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Digestão do amido em vacas leiteiras

VÁRIOS AUTORES

PRODUÇÃO

EM 15/09/2016

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Em rebanhos leiteiros de alta produção as concentrações de amido nas dietas variam de 25 a 30% da matéria seca (MS) (Kaiser e Shaver, 2006). No Brasil, o amido utilizado na alimentação de vacas leiteiras é basicamente oriundo de silagem de milho e milho grão. De acordo com Fredin et al. (2014) o interesse em aumentar a eficiência da utilização do amido, ou seja, em melhorar a digestibilidade do mesmo em vacas leiteiras têm sido estimulada pela utilização desse nutriente em outros setores do agronegócio, como avicultura, suinocultura, bovinocultura de corte, na indústria alimentícia para humanos, e por último na produção de etanol.

A digestibilidade do amido no trato digestivo total (DamidoTT) como % do ingerido é calculada em experimentos como [ingestão de amido (kg/dia) – amido fecal (kg/dia) / ingestão de amido (kg/dia)], incluindo o que ocorre no rúmen e no intestino. Maior digestão do amido no rúmen resulta em maior produção de ácidos graxos voláteis (AGV’s) que podem representar até 70% da ingestão diária de energia pelo animal (Bergman, 1990).

Os principais AGV’s formados no rúmen são acetato, propionato e butirato, sendo que o propionato é o principal precursor de glicose em ruminantes. Em torno de 80% do propionato absorvido no rúmen pode ser convertido em glicose no fígado (Brockman, 1990), sendo esta utilizada pela glândula mamária para produção de energia e síntese de lactose - que direciona a produção de leite.

O aumento na digestibilidade ruminal do amido pode resultar em maior aporte de proteína metabolizável (aminoácidos que chegam no sangue) devido o maior crescimento microbiano, aumentando o teor de proteína no leite (Ferraretto et al., 2013). Em uma revisão, Firkins et al. (2001) observaram que houve aumento no fluxo de proteína microbiana para o intestino delgado (duodeno) quando milho laminado foi substituído por milho floculado e sorgo moído foi substituído por sorgo floculado.

A DamidoTT em vacas leiteiras varia de 80 a 100% (Firkins et al., 2001; Ferraretto et al., 2013), e pode ser afetada negativamente por vitreosidade (Ngonyamo-Majee et al., 2008), maturidade (Ferraretto et al., 2014) e positivamente por processamento de grãos e ensilagem (Ferraretto et al., 2013) (Figura 1).

Figura 1. Milho grão moído re-hidratado e ensilado.
milho grão moído

O amido com maior digestibilidade ruminal tem maior digestibilidade intestinal quando avaliada como % do fluxo para o duodeno, no entanto, apresenta menor digestibilidade intestinal como % da ingestão de amido devido a menor quantidade de nutrientes, deixando o rúmen e chegando no intestino (Ferraretto et al., 2013). A digestibilidade ruminal do amido é afetada da mesma maneira que DamidoTT e estas variáveis estão correlacionadas (Figura 2) (Ferraretto et al., 2013), mas ocorre uma compensação intestinal do que não foi digerido no rúmen (% do amido ingerido), podendo reduzir a sensibilidade da DamidoTT (amido fecal) em predizer amido digestível no rúmen. Logo, um pequeno aumento no amido fecal pode indicar uma redução significativa na disponibilidade de amido digestível no rúmen, reduzindo o crescimento microbiano e afetando negativamente o aporte de proteína metabolizável e energia para o animal.

Figura 2. Correlação entre digestibilidade do amido no rúmen e digestibilidade do amido no trato digestivo total.
digestibilidade do amido

Pesquisadores conseguiram correlacionar o teor de amido fecal com a DamidoTT em vacas leiteiras (Figura 3) (Fredin et al., 2014).

Figura 3. Correlação entre amido fecal (% MS) e digestibilidade do amido no trato digestivo total (% ingestão de amido) em vacas leiteiras. DamidoTT = 100,0 - 1,25 x amido fecal.

amido fecal - digestibilidade

Portanto, a análise de amido fecal determinada em laboratório (Figura 4) pode ser interessante para avaliar DamidoTT em fazendas, assim como avaliar disponibilidade de amido digestível no rúmen e direcionar ajustes na dieta. As fezes podem ser coletadas por amostragem: é sugerido coletar de 20% das vacas do lote, em seguida faz-se uma amostra composta das fezes - que é congelada e enviada para o laboratório (aproximadamente 300 gramas) (Figura 5).

Figura 4. Digestibilidade do amido no trato digestivo total calculada a partir do amido fecal (Fredin et al., 2014).

digestibilidade amigo - milho

Figura 5. Grãos de milho pouco processados nas fezes.
grão de milho - bovinos - fezes

Estimar a quantidade de amido digestível no rúmen pode ter grande impacto na formulação de dietas. Se assumirmos que o amido apresenta duas frações (A e B), considera-se que a quantidade de amido que digere no rúmen é dependente da fração A e da taxa de degradação da fração B. A fração A é considerada prontamente disponível e será completamente degradada no rúmen. A redução do tamanho de partículas do grão de milho com endosperma duro ou farináceo (Rémond et al., 2004), menor maturidade e híbridos mais farináceos apresentam maior fração A (Ngonyamo-Majee et al., 2008).

A fração B apresenta uma taxa de degradação (kd) que pode ser determinada a partir da incubação do alimento por pelo menos dois tempos diferentes. A quantidade da fração B do amido que digere no rúmen pode ser estimada pela equação: kd / (kd + kp), onde kp corresponde a taxa de passagem da fração B. Quanto maior for a fração A e a taxa de degradação da fração B, maior será a digestibilidade do amido no rúmen e no trato digestivo total. A equação utilizada para calcular o amido digestível no rúmen é = A + B x [kd / (kd + kp)].

Recentemente o grupo de pesquisa do professor Marcos Neves Pereira da Universidade Federal de Lavras, compilou dados de 10 experimentos, e foi observado que a correlação entre DamidoTT e produção de leite (kg/dia) é negativa (r = -0,23). Provavelmente isto ocorreu porque vacas de alta produção (33,6 kg/leite/dia) têm maior consumo e maior taxa de passagem do amido ou porque a menor DamidoTT induziu menos acidose levando a um maior consumo e maior produção de leite. A correlação positiva ocorreu entre consumo de amido digestível (kg/dia) e produção de leite (kg/dia) (Figura 6) e consumo de amido digestível (kg/dia) e produção de proteína no leite (kg/dia) (Figura 7).

Figura 6. Correlação entre consumo de amido digestível e produção de leite.

consumo de amigo - produção de leite

Figura 7. Correlação entre consumo de amido digestível e produção de proteína no leite.
consumo de amigo - produção de proteína - leite

Com base nas regressões geradas com esses dados (420 vacas), para cada 1,0 kg de consumo de amido digestível a mais espera-se um aumento de 2,60 kg de leite e 0,095 kg de proteína no leite. Considerando um lote de vacas recebendo uma dieta com teor de amido de 30% e o consumo por animal de 20 kg de MS/dia, teremos um consumo de 6,0 kg de amido por vaca/dia, e o valor da DamidoTT obtido da análise de fezes.

Em situações de rebanho calcularia da seguinte forma:

Consumo de amido do lote (6,0 kg/vaca/dia) x DamidoTT do lote (95,10%) = 5,70 kg/dia de consumo de amido digestível.

O amido fecal serve para estimar a DamidoTT, mas o número sozinho tem valor apenas para avaliar mudanças no manejo alimentar (mudanças de silos, partidas de milho, aditivos, etc). Portanto, é interessante observar além do amido fecal outras variáveis como consumo de amido digestível, isso porque algumas dietas e aditivos aumentam o consumo de amido digestível, sem alterar a DamidoTT (Nozière et al., 2014).

Em resumo, observa-se que a utilização da equação Amido digestível = A + B x [kd / (kd + kp)] poderia estimar melhor a quantidade de amido digestível no rúmen do que a análise de amido fecal, devido a compensação da digestão ruminal pela digestão intestinal. Entretanto, atualmente apenas a análise de amido fecal está comercialmente disponível. Como em muitas fazendas algumas estratégias para aumentar a digestibilidade do amido já são adotadas, a análise de amido fecal pode ser útil na formulação de dietas representando o amido digestível no rúmen.

Referências bibliográficas

Bergman, E.N. 1990. Energy contributions of volatile fatty acids from the gastrointestinal tract in various species. Physiological Reviews. 70:567-590.
Brockman, R.P. 1990. Effect of insulin on the utilization of propionate in sheep. British Journal of Nutrition. 64:95-101.

Ferraretto, L.F., P.M. Crump, and R.D. Shaver. 2013. Effect of cereal grain type and corn grain harvesting and processing methods on intake, digestion, and milk production by dairy cows through a meta-analysis. Journal of Dairy Science. 96:533-540.

Ferraretto, L.F., K. Taysom, D.M. Taysom, R.D. Shaver, and P.C. Hoffman. 2014. Relationships between dry matter content, ensiling, ammonia-nitrogen, and ruminal in vitro starch digestibility in high-moisture corn samples. Journal of Dairy Science. 97:3221-3227.

Firkins, J.L., M.L. Eastridge, N.R. St-Pierre, and S.M. Noftsger. 2001. Effects of grain variability and processing on starch utilization by lactating dairy cattle. Journal of Animal Science. 79:E218-E238.

Fredin, S.M., L.F. Ferraretto, M.S. Akins, P.C. Hoffman, and R.D. Shaver. 2014. Fecal starch as an indicator of total-tract starch digestibility by lactating dairy cows. Journal of Dairy Science. 97:1862-1871.

Kaiser, R., and R. D. Shaver. 2006. Benchmarking high producing herds. In Proc. Western Canadian Dairy Semin. Red Deer, Alberta, Canada. University of Alberta, Edmonton, AB, Canada. 179-190.

Ngonyamo-Majee, D., R.D. Shaver, J.G. Coors, D. Sapienza, and J.G. Lauer. 2008. Relationships between kernel vitreousness and dry matter degradability for diverse corn germplasm II. Ruminal and post-ruminal degradabilities. Animal Feed Science and Technology. 142:259-274.

Nozière, P., W. Steinberg, M. Silberberg, and D.P. Morgavi. 2014. Amylase addition increases starch ruminal digestion in first-lactation cows fed high and low starch diets. Journal of Dairy Science. 97:2319-2328.

Rémond, D., J.I. Babrera-Estrada, M. Champion, B. Chauveau, R. Coudure, and C. Poncet. 2004. Effect of Corn Particle Size on Site and Extent of Starch Digestion in Lactating Dairy Cows. Journal of Dairy Science. 87:1389-1399.

 

LUCAS PARREIRA DE CASTRO

Mestrando em Produção de Ruminantes
Universidade Federal de Lavras
Grupo do Leite

EUGENIO FARIA BARBOSA

Mestrando Nutrição de Ruminantes - Dairy Science
Universidade Federal de Lavras
Departamento de Zootecnia
Grupo do Leite

WESLEY DE REZENDE SILVA

Graduando em Zootecnia na Universidade Federal de Lavras - UFLA.
Formado em Técnico Agrícola pela Universidade Federal de Viçosa - Campus Florestal.
Grupo do Leite

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JULIAN MICHEL COSTA

SALTO DO JACUÍ - RIO GRANDE DO SUL

EM 13/10/2016

eugenio e frederico ..meu quase vizinho rsrs ..obrigado pela atenção  ! entao nao havendo prejuizo na digestão vou seguir umedecendo. .uma vez que é feito no momento que vai ser fornecido. .nao ficao sobras ..tomarei cuidado com excessos de agua !!   obrigado
LUCAS PARREIRA DE CASTRO

LAVRAS - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 11/10/2016

Prezado Iago,

O primeiro ponto é a quantidade de fibra que proporcione adequada ruminação, uma vez que não sabemos qual parâmetro da dieta deve ser analisado. Animais de torneio leiteiro tendem a atingir alto consumo de matéria seca, sendo um grande risco para ocorrência de acidose ruminal. O principal parâmetro a ser avaliado é o consumo de matéria seca que não deve estar muito diferente da predição de consumo, utilizando a equação do NRC 2001 ou até mesmo CNCPS 6.3. Outro parâmetro importante é o tempo de ruminação no dia, para animais de torneio pode ser interessante buscar mais de cinco horas por dia.

As curvas de digestibilidade das fontes de amido são diferentes, e nesse caso a degradação do amido está sendo fracionada ao longo do tempo. Além disso, a taxa de degradação da pectina é diferente do amido, essas características são importantes para minimizar os riscos de acidose. Quanto ao limite máximo de amido da dieta não têm um número ideal, o correto seria a avalição do animal pelo técnico responsável.

O ideal seria utilizar duas ou mais fontes de amido, que apresentem diferentes taxas de degradação, a utilização de algum subproduto juntamente com uma fonte de amido seria uma boa opção para realizar essa substituição com maior segurança. Se houver possibilidade de fornecer os alimentos concentrados uma terceira vez ao dia, principalmente para animais de alta produção, pode ser benéfico.
IAGO GONÇALVES SANTIAGO

CLÁUDIO - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 06/10/2016

Parabéns pelo artigo!



Quando pensamos em dietas de vacas de altíssima produção, como por exemplo animais de torneios leiteiros, precisamos trabalhar com uma dieta mais densa para atender a demanda destes animais, sendo necessário a utilização de maior quantidade de alimentos concentrados. Gostaria de saber qual a opinião de vocês quando se utiliza varias fontes de amido (milho moído fino, silagem de grão de milho reidratado e farinha de trigo) juntamente com subprodutos (polpa cítrica e casca de soja) em relação a acidose ruminal e fornecimento de energia aos animais? Neste caso, qual o limite máximo de amido? (tendo em mente uma dieta que contenha fibra que proporcione adequada ruminação)



Aproveitando a questão do Alan, mas pensando em animais recebendo suplementação concentrada na ordenha, como realizar a substituição de uma fonte de amido de menor digestão no rúmen (ex: milho grão moído fino), por uma fonte de amido de maior digestibilidade ruminal (silagem de milho reidratado), já que esses animais ingerem grande quantidade de carboidratos de uma só vez. Nesse caso você acha benéfico substituir parcialmente o milho moído fino por subprodutos? Se sim, existe nível ideal de substituição?



Obrigado!


WESLEY DE REZENDE SILVA

BRUMADINHO - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 05/10/2016

Nessas dieta a utilização de duas fontes de amido é interessante, caso contrário muito amido será degradado de uma vez no rúmen, mesmo que o animal alimente-se várias vezes ao dia. Havendo a possibilidade de utilizar duas fontes de amido, o teor de amido da dieta pode ser aumentado, como os valores mencionados acima, porém com a utilização de mais de uma fonte de amido você pode ter duas curvas de degradabilidade, mas não necessariamente terá maior digestibilidade do amido (ex: substituição parcial de milho reidratado ensilado por milho moído seco).



Como mencionado anteriormente não existe um número para o teor de amido nas dietas, sugerimos que monitore o ECC e ajuste a dieta de acordo com a realidade da fazenda.  



Portanto, a substituição de milho grão por subprodutos fibrosos pode ser benéfica para vacas de menor produção de leite ou em estágio mais avançado da lactação. Para vacas de alta produção e/ou início de lactação, dietas com teor de amido mais alto, permitem maior produção de leite e eficiência alimentar.
WESLEY DE REZENDE SILVA

BRUMADINHO - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 05/10/2016

No trabalho de Van Knegsel et al. (2007a) realizado na Holanda, foi avaliado 3 dietas durante 9 semanas pós parto. As dietas continham (60% MS) de forragem sendo silagem de gramínea, silagem de milho, feno de alfafa, as dietas foram isoproteícas e isoenergéticas:



- Dieta Glicogênica (26,6 % amido), (N = 42 vacas).

- Dieta Mix (50% da MS de cada dieta) glicogênica + lipogênica (17,9 % amido), (N = 25 vacas).

- Dieta Lipogênica (10,4% amido), (N = 44 vacas).     



Não houve diferença na produção de leite, primíparas (29,6 kg/d, P = 0,78) e multíparas (43,5 kg/d, P = 0,88) e no consumo de matéria seca, primíparas (18,4 kg/d, P = 0,28) e multíparas (23,8 kg/d, P = 0,74). Mas o balanço energético foi menos acentuado na dieta glicogênica (26,6 % amido) comparado com a dieta Mix (17,9 % amido), (-33 vs. -125 kJ/(kg0,75 d). As vacas multíparas tiveram menores concentrações de colesterol, NEFA, BHBA no plasma e triglicerídeos no fígado, e maior concentração de insulina no plasma na dieta glicogênica comparado as outras duas dietas. Apesar de não haver diferença na produção de leite, os parâmetros metabólicos indicam que os animais alimentados com as dietas de baixo amido tiveram maior mobilização de reservas energéticas.



Pesquisas mais recentes (Gencoglu et al., 2010, Hall et al., 2010, Ferraretto et al., 2011 e Ferraretto et al., 2012) observaram alguns pontos relevantes que devem ser considerados. Eles avaliaram o efeito da redução do teor de amido em dietas de vacas leiteiras de alta produção (46,3 kg/d), substituindo milho grão por subprodutos fibrosos (18 % vs. 27 % de amido na dieta). Vacas de alta produção consumindo dietas com baixo teor de amido podem apresentar queda na produção de leite e proteína do leite. Além disso, nos estudos em que a produção de leite foi mantida, a ingestão de matéria seca foi maior para as dietas de baixo amido, a menor densidade energética das dietas podem reduzir a eficiência alimentar.



Em outro trabalho Boerman et al. (2015) utilizando dietas com teor reduzido de amido (12 % da MS da dieta) vacas com produção acima de 35 kg de leite por dia reduziram a produção, mas animais abaixo deste nível de produção não foram afetados. Sendo que a produção de leite no início do experimento foi 48 kg/d, e no final do experimento para a dieta com alto amido 45,3 kg/d e 38,5 kg/d para a dieta com baixo amido. Neste caso o amido foi diluído com casca de soja e a digestibilidade da FDN foi 26 % maior na dieta com casca de soja. A utilização de FDN de forragem poderia induzir redução no consumo e desempenho destes animais mesmo utilizando forragens temperadas. Quando reduz o teor de amido utilizando polpa cítrica pode haver redução no consumo de matéria seca, limitando a redução no teor de amido da dieta mesmo para animais pouco produtivos.
WESLEY DE REZENDE SILVA

BRUMADINHO - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 05/10/2016

Prezado Alexandre,



Quando trabalhamos com forragens que não tem amido, é difícil atingir 25 a 30 % de amido na dieta.



Para vacas de alta produção seria interessante buscar pelo menos 20 % de amido na dieta, utilizando fontes com maior digestibilidade possível, já que não haverá amido da silagem de milho. Vale ressaltar nesses casos que a quantidade de concentrado a ser adicionada na dieta é alta, em situações que a forragem têm alto teor de FDN e/ou baixa digestibilidade. Também é interessante avaliar a quantidade de carboidratos não fibrosos, pois a utilização de forragem com alto teor de FDN sem amido pode limitar desempenho dos animais por excesso de FDN de forragem e/ou concentrado.
ALEXANDRE VALISE SIQUEIRA

LAVRAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 02/10/2016

Bom dia Eugênio,



Muito obrigado pelas colocações,



Exigência é algo que se faz necessário, pelo que entendi do artigo quando queremos potencializar a produção a utilização do amido se faz necessária por ser o ingrediente que mais potencializa o crescimento microbiano.

Seguindo essa linha de pensamento e observando as concentrações sugeridas por Kaiser e Shaver (2006), entre 25 a 30% de amido, quando trabalhamos com forragem que não possuem amido é muito complicado chegar a essas porcentagens de amido. Dessa forma, para não prejudicar a produção da vaca, qual seria  o intervalo da concentração de amido na MS da dieta?



Pensando em vacas confinadas consumindo a dieta várias vezes ao dia, mesmo com apenas uma fonte de amido, teríamos vários pools de amido no rúmen, minha dúvida é, se utilizarmos outras fontes de amido, as curvas de degradação do amido são diferentes ou o benefício é apenas por ter maior disponibilidade de amido?



Em relação as vacas de baixa produção, pegando sua resposta dizendo que é importante a utilização de amido, qual seria o intervalo de amido como porcentagem na MS, exatamente para não aumentar o ECC?



Abraço
LUCAS PARREIRA DE CASTRO

LAVRAS - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 24/09/2016

Prezado Alan,



O principal ponto que devemos avaliar quando fazemos esse tipo de substituição é o processamento da forragem que está sendo fornecida aos animais, o tamanho das partículas associado à FDN da forragem permite avaliar a fibra fisicamente efetiva, isso pode ser feito utilizando as peneiras da PennState e uma equação desenvolvida por Dias Júnior (2016).



Busca-se obter no mínimo 20 % da FDN da dieta com tamanho > 8 mm, sendo que a FDN contida acima da peneira de 8 mm é considerada fisicamente efetiva. A utilização de alimentos como feno ou pré-secado é uma opção para atingir essa meta e assegurar que a mudança não afete negativamente o desempenho dos animais. A fibra fisicamente efetiva é fundamental para garantir a produção de saliva, ruminação e motilidade ruminal, minimizando os riscos de acidose.



Outro ponto para avaliar é o teor de amido da dieta, ao substituir o milho grão moído grosso por milho reidratado moído fino e ensilado poderia trabalhar com o teor de amido da dieta diferente, já que o aproveitamento do nutriente irá variar de acordo com a disgestibilidade dessas duas fontes dietéticas. A utilização da taxa de degradação do amido para cada alimento, utilizando o modelo de um pool poderia ser uma alternativa para manter a mesma quantidade de amido digestível no rúmen quando fizer a mudança de dieta. Entretanto, atualmente não se sabe ao certo qual modelo (um ou dois pools) representa melhor a quantidade de amido digestível no rúmen e não se sabe certamente como determinar esta taxa de degradação laboratorialmente, sendo necessário bom censo do próprio nutricionista.



Esses pontos são importantes durante a formulação das dietas, sendo que a partir desses valores pode-se estipular metas a serem alcançadas e avaliar riscos dos animais apresentarem algum quadro de acidose ruminal.
ALAN DE SANTANA PEREIRA

BOTUCATU - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 23/09/2016

Parabéns pelo artigo.



Gostaria de fazer uma discussão de uma situação bem comum de nos depararmos no campo, que seria como realizar a substituição de uma fonte de amido de baixa digestão no rúmen (ex: milho grão moído grosso), por uma fonte de amido de alta digestibilidade no rúmen (silagem de milho reidratado moído fino).



Para isso vamos usar como exemplo de um cenário onde uma vaca esta comendo 5 kg de milho seco moído grosso e vamos substituir pela silagem de milho reidratado, qual seria a forma mais segura e eficiente buscando aumentar o desempenho dos aminais de se realizar esta substituição?



A informação de consumo de amido digestível no rúmen de cada alimento utilizando valores médios deve ser utilizado no momento de se calcular a nova dieta?



Obrigado!
EUGENIO FARIA BARBOSA

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 22/09/2016

Prezado Frederico,



Obrigado pelos comentários !
EUGENIO FARIA BARBOSA

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 22/09/2016

Prezado Rodrigo,



Obrigado pelos comentários !



No caso da digestibilidade do amido os principais ganhos são por processamento como moagem e ensilagem, por exemplo. O uso de enzimas pode ser uma alternativa para aumentar a digestibilidade do amido, mas ainda são necessários mais estudos para concluir em quais situações podem ocorrer melhoras.
EUGENIO FARIA BARBOSA

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 22/09/2016

Prezado Alexandre,



Não existe uma exigência de amido, apenas sabe-se do seu potencial em maximizar o crescimento microbiano. O ideal seria amido degradável no rúmen, nessas dietas a fonte energética para os animais e os microrganismos do rúmen é o amido, ao formular apenas pela % de amido na MS não sabemos quanto desse amido está sendo aproveitado pelo animal.



Em dietas que a forragem não possui amido vale atentar para a fonte de amido a ser utilizada, que em alguns casos pode ser a única fonte do nutriente, em dietas à base de silagem de milho, por exemplo, existe o amido proveniente da forragem e do concentrado representando duas fontes.



A suplementação com diferentes fontes de amido pode ser benéfica e maximizar o crescimento microbiano, pois pode haver fornecimento de energia constante para o rúmen. Uma quantidade excessiva de amido sendo digerido de uma vez e a falta de amido no rúmen podem reduzir a produção de proteína microbiana. A adoção dessa estratégia na formulação de dietas pode promover uma maior inclusão de amido com menor risco de acidose nos animais, já que a produção de ácidos no rúmen será distribuída ao longo do tempo, a medida em que o amido vai sendo degradado.



Mesmo para animais de baixa produção a suplementação de amido é importante para garantir o crescimento microbiano no rúmen, no entanto pode ser mínima. Em dietas à base de silagem de milho pode não ser necessário a inclusão de fontes suplementares de amido, mas em situações que a forragem não tem amido uma suplementação mínima pode ser necessária.



Vale atentar que dietas com altos teores de amido para vacas de baixa produção ou em final de lactação pode ocasionar ganho excessivo de condição corporal.



Obrigado

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EUGENIO FARIA BARBOSA

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 22/09/2016

Prezado Julian,



Não existem relatos de que umedecer a dieta possa aumentar a digestibilidade de nutrientes, embora quando as partículas de alimento chegam no rúmen têm que ser hidratadas para facilitar a adesão e a ação de enzimas microbianas. Uma consideração a ser observada é a possibilidade de aquecimento da dieta, o que poderia reduzir o consumo dos animais.



Recomendamos que procure um nutricionista de sua confiança para um diagnóstico mais preciso da situação.
EUGENIO FARIA BARBOSA

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 22/09/2016

Prezado Natanael,



A importação brasileira de aditivos cresceu significativamente nos últimos 15 anos (Dados do MDIC), mostrando que seu uso aumentou no Brasil. A utilização de probióticos pode ser uma alternativa para aumentar a digestibilidade dos alimentos, pois possuem potencial para modificar o perfil fermentativo do rúmen. Existem dados que a suplementação com leveduras vivas pode aumentar a digestibilidade da matéria orgânica (Desnoyers et al., 2009), possivelmente por aumento na digestão de FDN.
RODRIGO LOPES DE MORAES

VIÇOSA - MINAS GERAIS - TÉCNICO

EM 22/09/2016

Hoje no mercado já existe a presença da enzima amilase em suplementos minerais (Rumistar), inclusive com experimento feito pelo Professor Marcos que, mesmo com DEL avançado, resultou em aumento na produção de leite e redução do teor de nitrogênio ureico do leite. Existem outros trabalhos com uso da amilase com aumento de até 4 litros/vaca/dia. Segue algumas opções de leitura: J. Dairy Sci. 93 :723-732; Factors Influencing Feed Efficiency in Dairy Cattle

Randy Shaver, Ph.D.

Amylase addition increases starch ruminal digestion

in first-lactation cows fed high and low starch diets

P. Nozière
FREDERICO BAVARESCO

SOBRADINHO - RIO GRANDE DO SUL - ESTUDANTE

EM 22/09/2016

Julian michel, acredito eu que se você molhar de mais a ponto de escorrer a água, pode carregar os minerais do sal perdendo assim o aproveitamento,  fora isso, se nao existem sobras molhar não è prejudicial,  abraço.
ALEXANDRE VALISE SIQUEIRA

LAVRAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 21/09/2016

Parabéns pelo artigo publicado.



Quando pensamos em dietas de vacas de alta produção, que tem como base forragem sem amido, qual seria a recomendação de amido como % da MS ou amido degradável no rúmen?



Rebanhos de média e baixa produção tem exigência de amido ou podemos trabalhar com outras fontes de carboidratos? Qual seria a exigência ou o ponto de corte de produção para definir se trabalharemos com amido ou outros carboidratos?



Trabalhar com amido de diferentes fontes e diferentes digestibilidades é benéfico ou consideramos todos como amido e avaliamos somente a digestibilidade?



Grande Abraço
JULIAN MICHEL COSTA

SALTO DO JACUÍ - RIO GRANDE DO SUL

EM 21/09/2016

parabens belo artigo ..gostaria de tirar uma duvida .. estou nese periodo com falta de pastagens .. crio terneiras

.estou tratando no cocho com uma mistura de ..casquinha de soja .milho integral e milho moido ..porem a casquinha que corresponde  a maior parte do trato ..é muito leve ..pouco densa ..pra evitar o desperdicio estou molhando essa mistura ..adiciono agua e sal ..bem umida mesmo ..o gado adora ..mas que consequencia isso pode traze na digestao ??? pode prejudicar ? ajudar ? é indiferente ? como poderia melhorar ?
NATANAEL LEITÃO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 20/09/2016

Parabéns pelo artigo! Pergunto a vocês o que acham do uso de probióticos para melhorar a digestibilidade ruminal? Tenho notado recentemente um desinteresse por esse suplementos...ou é só impressão minha?



Essa vai para todos os leitores: o consumo de probióticos diminuiu recentemente?



Abraço!
GABRIELA WESTIN

POCINHOS DO RIO VERDE - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 20/09/2016

Excelente artigo, parabéns!