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Creep feeding - uma estratégia de suplementação

POR SUELI FREITAS DOS SANTOS

E RENAN M. MEDEIROS SANSON

PRODUÇÃO

EM 03/02/2010

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A maioria dos sistemas de produção de pequenos ruminantes fundamentam-se no uso exclusivo de pastagens. Entretanto, as sazonalidades dos períodos chuvosos e das secas periódicas ocasionam restrições ao suprimento forrageiro. É importante ressaltar que, durante esses períodos, a forragem não terá todos os nutrientes essenciais e em proporções adequadas, de forma a atender integralmente as exigências nutricionais desses animais em pastejo e uma alternativa de correção para esse desequilíbrio nutricional, seria a utilização de suplementação. Em rebanhos de ovinos e caprinos de corte, durante a fase de cria, uma estratégia de suplementação bastante utilizada é o creep feeding.

O creep feeding é um sistema de alimentação utilizado durante a fase de cria no qual se permite que apenas as crias lactentes (cabritos e cordeiros) tenham acesso, através de um pequeno dispositivo de passagem (creep), a uma suplementação alimentar exclusiva (creep ration), normalmente concentrada, enriquecida com minerais e vitaminas e disposta em comedouros privativos (creep feeder), a qual as matrizes lactantes não têm acesso. É importante ressaltar que o creep feeding deve ser um complemento da alimentação básica, que venha proporcionar o que for necessário para corrigir as deficiências nutritivas do leite materno e da forragem disponível na pastagem ao longo do período de amamentação, ocasionando de certa forma, aumento nas taxas de crescimento, eficiência alimentar e economia no ganho de peso.

É de extrema importância que a ração do creep feeding possua alta digestibilidade que não leve ao acúmulo de material fibroso indigestível ao rúmen. O farelo de soja e o milho são ingredientes importantes para dieta inicial. O farelo de soja apresenta aceitabilidade elevada e alta concentração de proteína e o milho moído fermenta rapidamente no rúmen. É sabido que, o consumo de alimento sólido precoce acelera o tempo necessário a desmama e aumenta o desempenho.

Animais que recebem alimento concentrado nas fases iniciais da vida desenvolvem mais rapidamente o rúmen e assim, estimulando as crias a comerem alimentos fibrosos como as pastagens, e liberando com mais antecedência as matrizes para a reprodução. Animais alimentados somente com leite têm um desenvolvimento ruminal inferior em relação a animais que recebem concentrado e forragem. Assim, após a desmama o animal terá um desenvolvimento pós desmama menor em relação aos animais que estavam no creep feeding. As crias devem comer alimentos sólidos o mais rápido possível, a partir do 12º dia de vida. A formulação para creep feeding não precisa ser complexa. Entretanto, ela deve conter ingredientes como farelo de soja, milho e melaço que age como palatabilizante favorecendo o aumento do consumo pelas crias.

As principais vantagens que devem atender em parte, as necessidades nutritivas das crias lactentes, relacionam-se ao:

a) aumento da taxa de crescimento das crias durante a fase de cria, antecipando assim a idade ao abate e a produção de crias mais pesadas e uniformes, além de permitir que o animal expresse seu potencial genético;

b) proporciona as crias de partos gemelares ou filhos de matrizes de baixa produção leiteira, um ganho de peso semelhante ao de crias nascidas de parto simples, criados em sistema convencional (normalmente, cordeiros e cabritos quando submetidos ao sistema de creep feeding, apresentam peso vivo ao desmame maior que as crias que não fazem uso dessa estratégia alimentar);

c) melhora a eficiência alimentar e economia no ganho de peso das crias;

d) incrementa o desempenho das crias durante o período de terminação (estimula o desenvolvimento pós-natal do rúmen das crias, diminuindo o estresse decorrente da desmama, simplificando, dessa forma, a desmama);

e) eleva a eficiência reprodutiva das matrizes durante a fase de amamentação (permite que as matrizes sejam acasaladas precocemente,);

f) facilita o controle de parasitas;

g) e apresenta facilidade de utilização pelo criador.

No entanto, apesar de todas essas vantagens, é importante que se tenha cuidado na utilização do creep feeding, como por exemplo:

a) sua utilização pode não ser lucrativa (esse fato poderá ocorrer em função do custo excessivo do concentrado ou do baixo desempenho dos animais. Vale ressaltar que, o manejo sanitário do rebanho é de extrema importância para a obtenção de respostas positivas relacionadas à reprodução em sistemas de produção);

b) as crias suplementadas podem apresentar um baixo desempenho no início da utilização do creep feeding quando comparados com as crias em sistemas convencionais (isso pode ocorrer pelo fato desses animais apresentarem um ganho compensatório na fase inicial. Entretanto, essa desvantagem pode ser compensada pelo menor tempo de uso das crias ao creep feeding, uma vez que, quando desmamados mais cedo, atingem mais cedo a idade ao abate);

c) animais submetidos à prática dos creep feeding, se desmamados e colocados em pastagens, apresentam baixos desempenhos, que por sua vez, esses irão demorar a se adaptarem a dietas à base de volumosos;

d) Ocorrerá uma possível dificuldade de seleção de matrizes para habilidades maternas, pois como as crias são suplementadas, a diferença de desempenho dos mesmos em função da produção de leite da mãe tendem a desaparecer ou a ser minimizada;

e) as crias fêmeas, poderão ganhar peso excessivo e terem a produção de leite comprometida em função do acúmulo de gordura na glândula mamária;

f) o creep feeding pode ser associado a distúrbios relacionados a saúde animal, como por exemplo, a urolitíase e a acidose, nas quais normalmente estão associadas a desequilíbrios relacionados as proporções de volumosos e concentrados na dieta;

g) outros fatores que devem ser considerados na utilização do creep feeding são a qualidade e a quantidade de forragem disponível, condição corporal da matriz, nutrição das crias, peso a desmama, custo total do sistema incluindo despesas com alimentação, mão-de-obra, compras e depreciação de equipamentos.

O uso do creep feeding pode ser compensatório se o preço do concentrado for de baixo custo e esses animais suplementados devem ser criados pelo produtor até a fase de abate, pois se as crias forem vendidas desmamadas o preço dele pode acabar sendo igual ao de crias não suplementados o que não é compensatório. Esses animais que recebem esse tipo de alimentação estão na fase de melhor aproveitamento do alimento e o consumo é baixo por animal, o que faz diminuir os riscos em relação a lucros.

O creep feeding deve ser instalado dentro de uma "gaiola" própria, podendo essa ser (de madeira, tela de arame, grades de ferro, etc.), de uma baia ou de um piquete da pastagem, que por sua vez, deve dispor de abertura ou porteira com dimensões em torno de 25 a 30 cm de altura e 15 a 17 cm de largura, sendo ajustáveis à idade e ao tamanho das crias, para que essas possam transitar, e que evite a passagem das matrizes.

Em relação aos espaços lineares a ser deixado nos comedouros, existem recomendações que variam de 5,0 a 7,6 cm aproximadamente para cada cria. É de fundamental importância que o comedouro seja construído ou posicionado de forma que as crias não possam ficar de pé sobre o comedouro, evitando assim o possível desperdício de ração. E que esteja bem localizado, em terrenos altos e secos, assim como também, em pontos visitados com regularidade pelo rebanho, como é o caso das aguadas, bebedouros, saleiros e lugares sombreados para descanso nas horas mais quentes do dia. Isso porque, se estiver mal localizado, não receberá os resultados esperados.

Outro ponto que deve ser levado em consideração na utilização do creep feeding é a ração a ser fornecida. É fundamental que esta seja fornecida inicialmente em quantidades menores e que seja aumentada de forma gradativa em função da idade e peso da cria, ou seja, cerca de 3 a 4% para as crias mais jovens e de 2 a 3% do seu peso vivo para as crias mais velhas. Assim como também, do tipo de alimentos básicos disponíveis, e seu fornecimento diário, para assegurar uma alimentação sempre fresca. Quando for fornecido o concentrado para animais que estão em pastagens, é indicado que se forneça o alimento no período entre as 10:00 ao 12:00 horas, pois assim, o animal consome a forragem pela manhã, concentrado na hora mais quente do dia (período em que geralmente ele para de consumir forragem) e a tarde ele volta a consumir forragem.

É importante lembrar que, a eficiência de utilização do creep feeding deve considerar os custos totais do sistema, sendo que para um retorno econômico satisfatório, a conversão alimentar deve ser de no máximo 5:1 (5 kg MS de alimento consumido por kg de ganho de peso vivo). A ração do creep feeding deve estar disponível para as crias com três a cinco semanas de idade e deve ser mantida, pelo menos, até as oitava ou décima semanas de idade. O creep feeding é uma prática de manejo bastante simples podendo ser utilizada como uma ferramenta objetivando melhorar o desempenho produtivo de ovinos e caprinos de corte, principalmente quando a alimentação básica, leite materno e pasto não atendem as demandas nutricionais das crias lactentes, devido a fatores extrínsecos (relacionados às condições edafoclimáticas desfavoráveis, secas, superpastejo, etc.) e /ou a fatores intrínsecos (relacionados ao potencial genético, idade, habilidade materna, etc.).

SUELI FREITAS DOS SANTOS

Zootecnista

RENAN M. MEDEIROS SANSON

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