cinco milhões de pessoas, considerando, em média, três milhões de pessoas trabalhando na produção de leite e os produtores, que somam 1,35 milhões, movimentando em toda sua cadeia cerca de R$ 64 bilhões/ano. Esse valor só não é maior porque mesmo tendo o maior rebanho leiteiro do mundo o Brasil apresenta uma das piores produtividades médias entre os países produtores. Hoje a média de produção é de 4,88 Kg de leite/vaca/dia, muito abaixo de outros países produtores como os Estados Unidos que é de 25,72 Kg de leite/vaca/dia.

Essa baixa produtividade provavelmente se da pela utilização de animais sem padrão racial definido e pelos sistemas de manejos inadequados que são utilizados na maioria das propriedades produtoras de leite do País. Neste contexto o girolando se apresenta com um grande potencial para o aumento da produtividade média de leite no País, uma vez que o girolando é um animal rústico, produtivo e adaptável aos mais variados sistemas de manejo, desde sistemas totalmente extensivos a pasto, até sistemas intensivos confinados.

Assim, o aumento da eficiência produtiva que leve ao aumento da média/animal se mostra uma realidade necessária para que a produção leiteira nacional continue sendo competitiva no mercado mundial. Neste contexto o girolando se apresenta com um grande potencial para o aumento da produtividade média de leite no País, uma vez que, o girolando é um animal rústico, produtivo, e adaptável aos mais variados sistemas de manejo. Desta forma se percebe a importância da reflexão acerca do problema da baixa produtividade média de 10 leite/animal/dia, sendo que através de uma reflexão aprofundada do assunto podemos projetar uma produção equilibrada e que leve o Brasil à liderança do ranking mundial de produção leiteira.

O “porquê” de se realizar cruzamentos para obter o girolando

A variação nas características economicamente importantes nos animais domésticos é controlada pela herança genética, pelo ambiente, mas também pela ação conjunta destes dois efeitos, denominada interação genótipo-ambiente. Animais mais adaptados às condições ambientais mostram-se mais competitivos pelos menores custos de produção, maior produtividade por área e por mão de obra. Para a produção de leite, os animais da raça Holandês apresentam genótipo para maior potencial produtivo, porém, esse potencial só é alcançado em boas condições de manejo.

Nas propriedades em que o manejo não é favorável, esse potencial fica aquém do esperado, sendo os animais mestiços ou até mesmo zebuínos (ex. Gir Leiteiro) mais produtivos em tais condições. A estratégia de se utilizar cruzamentos é o método mais simples de melhorar eficiência e amenizar problemas sanitários em muitos animais, introduzindo genes favoráveis de outras raças, removendo a depressão da consanguinidade e mantendo interações gênicas responsáveis pela heterose.

Características do girolando

O híbrido intraespecífico girolando foi criado objetivando a formação de um grupamento étnico que pudesse produzir de modo sustentável nas regiões tropicais e subtropicais. A adaptação do animal ao meio ambiente é uma das alternativas para melhorar a produção animal em um ecossistema. Para que isso aconteça, deve existir um processo de seleção sério e controlado, associando raças com diferentes aptidões, imprimindo rusticidade e permitindo que a produção seja otimizada.

Ela é fundamentada no cruzamento das raças Holandês (HOL) e Gir (G), passando por variados graus de sangue desde 1/4 HOL + 3/4 G até 7/8 HOL + 1/8 G. Com objetivo de se produzir um gado produtivo e padronizado que atenda as necessidades dos produtores de leite. O produto deste vigor híbrido, o girolando oriundo do cruzamento das raças Holandês e Gir, une a produção leiteira e mansidão de uma, com a rusticidade e adaptabilidade da outra.

A heterose afeta características particulares e não o indivíduo como um todo. A heterose é máxima nos animais híbridos F1 ou de ‘primeira cruza’. O animal F1 reúne as boas características de ambos os progenitores. No caso do cruzamento de vaca Gir com touro Holandês PO (Puro de Origem), as fêmeas F1 irão apresentar maior precocidade e maior aptidão leiteira (características típicas do Holandês) do que a Gir e também maior resistência a ectoparasitas, maior tolerância ao calor e maior rusticidade do que o Holandês, pois essas são características marcantes das raças zebuínas. O desempenho (produção) do animal F1 depende da qualidade genética dos progenitores (do touro e da vaca) envolvidos em cada cruzamento. Assim, existem bons e maus animais F1 (ou meio-sangue), refletindo a qualidade genética do touro e da vaca envolvidos em cada cruzamento.

Considerações finais

O intuito do desenvolvimento deste trabalho foi evidenciar como o uso do girolando pode aumentar a média da produção de leite nacional. Enfatizando como o girolando pode se adaptar a diferentes tipos de manejo. Mostrando assim que a rentabilidade das propriedades produtoras de leite tende a ser elevada com o uso do girolando.

No tocante a heterose, os melhores animais seriam os F1. Não só a qualidade e produtividade dos F1 e dos diferentes graus de sangue girolando (3/4, 5/8, 7/8, dentro outros graus de sangue) dependem fundamentalmente da qualidade apresentada por seus progenitores. Animais de baixa qualidade genética tendem a produzir prole com baixa ou nenhuma heterose.

Nas condições tropicais, a presença de endo e ectoparasitas, como carrapatos, moscados-chifres e vermes internos tende a ser alta durante o ano todo, principalmente nos meses quentes e chuvosos. Sendo o girolando um animal que apresenta naturalmente resistência a tais parasitas, podemos afirmar que os prejuízos causados por tais parasitas seriam menores em um rebanho girolando bem manejado. Por ser um animal de menor porte, apresentando peso médio de 450 Kg e considerando que a capacidade de lotação de um pasto é dada em UA (Unidade Animal), onde, 1 (um) UA equivale a uma animal de 450Kg, certamente a produtividade por área do girolando tende a ser maior. Uma vez que, se compararmos o peso médio de uma vaca Holandês que é de 600 Kg, ou seja, em uma área com capacidade de 10 (dez) UA, caberiam 10 vacas girolando e apenas 7,5 vacas Holandês.

Quanto à adaptação à ordenha mecânica ficou evidenciado que o girolando se adapta quase em 100%. Entretanto em muitas vezes por desconhecimento, muitos produtores não optam pelo uso do girolando porque ao longo do tempo, foi preconizado erroneamente que animais mestiços não se adaptavam a tal sistema de ordenha. Vale ressaltar que o girolando não é uma raça, mas sim, um híbrido intraespecífico, ou seja, seus pais pertencem à mesma espécie. É oriundo do cruzamento da raça Holandês de origem europeia (Bos taurus taurus) e da raça Gir de origem asiática (Bos taurus indicus).

A monografia foi apresentada, aprovada e revisada no ano de 2013.

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GUSTAVO HENRIQUE PEREIRA VILELA

Nutricionista em bovinocultura leiteira pela empresa Capebe - nutron/Cargill. Engenheiro Agrônomo, Téc. agrícola e zootecnista formado pelo IFSULDEMINAS.

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DANIEL DUTRA SOARES

EM 30/01/2019

Parabèns Gustavo, já trabalhei com o girolando no passado sem dúvida um excelente animal de produção de leite a pasto.
LEANDRO DE CARVALHO PAIVA

UBERABA - MINAS GERAIS

EM 16/06/2015

Caros amigos,



Apenas para esclarecer, a raça Girolando propriamente dita é o Puro Sintético (PS), fruto do cruzamento entre pai e mãe 5/8 Holandês + 3/8 Gir. A raça foi oficializada pelo MAPA em 1996, como "puro sintético", ou seja, um animal oriundo de cruzamentos direcionados para fixação de características econômicas e raciais. Os demais animais, como por exemplo o 3/4, 7/8, 1/2 e até o 5/8 (que não é filho de pai e mãe 5/8) são animais oriundos de cruzamentos para formação da raça Girolando e fazem parte do Programa Girolando, criado pelo MAPA de 1989.  É claro que ainda temos muito que evoluir quanto à fixação das características dos animais PS, mas já estamos bem avançados quanto a isso.



Temos duas categorias de registro no Serviço de Registro Genealógico da Raça Girolando (SRGRG). A primeira é a categoria CCG (Produtos de Cruzamentos Sob Controle de Genealogia), que contempla todos os graus de sangue (ex.: 1/4, 3/8, 1/2, 5/8, 3/4, 7/8 e etc.). A outra categoria é a PS (Puro Sintético), que contempla apenas os animais 5/8 que são filhos de pai e mãe 5/8.



Vale ainda lembrar que os animais PS não precisam ter 100% de homozigose para serem considerados sintéticos, pois esse é um processo que leva anos e anos. O processo de formação de uma raça sintética é bem diferente de uma raça pura de origem ou pura por absorção, pois no caso do Girolando haverá sempre a presença marcante dos genes das duas raças mãe, a Holandesa e a Gir.
JOSÉ ANÍBAL DO AMARAL

ITAPERUNA - RIO DE JANEIRO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 16/06/2015

Na verdade estamos bem adiantados com relação ao uso da GENÉTICA inclusive com muitos casos de sucesso no transplante de embrião que é um grande salto para melhoria do rebanho mas nosso problema é que ainda permanece na cabeça da grande maioria dos produtores que vaca não precisa de se alimentar de forrageiras bem manejadas.Portanto ainda assistimos vacas de alta produção morrendo de fome, bezerras geneticamente fantásticas  raquíticas por falta de trato. Infelizmente a cultura é que uma área agrícola quando deixa de produzir  por esgotamento da fertilidade e alto grau de erosão é eleita como pastagem. Apesar de ter participado de palestra do professor Vidal ,Moacir Corsi,Arthur e outros a mais de 20 anos ,ainda temos muito por fazer na mudança cultural do nosso produtor.
GUSTAVO HENRIQUE PEREIRA VILELA

ILICÍNEA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 15/06/2015

Bom dia Rogério Carneiro. Então, o que ocorre é que, "geneticamente", não podemos dizer que o girolando é uma ração, pois, não há homozigose. Para o 5/8 se tornar geneticamente uma raça é necessário anos de cruzamento entre animais somente 5/8 para estabelecermos homozigose e para que também não aja em alguns casos epistasia (Quando um gene bloqueia a expressão de outro). O que ocorre é o seguinte, se pegarmos um touro 5/8 e cruzarmos com uma vaca 5/8 em que os genes ainda não estão em homozigose, geneticamente há a probabilidade de nascer um bezerro 100% holandês ou 100% gir de acordo com o pareamento dos genes. É claro que a probabilidade de que isso ocorra é baixíssima menos de 0,1% mas pode ocorrer. Por esse motivo o girolando "ainda" não pode ser considerada uma raça, mas certamente com trabalho acurado isso poderá vir a ocorrer. Espero que a explicação tenha ficado clara. Obrigado e qualquer dúvida ou opinião estou a disposição...
REICHARD

PORTO VITÓRIA - PARANÁ - ESTUDANTE

EM 15/06/2015

esta correto não é uma raça é um cruzamento
ROGÉRIO CARNEIRO DA SILVA

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS

EM 14/06/2015

Como conheço a raça Girolando já ha mais de 20 anos, raça sintetica, mas é raça, 5/8

e seus cruzamentos 1/2, 3/4, 1/4, 7/8, 3/8 e o P.S.( puro Sintético)Bimestiço; venho dar meu testemunho sobre a evolução da raça que se beneficia da evolução do Gir Leiteiro e da raça Holandesa; muitos criadores de Girolando tem utilizado em seus planteis touros de ultima geração tanto do Gir como do Holandes, o que tem contribuido em muito com o crescimento da raça; o Girolando é uma raça nacional, e a maioria dos produtores de leite brasileiros em seus cruzamentos utilizam animais de origem holandeza e gir; gostei do artigo, só não concordo com a fala que girolando não é raça
REICHARD

PORTO VITÓRIA - PARANÁ - ESTUDANTE

EM 14/06/2015

realmente uma raça boa para unir a alta produtividade do holandês e a rusticidade do gir leiteiro.
REGINALDO AMARAL

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 11/06/2015

Meu caro Gustavo.

Sugiro que  conheça, se já não o fez, os trabalhos dos pesquisadores da EPAMIG Drs. Jose Reinaldo Mendes Ruas, Alberto Marcatti Neto, José Joaquim Ferreira, entre outros, sobre a produção de leite com gado mestiço. Confirmam muito do que você falou e ainda  mostram evidencias da potencialidades de  diversas raças zebuínas  em cruzamento com a holandesa, incluindo avalições econômicas de sistemas de produção, com parceiros como a UFMG . Discutem, especialmente para Minas Gerais,

o crescimento necessário da produção de fêmeas FI, como um bom e necessário negócio  para a atividade leiteira e  a possível integração entre pecuária leiteira e de corte para o Estado de Minas Gerais
GUSTAVO HENRIQUE PEREIRA VILELA

ILICÍNEA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 11/06/2015

Obrigado Robson....
GUSTAVO HENRIQUE PEREIRA VILELA

ILICÍNEA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 11/06/2015

São números do IBGE Pedro Augusto....
PEDRO AUGUSTO CARVALHO PEREIRA

GUARATINGUETÁ - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 10/06/2015

Qual a fonte de pesquisa para os 1,35 milhões de produtores existentes no Brasil ?
ROBSON ALEXANDRE LANGONA

ALFENAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 10/06/2015

Parabéns pelo Artigo Gustavo.



Excelente Material!!
GUSTAVO HENRIQUE PEREIRA VILELA

ILICÍNEA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 10/06/2015

Obrigado Márcio José de Andrade...
MARCIO JOSÉ DE ANDRADE

JACAREZINHO - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/06/2015

girolando o gado flex se adapta em qualquer situaçao. parabens....