FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

Cruzamento industrial: a chave do sucesso na terminação de cordeiros confinados

POR CLEDSON AUGUSTO GARCIA

PRODUÇÃO

EM 25/06/2010

16
0
Introdução

A escolha da raça ou grupo genético é um aspecto de grande importância para o sucesso do agronegócio, seja para a produção de carne, lã, leite e da pele ovina no Brasil, aliado com boa nutrição e ambiente favorável, para que os animais expressem seu potencial genético, sendo essa à base do tripé para o sucesso na produção dos ovinos.

Os ovinos apresentam grande potencial de exploração, pois são extremamente precoces, especialmente quando submetidos num manejo nutricional diferenciado, ou seja, podendo ser abatidos com idade média de 4 meses. O curto período de gestação (150 dias), a boa prolificidade (crias nascidas/por matriz) neste pequeno ruminante doméstico contribui para elevada eficiência produtiva, por unidade de tempo.

Para a realização do cruzamento, o primeiro passo é selecionar as raças paternas, que fornecerão os reprodutores, e as raças maternas, que fornecerão as matrizes, servindo de base para o cruzamento. Isto é importante, uma vez que existem raças com rápido ritmo de crescimento, mais indicadas para serem paternas, e outras que apresentam melhor fertilidade, além de boa habilidade materna, devendo ser as maternas.

Existem vários tipos de cruzamento e a escolha de qual tipo usar depende do objetivo da criação. Se o produtor deseja vender boa parte dos animais provenientes do cruzamento entre duas raças, o cruzamento mais indicado é o simples ou industrial. Neste tipo de cruzamento todos os animais ½ sangue originados do acasalamento entre as duas raças serão destinados para o abate, independente do sexo da cria, porém alguns criadores "seguram" as borregas F1 para reposição e/ou ampliação do rebanho. O máximo do vigor híbrido é alcançado neste tipo de cruzamento, desde que as condições nutricionais e ambientais sejam adequadas.

Quando se deseja reunir características de várias raças num animal, realiza-se o cruzamento rotativo ou alternado, que consiste em ir alternando no acasalamento, uma raça e outra, sucessivamente. Outro tipo de cruzamento é o terminal (com três raças), também denominado como three cross, neste último devendo ser abatidos tanto os machos quanto as fêmeas, pois teve a exploração do máximo de complementaridade.

Geralmente, a capacidade produtiva das raças ou dos grupos genéticos dos ovinos é inversamente relacionada com a sua rusticidade. Os borregos geralmente são terminados em regime de confinamento total, principalmente na região Sudeste e Centro-Oeste, enquanto que na região Sul, Norte e Nordeste, geralmente em pastejo ou semiconfinamento. Dependendo da região a área do confinamento deve ser sombreada, para proporcionar maior conforto térmico, garantindo a boa qualidade do acabamento da carcaça dos mesmos.

Principais raças para cruzamentos dos ovinos de corte

Dentro da produção animal o cruzamento é quando os mesmos se acasalam, ou seja, quando são colocados para se reproduzir, indivíduos de raças ou grupamentos genéticos distintos. Por exemplo, quando se acasalam reprodutores Suffolk com ovelhas Santa Inês, neste caso está realizando o cruzamento entre estas raças, conciliando as características de interesse entre ambas. Na região Sul é praticado cruzamento industrial, com raças específicas para lã (Merino e Ideal), como base materna; que são cruzadas com as específicas para carne.

Os produtos desses cruzamentos são conhecidos por mestiços. Realiza-se o cruzamento quando se deseja obter o vigor híbrido ou heterose, que é esperada a superioridade da progênie em relação à média dos pais. Lembrando que existe uma confusão por parte dos criadores, acreditando que as raças lanadas não podem ser criadas em clima quente e isso não é verdade, pois a lã funciona como um isolante térmico, protegendo o animal tanto do frio quanto do calor, o que acontece é que os lanados com temperatura elevada aumentam sua frequência respiratória, sendo um mecanismo de perda de calor, para manter sua homeotermia.

Na região Sul, Sudeste e Centro Oeste destacam-se a criação de ovinos lanados, bem com Suffolk, Ile de France, Texel, Hampshire Down e Dorper, geralmente são as mais adotadas para a realização de cruzamento industrial, em rebanhos comerciais, ou seja, animais com características fenotípicas não definidas, sendo sua principal característica a rusticidade, obtendo-se um produto com boa adaptabilidade e maior precocidade após o cruzamento.

Na região do Nordeste, nos climas semiáridos, as condições de alimentação são desfavoráveis, em função da menor precipitação pluviométrica. Desta maneira, boa parte do ano é conveniente que a linhagem materna seja constituída de animais com maior rusticidade e menor exigência nutricional, em função do menor porte. Nestas condições, para ovinos, o tipo racial considerado Sem Raça Definida (SRD), a raça Morada Nova, a raça Somalis e até mesmo o Santa Inês devem ser usadas como linhagem materna, com introdução de reprodutores tipo carne, considerados linhagem paterna, resultando em um maior desempenho do cordeiro desse cruzamento. Lembrando que também existem as técnicas de conservação de forragem, como o feno, a silagem, além da palma forrageira, que é muita usada na região para a suplementação dos ovinos, em épocas críticas.

Considerações finais

Os ovinos apresentam boa precocidade e prolificidade, desta maneira proporcionam um melhoramento genético rápido, devido ao menor intervalo de geração, inclusive dando retorno de capital ao criador em menor tempo, maximizando a rentabilidade da atividade.

O cruzamento industrial é uma técnica recomendada quando o objetivo da propriedade é o aumento de produção de carne dos ovinos corte, além de melhorar a qualidade da carne ofertada ao mercado consumidor.

Figura 1 - Foto do Brutos da UNIMAR (raça Suffolk), doador de sêmen em parceria com a CRV Lagoa e Top in Life.



Figura 2 Foto do confinamento coletivo da Cabanha UNIMAR, parcialmente coberto e com produtos de cruzamento industrial.

CLEDSON AUGUSTO GARCIA

Professor da Universidade de Marília

16

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

BRUNO MARIANO

CARUARU - PERNAMBUCO - OVINOS/CAPRINOS

EM 03/11/2016

Olá Professor, mais uma vez parabéns pelos artigos. A minha dúvida é quanto as matrizes. Como estou iniciando, devido a dificuldade de invertimento, devo começar com matrizes SRD e Santa Ines comerciais, sem muita evolução genética. Os reprodutores pretendo usar PO de dorper. Pois bem, devo reter as F1 para aumentar a quantidade de matrizes a agregar melhoramento genético. Mas a medida que o sangue for passando pra 3/4, 7/8 de dorper, o que devo fazer? Usar um reprodutor Santa Ines? Tenho essa dúvida quanto ao cruzamento industrial, pois os produtos irão sempre se aproximar a cada geração da raça do reprodutor, e não haverá novas matrizes da raça inicial (Santa Ines), a não ser por compra de novos animais. Muito obrigado.  
CLEDSON AUGUSTO GARCIA

SÃO PAULO

EM 30/03/2014

Prezado Sérgio entrar em contato com a USP Pirassununga, que realizam o índice do preço do cordeiro. att
SERGIO NUNES

QUEDAS DO IGUAÇU - PARANÁ - ESTUDANTE

EM 28/03/2014

gostaria de receber todas as noticias do mercado
CLEDSON AUGUSTO GARCIA

SÃO PAULO

EM 27/06/2013

Obrigado Eduardo. abç
FRANCISCO

TAUÁ - CEARÁ - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 29/05/2013

caro Clédson gostei muito do seu artigo!!porem  gostaria de saber qual raça mais adequada para o cruzamento com um reprodutor somalis?
EDUARDO ARAGÃO

FORTALEZA - CEARÁ - ESTUDANTE

EM 01/05/2013

Parabéns pelo artigo !
SILVIO CESAR FERREIRA

BIRIGUI - SÃO PAULO

EM 23/01/2013

gostei muito do seu artigo e me enteresso também pela ovino cultura  temos uma propriedade rural e gostaria de iniciar  uma criação valeu
PAULO BEDÊ

ALAGOINHAS - BAHIA - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 19/11/2012

Caro Cledson eu aqui novamente gostaria de sua opiniao,se for possivel, sobre vantagens e desvantagens no three cross (dorper-sta ines-suffolk) x meio sangue DorperInês para carne, na minha regiao semiarido bahiano (reconcavo), no manejo semintensivo em pasto pobre (humidicula) e capim de corte + sal mineral + ração (5g/kg de carne/dia) na baia, Grato PAULO BEDÊ
CLEDSON AUGUSTO GARCIA

SÃO PAULO

EM 19/11/2012

Prezado Agilson Santos de Oliveira no Nordeste poderia ser a raça Dorper, Texel ou Suffolk, mas acredito que encontre com mais facilidade a Dorper na sua região. Entretanto, nas provas de ganho de peso realizada em SP, pela ASPACO o Suffolk em vários anos têm demonstrado o melhor resultado para ganho de peso e avaliação da carcaça. Att
AGILSON SANTOS DE OLIVEIRA

CAPIM GROSSO - BAHIA - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 14/11/2012

bom Cledson muitos interesante seus comentarios, quero saber qual a raça de ovinos para corte mais adaptavel na regiao nordeste, e que tenha maior ganho de peso rapido. desde ja agradeço a suas consideraçoes.
AGILSON SANTOS DE OLIVEIRA

CAPIM GROSSO - BAHIA - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 14/11/2012

ola bom dia Cledson muito bem seus comentarios, eu queria saber qual a melhor raça pra corte a ser desenvalvida na regiao nodeste.
CLEDSON AUGUSTO GARCIA

SÃO PAULO

EM 30/06/2010

"Prezado André Vicente Bastos", os cordeiros geralmente são desmamados com idade média de 60 a 80 dias e logo após essa técnica de manejo os mesmos serão encaminhados para o confinamento, permanecendo por um perído de 40 a 80 dias, até atingir o peso de abate, objetivando atender a demanda do mercado regional.
Cordialmente
CLEDSON AUGUSTO GARCIA

SÃO PAULO

EM 30/06/2010

"Prezado PAULO BEDÊ", devido a mesma ser mais exigente que a raça Morada Nova, embora saibamos que é criada em todo Brasil, ou seja, quanto maior o porte da raça maior será sua exigência nutricional.
Cordialmente
PAULO BEDÊ

ALAGOINHAS - BAHIA - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 30/06/2010

Caro Cledson. Achei bom seu artigo e não entendi seu ponto de vista (...até mesmo o Sta. Inês) para a linha materna nos cruzamentos no Nordeste. Quais restrições do uso do Santa Inês para linha materna em relação as demais raças citadas nos cruzamentos do Nordeste? Grato, PAULO BEDÊ.



ANDRÉ VICENTE BASTOS

SALVADOR - BAHIA

EM 30/06/2010

Olá Cledson, parabéns pelo artigo, está ótimo. Trabalho com gado de corte, porém gosto muito de ovinocultura também, mas tenho algumas dúvidas: qual o tempo médio de confinamento e com qual idade os animais devem entrar nele? Obrigado.
HELEN RENNER

SANTA CRUZ DE MONTE CASTELO - PARANÁ - ESTUDANTE

EM 27/06/2010

Olá Clédson, parabéns pelo artigo, achei muito interessante. Qual a diferença entre cruzamento industrial e comercial? Obrigado