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Dimensionamento da área de pastagem para uso diferido

POR PATRICIA MENEZES SANTOS

E MARCO A. A. BALSALOBRE

PRODUÇÃO

EM 20/02/2008

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A estacionalidade de produção das plantas forrageiras é um fato já bem conhecido por técnicos e produtores, e representa um dos principais entraves ao aumento da taxa de lotação animal em pastagens ao longo do ano. As alternativas para contornar este problema dependem de decisões que devem ser tomadas ainda durante a estação de crescimento.

O diferimento do uso de pastagem é uma das técnicas disponíveis para aumentar as taxas de lotação na época seca, garantindo, pelo menos, a manutenção do peso dos animais. Esta prática consiste em suspender a utilização de alguns pastos durante parte do período de maior crescimento das plantas para que a forragem acumulada possa ser usada em época de escassez de alimento.

O cálculo da área de pastagens para uso diferido pode ser feito por meio de sistemas de equações. Considere, por exemplo, uma propriedade de 1.000 ha, com taxa de lotação média no verão de 1,2 UA/ha e no inverno de 1,25 UA/ha. Neste exemplo, o período de maior limitação na quantidade de forragem disponível é o inverno e, portanto, os cálculos devem ser iniciados por esta época. O primeiro passo é definir o sistema de equações:

Equação 1. Considerando-se X com a área de pastagens não adubadas e Y como a área de pastagens para uso diferido e que a soma das duas áreas deve ser igual à área total da propriedade (1.000 ha), tem-se que:

X ha + Y ha = 1.000 ha

Equação 2. Considerando a necessidade de se alimentar 1,25 UA/ha em 1.000 ha durante o inverno e que a taxa de lotação média da área não-adubada no inverno é de 1,0 UA/ha e da área para uso diferido é de 2,5 UA/ha, tem-se que:

(1,0 UA/ha * X ha) + (2,5 UA/ha * Y ha) = 1,25 UA/ha x 1.000 ha

Simplificando a equação 2, tem-se:

1,0X + 2,5Y = 1.250

Em seguida, é preciso resolver o sistema com as duas equações:

X + Y = 1.000 X = 1.000 - Y
1,0X + 2,5Y = 1.250

Substituindo X na equação 2, tem-se:

1,0 * (1.000 - Y) + 2,5Y = 1.250
1.000 - Y + 2,5 Y = 1.250
1,5 Y = 250
Y = 166,7 (área de pasto para uso diferido)

Substituindo o valor de Y na equação 1, tem-se:

X + 166,7 = 1.000
X = 833,3 ha (área de pasto para uso no verão)

Por fim, é preciso verificar se a área de pastagem disponível é suficiente para alimentar os animais no verão. Para isso, basta fazer o cálculo do número de animais que poderá ser mantido na propriedade considerando-se a taxa de lotação média para as áreas de uso diferido e para as áreas não-adubadas durante o verão:

(833,3 ha X 1,0 UA/ha) + (166,7 ha X 0,5 UA/ha) = 916,6 UA/ha

Como durante o verão será necessário alimentar o equivalente a 1.200 UA (1,2 UA/ha em 1.000 ha), verifica-se que haverá restrição de forragem neste período. Uma alternativa para contornar este problema é adubar uma parte dos pasto, aumentando, assim, sua taxa de lotação durante o verão. O cálculo da área a ser adubada pode ser feito seguindo-se o mesmo raciocínio descrito para as áreas destinadas ao uso diferido.

Comentário:

O planejamento da produção de forragem é um dos fatores críticos para o sucesso da atividade pecuária. O texto acima mostra uma alternativa de cálculo para o dimensionamento de setores de produção dentro da propriedade (ex.: pasto não-adubado, pasto para uso diferido, pasto adubado no verão, cana-de-açúcar). Com o auxílio de planilhas eletrônicas, o mesmo raciocínio adotado nos cálculos acima pode ser utilizado para planejamentos mais complexos, envolvendo mais de dois setores de produção de forragem e detalhando melhor as épocas do ano.

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THIAGO ALVES DE OLIVEIRA

REGISTRO - SÃO PAULO - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 14/08/2009

o clima chuvoso no inverno pode atrapalhar o diferimento?
CLAUDIO MANOEL LIVRAMENTO

TOMAZINA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/07/2009

Pela característica de seletividade ao pastejo que os ovinos possuem, contando com forragens de média qualidade, seria recomendável o fornecimento de 5 a 8% do peso vivo, para que o consumo seja máximo e para respeitar o hábito peculiar do animal ao se alimentar.
LUCAS ROEL

PIRACICABA - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 29/09/2008

Acredito que 5% do peso vivo para o camarada que perguntou...
ROGÉRIO RONDINELI NÓBREGA

MUZAMBINHO - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 15/08/2008

Cara Patricia!

Gostaria de agradece-la pela contribuição na explicação, na qual será de grande valia para que eu possa passar este conhecimento aos meus alunos, que de certa forma são seus também, pois utilizo muitos de seus comentários técnicos no dia dia dentro da sala de aula.

Contudo parabenizo você e Marco por suas experiências.



ALAN ISSA RAHMAN

CARAZINHO - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 04/07/2008

Marco e Patricia;

Primeiramente gostaria de parabenizá-los pela explanação, e tenho uma dúvida quanto ao consumo de matéria verde de uma ovelha em relação ao seu peso vivo, coisa do tipo sabemos que uma vaca holandesa consome em torno de 12 à 14% do seu peso vivo em matéria verde, consequentemente uma vaca de 600Kg irá consumir de 72 à 84 Kg de matéria verde por dia, qual seria o consumo de uma ovelha em relação ao seu peso vivo??? Desde já obrigado!!
ROGÉRIO RONDINELI NÓBREGA

MUZAMBINHO - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 28/05/2008

Cara Patrícia!

Em relação aos cálculos do Diferimento e Pastagem, existe uma dúvida com relação a ultima equação. No cálculo da área para pastagem no próximo período de verão você considerou:

(833,3 ha X 1,0 UA/ha) + (166,7 ha X 0,5 UA/ha) = 916,6 UA/ha

Gostaria de saber de onde vem 0,5 UA no segundo parágrafo da equação?

Grato.

<b>Resposta da autora:</b>

Prezado Rogério Nóbrega,

O valor 0,5 UA/ha corresponde à taxa de lotação média esperada durante o período de verão para as áreas que serão vedadas. Os valores são mais baixos, pois os pastos não serão utilizados no período final da estação (estarão vedados).

Atenciosamente,

Patricia Santos
Embrapa Pecuária Sudeste

MARCO A. A. BALSALOBRE

OUTRO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 17/03/2008

Prezado Nelson Luiz da Silva Junior;

1. Ovelhas, em relação ao peso, apresentam consumo maior que bovinos. Se estiverem em lactação o consumo é maior ainda. Portanto, deve classificar os animais em categorias. Uma forma prática é considerar um peso para a unidade animal de ovinos, por exemplo 300 kg (esse número poderá ser menor se estiverem em lactação).

Se for adubar as pastagens, dependendo do nível de fertilizante, poderá colocar 2, 3, 4, 5 ou mais UA/ha. Imaginando que coloque 4 UA/ha, então, poderia colocar 1200 kg de ovinos/ha, se pesarem uma média de 50 kg, poderia colocar 24 ovinos/ha. Lembrando que isso é para a época das águas. Na seca deve ter alimento suplementar.

2. Se estiver adubando para manter 4 UA/ha e se as ovelhas pesarem 50 kg, então 100 ovelhas necessitará de 4 ha. Se fizer um pastejo de 3 dias, para um período de descanso de 35 dias, necessitará de 12 piquetes. 4 ha dividido por 12 piquetes, temos que cada piquete deve ter 3333 m2.

Marco
NELSON LUIZ DA SILVA JUNIOR

ASSIS - SÃO PAULO

EM 09/03/2008

Bom dia.

Em um sistema de pastejo rotacionado, considerando uma área aproveitável de 07 alqueires:

1- Quantas ovelhas poderá comportar?
2- Para lotes de 100 ovelhas, pastejando durante 03 dias, qual deverá ser a área do piquete?

Nelson