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Encurtando o ciclo produtivo na ovinocultura: métodos

POR DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

PRODUÇÃO

EM 15/05/2014

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Como abordado no artigo anterior (Encurtando o ciclo produtivo na ovinocultura: razões), o processo de tecnificação da pecuária ovina tem sido uma condição essencial para garantir a competitividade da atividade frente às outras alternativas – pecuárias e agrícolas - de uso da terra e para manter a rentabilidade das operações em níveis satisfatórios.

Diante dessa realidade, a implementação de processos e o uso de insumos ao longo de todo o ciclo produtivo é indispensável a fim de acelerar a liberação do produto final (cordeiros) para comercialização e, com isso, obter os benefícios de um ciclo biológico mais curto.

Para tanto, algumas alternativas tecnológicas podem ser utilizadas, tanto na fase de cria quanto na de terminação, para favorecer o pleno crescimento dos cordeiros e com o objetivo principal de reduzir o intervalo de tempo existente entre o nascimento e o abate, como ilustrado abaixo, na Figura 1.



Uma das primeiras opções passíveis de serem utilizadas no início do ciclo produtivo (ainda na estação de monta, etapa da concepção) é o cruzamento com e entre raças especializadas de corte, conforme o modelo de produção, sendo possível explorar os benefícios da heterose e da complementaridade entre grupos genéticos – somados à introgressão e seleção genéticas – propiciando, assim, incrementos positivos relacionados ao peso ao nascer, velocidade e perfil de crescimento, conversão alimentar, rendimento de carcaça e cárneo, e qualidade de carne do cordeiro produzido.

Na etapa subsequente do ciclo, durante a gestação, a adoção de um apropriado manejo do pastejo objetivando estabelecer uma melhor relação entre a qualidade da forragem e a sua produção é uma das mais simples opções para atender as necessidades de crescimento e desenvolvimento da unidade feto-uterino-placentária nos primeiros 90 dias de gestação, e incrementar os resultados nessa fase, potencializando a rede vascular a nível de placenta e útero maternos.

A partir desse ponto, em função da elevada demanda nutricional existente devido ao crescimento fetal e mamário e à colostrogênese, a utilização de uma suplementação concentrada até a parição é, frequentemente, indispensável, particularmente em rebanhos manejados sob pastagens tropicais, considerando o perfil bromatológico da gramínea e o nível de dependência do rebanho de nutrientes extra.

Em regiões onde as condições edafoclimáticas são favoráveis, a implantação de pastagens temperadas anuais (a exemplo de aveia preta e azevém), com plantio no outono e pastejo ao longo do inverno e início da primavera, é uma ótima estratégia visando suprir, nutricionalmente, as ovelhas durante a fase intermediária e nos últimos 57 dias de gestação, assim como, nas primeiras semanas de lactação, com mínimo uso de suplementos concentrados.

Nas situações acima colocadas, o objetivo é favorecer ao máximo o pleno crescimento e desenvolvimento do feto, assim como, o nascimento de um cordeiro vigoroso e com alto potencial de resposta.


 
Durante a amamentação, uma das tecnologias mais eficientes é o creep feeding, que pode ser definido como a oferta de alimentação suplementar para ruminantes lactentes. Agindo no desenvolvimento do trato gastrointestinal e fornecendo nutrientes adicionais, o creep feeding tem como objetivo final maximizar o peso à desmama dos cordeiros, de forma a reduzir, tanto quanto possível, o período de terminação. Para tanto, é possível aplicar essa tecnologia tanto a campo quanto em confinamento, sendo que sob a última alternativa os resultados são superiores.

Por fim, uma vez ocorrido a desmama, os cordeiros entram na fase de terminação, sendo o confinamento com ração de alto grão a opção mais dinâmica e mais condizente com as exigências da indústria ovina doméstica. A terminação em confinamento proporciona uma performance maximizada, um maior controle do processo produtivo, o abate precoce, a produção de carcaças mais homogêneas e o aumento da escala de produção da empresa pecuária, conforme já abordado no artigo “Utilizando o confinamento como estratégia eficiente de terminação” (inserir link).

Assim, existem algumas tecnologias que, quando aplicadas de forma a otimizar os diversos processos biológicos ao longo do ciclo produtivo, trazem dinamismo à atividade e confluem para uma produção mais eficiente de carne ovina, disponibilizando ao mercado, e de forma mais rápida, um produto de alta qualidade com rentabilidade satisfatória dentro e fora da porteira.

 

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DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

Médico Veterinário, MBA, D.Sc., especializado no sistema agroindustrial da carne ovina. Consultor da Prime ASC - Advanced Sheep Consulting.

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DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 29/07/2014

Olá Államo,



Primeiramente gostaria de esclarecer alguns pontos colocados por você.



Não é pré-requisito para se ter eficiência produtiva as cordeiras serem cobertas aos 8 meses de idade, as ovelhas terem intervalo de partos de 8 meses, os cordeiros serem desmamados aos 45 dias de idade e o abate ocorrer aos 100 dias.



Esses números nem sempre são interessantes ou mesmo necessários ou possíveis de serem alcançados a campo, particularmente dependendo do ecossistema e das condições operacionais existentes.



É possível ter eficiência econômica (essa é a que interessa!) com borregas parindo aos 24 meses de idade, ovelhas parindo a cada 12 meses, desmamando aos 110 dias pós-parto e cordeiros sendo abatidos com 5-6 meses de idade.



A questão de acelerar o ciclo produtivo está basicamente fundamentada no aumento da escala de produção, o que tende a elevar a rentabilidade da operação.



Em relação às suas perguntas, não há demanda por carne de ovelha e/ou carneiro. Esse tipo de animal, na indústria, será transformado em embutidos (como linguiça, por exemplo) e, por isso, seu espaço é muito restrito.



O que o mercado demanda é carne de cordeiro, ou seja, animais com menos de 12 meses de idade. No caso da região Centro-Norte, cordeiros de raças especializadas de corte e cruzas com no máximo 180 dias de idade apresentando 38-40 kgs de peso corporal com condição corporal de 3 a 3,5.



Em relação à manutenção de matrizes e reposição, irá depender da performance da ovelha e da necessidade de repor mais ou menos matrizes, em função do ano, da evolução do rebanho, da pressão de seleção genética, da qualidade da recria, etc.



Considerando os fatores mencionados, a taxa de reposição pode variar de 10 a 30%.



Abraços e obrigado por sua participação.



Daniel
ÁLLAMO FARIAS DE OLIVEIRA

NATAL - RIO GRANDE DO NORTE - ESTUDANTE

EM 24/07/2014

Excelente artigo amigo Daniel. Gostaria somente de tirar uma dúvida a respeito do ciclo produtivo das ovelhas matrizes.



Para um sistema de produção de ovinos eficiente, recomenda-se que as matrizes selecionadas entrem para a fase de reprodução a partir dos 8 meses de vida, mais ou menos, e apresentem um intervalo entre partos de cerca de 8 meses, possibilitando três partos a cada dois anos.



Para a produção de ovinos precoce, os cordeiros nascidos das matrizes devem ser desmamados aos 45 dias e levados para recria e terminação em confinamento, sendo abatidos aos 100 dias de idade.



Entretanto, qual seria o ciclo mais adequado para as ovelhas matrizes? Até qual idade deveríamos manter as ovelhas matrizes no rebanho, sem afetar a qualidade de sua carne? O mercado apresenta demanda para carne de ovelhas e carneiros mais velhos? Qual a melhor estratégia para o produtor controlar a reposição das matrizes do rebanho?
DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 21/05/2014

Olá Roniedson,



Infelizmente, nada sei a respeito do uso da moringa na alimentação de ovinos, mesmo de ruminantes.



Informações insuficientes/escassas.



Abraços,



Daniel
DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 21/05/2014

Olá Rodolfo,



Considerando a região Nordeste, é indispensável realizar uma suplementação concentrada nas ovelhas gestantes a partir dos 90 dias de gestação, fornecendo cerca de 1% do peso corporal médio do lote de ovelhas de uma ração com 16 a 18% de proteína bruta, caso haja uma boa oferta de forragem (seja nativa ou cultivada). Esse é um ponto.



Em relação aos cordeiros, o perfil protéico da ração de creep feeding irá variar conforme o grupo genético que se está trabalhando, mas creio que uma ração com 18 a 20% de proteína bruta seja adequada para a sua situação. No entanto, estou falando de uma ração balanceada com farelo de soja, milho moído e minerais, e/ou aditivos.



Essa mistura milho/soja que você usa pode ser muito melhorada com uma formulação mais adequada, resultando em melhor desempenho dos cordeiros.



Além disso, a maneira como a ração é fornecida traz resultados diferentes também. Nesse caso, como o rebanho é manejado e a existência de infraestrutura, balizam a escolha pela melhor estratégia.



Abraços,



Daniel
CARLOS ANTONIO BERTEI LONGHI

TANGARÁ DA SERRA - MATO GROSSO

EM 21/05/2014

PARABENS PELA MATÉRIA , FICA PROVADO QUE PARA TER UM CORDEIRO BOM NO NASCIMENTO É IMPORTANTE A NUTRIÇÃO DA MATRIZ NOS ULTIMOS 45 DIAS E QUE TERMINAÇÃO NO CONFINAMENTO COM ALTO GRÃO É ONDE SE OBTEM MELHOR RESULTADO.
DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 21/05/2014

Olá Márcio,



Exatamente. O desempenho do cordeiro após o nascimento é um reflexo direto das condições colocadas ao mesmo desde a sua concepção.



Para ilustrar, considere uma situação em que o cordeiro tem potencial genético para manifestar um desempenho de 100% caso se dê a ele as condições nutricionais e de manejo apropriadas. Cada etapa ou manejo que é falho vai reduzindo esses 100% para 90, 80, 60, 50%... até chegar a um ponto em que, mesmo o animal tendo potencial genético para alta performance, o seu desempenho ficará dentro da média ou abaixo dela.



Se as fases de concepção, gestação inicial e gestação final são negligenciadas, não espere nada bom após o parto, pois o manejo realizado após o nascimento (mesmo que seja ótimo) não consegue corrigir as falhas ocorridas no pré-natal.



Eu considero que a saúde é a base, o pilar de sustentação. A genética vem logo em seguida e depois a nutrição. Assim como é necessário uma boa genética (baseada em características zootécnicas que tragam retorno econômico) para a nutrição funcionar, é preciso uma boa nutrição para a genética manifestar o seu potencial.



O ponto é que sem a seleção e o melhoramento genéticos contínuos, não se consegue avançar, mesmo com a melhor saúde, nutrição e manejo. Sem esses processos o sistema de produção fica engessado, estagnado! Por isso, a genética e seu progresso são tão primordiais.



Abraços,



Daniel
RONIEDSON CARNEIRO SANTOS

VÁRZEA DA ROÇA - BAHIA - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 20/05/2014

Olá Daniel, muito bom esse artigo. Como expert no tema você tem algum material sobre a utilização da moringa na alimentação de ovinos?
RODOLFO

UIBAÍ - BAHIA - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 19/05/2014

Daniel, muito interessante suas colocações pois, acredito que , para as condições nordestinas o "gargalo" esteja na alimentação. Adoto o sistema de alimentação suplementar aos cordeiros , já há algum tempo e realmente o desenvolvimento dos cordeiros é muito superior em comparação ao método tradicional.Utilizo, para suplementar os cordeiros a partir de 15 dias de idade, milho e soja somente,na proporção de 4/1, duas vezes ao dia ( pela manhã e a tarde).Não estou usando núcleo.Embora use o sal mineralizado/proteinado preconizado pela EMBRAPA(faço na propriedade) , para todo o rebanho.

A questão é:Onde posso melhorar meu manejo alimentar sem onerar demasiadamente os custos de produção?

Antecipadamente agradeço.

Rodolfo.
MÁRCIO PAZ LEONARDI

SANTA CATARINA - ESTUDANTE

EM 17/05/2014

Olá Daniel, então o desenvolvimento do cordeiro pós parição depende muito do manejo realizado durante todo o ciclo antes do nascimento? ou pós parição é mais importante na questão nutrição? isso nunca entendi muito bem, vejo que a maioria dos criadores se preocupa com a genética e não obtém bons resultados, e observando outros vejo que os animais nem tem muita definição de raça e nem genética apurada e conseguem animais precoces, no que devemos prestar mais atenção?, a genética no nosso caso onde temos apenas uma raça pode ser considerada em segundo plano? Abraço.