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Diminuição da mortalidade de cordeiros: passo inicial para aumento da lucratividade

POR VICENTE DE FRANÇA TURINO

E MARIA CLARA COSTA MATTOS

PRODUÇÃO

EM 12/05/2008

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Quando falamos em ovinocultura de corte, entende-se que praticamente toda a receita da propriedade é oriunda da comercialização da carne e/ou do animal vivo em condição de ser abatido. Com isto, damos atenção especial às técnicas de manejo e nutrição dos cordeiros que serão destinados ao abate.

Mas será que estamos sendo eficientes em produzir tais animais?

O que queremos dizer é que temos custos fixos e variáveis bastante elevados na propriedade, sendo que, quanto mais animais vendermos, maior será a diluição desses custos (principalmente os fixos).

E como faremos para aumentarmos o número de animais vendidos?

Temos duas opções: aumentar o rebanho (número de matrizes) ou melhorar a eficiência de produção.

Nem sempre conseguimos aumentar o número de matrizes devido ao tamanho da propriedade, falta de capital ou instalações. Entretanto, melhorando-se os índices de fertilidade e natalidade e, posteriormente, diminuindo-se a mortalidade dos animais nascidos, conseguiremos ter maior número de animais vendidos com a mesma quantidade de matrizes.

Os índices de mortalidade de cordeiros no Brasil variam entre 10 a 40% (Costa et al., 1990; Riet-Correa & Méndez, 2001; Lobo, 2002). Façamos uma simulação para avaliarmos a perda econômica que esses índices podem nos dar:

- Número de matrizes: 500.
- Índice de natalidade: 90%.
- peso da carcaça de um animal no momento da venda: 12 kg.
- Preço da carcaça vendida: R$ 8,00/kg.

Com os dados da simulação, teremos 450 cordeiros nascidos. A partir dos dados nacionais, chegaremos numa mortalidade de 45 a 200 animais. Assumindo-se que apenas os machos são vendidos para o corte, deixaríamos de comercializar de 23 a 100 animais, ou seja, a atividade deixaria de ter uma receita bruta variando entre R$ 2208,00 a R$ 9600,00.

Para a obtenção de resultados satisfatórios e economicamente sustentáveis, precisamos saber quais são as principais causas de mortalidade para depois intervirmos com programas profiláticos ostensivos e eficientes.

Dentre as causas mais conhecidas, podemos citar as infecções bacterianas (clostridioses, pasteurelose, colibacilose, salmonelose), verminoses em geral, eimeriose (coccidiose), desnutrição materna pré e pós-parto e desnutrição do cordeiro.

A maioria dos produtores acredita que as infecções neonatais e as verminoses sejam as principais responsáveis pelas mortes. Entretanto, devemos saber que tais enfermidades, na maioria das vezes, são secundárias às falhas de manejo e da nutrição das matrizes. Boa parte das infecções neonatais ocorre devido à falta de cuidados durante o manejo de nascimento. Diarréias, pneumonias, poliartrite, meningite, abscessos de fígado e outros órgãos são causados por diversos agentes infecciosos que se instalam no organismo devido à falhas da cura do umbigo e da ausência de imunidade por falta de ingestão de colostro nas primeiras 5-10 horas de vida.

O complexo inanição/hipotermia/exposição também é grande causador de mortalidade. Dois fatores são determinantes para a ocorrência deste complexo: condições climáticas adversas (frio, vento e chuvas) e baixo peso ao nascimento, que acarreta maior perda de calor e menores reservas energéticas (Riet-Correa & Méndez 2001). Oliveira & Barros (1982) observaram que 80% dos cordeiros que morreram pesavam menos que 3,5 kg ao nascer.

Quando a nutrição das ovelhas é inadequada durante o último terço da gestação, esta pode ser mais curta, o peso ao nascimento é baixo e o vigor do recém nascido é menor. As reservas energéticas do cordeiro e a adaptação do seu metabolismo para produzir calor, em resposta ao frio ambiental, estão diminuídas. O início da lactação é retardado. Desta forma, os cordeiros demoram mais tempo para ficar em pé e iniciar a primeira mamada. A sobrevivência de um cordeiro sem se alimentar varia de 16 horas a 5 dias, dependendo da nutrição pré-natal e a temperatura do ambiente. Os cordeiros menores, por sua maior superfície corporal com relação ao peso, têm maiores perdas de calor que os maiores.

O estresse causado pelo frio em cordeiros neonatos pode ocorrer de três formas distintas: temperatura ambiente, vento e esfriamento pela evaporação. Um cordeiro neonato saudável tem boa capacidade de aumentar sua taxa metabólica em resposta ao estresse pelo frio por meio da termogênese. A produção de calor é uma função da massa corpórea e a perda de calor é uma função da área superficial. Os cordeiros mais pesados possuem maior massa corpórea em relação à área corporal e são, por isso, mais resistentes ao estresse pelo frio ambiente (Radostits et al. 2002). A hipotermia também pode ocorrer quando há chuva, frio ou vento.

As fontes de energia dos cordeiros neonatos são o glicogênio hepático e muscular, o tecido adiposo marrom e, se ele mamar, a energia é obtida através do colostro e do leite. Os neonatos hipotérmicos são inativos, a temperatura do interior da boca está diminuída e a temperatura retal está abaixo de 380C, sendo necessária fonte artificial de calor para prevenção de sua morte.

Como podemos observar, a diminuição do índice de mortalidade de cordeiros baseia-se em técnicas simples e economicamente viáveis:

- Dieta balanceada visando atender as exigências nutricionais do terço final de gestação (principalmente primíparas), para aumentar o peso de nascimento dos cordeiros;
- Correta desinfecção do umbigo;
- Inspeção de úbere para averiguar se existe(m) peito(s) perdido(s) (principalmente para ovelhas que apresentam parto gemelar);
- Assegurar a ingestão de colostro até 10 horas após o nascimento (quanto antes melhor);
- Colocar os neonatos e suas mães em instalação coberta por duas a três semanas após o parto (diminuição dos efeitos climáticos adversos);
- Dieta balanceada para atender as exigências nutricionais de lactação (melhor aporte nutricional para o cordeiro, melhorando imunidade e ganho de peso);
- Atenção com a lotação e higiene das instalações (prevenção das verminoses e coccidiose);
- Programa de vacinação definido através das enfermidades existentes na região e/ou exigidas pela legislação.

Referências

Costa M.J.R.P., Queiroz S.A. & Ribeiro J.L.C. 1990. Avaliação de alguns aspectos do desempenho de ovinos Morada Nova na região de Franca-SP. Rev. Soc. Bras. Zoot. 19(4): 341-346.

Lobo R.N.B. 2002. Melhoramento genético de caprinos e ovinos: desafios para o mercado. Anais. VI Seminário Nordestino de Pecuária, PECNORDESTE 2002, Fortaleza, CE, p. 44-60.

Montenegro M.L., Siqueira R.E., Rocha N.S. & Peres J.A. 1998. Mortalidade de cordeiros em duas propriedades na região de Botucatu, São Paulo. ANAIS. XXV Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia, Botucatu, p. 1-4.

Oliveira A.C & Barros S.S. 1982. Mortalidade perinatal em ovinos no município de Uruguaiana, RS. Pesq. Vet. Bras 2:(1) 1-7.

Radostits O.M., Gay C.C., Blood D.C. & Hinchcliff K.W. 2002. Clínica Veterinária. 9 ed., Guanabara Koogan, Rio de Janeiro.

Riet-Correa & Méndez M.C. Mortalidade perinatal em ovinos, pp. 417- 425. 200. In: Riet-Correa F, Schild A.L., Méndez M.C. & Lemos R.A.A. 2001. Doença de ruminantes e eqüinos, 2ed. vol 2, Livraria Varela, São Paulo.

VICENTE DE FRANÇA TURINO

MARIA CLARA COSTA MATTOS

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JONAS PEREIRA DA SILVA

JOÃO PESSOA - PARAIBA - ESTUDANTE

EM 26/09/2010

Olá! Sou estudante e criador de ovinos, estou com um grande problema. Os ovinos nascem sadios e com dois meses os mesmos começam a emagrecer, a barriga fica com tamanho deproporcional ao corpo, suspeito de verminose, vermifugo todos e mesmo assim a mortalidade chega a mais de 80%. Se puder me dar algumas dicas, agradeço.
FERNANDO MARQUES

MARACAJÚ - MATO GROSSO DO SUL - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 21/05/2008

Eu so tenho agradecer vocês por todos esses artigos que vem me ajudando muito, pois sou novo no ramo com os ovinos. Meus parabens pra todos.