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Elevando a produtividade - idade ao primeiro parto

POR DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

PRODUÇÃO

EM 30/10/2009

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A eficiência reprodutiva de um rebanho é um ponto de elevada importância na pecuária de corte, uma vez que rebanhos detentores de elevada precocidade sexual e fertilidade apresentam maior disponibilidade de animais, tanto para venda quanto para seleção, incrementando significativamente a taxa de desfrute e intensificando o progresso genético, respectivamente.

Na pecuária ovina de corte, os incrementos em produtividade estão diretamente relacionados ao número de cordeiros disponíveis para abate, assim como, à quantidade de animais com potencial para serem descartados em boas condições corporais.

Nesse sentido, a idade na qual uma borrega tem o seu primeiro parto é um índice que possui grande impacto sobre a produção de cordeiros e sobre a disponibilidade de animais para venda. A idade em que as fêmeas ovinas atingem a puberdade e o potencial que as mesmas possuem de conceber uma gestação são fatores essenciais a serem considerados ao se avaliar a produtividade de uma matriz ao longo de sua vida útil, de forma que, quando a puberdade é atingida precocemente e a fêmea é fertilizada com menor idade, há um aumento na quantidade de cordeiros produzidos no rebanho e um incremento no desempenho individual dessa matriz.

Geralmente as fêmeas deslanadas entram em puberdade reprodutiva entre 5 e 11 meses, apresentando a idade ao primeiro parto (IPP) entre 14 e 24 meses, dependendo das condições em que as mesmas são criadas, de forma que o potencial reprodutivo desses animais é fortemente influenciado pelo nível de alimentação oferecido, do nascimento ao primeiro parto. Portanto, borregas que alcançam a puberdade em idade precoce apresentam potencial para serem cobertas aos 7-8 meses de idade e de terem o primeiro parto aos 13-14 meses.

Em relação aos sistemas tradicionais onde a primeira parição ocorre somente entre os 18 e 24 meses de idade, os sistemas precoces que buscam uma IPP de 14 meses viabilizam a produção anual de um maior número de cordeiros; otimizam a utilização dos reprodutores; reduzem a idade média do rebanho por diminuir o número de ovelhas em idade avançada; produzem mais gerações em um período menor de tempo; abrem a oportunidade de se selecionar precocemente os animais de maior eficiência; permitem o descarte das fêmeas que não se enquadram no sistema de produção e das categorias improdutivas; e finalmente, viabilizam um maior retorno sobre o capital investido, uma vez que há amortização antecipada dos custos pré-produtivos com a recria das borregas e um incremento no número de animais disponíveis para abate, como exemplificado na Tabela 1.

Tabela 1. Produtividade de sistemas com idade ao primeiro parto (IPP) precoce e tradicional.



A Tabela 1 simula a produtividade (em termos de número de animais abatidos por ano) de sistemas de produção - com apenas uma parição por ano - que trabalham com IPP tradicional de 24 meses e com IPP de 14 meses, denotando que somente com a antecipação da idade ao primeiro parto de 24 para 14 meses há um incremento de 36,5% na quantidade de animais disponíveis para abate, incluindo cordeiros, borregas e ovelhas de descarte, mesmo considerando que a taxa de concepção das borregas seja da ordem de 60% e com índice de prolificidade de 100%.

No entanto, a antecipação da IPP para 14 meses também possui alguns riscos, relacionados, principalmente, com a baixa taxa de concepção inicial e com problemas envolvendo o nascimento (no caso de partos gemelares ou distócicos) e a habilidade materna (instinto materno pouco desenvolvido e crescimento mamário prejudicado). Assim, o ponto-chave para tomar a decisão correta está na capacidade para planejar e gerenciar esse processo, de forma a otimizar o crescimento das borregas com o objetivo das mesmas atingirem no mínimo cerca de 70% de seu peso adulto com um escore de condição corporal em torno de 3 a idade de 7-8 meses, quando deverão ser cobertas.

Considerando cordeiras Santa Inês de bom potencial genético com peso ao nascimento de 3,5 kg, peso médio adulto de 50 kg e idade à cobertura de 7,5 meses, a curva de crescimento do nascimento ao parto pode ser manipulada para ganhos médios diários de acordo com a Tabela 2.

Tabela 2. Taxas ótimas de crescimento para borregas de acordo com as fases do ciclo produtivo.



Assim, sistemas de produção que manejam suas borregas para terem o primeiro parto aos 14 meses de idade aceleram o progresso genético do rebanho e incrementam a taxa de desfrute, aumentando o número de animais disponíveis para venda e, com isso, elevando a produtividade e a rentabilidade da empresa pecuária.

Veja como manejar suas borregas a fim de acelerar o processo genético do rebanho e incrementar a taxa de desfrute, elevando a produtividade e a rentabilidade da empresa pecuária.

DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

Médico Veterinário, MBA, D.Sc., especializado no sistema agroindustrial da carne ovina. Consultor da Prime ASC - Advanced Sheep Consulting.

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DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 04/11/2009

Olá Clarice,

Ótima iniciativa em relação às cordeiras. Só conseguimos avançar na pecuária quando desafiamos nossos rebanhos, quando lhe fornecemos o ótimo possível!!

Em relação às cordeiras meio-sangue, realmente as mesmas se mostram mais precoces sexualmente em relação às puras como resultado dos efeitos da heterose e da complementaridade entre os grupos genéticos utilizados no cruzamento.

Obrigado por sua participação!!

Abraços,

Daniel
CLARICE LOPES ANDRADE

CABREÚVA - SÃO PAULO

EM 31/10/2009

Bom dia ,

É isto que estamos tentando fazer na fazenda,qdo nascem os cordeiros nós fazemos mamada controlada e assim que desmamam os machos vão p/confinmento e as fêmeas p/ outro pasto com complemento p/ atingirem peso e idade de 7 mêses p/ para monta. Tenho observado que a meio sangue são mais precoce,está certo isso?

Obrigado.