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Creep-feeding: uma ferramenta indispensável na produção de cordeiros

POR CIRILO - CLAYTON QUIRINO MENDES

PRODUÇÃO

EM 11/07/2006

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A crescente demanda por carne ovina, registrada nos últimos anos, impulsionou o aumento da produção de cordeiros para abate, gerando a necessidade de melhoria nas técnicas de produção. Para que o sistema de cria e terminação de cordeiros em confinamento seja realizado com êxito, alguns fatores relacionados ao manejo nutricional do rebanho devem ser cuidadosamente respeitados pelo produtor; dentre os quais podemos destacar a condição da ovelha durante a gestação e lactação e o crescimento do cordeiro até a desmama.

A alimentação dos cordeiros durante o período de aleitamento é extremamente importante para que a desmama seja realizada com sucesso e os animais apresentem as condições necessárias para serem terminados em confinamento.

Durante o primeiro mês de vida o cordeiro depende basicamente do leite materno. A partir desse período ocorre um aumento gradativo no consumo de alimento sólido, o qual é acompanhado pela elevação do peso corporal e das exigências nutricionais. Em geral, cordeiros começam a consumir quantidades significativas de ração ao redor dos 10 a 14 dias de idade, sendo o consumo inversamente proporcional à ingestão de leite.

O rápido crescimento do cordeiro nos primeiros meses de vida aliado à redução na produção de leite da ovelha, a partir da terceira semana pós-parto, tornam a técnica de alimentação privativa, conhecida como "creep-feeding", indispensável dentro do sistema produtivo.

A alimentação privativa ou "creep feeding" é o sistema de alimentação utilizado durante a fase de aleitamento no qual as crias recebem uma suplementação. Esta prática caracteriza-se pelo fato de apenas os cordeiros terem acesso à ração (concentrado próprio para a fase inicial), o que se faz possível pela oferta de alimento em cocho cercado.

O sistema fundamenta-se na curva característica de lactação das ovelhas, cujo pico de produção ocorre entre a terceira e a quarta semana após o parto, sendo que 75% do total de leite é produzido nas oito primeiras semanas da lactação. Além disso, deve se considerar o fato de que o aumento no número de crias por parto não é acompanhado pelo aumento proporcional na produção de leite. Ovelhas com duas crias produzem cerca de 20 a 40% a mais de leite do que ovelhas com partos simples.

Concomitantemente à diminuição da produção de leite da ovelha, ocorre o aumento das necessidades de ingestão de matéria seca por parte do cordeiro, em virtude do seu crescimento, fato que o força a substituir a dieta líquida pela sólida. A ração do "creep feeding" geralmente é oferecida às crias uma semana após o nascimento para estimular o desenvolvimento precoce do rúmen, o qual depende da habilidade desses animais em consumir e utilizar o alimento sólido, e suplementar a ingestão de nutrientes para um crescimento mais acelerado.

A técnica da alimentação privativa quando utilizada de maneira correta proporciona diversos benefícios dentro do sistema de produção. O aumento da taxa de crescimento dos animais durante a fase de aleitamento possibilita que estes sejam desmamados com maior peso corporal. Neres et al. (2000) compararam o desempenho de cordeiros desmamados aos 56 dias com e sem acesso ao alimentador privativo e obteve peso à desmama de 25,60 e 18,30 kg, respectivamente.

Outra vantagem da utilização da alimentação privativa está relacionada ao fato de que o animal exposto à dieta sólida desde os primeiros dias de vida apresentará melhores condições de adaptação durante a fase de terminação. O período da desmama é bastante delicado, uma vez que a separação entre a cria e a mãe gera uma situação de estresse, com reflexos negativos sobre o consumo de matéria seca e o sistema imunológico do animal, tornando-o mais susceptível às adversidades do meio ambiente.

Mudanças abruptas na dieta durante essa fase pode afetar negativamente o desempenho dos animais por até duas semanas. Desta forma, a utilização do "creep feeding" permite que o animal apresente maior peso corporal no início do confinamento e esteja adaptado ao tipo de ração que será fornecida durante a engorda, reduzindo desta forma os efeitos deletérios decorridos da desmama.

Para que o consumo do concentrado inicial seja elevado, as dietas fornecidas no alimentador privativo devem apresentar boa aceitabilidade e estar ao alcance dos cordeiros durante todo o tempo. Além disso, o concentrado deverá ter energia elevada e conter teores adequados de proteína, minerais e vitaminas. A utilização de um ingrediente palatabilizante, como o melaço de cana-de-açúcar, contribui para aumentar o interesse do animal pela ração, elevando o consumo voluntário.

Outro fator de grande relevância é a forma de processamento do milho grão. A recomendação é que este seja parcialmente processado, ou seja, quebrado, triturado ou moído grosso. Como não é utilizado nenhum tipo de forragem na ração inicial, o fornecimento do milho grão com partículas de tamanhos maiores, estimula o desenvolvimento das papilas do rúmen, acelerando a atividade ruminal.

A seguir são apresentadas alguns exemplos de concentrado inicial que podem ser utilizados no "creep-feeding" (Tabela 1).

Tabela 1: Exemplos de fórmulas de concentrado inicial para utilização no "creep feeding" (% da matéria original)


O desenvolvimento do rúmen está diretamente relacionado ao consumo de leite e de alimentos sólidos. De acordo com Susin (2001), o consumo de alimento sólido não é significativo até 3 semanas de idade; entretanto, as pequenas quantidades ingeridas são muito importantes para estabelecer a função ruminal e o hábito de ingestão.

Avaliando o desempenho de cordeiros da raça Santa Inês alimentados em sistema de "creep-feeding", Mendes et al. (2003) observaram consumo médio diário de 127 g durante o período de aleitamento. Nas duas semanas que seguiram à desmama, efetuada aos 56 dias, os cordeiros aumentaram consideravelmente o consumo do concentrado inicial, apresentando média diária de 480 g. Estes resultados evidenciam a importância da utilização da alimentação privativa durante o período de aleitamento, uma vez que o consumo de alimento sólido é o melhor critério para desmamar cordeiros precocemente.

O fornecimento do concentrado inicial é tão importante quanto a localização do alimentador privativo ("creep"), o qual deve ser de fácil acesso, colocado em local com boa luminosidade, sombreado e próximo ao ponto de descanso de rebanho, de modo que a mãe possa ver suas crias e vice-versa. Além disso, é necessário que as crias tenham disponível água limpa, fresca e à vontade.

O comedouro privativo pode ser construído com diversos tipos de materiais, como por exemplo madeira, tela de arame, barras de ferro. O importante é que atenda o objetivo principal, que é possibilitar o acesso exclusivo das crias e que a entrada seja ajustável ao tamanho das crias em função da idade. As dimensões podem variar em função do material utilizado na estrutura e na localização do alimentador, conforme apresentado na figura 1.


Figura 1: Alimentador privativo ("creep") utilizado em confinamento ou pastagens.

Considerando o elevado crescimento apresentado pelos animais jovens e visando ganhos de peso acelerado, a utilização da técnica de alimentação privativa ou "creep feeding" se coloca como uma ferramenta tecnológica indispensável para atender os objetivos propostos nos atuais sistemas de produção de ovinos.

O fornecimento do concentrado inicial através do alimentador privativo permite que os animais sejam confinados logo após a desmama sem afetar o desempenho, garantindo desta forma, maior sucesso durante a fase do confinamento e possibilitando redução nos custos com alimentação e mão-de-obra durante a fase de terminação, gerando maior retorno econômico da atividade.

Literatura consultada

MENDES, C. Q.; SUSIN, I.; PIRES, A. V. Desempenho de cordeiros (as) recebendo concentrado inicial com diferentes teores de proteína bruta. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRAZILEIRA DE ZOOTECNIA, 40. Santa Maria, 2003. CD.

NERES, M. A.; MONTEIRO, A. L. G.; GARCIA, C. A.; COSTA, C.; ARRIGONI, M. B.; ROSA, G. J. M.; PRADO, O. R. 2000a. Desempenho de cordeiros criados em "creep feeding" e terminados em confinamento. In: Reunião Anual da SBZ, 37. Viçosa, MG.

SUSIN, I.. Confinamento de cordeiros. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 38., Piracicaba, 2001. A produção animal na visão dos brasileiros. Piracicaba: FEALQ, 2001. p.454- 460.

CIRILO - CLAYTON QUIRINO MENDES

É colaborador do Agripoint como instrutor do curso Princípios da Nutrição de Caprinos e Ovinos de Corte e escreve artigos técnicos para seções Nutrição e Pastagem.

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FRANCISCO SOTERO

PEDRO II - PIAUÍ - OVINOS/CAPRINOS

EM 31/12/2015

Sou criador de ovino, estou usando no Creep Feeding, milho triturado grosso 70%, soja 29% e mineral para ovinos 1%, tenho um bom resultado.
LUCAS

CAJURI - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 07/09/2015

sou de minas, o que posso colocar no lugar do melaço de cana na tabela 1
EDELVAN ANDRADE

CUMBE - SERGIPE - ESTUDANTE

EM 14/10/2014

qual a quantidade a ser colocada?
ANTENOR ALVES JR

CUIABÁ - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 12/11/2013

usar farelo de algodão no lugar de farelo de soja?
JAIME DE OLIVEIRA FILHO

ITAPETININGA - SÃO PAULO - OVINOS/CAPRINOS

EM 31/07/2013

o uso do creep  feeding só trás vantagens aos cordeiros,com o uso até os 60 dias(consumo médio 200g ) vc consegue a proporção de ganho de 1kg PV x 1,5 kg de ração,enquanto o cordeiro quando no confinamento precisa de 4,5 kg de alimento (volumoso  e concentrado) para ganho de 1 kg de PV e outras vantagens que foram citadas acima.
WILMAR GOMES BRAZ

SANTANA DO LIVRAMENTO - RIO GRANDE DO SUL - OVINOS/CAPRINOS

EM 31/07/2013

Gostaria de saber as dimensões das entradas de acesso ao Creep Feeding. Grato. Wilmar Gomes Braz - wgomesbraz@hotmail.com
ERIZON DA SILVA

LIMOEIRO DO NORTE - CEARÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 22/09/2012

Olá Cirilo! Gostei bastante da formula  da tabela 1: Porém, não seria importante a presença do núcleo? e se for o caso, qual seria a (%) na composição da dieta?



Aguardo resposta,

Atenciosamente.
LUTERO DE ANDRADE OLIVEIRA

PIRIPIRI - PIAUÍ - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 14/07/2010

A técnica do creep quando utilizada de maneira correta proporciona diversos benefícios: diminui o tempo de "monogástrico" para poligástrico, aumenta da taxa de crescimento além de possibilitar que estes sejam desmamados com maior peso corporal. Quem não implementou, está perdendo tempo, pois só com o creep-feeding é possível apartar com 75, 90 e 110 dias, e com mais 30 dias de confinamento, ter animais com, 115, 120 e 140 dias com a carcaça que o mercado quer! Com 30 - 40 kg/vivo, ou seja, 15 - 20 de carcaça. Conforme Neres et al. (2000) o desempenho de cordeiros desmamados aos 56 dias com e sem acesso ao alimentador privativo obtiveram peso à desmama de 25,60 e 18,30 kg, respectivamente, ou seja um aumento a ser considerado. O creep não pode ser um cercado para isolar os borregos só com luz artificial e sim um espaço nutricional.
OLAVO PASSOS PINTO COELHO FILHO

PADRE BERNARDO - GOIÁS

EM 18/07/2008

Gostaria de ter mais dados sobre instalações de creep(medidas)
FRANCISCO GARCIA BARRINHA

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 12/05/2008

Tenho um rebanho de 150 matrizes e gostaria de saber as dimensóes como largura e altura do creep e se dá para ser regulavel.
EWERTON HENRIQUE

SOCORRO - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 11/01/2008

Parabéns pelo artigo. A formula de ração de creep é bem simples e eficiente. abraços
NELSON NUNES FERNANDES

CUIABÁ - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/11/2007

Esse artigo veio na hora exata, pois estou construindo piquetes rotacionados e não tinha pensado em construir creep para as crias.
PAULO JOSÉ THEOPHILO GERTNER

LAURO DE FREITAS - BAHIA

EM 13/08/2006

Relutei durante muito tempo em adotar o Creep-feeding, preocupado com o aumento dos custos, mas as vantagens em ganho de produção superam em muito o investimento e o custo.

Quem não implementou ainda, está perdendo tempo, pois só com o Creep-feeding é possível apartar com 110 dias, e com mais 30 dias de confinamento, ter animais com 140 dias com a carcaça que o mercado quer! Com 30 - 40 kg/vivo, ou seja 15 - 20 de carcaça.

Paulo José Theophilo Gertner (Zeca)

MARCELO BARRETO SOUZA

NOSSA SENHORA DA GLÓRIA - SERGIPE - ESTUDANTE

EM 04/08/2006

Gostei desse artigo por conter muitas informações que ainda não erão de meu conhecimento.