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Direitos e deveres

PRODUÇÃO

EM 03/01/2013

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Nas ultimas décadas se observou uma ampla intenção de modernização da agropecuária, sendo que a mecanização tem um papel de destaque neste cenário. Este processo é mais intenso na agricultura, mas a pecuária também caminha neste sentido, em especial pela intensificação da produção. Assim, com o intuito de ampliar a produtividade muitos equipamentos, incluindo tratores, implementos e tantos outros, estão, a cada dia, sendo mais vistos nas propriedades, tendo sua utilização, normalmente, bastante intensa de modo a amortizar o investimento.

O censo de 2006 identificou que 530 mil estabelecimentos, ou 10,2% do total, possuem tratores para suas atividades, totalizando 820 mil unidades. No entanto, o número é maior, 1,56 milhão de estabelecimentos declararam utilizar força mecânica, pois somente 59,6% utilizavam equipamentos próprios.

Em contrapartida, estes dados do censo rural 2006 identificaram que 39% dos produtores entrevistados eram analfabetos ou sabiam ler e escrever, mas não tinham frequentado a escola, e 43% não possuíam o ensino fundamental completo. O que evidenciou que mais de 80% de produtores rurais possuem baixa escolaridade. Quando se estratifica por gênero, as mulheres, que respondem por 13% das propriedades, o analfabetismo chega a 45,7%, e entre os homens é de 38,1%. As taxas para os outros níveis de ensino são: 8%, para ensino fundamental completo, 7% para técnico agrícola ou nível médio completo, e apenas 3% com nível superior.

A nossa legislação trabalhista, Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no Trabalho na Agricultura, Pecuária, Silvicultura, Exploração Florestal e Aquicultura – NR31, do MTE, exige que para equipamentos, como tratores, por exemplo, que se devem manter os manuais no estabelecimento, gerar procedimentos (operação e manutenção) e divulgar seu conteúdo entre os operadores. Estes devem passar por treinamentos, e devem ser mantidas, em arquivo, as fichas de controle de treinamento; contendo datas, conteúdo e nomes e assinaturas dos treinandos e dos instrutores. Estas exigências se cristalizam em um cenário nada colorido: poucas são as propriedades que, de fato, executam estes itens que a legislação exige.

 
Os acidentes com tratores agrícolas são uma das maiores causas de morte nas fazendas. Resultam em ferimentos, mortes e danos materiais. 


O item falta de conhecimento, uma das principais causas dos acidentes em tratores, é evidenciada, pois cerca de 60%, dos operadores, declararam não ter frequentado curso de operação de tratores agrícolas. Pelo nível de escolaridade dos nossos colaboradores, identificados pelo Censo de 2006, os treinamentos deveriam ser intensos, com reciclagens constantes para evitar os tantos acidentes que vemos repetitivamente.

 
De maneira geral, no setor industrial quando a empresa adquire um equipamento, principalmente se este puder ocasionar acidentes, há toda uma sistemática estabelecida de entrega e treinamento de funcionários pela empresa fabricante. Basicamente, somente após a entrega técnica, que constitui deixar o equipamento funcionando, treinamento dos usuários, contento itens de segurança, manutenção e operação; que se considera que o equipamento poderá ser operado.
 

Estive acompanhando a entrega de tratores numa propriedade de leite que faço assistência técnica. Na ocasião, o produtor estava trocando toda a frota (5 tratores), aproveitando uma boa oportunidade de financiamento. Antecipadamente, já havíamos solicitado que fosse realizado, na entrega, treinamento dos operadores, incluindo os registros, procedimentos, manuais e adesivos de segurança em português (sim, muitos  chegam  em outros idiomas!). Infelizmente, estes requisitos não foram atendidos a contento e o técnico se mostrou muito surpreso pela solicitação, mais ainda, quando foi citado ser item da legislação. A entrega dos tratores foi uma explicação rápida de operação e alguns itens básicos de manutenção. Não diferente das outras propriedades rurais, esta também emprega funcionários com baixa escolaridade, que não possuem condições de ler e entender, com facilidade, os manuais de operação.

O cumprimento dos itens legais não deve ser visualizado, apenas, como necessário para não “levar multa”, mas sim como responsabilidade, tanto do empregador quanto do funcionário. O operador que não respeita os itens de segurança, operação e manutenção, assim como o uso dos EPIs está sujeito a malefícios de sua saúde. E quem paga por isto? Todos: a sociedade em geral. Este funcionário poderá desenvolver enfermidades e ficar impedido de trabalhar, muitos precisam de uma aposentadoria precoce, tratamentos médicos diversos e podem ter a vida ceifada muito cedo. Assim, não é um problema somente do trabalhador.

Pelos preços destes equipamentos, como os tratores acima citados, sua complexidade e segurança, aliadas aos fatores de educação formal, tão precário no setor, pergunto-me por que não se recebe mais das entregas técnicas e dos atendimentos pós-vendas? Treinamentos mais adequados e detalhados, fornecimento de procedimentos ilustrados, para facilitar o entendimento, atendimentos mais minucioso aos funcionários, entre outros "mimos", poderiam ser fornecidos aos produtores, que estão cada vez mais investindo em novas tecnologias. Fica a dica.

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RONALDO MARCIANO GONTIJO

BOM DESPACHO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 09/01/2013

Prezada Roberta,

Creio que nosso ponto de vista sobre a entrega técnica de um trator são muito diferentes. Eu como tratorista, com curso e certificado de conclusão, considero a entrega técnica feita aqui como muito boa sem falhas, visto que para mim basta apenas conhecer os comandos do trator e pontos de manutenção, já que a operação e as normas de segurança não mudam apenas por causa do modelo ou marca. Mas se você acredita que alguém precisa refazer todo o curso de tratorista para trabalhar com um trator de outro modelo ou marca, quem sou eu para tentar te convencer que isto não é necessário. Seu texto é bom para quem nunca trabalhou com máquinas agrícolas, mas deixa muito a desejar para os profissionais da área. A legislação também é totalmente fora da realidade do campo, é por isto que nada funciona em nosso país, os que criam as leis não ouvem os profissionais para criar regras sérias, e aí criam muitas leis que soam como "abobrinhas" aos ouvidos dos profissionais. Mas você está fazendo seu trabalho, afinal os grandes que dependem de mão de obra empregada precisam seguir estas regras para não serem depenados pelo estado.
CARLOS RENATO FORATTINI SCHMITD

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 09/01/2013

Dra. Roberta,
tendo participado com você de todo o processo de entrega técnica destes referidos tratores na Fazenda, e também acompanhado a entrega técnica de outros tratores, de outras marcas em outras Fazendas, vejo que este é um problema muito sério, pois não queremos realmente que os técnicos capacitados das revendas ensinem nossos tratoristas a operarem, mas como consultor sei que eles devem partir da premissa de que estes operadores não sabem de detalhes técnicos de cada fabricante. Daria para enumerar em várias páginas os diferenciais de montadoras e de modelos dentro da mesma montadora em algumas páginas de relatório.
Vejo que alguns questionamentos em relação a sua matéria devem ser de pessoas que embora trabalhem ou convivam na área agrícola, também não tem conhecimento de tais procedimentos e de sua importância para uma boa administração.
ROBERTA ZÜGE

CURITIBA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 08/01/2013

Bom dia Ronaldo

Obrigada pelos comentários, acredito ser muito importante questionar, assim enriquecemos nosso conhecimento.

O atual Código de Trânsito Brasileiro, Lei 9.503/97, obriga esses condutores a portarem a carteira de habilitação da categoria "C" - destinada a condutores de veículos utilizados em transporte de carga, cujo peso bruto total exceda a 3,5 mil kg. Há um projeto de lei (2828/11) que tenta alterar isto, pois a grande maioria dos condutores não possui sequer habilitação na categoria B, e teriam dificuldades em conquistar, por não possuírem escolaridade suficiente para tanto. No entanto, mesmo nesta tentativa de modificação da legislação, exige-se Certificado de Curso de Formação Profissional para esses condutores.

Acredito que, realmente, muitos que adquirem tratores possuem experiência, mas de modo geral, não possuem formação e pouco leram ou tiram dúvidas no manual do equipamento. A prática é de suma importância, mas se reciclar e conhecer mais sobre os equipamentos também são atitudes imprescindíveis para uma prevenção de riscos.
Este texto foi escrito, além de conter experiências que tenho nas atividades de controle da qualidade, baseado em estudos da área.,Há diversos trabalhos que relatam estes problemas. Veja este: CARACTERIZAÇÃO DOS ACIDENTES COM TRATORES AGRÍCOLAS
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-84782002000600010&script=sci_arttext apesar de ser de uma região específica, ele pode ser representativo para todo o Brasil. Mas, infelizmente, as estatísticas brasileiras, para estes problemas, ainda são incipientes. No entanto, estima-se que os tratores sejam responsáveis por cerca de 20% dos acidentes de trabalho na agricultura.

Quando sugeri que as empresas poderiam colaborar mais, não citei apenas o treinamento em si, mas também, as exigências de elaboração dos procedimentos de operação e manutenção do equipamento, outro requisito legal. Além de ministrarem os treinamentos, por serem os fabricantes, teoricamente, são os mais habilitados para tal, também poderiam fornecer declarações ou certificados aos operadores, conforme exigido pela NR 31. O que não excluiriam outros treinamentos e cursos de formação.

Quando citei os manuais e adesivos de segurança não era, especificamente, dos tratores. Usei como exemplo no texto, este equipamento, por ser o mais recorrente nas propriedades e, por ter acompanhado, recentemente, uma entrega técnica. Mas já me deparei com vagão misturador, entre outros equipamentos, com todos os adesivos em inglês.

Acredito que parte da minha grande preocupação, em facilitar o trabalho do operador e oferecer mais segurança, também seja por ter vivenciado perda em família, por acidente com trator e, posso te garantir, o que não lhe faltava era experiência.

Espero ter respondido suas dúvidas e questionamentos.
RONALDO MARCIANO GONTIJO

BOM DESPACHO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/01/2013

Prezada Roberta,

Não entendi que tipo de treinamento é este que você acha que os fabricantes deveriam dar quando entregam um trator novo. O que eles fazem é apresentar a máquina, explicar sobre o funcionamento e os pontos de manutenção, não é preciso nada mais que isto, visto que estão entregando a máquina para um tratorista, mais que isto seria o mesmo que alguém ter que tirar carteira de habilitação toda vez que trocar de carro. E estes manuais em inglês, são de tratores importados?
ROBERTA ZÜGE

CURITIBA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 07/01/2013

Prezado Nelson
Agradeço o comentário.
Nosso problema educacional se reflete em várias esferas, sem dúvida, a segurança de operadores é um ponto crítico.
Penso que temos que exigir mais como consumidores.
Fico perplexa em identificar manuais e avisos de segurança em inglês, por exemplo, nas fazendas que visito. Demonstra pouco comprometimento com o cliente e baixa responsabilidade social. Os impactos do uso inadequado podem ser irreversíveis.
Continuemos na luta.
Abraços e bom trabalho.
NELSON JESUS SABOIA RIBAS

GUARACI - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/01/2013

Roberta
Muito boa a sua visão, você tem razão os pequenos e médios produtores não sabem quase nada sobre os equipamentos que operam, mas se acham ótimos tratoristas.
A industria de máquinas nãorecebe esta cobrança em razão da nossa própria ignorancia. No setor de produção de leite os custo das máquinas quebradas e das pessoas acidentadas é alto e muitas vezes não é nem contabilizado. Temos muito a fazer nesta área!