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Cuidados na alimentação de reprodutores

POR GREICY MITZI BEZERRA MORENO

E OSCAR BOAVENTURA NETO

PRODUÇÃO

EM 12/06/2009

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Nos sistemas de produção de ovinos e caprinos é necessário atentar quanto à alimentação e nutrição dos reprodutores, seja na época de estação de monta seja na época de descanso dos animais. Quando os reprodutores não estão em atividade de monta ou de colheita de sêmen, não é necessário fornecer alimento concentrado, desde que o volumoso disponível seja de qualidade. Do contrário, quando o volumoso for de baixa qualidade, pode-se fornecer o mesmo concentrado das fêmeas secas (em mantença), eliminando a necessidade de formulação de um concentrado exclusivamente para os machos.

Na estação de monta os reprodutores devem estar com boa condição corporal, sem escassez ou excesso de gordura, sendo recomendado manter escore entre 3 e 4, pois eles podem perder mais de 10% do seu peso corporal em um mês e meio de estação de monta. Em geral, é benéfico fornecer suplemento concentrado de 40 a 60 dias antes da estação de monta, para melhorar a condição corporal e a produção espermática dos animais, considerando que os espermatozóides demoram aproximadamente 60 dias para sua completa formação. Dependendo da condição corporal, da raça e do tamanho de cada reprodutor, de 0,5 a 1,0 kg de concentrado por dia é suficiente para manter uma boa condição corporal dos animais nessa fase do sistema de criação. Após a estação de monta, dependendo da perda de peso dos reprodutores, pode ser necessário continuar o fornecimento do concentrado até que os mesmos se recuperem completamente e alcancem sua condição corporal normal.

Independentemente da época do ano e se os animais estão ou não na fase de acasalamento, é extremamente importante o fornecimento de alimentos volumosos, e que a quantidade oferecida seja suficiente para manter níveis adequados de salivação, pois esta é uma das formas de se prevenir uma doença metabólica chamada urolitíase, muito comum em reprodutores ovinos e caprinos que recebem baixa quantidade de alimentos volumosos e alta quantidade de concentrados. Esta doença é causada por acúmulo de sais de fósforo (urólitos) no aparelho urinário, causando dor, inchaço no prepúcio, micção contínua, dificuldade de urinar, uremia (presença de sangue na urina), podendo haver ruptura da uretra e/ou bexiga e morte. A urolitíase é causada principalmente por consumo excessivo de fósforo, representado por uma relação cálcio:fósforo baixa, normalmente encontrada em alimentos concentrados. Como o metabolismo do fósforo está diretamente relacionado com o metabolismo do cálcio, sempre se fala na relação cálcio:fósforo para prevenir a urolitíase, sendo que esta relação deve ser no mínimo 2:1 e a ideal seria 3:1.

Outra forma de prevenir esta doença é disponibilizar volumoso para estimular salivação. Considerando que a saliva é rica em fósforo, ela constitui uma forma de reciclagem deste mineral, ou seja, o fósforo circulante proveniente da dieta será capturado para a formação da saliva, impedindo que o mesmo seja excretado na urina e vá se acumulando no aparelho urinário ao longo do tempo (Figuras 1 e 2). A urolitíase ocorre quase que exclusivamente em machos (99,0% dos casos), pois eles possuem uma anatomia propícia à deposição dos sais de fósforo no aparelho urinário, como o S peniano e o apêndice vermiforme na extremidade do pênis. Esta doença também ocorre mais freqüentemente quando caprinos e ovinos são alimentados com sal mineral de bovinos, o que não deve ser permitido em hipótese nenhuma, pois além da urolitíase, o sal mineral de bovinos pode causar intoxicação por cobre, principalmente nos ovinos, que são menos tolerantes ao excesso deste mineral.

Figura 1: Carneiro com inchaço no prepúcio, um dos sintomas da urolitíase


Figura 2: Bexiga rompida de carneiro após sua morte por urolitíase


Os cuidados com reprodutores de raças exóticas devem ser ainda maiores, já que a exigência dos animais aumenta e a resistência diminui à medida que as raças vão se tornando cada vez mais especializada, seja para leite ou para corte.

Referências:

ORTOLANI, E.L. Intoxicações e doenças metabólicas em ovinos: intoxicação cúprica, urolitíase e toxemia da prenhez. In: SILVA SOBRINHO, A.G.; BATISTA, A.M.V.; SIQUEIRA, E.R. et al. Nutrição de Ovinos. Jaboticabal: Funep, 1996. p. 241-258.

PUGH, D.G. Clínica de ovinos e caprinos. São Paulo: Roca, 2004. 513 p.

GREICY MITZI BEZERRA MORENO

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MAURÍCIO PIRES CARDOSO

TERESINA - PIAUÍ - ESTUDANTE

EM 30/09/2013

Muito bom este artigo, foi de muita riqueza de conhecimentos. Parabéns.
LORRAYNE

ALTO GARÇAS - MATO GROSSO - ESTUDANTE

EM 11/06/2013

muito bom esse ensino adorei!!!!!

ALESSANDRO SOUZA SILVA

SÃO JOSÉ DOS QUATRO MARCOS - MATO GROSSO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 15/06/2009

Parabéns
essa demonstração foi de grande valia!
MARCIVAL DUETI RESENDE SILVA

NAZÁRIO - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 13/06/2009

Parabéns pelo tema, e é uma reportagem exclarecedora, principalmente para os criadores que tentam ovino-caprinocultura sob a egide do empirismo, eu disse tentam, pois logo aparecem os erros sejam de manejo profilático( verminose), ou nutricionais como o citado na reportagem.

Tive noticias de casos que inviabilizaram as criações na região de Redenção (Pa.) e Trindade (Go.). Digo por ser regiões onde atuei. E as empresas de extensão, estão ai, dando o seu recado, todavia sabemos não mudar as pessoas da noite pro dia. Romperemos estes dogmas ao passar ainda pelo menos 2 gerações, mas chegar-se-á este dia.